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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A OPERAÇÃO “MARÉ BRANCA” LEVOU À PRISÃO DE SUPOSTO NARCOTRAFICANTE TURCO


Çetin Gören já havia ganhado notoriedade durante a 'Swamp Operation (Operação Pântano)

A apreensão de aproximadamente 10 toneladas de cocaína, em 7 de janeiro, durante a operação "Maré Branca", realizada no navio cargueiro de bandeira tanzaniana "RAS" (também registrado como UNITED S), próximo às Ilhas Canárias, motivou investigação pelo Ministério Público de Istambul, e levou à prisão de sete suspeitos, incluindo o suposto narcotraficante turco Çetin Gören.

De acordo com as investigações, após escalas na Líbia e em Marrocos, o navio atravessou o Estreito de Gibraltar e entrou no Oceano Atlântico. Depois de visitar os portos de Fortaleza e Belém, no Brasil, o navio carregou mercadorias no mar, próximo ao Suriname, antes de seguir rumo à Europa.

Ligação com Máfia Sérvia

Foi relatado que dois cidadãos sérvios embarcaram no navio antes de sua partida do Porto de Belém e que, após o carregamento, ele foi interceptado por unidades militares espanholas ao chegar às águas próximas às Ilhas Canárias.

Detenções e Suspeitos

Na Espanha, 13 tripulantes do navio foram presos, incluindo os cidadãos turcos Kubilay Yalçın, Ali Osman Amanet, Remzi Karakaya e Atanur Ateş.

No âmbito da investigação, foram realizadas buscas simultâneas em um total de 19 endereços, incluindo 11 em Istambul, 3 em Mersin, 2 em Tekirdağ, 1 em Kocaeli, 1 em Sakarya e 1 em Hatay, pela Divisão de Crimes de Narcóticos do Departamento de Polícia de Istambul.

Entre os 7 indivíduos detidos na Turquia sob as acusações de "organização criminosa", "tráfico de drogas" e "lavagem de dinheiro obtido com o crime", estavam Çetin Gören, que já havia ganhado notoriedade durante a  'Swamp Operation (Operação Pântano), além de Engin Çavuş, Mesut Yalçın, Ahmad Almassri, Semra Almassri, Mehmet Bülent Aymen e Fares Diab.

Os bens pertencentes a esses indivíduos foram apreendidos, incluindo bens móveis e imóveis, ações de empresas, contas bancárias e criptomoedas.

Três outros suspeitos permanecem foragidos internacionalmente, com mandados de prisão expedidos e alertas vermelhos em processo de emissão.

Çetin Gören

Çetin Gören foi preso na Operação Pântano", anunciada em 2020 pelo então Ministro do Interior Süleyman Soylu como "a maior operação antidrogas da história da República". Ele foi libertado em 2022 e absolvido em 2024.

Empresa

Após a investigação conduzida pela Procuradoria-Geral de Istambul que indicou uma suposta ligação do navio com a empresa United Shipping Ship Agency Industry and Trade Limited Company (Kamer Shipping), sediada em Istambul, operações simultâneas foram iniciadas na Turquia, e diversos suspeitos, incluindo figuras públicas conhecidas, foram presos.

Em vez de nomear um administrador judicial para a empresa por acusações de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, foram implementados procedimentos de apreensão direta, mediante a análise dos relatórios do MASAK (Mali Suçları Araştırma Kurulu - Conselho de Investigação de Crimes Financeiros da Turquia) e dos registros da empresa.

A empresa, bem como suas participações em sociedades, depósitos e contas de investimento em bancos e instituições financeiras; e ativos no mercado de criptomoedas e corretoras, foram apreendidos de ofício.

Foi anunciado que o navio, que supostamente pertencia à Kamer Shipping, foi vendido para outra empresa em 9 de outubro de 2025. Segundo o anúncio, o navio foi transferido para a Capo Maritime Co.

Caso semelhante

Uma situação semelhante ocorreu em outra operação realizada pela Marinha Francesa no início de 2025. Nessa operação, descobriu-se que o navio "Haliç – Igualdade", transportando 9 toneladas de drogas, pertencia a um armador turco, e posteriormente foi anunciado que o navio havia sido "vendido pouco antes de deixar a Turquia".

Nota da Empresa

Em nota, a empresa Kamer Shipping alegou que o navio em questão foi vendido a uma empresa estrangeira meses antes da operação (em outubro de 2025), mas, devido a atrasos na atualização de bancos de dados internacionais, o navio ainda constava como sendo de sua propriedade. A empresa negou qualquer envolvimento no incidente ou com as drogas, rejeitando a investigação.

Enquanto o processo de prisão dos suspeitos detidos pela polícia continua, a administração da empresa envolvida está sob vigilância estatal. As autoridades lembram que a investigação está sendo conduzida em sigilo e que, de acordo com a presunção de inocência, os suspeitos serão considerados inocentes até que se prove o contrário.


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