Ygor Daniel Zago, o Hulk, foi condenado por tráfico
internacional de drogas após operação que apreendeu 3,7 toneladas de cocaína no
Porto de Santos.
Apontado como
coordenador de um esquema que trocava dinheiro vivo por transferências
bancárias, o empresário Eduardo Moreno Lopes fez depósitos a empresas que
seriam operadas por Ygor Daniel Zago, o Hulk, condenado por tráfico
internacional de drogas em um esquema que tinha como base o Porto de Santos, e
apontado como integrante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
É o que diz um relatório policial e uma denúncia protocolada pelo MP-SP (Ministério
Público de São Paulo).
Evidências das
transações financeiras entre os dois foram encontradas no celular do dono de
uma loja de carros de luxo, Manoel Sérgio Sanches, que serviu de intermediário.
Ele se entregou à polícia em dezembro, está preso e é réu sob acusação de
organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O esquema
supostamente liderado por Eduardo Lopes foi alvo de uma denúncia do MP-SP no
fim de agosto. Segundo o documento, empresários recebiam grandes quantidades de
dinheiro em espécie e, em contrapartida, faziam transferências bancárias, um
serviço clandestino chamado pelos próprios envolvidos de “compra de dinheiro”.
O escritório TFV
Advogados, que defende Lopes, afirma que ele “refuta completamente as
acusações” e que a denúncia foi feita “com base numa investigação incompleta e
parcial”.
Diz também que a
denúncia foi feita sem ouvi-lo, mesmo que ele tenha se oferecido para prestar
depoimento quatro vezes. Lopes tem prisão decretada e é considerado foragido da
Justiça.
R$ 900 mil
De acordo com a
denúncia do MP-SP, Lopes fez transferências de um total de R$ 900 mil a contas
bancárias de duas empresas indicadas por Zago. As transferências ocorreram em
quatro ocasiões, num intervalo de 35 dias. As empresas indicadas já foram
apontadas em investigações anteriores da Polícia Federal.
“As ordens, os
valores, os fracionamentos e os comprovantes bancários estão registrados,
minuto a minuto, nas conversas extraídas dos aparelhos apreendidos”, diz trecho
da denúncia. “Em vários trechos é possível acompanhar a ordem sendo dada por
Ygor, repassada por Manoel e executada por Eduardo, com intervalo de segundos
entre uma etapa e outra e, horas depois, o comprovante da transferência
voltando pelo mesmo caminho.”
Relatórios policiais
apontam que Zago é suspeito de liderar uma quadrilha que adulterava
combustíveis com metanol — ele foi alvo da Operação Boyle, que deu origem à
Carbono Oculto. Além disso, foi condenado a 29 anos de prisão por tráfico
internacional de drogas, em um esquema que tinha como base o Porto de Santos.
Por telefone, Zago
disse à Folha que qualquer relação financeira entre ele e Sanches diz respeito
apenas a compra e venda de carros. Ele afirmou que não conhece Lopes e que
desconhecia a investigação da Falsa Las Vegas até a última quinta-feira (3),
quando foi procurado pela reportagem.
Afirmou também que
sofre perseguição sistemática desde 2008, quando denunciou policiais corruptos
do Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes) num caso
que resultou na exoneração de um delegado e na punição contra outros agentes, e
que isso explica as acusações contra ele.
Seu advogado, Isaac
Minichillo de Araújo, acrescentou que Zago nunca foi integrante de uma
organização criminosa. Procurado por email desde a última quinta, o advogado de
Sanches não respondeu até a publicação desta reportagem.
As empresas usadas
por Lopes para fazer os pagamentos são as mesmas que aparecem nas investigações
da Operação Falsa Las Vegas, que resultou na denúncia contra ele por crime organizado
e lavagem de dinheiro.
Lopes não era sócio
das firmas, mas controlava as contas bancárias, diz a polícia.
Levantamento da
investigação mostra que a maior parte das transferências — num total de R$ 497
mil — ocorreu poucas horas após o envio dos dados bancários via aplicativo de
mensagens.
Eram cobradas
comissões que variavam de 1,5% a 4% pelas operações de troca de dinheiro em
espécie por transferências, apontam mensagens encontradas nos celulares dos
investigados. A origem do dinheiro seria o tráfico de drogas e a exploração de
jogos de azar na região metropolitana de São Paulo, além de outros crimes, segundo
a investigação.
Zago foi preso em Portugal em novembro do ano passado por ter um mandado de prisão em aberto expedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Ele foi liberado em maio deste ano, após o prazo para mantê-lo preso se encerrar. Desde então, segundo sua defesa, cumpre medida cautelar, mantém-se em endereço conhecido das autoridades e foi autorizado por um juiz brasileiro a participar de audiências por videoconferência.
Sua condenação por
tráfico internacional resultou da Operação Hulk, que apreendeu um total de 3,7
toneladas de cocaína no Porto de Santos entre 2013 e 2014. A defesa recorreu e
conseguiu uma decisão que permitiu que ele respondesse em liberdade até a conclusão
do caso.
Autor/Fonte: Rogério Pagnan e Tulio Kruse/Folhapress
* Esclarecemos que a a publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor. O espaço está aberto para a manifestação das pessoas e empresas citadas nesta reportagem.

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