Atuação da PF no compartilhamento de inteligência foi
decisiva para a interceptação de embarcação em águas internacionais próximas às
Ilhas Canárias
As autoridades
espanholas apreenderam quase 10 toneladas de cocaína escondidas em uma carga de
sal a bordo de um navio, identificado como M/V United S, de bandeira de
Camarões, proveniente do Brasil.
A interceptação
ocorreu entre os dias 6 e 7 de janeiro deste ano, em águas internacionais do
Oceano Atlântico, nas proximidades do arquipélago das Canárias - pertencente à
Espanha.
De acordo com o
Ministério do Interior da Espanha, 13 tripulantes do navio foram detidos pelos
agentes O GEO (Grupo Especial de Operações), unidade de elite da Polícia Nacional
da Espanha, que interceptaram a embarcação.
Sete cidadãos
indianos, quatro turcos e dois sérvios foram presos. Os dois últimos eram
considerados pelos investigadores como os "notários da viagem",
responsáveis por monitorar a carga e garantir sua chegada segura
ao destino. Um deles estava em posse de uma arma de fogo, supostamente usada
para intimidar o restante da tripulação.
Apreensão da droga
Superado esse
obstáculo inicial, a busca no navio confirmou as suspeitas. Em um dos porões,
escondidos entre toneladas de sal, os agentes encontraram 294 fardos de
cocaína, totalizando 9.994 quilos, quase dez toneladas. Parte da carga já
estava preparada para descarregamento iminente; especificamente, 37 fardos,
pesando quase uma tonelada, haviam sido colocados no lado estibordo antes da
intervenção policial.
Depois da abordagem,
o navio ficou sem combustível e permaneceu à deriva por quase 12 horas. A Sasemar
(Sociedade de Salvamento e Segurança Marítima) prestou apoio para rebocar a
embarcação até o Porto de Santa Cruz de Tenerife, arquipélago das Ilhas
Canárias.
Operação Marea Blanca
A operação, batizada
de Maré Branca, foi resultado de investigação coordenada pela Procuradoria
Especial Antidrogas do Tribunal Superior Nacional da Espanha, que apontou que o
navio mercante estaria sendo usado por uma “organização multinacional” para
transportar “enormes quantidades” de cocaína da América do Sul para a Europa.
A ação contou com o apoio
da Maoc (Maritime Analysis and Operations Centre), organização de 8 países da
União Europeia, NCA (National Crime Agency), do Reino Unido, DEA (Drug
Enforcement Administration), dos Estados Unidos, a Agência Nacional do Crime do
Reino Unido (NCA), a Polícia Federal do Brasil, a CITCO e autoridades de França
e Portugal.
A embarcação
integrava uma rota operada por uma organização criminosa multinacional
especializada no transporte de grandes volumes de cocaína entre a América do
Sul e a Europa, tendo o Brasil como ponto de origem.
A ação foi
desencadeada a partir do compartilhamento de informações de inteligência entre
a Polícia Federal e autoridades estrangeiras, o que permitiu a identificação, a
localização e a abordagem da embarcação em alto-mar. O navio havia realizado
escalas em portos brasileiros em dezembro de 2025.
Escalas
A embarcação fez
escalas no Porto do Mucuripe – Ceará -, no dia 6 de dezembro de 2025 e no do
Porto de Vila do Conde, em Barcarena, Região Metropolitana de Belém – Pará, em
20 de dezembro de 2025, antes de seguir viagem em direção à Europa.
A operação para
apreender a carga, que a polícia afirma pertencer a uma organização
multinacional dedicada à exportação de grandes quantidades de cocaína da
América do Sul para a Europa, contou com a colaboração da Polícia Federal
brasileira, da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) e da Agência
Nacional de Combate ao Crime do Reino Unido (NCA).
Valor da droga
Segundo estimativas
baseadas em dados do relatório de 2025 da Euda (European Union Drugs Agency), o
valor da carga no mercado varejista europeu poderia atingir R$ 6,8 bilhões.
Maior apreensão em alto mar
Esta é "a maior
apreensão de cocaína em alto-mar já realizada na história da Polícia
Nacional", declarou a força de segurança espanhola em um comunicado.
Antes dessa captura,
a maior apreensão de cocaína em alto-mar realizada pela polícia espanhola havia
ocorrido em 1999, quando 7,5 toneladas de cocaína no navio Tammsaare, que não
se registava uma intervenção desta magnitude em alto mar.
Em outubro de 2025,
a polícia espanhola anunciou a apreensão de 6,5 toneladas de cocaína num barco
ao largo das Ilhas Canárias, após ter descoberto, um ano antes, 13 toneladas no
Porto de Algeciras, na Andaluzia (sul), escondidas num contêiner de bananas, procedente
do Equador, a maior apreensão já realizada pelas autoridades espanholas.
Navio Zumbi
Segundo informações
divulgadas pelo site paraguaio La Política Online, o navio se encaixa no perfil
de um chamado “navio zumbi”, embarcações antigas e obsoletas frequentemente
utilizadas por organizações criminosas sul-americanas para o tráfico
internacional de drogas.
Procurada, a Polícia
Federal informou que não confirma oficialmente a origem da embarcação,
destacando apenas que a ação foi possível graças ao compartilhamento de
informações de inteligência com autoridades estrangeiras. A PF também confirmou
que o navio realizou escalas em portos brasileiros em dezembro de 2025, sem
detalhar quais.
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