O
narcotraficante já foi condenado pela Justiça Federal a 29 anos de prisão por
envolvimento com o tráfico internacional de cocaína
A Justiça de Portugal soltou o
brasileiro Ygor Daniel Zago, 45, o Hulk, apontado como um dos maiores narcotraficantes
do PCC (Primeiro Comando da Capital), acusado de exportar cocaína para a Europa
e de participar no Brasil de um esquema de fraude de combustíveis com metanol e
lavagem de dinheiro.
Segundo a polícia portuguesa, a
defesa de Hulk havia pedido asilo para o cliente, mas o prazo para extraditar o
preso havia terminado e, pela lei, ele não podia mais ficar detido. O Tribunal
de Relação de Lisboa teve de libertá-lo.
Hulk estava preso desde 15 de
novembro do ano passado, quando foi capturado pela Polícia Judiciária de Portugal
em um condomínio de luxo na cidade litorânea de Cascais. Na ocasião, o nome
dele constava na difusão vermelha da Interpol.
Ele e a mulher tinham mandados de
prisão em aberto pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção e
lavagem de dinheiro. Hulk é investigado no Brasil por suspeita de ser um dos
chefes do PCC no esquema de fraude de combustíveis com metanol.
No Brasil, o narcotraficante já foi
condenado pela Justiça Federal a 29 anos de prisão por envolvimento com o tráfico
internacional de cocaína, ao lado do foragido André Oliveira Macedo, o André do
Rap, e com a máfia dos Bálcãs, em 2014.
Em 2023, a Polícia Federal passou a
investigá-lo após uma apreensão de 30 mil litros de metanol. A apreensão
permitiu aos agentes federais a descoberta de um esquema criminoso de
adulteração de combustíveis do PCC com o composto químico.
Megaoperação no Brasil
Em setembro do ano passado, a Polícia
Federal tinha prendido um empresário em uma megaoperação contra o PCC. O alvo tentou
fugir de lancha e, segundo a PF, era aliado de Hulk na Baixada Santista.
A megaoperação apurava um esquema
bilionário no setor de combustíveis, comandado pelo PCC. As investigações
indicavam sonegações de até R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e
municipais. A Receita Federal estimava que os envolvidos movimentaram R$ 52
bilhões para a organização.
Segundo documentos da PF, Hulk tinha
vínculo com o empresário e outro comparsa dele também preso. O narcotraficante,
diz a Polícia Federal, apresentou o empresário ao outro parceiro e ambos
passaram a fazer planos para ganhar R$ 1 milhão por mês com atividades
ilícitas.
Outros acusados foram presos na mesma
megaoperação. Já os demais suspeitos conseguiram fugir, entre eles Mohamed Hussein
Mourad, conhecido como "João", "Primo" ou
"Jumbo", apontado como "epicentro" do esquema e Roberto
Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", considerado líder do grupo.
Isaac Minichillo, advogado de Hulk,
diz que o cliente mudou para Portugal para tentar uma nova vida porque cansou
das mazelas do Brasil e se considera inocente das acusações de crimes de
tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e outros delitos que lhe
são atribuídos. A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Primo e
Beto Louco. O texto será atualizado assim que houver um posicionamento.
Autor/Fonte: Josmar Josimo - UOL
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