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segunda-feira, 8 de junho de 2026

EX-CHEFE DA RECEITA FEDERAL DE ITAJAÍ É SUSPEITO DE CAUSAR R$ 10 MILHÕES EM PREJUÍZOS EM ESQUEMA DE CORRUPÇÃO


Investigado é apontado por facilitar processos alfandegários em benefício de empresários na região

Um ex-chefe da Receita Federal do Brasil (RFB) em Itajaí, cidade que abriga um dos maiores portos do Brasil, é investigado por facilitar processos alfandegários em benefício de empresários e causado R$ 10 milhões em prejuízos. Marcus Vinícius Nali Simioni foi alvo de operação da Polícia Federal na última terça-feira (2).

Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e São Paulo em endereços vinculados ao servidor investigado, familiares e pessoas físicas e jurídicas ligadas ao comércio exterior.

A operação foi batizada de "Benaia" e também cumpre ordem de afastamento de funções públicas do servidor público envolvido no esquema. O g1 tenta localizar a defesa dele.

Balanço parcial das apreensões, divulgado às 18h:

  • 15 relógios de luxo
  • 25 imóveis
  • Aproximadamente 19 veículos
  • R$ 515 mil
  • 10 notebooks e 4 HDs
  • 15 celulares.


Além disso, foram bloqueadas 65 contas bancárias de diversas instituições financeiras. Foi encontrado registro de conta no exterior e localizados contratos imobiliários de gaveta. A operação contabiliza os valores apreendidos em moeda estrangeira.

Investigação

Conforme a Receita Federal, as investigações começaram na corregedoria do órgão que suspeitou da incompatibilidade entre o padrão de vida de Marcus e a remuneração oficial dele.

Também foram apurados indícios que indicam eventual favorecimento a intervenientes aduaneiros e o recebimento de vantagem indevida em razão dessas relações.

Segundo a PF, o suspeito possuía poder para facilitar processos no órgão devido ao cargo que exercia e recebeu, indevidamente, ao menos R$ 2 milhões para agir em favor de empresários nos processos alfandegários.

Em nota, a Receita Federal afirmou que o montante suspeito de vantagens recebidas, direta ou indiretamente, supera os R$ 5 milhões.

"As investigações apontam que despachantes, consultorias, empresas importadoras e operadores logísticos poderiam fazer parte do esquema, que teria resultado em vantagens recebidas, direta ou indiretamente, pelo servidor. Os valores teriam sido repassados através de pagamentos em dinheiro, depósitos e pagamento de despesas pessoais, como aluguéis, faturas de cartão e aquisição de bens", disse.

Com o aprofundamento das investigações, os policiais federais descobriram que o suspeito possuía empresas em nome de familiares e as utilizava para dissimular, ocultar e dar aparência de legalidade aos valores recebidos.

Os crimes investigados são crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Quem é o ex-chefe da Receita Federal alvo de operação?

Graduado em direito e comunicação social, Marcus é auditor-fiscal da Receita Federal e tomou posse como chefe do órgão em Itajaí em maio de 2022, permanecendo na função até 2025.

O que disse a Receita Federal sobre a ação

A Receita Federal destaca que a integridade é um valor precioso e inegociável e atua de forma contínua na identificação e repressão a condutas que atentem contra a ética no serviço público, contribuindo para um ambiente de negócios mais justo e transparente.

A participação de despachantes, operadores logísticos e demais intervenientes em esquemas como este prejudica enormemente a regularidade da fiscalização aduaneira, fragilizando a segurança relacionada ao controle de cargas e criando uma concorrência desleal em relação aos operadores do comércio exterior que atuam na legalidade.

Autora/Fonte: Por Caroline Borges, g1SC


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