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sexta-feira, 22 de maio de 2026

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HOMEM APONTADO COMO CHEFE DE QUADRILHA QUE EXPORTOU COCAÍNA PARA A EUROPA É CONDENADO A 37 ANOS DE PRISÃO


Lindomar Furtado foi preso no Rio de Janeiro em 2025, depois de passar 3 anos foragido. Em 2022, ele fugiu da mansão onde morava no Paraguai

A Justiça Federal no Rio condenou a 37 anos de prisão o homem apontado como um dos chefes de uma quadrilha que exportou mais de 6 toneladas de cocaína do Brasil para a Europa.

De acordo com a sentença, Lindomar Reges Furtado não poderá recorrer em liberdade. Ele foi considerado culpado pelos crimes de tráfico internacional de drogas, pertencimento à organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Lindomar foi um dos alvos da Operação Turfe da PF, que em fevereiro de 2022 tentou prender 20 acusados de envolvimento com o tráfico internacional de cocaína.

Na ocasião, câmeras do condomínio de luxo onde ele fica a mansão onde ele morava, em Hernandárias, no Paraguai, perto da fronteira com o Brasil, flagraram o traficante saindo em um carro preto pelo portão principal do local, 50 segundos antes da chegada da polícia.

Segundo as investigações, a quadrilha enviou 6,68 toneladas de cocaína para a Europa e África em 14 remessas distintas, entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2022. Outras duas tentativas de remessa da droga não tiveram sucesso porque a droga foi apreendida.

De acordo com o inquérito, os criminosos usavam uma estratégia ousada. Primeiro, retiravam do porto do Rio um contêiner já lacrado com mercadorias legalizadas, sem o conhecimento das transportadoras. O contêiner era levado para galpões, a maioria dentro de favelas dominadas pelo tráfico. Lá, os bandidos substituíam parte da carga pela droga. Em seguida, o contêiner era levado novamente para o porto, onde era embarcado em navios com destino à Europa e à África.

Lindomar foi preso pela Polícia Federal em fevereiro do ano passado em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio. Antes disso, ficou três anos foragido.

Durante esse tempo, tentou mudar o rosto para permanecer foragido da Justiça nesses 3 anos: segundo a PF, ele fez harmonização facial, colocou lentes dentárias e usava perucas. Quando foi preso, Lindomar usava uma peruca. Além da mudança visual, Lindomar usava outro nome: Fabiano. Assim se apresentava a vizinhos do condomínio de luxo onde estava residindo no Recreio dos Bandeirantes.

Em seu interrogatório, diante do juiz, Lindomar preferiu ficar em silêncio. Segundo a sentença da Justiça Federal, "todas as provas reunidas no processo demonstram que Lindomar R. Furtado, ao lado de Cristiano Córdova Nascimento, era o líder de uma organização criminosa dedicada ao tráfico transnacional de cocaína. E, como tal, era o responsável pela negociação com os fornecedores da droga, na América do Sul, e com os seus compradores, estabelecidos principalmente em Dubai. Essas atividades também lhe conferiam preeminência na administração dos recursos financeiros do grupo, que eram depositados em contas bancárias no exterior e posteriormente, ao menos em parte, eram internalizados de maneira dissimulada no Brasil".

As investigações mostraram que a cocaína exportada pelo Porto do Rio era comprada da Bolívia e da Colômbia.

De acordo com a sentença, os integrantes da organização criminosa "atuaram em toda a cadeia relacionada ao entorpecente: negociação da droga com compradores estrangeiros que a distribuiriam na Europa, aquisição da droga com fornecedores na Bolívia e na Colômbia, envio da droga para o Paraguai, importação da droga no Brasil, transporte da droga para cidades portuárias brasileiras, armazenamento da droga para aguardar o embarque, corrupção de agentes portuários para permitir a entrada da droga nos terminais e a violação dos contêineres nos quais ela seria introduzida clandestinamente e, por fim, logística de carregamento da droga nos contêineres destinados à exportação".

A operação que investigou o esquema de tráfico internacional de drogas foi batizada de “Turfe” em alusão a Cristiano Córdova Nascimento, apontado como chefe do grupo criminoso junto com Lindomar.

Cristiano era dono de dezenas de cavalos de corrida, alguns premiados, e segundo a PF, usava o turfe para lavar o dinheiro sujo do tráfico. No dia da operação, Cristiano foi preso ao desembarcar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Em outubro de 2023, Cristiano foi condenado a 26 anos e 3 meses de prisão.

O que dizem os citados

Em nota, o advogado Silmar Júnior, que defende Lindomar Furtado, declarou que "irá recorrer da sentença, uma vez que no decorrer do processo ficaram demonstradas várias falhas ilegais sobre a investigação. Fatos que serão discutidos em sede recursal, conforme entendimentos dos Tribunais Superiores".

O advogado Diogo Ferrari, de Cristiano Córdova, disse que "questionou a legalidade e os limites da infiltração policial que serviu de base à investigação. O ponto central é que o agente infiltrado não apenas observou os fatos. Valendo-se de decisão judicial, ele participou da dinâmica investigada e ofereceu uma estrutura logística que só poderia existir com apoio estatal. Nenhuma organização criminosa possui esse tipo de logística, que conta com o apoio da Polícia Federal e do Poder Judiciário para sua execução, tornando a operação de tráfico internacional de drogas verdadeiramente infalível".

Afirmou ainda que "a condenação foi objeto de recurso de apelação, no qual sustentamos a ilicitude da infiltração e das provas dela derivadas. Combater o crime organizado é indispensável. Mas, quando o Estado cria as condições para que o delito aconteça, a linha entre investigar e fabricar prova se torna perigosamente estreita".

Autor/Fonte: Lucas Machado, Marcelo Gomes, GloboNews – g1 rio de janeiro


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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

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PF DEFLAGRA OPERAÇÃO CONTRA TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS E LAVAGEM DE DINHEIRO


Alvo da operação é apontado como líder do “Cartel do Sul”, quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro

Na manhã da terça-feira (2/9) a Polícia Federal (PF), com o apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e do Ministério Público de São Paulo, deflagrou a Operação Hetera para desarticular uma organização criminosa envolvida com o tráfico internacional de drogas e a lavagem de dinheiro.

Cerca de 40 policiais federais foram designados para cumprir oito mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária em São Paulo (São José do Rio Preto), no Paraná (Curitiba), Santa Catarina (Itajaí, Itapema e Tijucas), Mato Grosso do Sul (Ponta Porã,) e no Distrito Federal.

Investigação

De acordo com o Delegado da Polícia Federal em São José do Rio Preto, Alexandre Manoel Gonçalves, o foco na cidade foi a lavagem de dinheiro, após a identificação de um grupo que movimentava recursos do tráfico e utilizava os valores ilícitos para a aquisição de imóveis em nome de terceiros, com o auxílio de comerciantes locais.

Os mandados cumpridos nesta fase, expedidos pela 2ª Vara da Justiça Estadual de São José do Rio Preto, miraram tanto operadores logísticos, incluindo piloto de avião, quanto comerciantes que emprestaram nomes para aquisição de propriedades. A investigação começou em 2021

O delegado explicou que o grupo chegou a cogitar a instalação de pistas clandestinas na região de Rio Preto para ampliar a logística do tráfico. Além do transporte aéreo, a quadrilha se valia de caminhões registrados em nome de motoristas de fachada e utilizava imóveis rurais para ocultar dinheiro. “Estamos lidando com uma organização criminosa multimilionária. Combater esse tipo de rede exige atacar o capital que a sustenta”, disse Gonçalves.

A investigação apontou que a quadrilha atuava no Sul do país e que migrou para São José do Rio Preto (SP), cidade onde a quadrilha construía uma boate de luxo para lavar o dinheiro do tráfico, que teve a obra bloqueada pela justiça.

Apreensão de droga e valores em espécie

Durante a apuração que deu origem a esta operação a PF apreendeu 217 kg de droga, além de R$ 7,2 milhões e US$ 798 mil em espécie.


O material foi encontrado pela Polícia Rodoviária do Estado de São Paulo em um caminhão, pertencente a uma organização criminosa, interceptado ainda em São Paulo e tinha como destino a cidade sul-mato-grossense de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai.


Rei da Cocaína era o Alvo

De acordo com o promotor do GAECO, Tiago Dutra Fonseca, Lindomar Reges Furtado, considerado o “Rei da cocaína”, apontado como o líder do “Cartel do Sul”, quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas, utilizando os portos de Paranaguá, no Paraná e Itajaí, em Santa Catarina, e também lavagem de dinheiro foi o principal alvo da operação.

Em 2022, Lindomar chegou a escapar de uma operação da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) e do Ministério Público do Paraguai. Na época, câmeras de monitoramento do condomínio de luxo onde ele morava, em Hernandarias, flagraram o momento em que o brasileiro fugiu do cerco policial em uma caminhonete Toyota Hilux.

Segundo a imprensa paraguaia, a Hilux pertencia a uma funcionária da Tabacalera del Este, indústria de cigarros de propriedade do ex-presidente do Paraguai, Horacio Cartes.

Lindomar também é apontado como sócio da organização criminosa liderada pelo paraguaio Miguel Ángel Insfrán Galeano e pelo uruguaio Sebastián Marset. A rede mantinha templos religiosos e empresas de fachada na linha internacional com Mato Grosso do Sul.

Considerado pela PF como um dos maiores traficantes do Brasil, foi preso em fevereiro deste ano no Recreio dos Bandeirantes, região oeste do Rio de Janeiro, usando documento falso em um condomínio de luxo. Ele também fazia cirurgias plásticas constantes para mudar a aparência.

De acordo com a PF, Lindomar usava o nome falso de Fabiano de França Pezzato. Com ele, foram encontrados R$ 55 mil em espécie, joias e documentos. O traficante foi encaminhado para o sistema prisional do Rio de Janeiro. Miguel, o “Tio Rico”, foi preso também no Recreio dos Bandeirantes, em fevereiro de 2023, e Sebastián Marset segue foragido.

Nome da operação

O nome da ação, batizada de Operação Hetera, é decorrente do desejo dos criminosos em lavar dinheiro por meio da construção de uma casa de prostituição de luxo.

Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.


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