No interior do barco pesqueiro, de nome “Golfinho 1”,
foram detidos oito homens (quatro de nacionalidade brasileira, três surinameses
e um neerlandês)
A Polícia
Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de
Estupefacientes - UNCTE apreendeu no dia 9 de março, 1.800 quilos de cocaína, em
uma operação em estreita articulação e cooperação com a Marinha e a Força Aérea
Portuguesas, que levou ao desmantelamento de uma organização criminosa (ORCRIM)
dedicada à introdução de grandes quantidades de droga no continente europeu,
através do uso de uma embarcação pesqueira.
A ação, batizada de “Operação
Survivor", foi conduzida pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de
Estupefacientes (UNCTE) da Polícia Judiciária (PJ) Portuguesa, suportada por
meios operacionais da Marinha Portuguesa e da Força Aérea Portuguesa.
Abordagem da Marinha
A embarcação pesqueira,
proveniente da América do Sul, foi interceptada a cerca de 1.040 milhas
náuticas (1 925 km) de Lisboa e a 450 milhas náuticas (833 km) a Sudoeste do
Porto de Ponta Delgada na Ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores,
sob o que as autoridades descreveram como "condições de navegação
extremas" — um detalhe que sugere condições meteorológicas adversas ou a
má navegabilidade da embarcação, ou ambos.
Elementos da Unidade
de Operações Especiais da Marinha Portuguesa, conduzidos pelo navio patrulha
oceânico NRP Sines, da classe Viana do Castelo, que opera na área de Ponta
Delgada, em uma embarcação pneumática, realizaram a ação de visita, abordagem,
busca e captura de meios navais (“Visit, Board, Search, and Seizure”, VBSS)
sobre o pesqueiro.
No interior do barco
pesqueiro, de nome “Golfinho 1”, foram detidos oito homens (quatro de
nacionalidade brasileira, três surinameses e um neerlandês) e apreendidos vários
equipamentos de navegação e apetrechos típicos de operações de contrabando de
longa distância.
Apoio a Força Aérea
A operação foi
apoiada pela ação de reconhecimento e vigilância marítima de longo alcance da
Força Aérea Portuguesa com a aeronave “Orion”, da Esquadra 601 – “Lobos”.
Droga apreendido e detidos
A embarcação, junto
com a cocaína apreendida e a tripulação, foi transportada para o Porto de Ponta
Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, onde os homens detidos foram apresentados
ao juiz de instrução criminal.
Eles receberam a medida
coercitiva mais restritiva prevista na lei portuguesa: prisão preventiva,
essencialmente prisão preventiva sem direito a fiança até ao julgamento,
ficando presos no presídio de Ponta Delgada.
Diligências
A PJ acrescentou
que, perante os indícios recolhidos, com a colaboração do seu Departamento de
Investigação Criminal (DIC) dos Açores e em articulação com o Departamento de
Investigação e Ação Penal (DIAP) de Ponta Delgada, "foram desenvolvidas
diversas diligências de investigação para recolha de provas, com vista a
atividade ilícita que os mesmos vinham desenvolvendo durante os últimos
dias".
Investigação
A investigação iniciou-se
neste mês de março por parte da MAOC-N (Maritime Analysis and Operations Centre
– Drugs), no âmbito da cooperação policial internacional e em estreita
colaboração e articulação com as autoridades policiais e judiciárias do Reino
Unido – NCA (National Crime Agency), dos Estados Unidos – DEA (Drug Enforcement
Administration) e JIATF-S (Joint Interagency Task Force South).
A interdição
marítima, denominada “Operação Sobrevivente”, teve início quando a fusão de
informações do Centro da MAOC-N em Lisboa sinalizou padrões incomuns de
movimentação de embarcações no Atlântico Central.
A UNCTE da PJ,
dirigida desde 2018, pelo coordenador superior de investigação criminal, Artur
António Carvalho Vaz, levou a efeito esta operação, além dos meios já referidos
das Forças Armadas Portuguesas, com o Departamento de Investigação Criminal
(DIC) dos Açores da PJ e em articulação com o Departamento de Investigação e Ação
Penal (DIAP) da Comarca dos Açores – Ponta Delgada.
As investigações
prosseguem.
Colaboração Internacional
Em estreita
colaboração e articulação com a PJ estiveram também a DEA (“Drug Enforcement
Administration”, EUA), a JIATF South (“Joint Interagency Task Force South”, dos
EUA), e a NCA (“National Crime Agency”, do Reino Unido), bem como o MAOC-N
(“Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics”).
MAOC-N
O MAOC-N é uma
plataforma de cooperação internacional, co-financiada pela União Europeia, para
reforço do combate ao narcotráfico por via marítima, criada e com sede desde
2007 na zona oriental de Lisboa (junto à Doca do Poço de Bispo), e do qual
fazem parte nove países europeus: Portugal, Espanha, França, Itália, Holanda,
Irlanda, Reino Unido, Bélgica e Alemanha (tendo Cabo Verde o estatuto de observador
na mesma).
A MAOC-N é dirigida
desde Setembro de 2025 por José Ferreira, coordenador superior de investigação
criminal da PJ e, durante oito anos, o Director de Operações da MAOC-N.
Açores e Madeira
Os Açores e Madeira,
em particular, funcionam como pontos de passagem onde os traficantes realizam
transferências em alto-mar, de "navios-mãe" para embarcações menores
e mais rápidas que conseguem entrar em portos europeus ou zonas costeiras
isoladas.
O papel de Portugal
como um "ponto crítico" acarreta consequências tangíveis: maior
presença policial nos portos, maior vigilância do tráfego marítimo e maior
exigência de recursos para os sistemas judicial e penitenciário.
A prisão de Ponta
Delgada, que alberga os oito cidadãos estrangeiros cujos casos provavelmente
exigirão serviços de tradução, notificações consulares e prazos de investigação
mais longos — tudo financiado pelos contribuintes portugueses.
Além disso, a
internacionalização dessas investigações significa que os procuradores
portugueses têm de lidar com tratados complexos de assistência jurídica mútua e
coordenar ações com agências como o escritório de ligação da DEA em Lisboa e a
Força-Tarefa Interagências Conjunta Sul (JIATF-S), que monitoriza o fluxo de
drogas no Hemisfério Ocidental.
Embora isso traga
conhecimento técnico e partilha de informações, também sujeita os processos
judiciais portugueses a pressões diplomáticas externas e a prazos apertados.
Embarcação Brasileira
Embora não tenha
sido divulgado o país de origem da embarcação, em apuração realizada pelo
Portal Segurança Portuária Em Foco consta que, com base nos dados da Marinha do
Brasil, existe um registro no país para a embarcação EXP GOLFINHO I.
Trata-se de um barco
de pesca motorizado, construído em madeira, com área de atuação em cabotagem. O
registro indica o código CPBLEM (Capitania dos Portos), situado no Brasil.
Esta informação
reflete dados técnicos oficiais de registro e não detalhes operacionais
específicos da embarcação, conforme os dados disponíveis em 18 de março de 2026.
A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto (Safety/Security). A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.
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