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quarta-feira, 18 de março de 2026

POLÍCIA JUDICIÁRIA DE PORTUGAL APREENDE BARCO DE PESCA COM 1,8 TONELADAS DE COCAÍNA


No interior do barco pesqueiro, de nome “Golfinho 1”, foram detidos oito homens (quatro de nacionalidade brasileira, três surinameses e um neerlandês)

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes - UNCTE apreendeu no dia 9 de março, 1.800 quilos de cocaína, em uma operação em estreita articulação e cooperação com a Marinha e a Força Aérea Portuguesas, que levou ao desmantelamento de uma organização criminosa (ORCRIM) dedicada à introdução de grandes quantidades de droga no continente europeu, através do uso de uma embarcação pesqueira.

A ação, batizada de “Operação Survivor", foi conduzida pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da Polícia Judiciária (PJ) Portuguesa, suportada por meios operacionais da Marinha Portuguesa e da Força Aérea Portuguesa.

Abordagem da Marinha

A embarcação pesqueira, proveniente da América do Sul, foi interceptada a cerca de 1.040 milhas náuticas (1 925 km) de Lisboa e a 450 milhas náuticas (833 km) a Sudoeste do Porto de Ponta Delgada na Ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores, sob o que as autoridades descreveram como "condições de navegação extremas" — um detalhe que sugere condições meteorológicas adversas ou a má navegabilidade da embarcação, ou ambos.

Elementos da Unidade de Operações Especiais da Marinha Portuguesa, conduzidos pelo navio patrulha oceânico NRP Sines, da classe Viana do Castelo, que opera na área de Ponta Delgada, em uma embarcação pneumática, realizaram a ação de visita, abordagem, busca e captura de meios navais (“Visit, Board, Search, and Seizure”, VBSS) sobre o pesqueiro.

No interior do barco pesqueiro, de nome “Golfinho 1”, foram detidos oito homens (quatro de nacionalidade brasileira, três surinameses e um neerlandês) e apreendidos vários equipamentos de navegação e apetrechos típicos de operações de contrabando de longa distância.

Apoio a Força Aérea

A operação foi apoiada pela ação de reconhecimento e vigilância marítima de longo alcance da Força Aérea Portuguesa com a aeronave “Orion”, da Esquadra 601 – “Lobos”.

Droga apreendido e detidos

A embarcação, junto com a cocaína apreendida e a tripulação, foi transportada para o Porto de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, onde os homens detidos foram apresentados ao juiz de instrução criminal.

Eles receberam a medida coercitiva mais restritiva prevista na lei portuguesa: prisão preventiva, essencialmente prisão preventiva sem direito a fiança até ao julgamento, ficando presos no presídio de Ponta Delgada.

Diligências

A PJ acrescentou que, perante os indícios recolhidos, com a colaboração do seu Departamento de Investigação Criminal (DIC) dos Açores e em articulação com o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Ponta Delgada, "foram desenvolvidas diversas diligências de investigação para recolha de provas, com vista a atividade ilícita que os mesmos vinham desenvolvendo durante os últimos dias".

Investigação

A investigação iniciou-se neste mês de março por parte da MAOC-N (Maritime Analysis and Operations Centre – Drugs), no âmbito da cooperação policial internacional e em estreita colaboração e articulação com as autoridades policiais e judiciárias do Reino Unido – NCA (National Crime Agency), dos Estados Unidos – DEA (Drug Enforcement Administration) e JIATF-S (Joint Interagency Task Force South).

A interdição marítima, denominada “Operação Sobrevivente”, teve início quando a fusão de informações do Centro da MAOC-N em Lisboa sinalizou padrões incomuns de movimentação de embarcações no Atlântico Central.

A UNCTE da PJ, dirigida desde 2018, pelo coordenador superior de investigação criminal, Artur António Carvalho Vaz, levou a efeito esta operação, além dos meios já referidos das Forças Armadas Portuguesas, com o Departamento de Investigação Criminal (DIC) dos Açores da PJ e em articulação com o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Comarca dos Açores – Ponta Delgada.

As investigações prosseguem.

Colaboração Internacional

Em estreita colaboração e articulação com a PJ estiveram também a DEA (“Drug Enforcement Administration”, EUA), a JIATF South (“Joint Interagency Task Force South”, dos EUA), e a NCA (“National Crime Agency”, do Reino Unido), bem como o MAOC-N (“Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics”).

MAOC-N

O MAOC-N é uma plataforma de cooperação internacional, co-financiada pela União Europeia, para reforço do combate ao narcotráfico por via marítima, criada e com sede desde 2007 na zona oriental de Lisboa (junto à Doca do Poço de Bispo), e do qual fazem parte nove países europeus: Portugal, Espanha, França, Itália, Holanda, Irlanda, Reino Unido, Bélgica e Alemanha (tendo Cabo Verde o estatuto de observador na mesma).

A MAOC-N é dirigida desde Setembro de 2025 por José Ferreira, coordenador superior de investigação criminal da PJ e, durante oito anos, o Director de Operações da MAOC-N.

Açores e Madeira

Os Açores e Madeira, em particular, funcionam como pontos de passagem onde os traficantes realizam transferências em alto-mar, de "navios-mãe" para embarcações menores e mais rápidas que conseguem entrar em portos europeus ou zonas costeiras isoladas.

O papel de Portugal como um "ponto crítico" acarreta consequências tangíveis: maior presença policial nos portos, maior vigilância do tráfego marítimo e maior exigência de recursos para os sistemas judicial e penitenciário.

A prisão de Ponta Delgada, que alberga os oito cidadãos estrangeiros cujos casos provavelmente exigirão serviços de tradução, notificações consulares e prazos de investigação mais longos — tudo financiado pelos contribuintes portugueses.

Além disso, a internacionalização dessas investigações significa que os procuradores portugueses têm de lidar com tratados complexos de assistência jurídica mútua e coordenar ações com agências como o escritório de ligação da DEA em Lisboa e a Força-Tarefa Interagências Conjunta Sul (JIATF-S), que monitoriza o fluxo de drogas no Hemisfério Ocidental.

Embora isso traga conhecimento técnico e partilha de informações, também sujeita os processos judiciais portugueses a pressões diplomáticas externas e a prazos apertados.

Embarcação Brasileira

Embora não tenha sido divulgado o país de origem da embarcação, em apuração realizada pelo Portal Segurança Portuária Em Foco consta que, com base nos dados da Marinha do Brasil, existe um registro no país para a embarcação EXP GOLFINHO I.

Trata-se de um barco de pesca motorizado, construído em madeira, com área de atuação em cabotagem. O registro indica o código CPBLEM (Capitania dos Portos), situado no Brasil.

Esta informação reflete dados técnicos oficiais de registro e não detalhes operacionais específicos da embarcação, conforme os dados disponíveis em 18 de março de 2026.


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