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sábado, 2 de maio de 2026

PJ APREENDE 900 KG DE COCAÍNA PROVENIENTE DO BRASIL E DETÉM DOIS BRASILEIROS


A atuação conjunta da Receita Federal do Brasil (RFB) e da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) de Portugal resultou na apreensão do entorpecente

A Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Braga, com o apoio da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), realizou no dia 23 de abril, uma operação de combate ao tráfico internacional de drogas, que culminou na apreensão de 900 quilos de cocaína e na detenção de três homens — entre eles, dois empresários brasileiros. Os homens foram identificados como Marcelo Sousa Costa e Douglas Soriano Junior.

Investigação

A investigação teve origem num inquérito instaurado no final de 2025, por crimes de tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro, estando em causa uma aparente atividade económica desenvolvida por empresas comerciais constituídas em solo português.

No decurso da operação “White Sugar”, ocorrida na zona do Baixo Minho e no Porto de Leixões, foram interceptados e fiscalizados 10 contêineres de transporte de mercadorias, provenientes da América do Sul. A droga, com elevado grau de pureza, estava escondida entre centenas de sacos de açúcar de 50 quilos.

De acordo com a PJ, esta é a maior apreensão de cocaína já realizada pelo Departamento de Investigação Criminal de Braga.

Após o processo de desalfandegamento, os contêineres seriam transportados para um armazém ligado à empresa importadora, onde o entorpecente seria retirado ou redistribuído.

Os suspeitos foram detidos e apresentados ao Tribunal de Instrução Criminal de Guimarães, para realização de primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.

Prisão Preventiva

O juiz de instrução criminal decidiu que os dois empresários detidos pela prisão preventiva dos acusados. Ele entendeu haver razões para aplicar a mais gravosa das medidas de coação.

Segundo a acusação da Procuradoria da República da Comarca de Braga os dois empresários tinham viagem marcada para o seu país, o que teria levado o magistrado judicial a ter em conta o perigo de fuga, um dos critérios principais de aplicação da prisão preventiva.

Também tinha sido o risco de fuga que levara a Polícia Judiciária de Braga a deter os suspeitos. A droga já tinha chegado ao Porto de Leixões há cerca de dois meses, num dos dez contentores de mercadorias importados pelos dois empresários, mas a PJ não avançou para a sua apreensão, porque esperava apanhar os empresários em flagrante delito, a desalfandegar as mercadorias em Leixões. Mas, como aqueles se preparavam para viajar para o Brasil e isso poderia permitir-lhes escapar à justiça, a PJ de Braga, dirigida por José Monteiro, deteve-os quando estavam ainda alojados numa pensão em Famalicão.

Os 900 quilos de droga teriam um valor no mercado negro que a PJ de Braga estima em cerca de 50 milhões de euros.

Esquema

Segundo a denúncia, eles se associaram a um cidadão português e mais dois brasileiros em um grupo que usava uma empresa falsa para trazer drogas escondidas em carregamentos de alimentos.

A cocaína foi encontrada durante uma vistoria das autoridades portuguesas em fevereiro. Vinte sacos, totalizando 900 kg, estavam escondidos em dez contêineres de açúcar, que seriam descarregados em um depósito pela empresa Hino da Terra, criada a mando de Marcelo Sousa Costa.

De acordo com a acusação, Costa era considerado o chefe do grupo, criando empresas, dando ordens sobre as importações e ordenando o pagamento de despesas. Soriano Júnior atuava como seu principal auxiliar, cuidando das finanças da organização.

O português seria o responsável por criar as empresas falsas para viabilizar a entrada da droga. Os outros dois brasileiros davam suporte às atividades do grupo e intermediaram o contato entre o português e Marcelo Sousa Costa.

O inquérito é conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Vila Nova de Famalicão.

Cooperação internacional da Polícia Federal

A atuação conjunta da Receita Federal do Brasil (RFB) e da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) de Portugal resultou na apreensão do entorpecente.

No dia 4 de fevereiro, a RFB apreendeu 240 kg de cocaína no Porto de Santos. A droga estava em um carregamento de 20 toneladas de óleo de soja acondicionado em latas de 18 litros. O contêiner tinha Portugal como país de destino, mas faria transbordo no Porto de Tanger Med, no Marrocos.

Durante o desenvolvimento da ação aduaneira em território brasileiro, a Receita Federal, à vista do conjunto probatório então reunido, comunicou a Autoridade Tributária e Aduaneira portuguesa acerca da existência de indícios concretos de possível contaminação de outros contêineres vinculados à mesma operação logística.

O alerta apontava que até dez contêineres, já em trânsito com destino a Portugal, poderiam conter substâncias entorpecentes ocultadas em meio à carga lícita. A comunicação foi realizada por meio dos canais de inteligência mantidos entre as administrações aduaneiras dos dois países, o que possibilitou a adoção, pelas autoridades portuguesas, de medidas que resultaram na apreensão.

Esse sistema de comunicação e intercâmbio de informações de inteligência tem sido responsável por apreensões relevantes tanto no Brasil quanto no exterior, ampliando a eficácia do combate ao tráfico transnacional de drogas e a outros ilícitos aduaneiros, sempre respeitadas as competências e soberanias de cada país envolvido.

Defesa nega ligação

A defesa dos empresários brasileiros se manifestou por meio de nota assinada pelos advogados Eduardo Maurício e Octávio Rolim.

Segundo os advogados, o processo tramita sob segredo de Justiça e ainda está em fase de investigação, sem conclusão por parte das autoridades. A defesa sustenta que os empresários não têm qualquer ligação com a droga apreendida.

A defesa informou ainda que pretende solicitar a alteração das medidas de coação impostas aos investigados e, se necessário, recorrer ao Tribunal da Relação. Eles foram indiciados por tráfico internacional de drogas e associação criminosa.

 “Além disso, importante ressaltar que ambos os empresários são presumidos inocentes até que o processo transite em julgado (não tendo qualquer conexão com a droga apreendida), sendo que ainda está em fase de investigação sem uma conclusão policial”, diz a nota assinada pelo advogado Eduardo Maurício.

Esquema semelhante foi desmantelado em 2022

Em 2022 a Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Entorpecente, em articulação com a Unidade Nacional Contraterrorismo, desmantelou uma relevante estrutura criminosa que se dedicava à importação, a partir do Brasil, de consideráveis quantidades de cocaína dissimulada em mercadorias lícitas transportadas em contêineres.

A apreensão da droga ocorreu após a apreensão de 240 kg de cocaína no Porto de Sines. Naquela ocasião a droga foi inserida em carga de café.

Foram detidos sete homens, um português e seis estrangeiros, sendo três brasileiros.


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