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SINDAPORT VAI PEDIR ANISTIA POLÍTICA POR INTERVENÇÃO SOFRIDA DURANTE A DITADURA MILITAR

Sindicato quer apresentar requerimento coletivo à Comissão de Anistia e orientar associados e familiares sobre possíveis casos de perseguiçã...

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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

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SINDAPORT VAI PEDIR ANISTIA POLÍTICA POR INTERVENÇÃO SOFRIDA DURANTE A DITADURA MILITAR

Sindicato quer apresentar requerimento coletivo à Comissão de Anistia e orientar associados e familiares sobre possíveis casos de perseguição política

O Sindicato dos Trabalhadores Administrativos em Capatazia, nos Terminais Privativos e Retroportuários e na Administração em Geral dos Serviços Portuários do Estado de São Paulo (SINDAPORT) pretende apresentar um requerimento de anistia política coletiva à Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

A iniciativa busca o reconhecimento, no âmbito da legislação de anistia política, dos efeitos da intervenção sofrida pela entidade durante o regime militar. O sindicato também pretende buscar, por meio dos instrumentos jurídicos cabíveis, a reparação pelos danos decorrentes da intervenção.

Os advogados responsáveis pela iniciativa são Bruno Luís Talpai e Ruth Coelho Monteiro.

Intervenção no sindicato

Segundo registros históricos divulgados pelo próprio SINDAPORT, em 1º de abril de 1964, após a deposição do presidente João Goulart, a diretoria da entidade foi destituída e o sindicato teve suas atividades interrompidas. Entre 2 de abril de 1964 e 3 de setembro de 1965, Alberto Muniz exerceu a função de interventor.

O presidente do SINDAPORT, Everandy Cirino dos Santos, considera que a iniciativa representa uma tentativa de reparação histórica pelos efeitos da intervenção.

“Além do SINDAPORT, outros sindicatos portuários também foram fechados pela Ditadura. Uma época triste da história do país, de Santos e do sindicalismo brasileiro”, declarou.

A Lei nº 10.559/2002, que regulamenta o artigo 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, prevê o regime de anistiado político e estabelece mecanismos de reparação para pessoas atingidas por atos de exceção ou perseguição de motivação exclusivamente política. O período abrangido pela legislação vai de 18 de setembro de 1946 a 5 de outubro de 1988.

Pedido individual

Além da iniciativa coletiva, Cirino pretende apresentar um requerimento individual de anistia política.

Segundo o sindicalista, uma pesquisa realizada pelo advogado Bruno Luís Talpai identificou seu nome em documentos produzidos pelos órgãos de repressão durante o regime militar.

“Fui monitorado no início dos anos 1980, quando atuava como presidente da Associação Beneficente da Guarda Portuária”, afirmou Cirino.

Os requerimentos individuais são destinados a pessoas que alegam ter sofrido perseguição de natureza exclusivamente política. Em caso de falecimento do perseguido, a legislação prevê a possibilidade de requerimento por sucessores, dependentes econômicos ou viúvos, conforme as condições estabelecidas.

Orientação a associados e familiares

O SINDAPORT também pretende disponibilizar seu Departamento Jurídico para auxiliar associados e familiares que tenham suspeitas ou informações sobre perseguições políticas ocorridas durante a ditadura.

Os interessados poderão procurar o Departamento de Aposentados do sindicato para solicitar levantamento de informações e documentos relacionados ao período.

Segundo a proposta divulgada pela entidade, os advogados deverão analisar os registros disponíveis para verificar a existência de monitoramento, perseguição ou outros prejuízos relacionados à atuação sindical ou associativa durante o regime militar.

A Comissão de Anistia admite requerimentos coletivos apresentados por sindicatos e outras entidades representativas quando o grupo tiver sido atingido, por motivação exclusivamente política, por atos de exceção. O procedimento exige documentação sobre a entidade e elementos que permitam comprovar os fatos alegados.

Dirigentes perseguidos e o navio Raul Soares

A advogada e jornalista Ruth Coelho Monteiro afirma que dirigentes ligados ao SINDAPORT foram perseguidos e vigiados durante o regime militar e que alguns trabalhadores portuários chegaram a ser presos no navio Raul Soares, utilizado como local de detenção de presos políticos em Santos.

A documentação histórica disponível confirma que o navio Raul Soares foi utilizado para deter trabalhadores e sindicalistas após o golpe de 1964. Pesquisa sobre o período realizada no âmbito da Justiça do Trabalho em Santos registra que aproximadamente 500 presos políticos passaram pela embarcação e que trabalhadores portuários sofreram prisões, demissões e dificuldades para obter reintegração ao emprego.

“Os processos de transição democrática e as leis que foram se sucedendo com o avanço da democracia no Brasil proporcionaram uma evolução na abordagem da anistia, na busca da verdade, memória, justiça e da reparação daqueles que enfrentaram as agruras dos tempos de chumbo, na luta por liberdades democráticas no País”, ressaltou Ruth.

Repressão no Porto de Santos

A repressão aos trabalhadores do Porto de Santos não ficou restrita às prisões realizadas logo após o golpe.

Documentos históricos apontam que a Companhia Docas de Santos manteve relações com órgãos de repressão e que trabalhadores e dirigentes sindicais foram monitorados durante diferentes períodos da ditadura. Há registros, inclusive, de trabalhadores presos no Raul Soares e posteriormente demitidos, que recorreram à Justiça do Trabalho em busca de reintegração.

O próprio SINDAPORT mantém em seu acervo histórico registros sobre a intervenção de 1964 e a passagem de Alberto Muniz pela direção da entidade.


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