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domingo, 18 de janeiro de 2026

TRABALHADORA MORRE APÓS PISO DE ESTEIRA CEDER EM ARMAZÉM DO PORTO DE SANTOS


A Guarda Portuária foi acionada para atender à ocorrência e quando os guardas portuários chegaram ao local, a encontraram já sem vida

Na noite da última segunda-feira (12), uma mulher morreu após cair de uma esteira em um terminal no Armazém 16 do Porto de Santos, localizado na Praça Cândido Gaffrée, no bairro Paquetá, no litoral de São Paulo.

A vítima, identificada como Denise dos Santos Teixeira, 40 anos, trabalhava como auxiliar de mecânica, e trabalhava havia cerca de 45 dias na empresa Corredor Logística e Infraestrutura (CLI).

Investigação

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a mulher caiu de aproximadamente 20 metros após o piso de a esteira ceder.

O caso foi registrado no Plantão da Delegacia Seccional de Santos e, após a liberação da perícia técnica no local, o Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para a remoção do corpo.

O caso, de acordo com o órgão, foi registrado como morte suspeita e morte acidental no Plantão da Delegacia Seccional de Santos.

Segundo o boletim de ocorrência, a vítima caminhava sobre a esteira TE5, no Armazém 16 do cais, quando o piso cedeu. Um colega de trabalho encontrou a vítima caída ao solo, já sem sinais vitais, e acionou a Guarda Portuária (GPort) para atender à ocorrência e quando os guardas portuários chegaram ao local a encontraram já sem vida.

Ainda segundo o registro, a vítima utilizava os equipamentos de proteção individual (EPIs) obrigatórios. Um médico compareceu e confirmou o óbito. A polícia requisitou exames periciais e informou que o terminal possui sistema de monitoramento.

Relato da irmã da vítima

Segundo relato de Simone Freire, irmã da vítima nas redes sociais, Denise trabalhava como auxiliar de mecânica no terminal e realizava uma inspeção no período noturno quando ocorreu o acidente. Segundo ela, colegas sentiram falta de Denise por volta das 20h e iniciaram buscas até encontrarem o corpo sob uma correia transportadora.

“Ela pisou em uma grade da passarela, o piso cedeu e ela caiu. Não houve tempo de se segurar”, relata Simone. A irmã também questiona as condições da estrutura. “Se você vê o estado da peça, não é possível que ninguém tenha passado por ali antes e reparado que precisava trocar. Um funcionário me disse que aquela peça estava assim há muito tempo”, afirmou Simone.

Simone também criticou a demora no atendimento após o acidente. Segundo ela, a família foi avisada por volta das 22h, mas a perícia só chegou ao local, horas depois.

“O corpo da minha irmã ficou lá por cerca de 15 horas. Eu precisei ir ao terminal de madrugada para cobrar a perícia. Fiquei lá até entregarem minha irmã ao carro do Instituto Médico Legal (IML)”, disse Simone.

Houve confusão sobre quem deveria acionar o serviço funerário. “Passei a noite inteira atrás do IML. Só depois que fui às redes sociais é que o atendimento aconteceu”, acrescentou Simone.

O corpo foi retirado na manhã de terça-feira (12), totalizando mais de 15 horas de espera pela remoção.

Nota CLI sobre o acidente na íntegra:

“A CLI lamenta profundamente o falecimento de sua colaboradora Denise dos Santos Teixeira, ocorrido na noite de 12 de janeiro, em uma de suas instalações. A empresa se solidariza com familiares, amigos e colegas neste momento de dor.

Na ocasião, a colaboradora realizava uma atividade rotineira de inspeção mecânica, prevista nos procedimentos operacionais do terminal. Trata-se de uma prática regular, conduzida por profissionais treinados e devidamente equipados, conforme as normas de segurança aplicáveis.

Ao perceberem a ausência da colaboradora no ponto de encontro previsto para a equipe, colegas iniciaram imediatamente as buscas na área. Às 21h36, ela foi encontrada caída por um mecânico do time, que acionou prontamente a brigada de emergência. Os primeiros atendimentos foram realizados de imediato, com acionamento do SAMU, que permaneceu no local por mais de 45 minutos realizando manobras de reanimação. O óbito foi constatado às 22h11, pela equipe médica.

A família foi comunicada e acolhida no próprio terminal, com acompanhamento das equipes de Recursos Humanos e Saúde, que seguem prestando toda a assistência necessária.

Conforme os protocolos legais, a área foi isolada, as operações suspensas e as autoridades competentes acionadas. A remoção do corpo ocorreu na manhã seguinte, após a liberação pericial e de acordo com a disponibilidade do Instituto Médico Legal (IML), responsável exclusivo por esse procedimento.

A CLI esclarece que as causas do acidente ainda estão sendo apuradas. Para garantir uma análise técnica isenta e criteriosa, a empresa contratou uma consultoria externa especializada em segurança, que conduz a investigação de forma independente. Até a conclusão desse trabalho, qualquer afirmação sobre causas ou responsabilidades seria precipitada.

A empresa reforça que permanece à disposição das autoridades e que seguirá colaborando integralmente com as apurações, ao mesmo tempo em que mantém seu compromisso com a segurança, o respeito às pessoas e a transparência responsável.

Manifestação

A morte provocou uma manifestação contra o 'sucateamento' do complexo portuário. A mobilização foi organizada nas redes sociais pela irmã da vítima, e reuniu pessoas com cartazes pedindo respostas sobre as condições estruturais das empresas portuárias. Um deles trazia a mensagem: “Porto sucateado”.

Os manifestantes ocuparam uma das faixas da avenida em frente à passarela próxima à Corredor Logística e Infraestrutura (CLI).

A CLI afirmou respeitar o direito de manifestação e lamentou a morte da funcionária. A empresa declarou que tem prestado apoio aos familiares e que segue colaborando com as autoridades na investigação dos fatos.

APS

Em nota, a Autoridade Portuária de Santos (APS) informou que o caso ocorreu dentro de terminal e, portanto, cabe à empresa tratar do assunto.


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