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terça-feira, 19 de dezembro de 2023

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PORTOS FRANCESES SE TRANSFORMAM EM PONTOS DE ENTRADA DE COCAÍNA NA EUROPA

                                                                 Foto: LP/Olivier Corsan

O governo francês anunciou medidas para lutar contra o tráfico. Entre elas, o Porto de Dunquerque, contará com uma brigada de 24 funcionários aduaneiros

Os principais portos franceses se transformaram em pontos de entrada de droga na Europa, principalmente de cocaína. O governo francês anunciou no dia 8 de dezembro, medidas para lutar contra o tráfico que, segundo o especialista Michel Gandilhon, não serão suficientes.

O governo francês anunciou que quer fortalecer a luta contra o tráfico nos portos franceses. O ministro delegado do Tesouro francês e encarregado das alfândegas, Thomas Cazenave, esteve no porto de Dunquerque, o terceiro do país, no norte da França (a aproximadamente 300 km de Paris), e anunciou um reforço com a contratação de 25 agentes alfandegários suplementares, aquisição de 10 scanners móveis e uma formação para lutar contra a corrupção entre os funcionários dos portos.

Para Michel Gandilhon, especialista associado ao departamento de Segurança e Defesa do Cnanm (Consertorio Nacional das Artes e Profissões), membro do conselho de orientação cientifica do ObsCl (Observatorio da Criminalidade Internacional) e autor do livro "Drugstore, drogue illicite et trafic en France" (Drugstore, droga ilícita e tráfico na França), as medidas anunciadas não estão à altura do problema.

O especialista explicou à RFI que a maior parte da cocaína que entra atualmente na Europa passa pelos portos e o canal preferido dos traficantes passou a ser "o contêiner".

Na França, a atividade em geral nos portos aumentou, devido a uma saturação de outras entradas europeias como Antuérpia, na Bélgica, e Roterdã, na Holanda. O porto de Dunquerque triplicou o número de contêineres descarregados em seus cais entre 2010 e 2022, passando de 250.000 a 754.000 de acordo com dados publicados no jornal Le Parisien.

O aumento da atividade faz com que o interesse do crime organizado por esses pontos de entrada aumente e que estejam sujeitos ao tráfico.

    Rota do Tráfico de cocaína por navio porta-contêineres. (©Publihebdos)

Ainda é difícil afirmar que os portos franceses são mais utilizados que antes pelos traficantes de droga, mas as estatísticas mostram que as apreensões aumentaram. "Sobretudo no porto da cidade do Havre. Há 10 anos, em 2021, era apreendida uma centena de quilos de cocaína. Em 2021, foram apreendidas 10 toneladas", salienta Gandilhon.

Além do porto do Havre, a aproximadamente 200 km a noroeste de Paris, e de Dunquerque, outro porto usado para entrada de droga é o de Marselha, no sul da França. 

"O tráfico está aumentando porque a produção de cocaína quintuplicou na Colômbia, principal produtor da droga. Alcançamos atualmente níveis recordes, então tem mais cocaína que passa (pelos portos)", diz. Além disso, o trabalho da polícia se intensificou. "E como os serviços de polícia e as alfândegas são cada vez mais orientados para a questão dos portos, descobrimos cada vez mais cocaína", diz.

Corrupção

De acordo com uma nota da alfândega francesa obtida pelo jornal Le Parisien, "diversas redes criminosas do Havre têm como patrocinadores regulares membros da Mocro Maffia", uma quadrilha holandesa poderosa e violenta, mandante de uma dezena de assassinatos nos Países Baixos, entre eles a de um jornalista, e de uma tentativa de sequestro do ministro da Justiça belga.

O mesmo documento afirma que a corrupção nos portos seria "subestimada" e revela diversas atividades ilegais, como fugas de informação sobre controles planejados, inspeções de carregamentos canceladas ou voluntariamente negligenciadas, permissão de acesso a zonas específicas, deslocamento de carregamento, impedimento de investigações e de procedimentos judiciais.

O ministro Thomas Cazenave anunciou planos de formação de agentes públicos para lutar contra a corrupção. Mas de acordo com Michel Gandilhon, "não são somente os agentes das alfândegas que são corruptos, são sobretudo os trabalhadores dos portos, porque a cocaína é desembarcada sobretudo pelos trabalhares portuários, a profissão alvo dos traficantes", explica.

"Hoje sabemos que um trabalhador do porto que sai com um saco de um quilo de cocaína pode ser remunerado em até € 1.000 (R$ 5.300), um operador de guindaste que vai mover um contêiner pode receber várias dezenas de milhares de euros, assim como uma pessoa que realiza um trabalho técnico e que pode recrutar um traficante ou um cúmplice de traficantes para trabalhar no porto", afirma.

Além do pagamento de propina, existe também pressão feita por grupos criminosos sobre os trabalhadores. "Ainda que o dinheiro seja o principal motivador, existem também pressões, chantagens, ameaças sobre familiares. Então, eventualmente, e tivemos exemplos, recentemente, de casos de trabalhadores que não queriam colaborar e foram ameaçados de sequestros ou torturados. Então as pressões exercidas pelas quadrilhas são intensas sobre estas pessoas", diz.

Fonte: UOL


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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

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POLÍCIA FRANCESA APREENDE MAIS DE UMA TONELADA DE COCAÍNA EM NAVIO QUE FEZ ESCALA NA BAHIA

 

A droga foi embarcada logo depois que o cargueiro deixou o Porto de Aratu

O organismo francês de combate ao narcotráfico Ofast tenta desvendar um misterioso embarque de 1,127 tonelada de cocaína ocorrido no Brasil em setembro, em um navio graneleiro que tinha como destino os portos de Antuérpia, na Bélgica, e Roterdã, na Holanda.

A droga não chegou a quem fez a encomenda porque o cargueiro com bandeira da Libéria foi interceptado pela polícia marítima francesa em 1° de outubro e levado para o Porto de Dunquerque, na França.

A história envolvendo o cargueiro "Trudy" daria um roteiro de filme policial. O jornal "Le Parisien" reconstituiu a investigação na quarta-feira (13) após ter tido acesso aos depoimentos da tripulação.

A embarcação transportava um carregamento de caulim, um tipo de argila muito branca usada na indústria de cerâmica e porcelana.

Quando decidiram vistoriar o navio de 180 metros de comprimento no início do mês, apesar da centena de compartimentos, os policiais franceses levaram apenas uma hora e meia para encontrar a tonelada de cocaína distribuída em 40 sacos escondidos na sala de ginástica do navio.

Vinte marinheiros de várias nacionalidades – etíopes, romenos, filipinos – foram detidos e 19 deles, indiciados na Justiça.

Durante os interrogatórios, alguns contaram que viram a droga ser embarcada logo depois que o cargueiro deixou o porto de Aratu, na Bahia.

Um maquinista fez uma descrição detalhada: "De repente, em alto mar, um grupo de seis a oito homens, vestindo macacões azuis, subiu a bordo com mochilas que entravam cheias e deixavam o navio vazias".

Esses "visitantes misteriosos" não tiveram suas identidades registradas no barco, como manda a regra, o que faz a polícia francesa acreditar que os traficantes contavam com a cumplicidade de membros da tripulação.

Um segundo evento inesperado aconteceu no navio, desta vez dentro do porto de Dunquerque. Na madrugada de domingo (10) para segunda-feira (11), um grupo de cinco a dez homens armados com bastões, falando inglês entre eles, invadiram o cargueiro e tomaram como refém a nova equipe de marinheiros que tinha sido enviada pelo armador.

Os novos tripulantes foram amarrados e violentamente agredidos. Cinco horas mais tarde, depois de vasculharem o navio, acompanhados pelo capitão, os piratas fugiram sem ser incomodados.

Se eles sabiam que a droga tinha sido apreendida, o que mais vieram buscar? Os policiais franceses estão, agora, diante de duas incógnitas: precisam descobrir que grupo de traficantes embarcou a cocaína no "Trudy", ainda no litoral brasileiro, e se havia outro produto contrabandeado no navio.

Em agosto de 2015, tripulantes desse navio estiveram envolvidos no embarque de 22 kg de cocaína, no Porto de Vila do Conde (PVC), no Pará, com destino à Bélgica.


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