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sexta-feira, 15 de abril de 2016

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ABIN ALERTA SOBRE AMEAÇA TERRORISTA


Maxime Hauchard aparece em vídeos de decapitação na Síria. A Agência Brasileira de Inteligência confirmou a autenticidade do perfil (Foto: Reprodução Internet)

Agência confirma que membro do Estado Islâmico disse, pelo Twitter, que Brasil é o próximo alvo

 ‘Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Podemos atacar esse país de merda”. A ameaça foi postada em novembro do ano passado, em um perfil do Twitter que tinha como dono Maxime Hauchard, 22 anos. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirmou, ontem, que o perfil realmente pertence ao terrorista francês que aparece em vídeos do Estado Islâmico (EI) decapitando sírios.
A mensagem foi postada uma semana após os atentados coordenados na França, que deixaram 129 mortos e dezenas de feridos. A conta na rede social do terrorista já foi suspensa. “Monitoramos e percebemos que o perfil realmente era do Maxime, um dos líderes do Estado Islâmico. A partir do momento da postagem houve uma maior intensidade nos discursos de agressividade dos autoproclamados seguidores desse grupo terrorista no Brasil”, afirmou o diretor de Contraterrorismo da agência, Luiz Alberto Sallaberry, na Feira Internacional de Segurança que está sendo realizada no Rio.
“Maxime é uma espécie de garoto-propaganda do Estado Islâmico. Saiu de um vilarejo no interior da França para a Síria, aos 18 anos, onde se integrou ao terrorismo. É o segundo na linha de comando de decapitadores e gosta de dizer que estar no grupo “é como estar no Éden”, descreveu o diretor a uma plateia de especialistas em Segurança.
Segundo Sallaberry, no Brasil há um crescente nível de pessoas que dizem ter feito o juramento ao califado do Estado Islâmico, ou seja, concordantes com um grupo que deturpou os princípios da religião islâmica e utiliza a violência para expandir seu domínio territorial.
“Quando uma pessoa faz o juramento ao califado e se torna autoproclamado ela está disposta a cometer qualquer atentado violento em nome do grupo. A ordem não precisa ser presencial, pode ser via internet”, disse Sallaberry.
Lobos solitários
Os ataques dos chamados ‘lobos solitários’, pessoas que praticam ataques sozinhas, são a maior preocupação da agência para a Olimpíada no Rio de Janeiro. Dez delegações, entre elas dos Estados Unidos e Canadá, são classificadas pela agência com nível “muito alto” para ataques. O nível de ameaça da delegação brasileira é alto.
O monitoramento das redes sociais é uma das atividades da Abin para combater o terrorismo. Por razões de segurança, Sallaberry não divulga o número de pessoas que se dizem autoproclamadas e que são monitoradas.
Cursos para auxiliar na identificação de terroristas
Para melhor ilustrar seu discurso na Feira Internacional de Segurança, o diretor de Contraterrorismo da Agência Brasileira de Inteligência, Luiz Alberto Sallaberry, apresentou bandeiras do Brasil onde, em árabe, está escrito “Deus acima de tudo”, com símbolos do Estado Islâmico, postadas por pessoas monitoradas.
“Posso dizer que são de origem salafista sunita, comunidade que está ligada ao Estado Islâmico. Não estou dizendo que vai acontecer um atentado. Estou dizendo que é a primeira vez que a probabilidade aumentou sobremaneira no nosso país”, afirmou o diretor da agência.
Para evitar possíveis ataques, a Abin intensificou cursos com setores de hotelaria, taxistas e outras pessoas para que elas possam identificar possíveis alvos terroristas em território nacional. Além disso, faz constante intercâmbio com forças estrangeiras e internas. “O sucesso contra o terrorismo só é possível com cooperação. O terrorista é a ameaça sem rosto. Pode ser qualquer um”, afirmou em seu discurso.

Fonte: Jornal O Dia.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

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TERRORISMO - ENTREVISTA COM MARCUS REIS


SEGURANÇA PÚBLICA PORTUÁRIA / ENTREVISTA


Com o advento dos grandes eventos que ocorrerão no Brasil nos próximos anos, a preocupação com atos terroristas aumenta. Em razão disto, fomos ouvir um dos maiores especialistas na área.

Marcus Reis é Advogado, mestre em economia pela UNB, mestre em direitos fundamentais pela Universidade Carlos III de Madri (Espanha), especialista em contraterrorismo e contrainsurgência pela National Defense University/CHDS (Washington, EUA), especialista em vitimologia de crime de terrorismo pela UC3M (Madri, Espanha) e em combate ao crime de terrorismo e de ódio apresentado pelo Port of Tacoma Patrol  and Maritime Intelligence Suport Team (Seatle, EUA). Finalizou o Certificate in Terrorism Studies pela St. Andrews University (Escócia, UK).

Foi professor de direito constitucional na graduação e professor de direitos fundamentais na pós-graduação em Direito Público da FACITEC. Na Fundação Getúlio Vargas ministrou as disciplinas Direito Penal, Direitos Fundamentais e Gerenciamento de Crises no curso de formação para Policial Legislativo Federal. Ministra a disciplina Combate ao Terrorismo junto ao Curso Básico de Inteligência da Polícia Militar do DF. É professor no Instituto Legislativo Brasileiro, Senado Federal, do curso Contraterrorismo e Inteligência, que alcança servidores de diversos órgãos de segurança pública e de defesa nacional, como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério da Defesa, Forças Armadas, ABIN, CESPE/UnB, entre outros.
 

1) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: O terrorismo pode ser visto como um crime?
 
MARCUS REIS: Infelizmente, o terrorismo ainda não é tipificado na legislação penal em nosso país. Não há o crime de terrorismo então, logo os autores de atentados terroristas no Brasil seriam julgados por homicídio, dano, lesão corporal etc. Isso é muito ruim, porque o terrorismo tem o objetivo de pressionar o Estado e a sociedade, não é dirigido a pessoas ou coisas, logo é muito mais grave.



 
2) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: O terrorismo sempre tem uma   motivação política?
 
MARCUS REIS: Sim. Essa motivação tem sempre o caráter político, ou seja, ideológico, religioso, ambiental, social etc. Abrange um conceito amplo de política. Mas não pode ser financeiro, pois a motivação financeira é característica de grupos de crime organizado.
 

3) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: Existe terrorismo no Brasil? O sequestro do embaixador americano em 1969 e o atentado do Rio Centro em 1981 podem ser considerados atos terroristas?

 


MARCUS REIS: Sim. O conceito de terrorismo assevera que são atos violentos e planejados, realizados por organizações estruturadas, com objetivos políticos. Visam mais ao alvo indireto (Estado e sociedade) que as vítimas diretas (pessoas e coisas que sofrem os atentados). Nos casos específicos mencionados, o primeiro foi sem dúvida um ato terrorista, violento e com motivações políticas. O segundo caso ainda não foi bem esclarecido, mas provavelmente foi uma simulação somente.
 

4) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: Em dezembro de 2010, o WikiLeaks divulgou um relatório da embaixada dos Estados Unidos em Brasília sobre a existência de uma célula do AL-Quaeda na Tríplice Fronteira. O que há de concreto sobre isto?



MARCUS REIS: Apesar de o governo brasileiro negar, sabe-se por trabalhos sérios que há grupos radicais islâmicos atuando naquela tríplice fronteira. Devemos estar atentos para movimentações financeiras normais (pelo sistema financeiro) e anormais (por sistemas familiares como o hawala) que podem estar financiando atentados em outras partes do mundo. Precaução e atenção.
 
 
 
5)  SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: Em maio último, o governo israelense, alertou o Consulado Geral em São Paulo para a possibilidade de um atentado do grupo extremista libanês Hesbollah em São Paulo. O Brasil corre o risco de se tornar alvo de atentados terroristas?
MARCUS REIS: Organizações terroristas atuam de forma econômica, buscando sempre a eficiência, ou seja, aumentar os benefícios e reduzir custos. Ao pensarmos que grandes eventos mundiais terão sede em nosso país, com transmissão para todo o planeta, podemos perceber que diversos grupos podem estar se movimentando para ganhar notoriedade para determinada causa. O grande benefício de um atentado é a propaganda. Lembremos que depois das olimpíadas de Munique (1972) todo o mundo passou a conhecer o grupo Setembro Negro, bem como a causa palestina. E se pensarmos nos custos, um atentado no Brasil teria um custo enormemente inferior ao de um atentado nos EUA ou na Europa, por causa dos elevados gastos com segurança nestes países. Aqui, infelizmente, ainda não temos essa preocupação como prioridade. Então, temos todos os sinais de que pode haver um atentado no Brasil. Custos baixos e benefícios altos, em especial durante os grandes eventos que virão.
 
 
6)  SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: Gabriel Weimann, professor da Universidade de Haifa, em Israel, afirmou que a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 coloca o Brasil no foco de grupos terroristas. O Brasil está preparado para possíveis atos terroristas durante a Copa e as Olimpíadas?
 
MARCUS REIS: Acredito muito na capacidade de o governo garantir a segurança para os grandes eventos. Creio que o Ministério da Defesa estará na linha de frente e seguramente os militares brasileiros já estão se movimentando para a proteção desses espetáculos. E espero que assim seja, porque o prof. Weimann está correto. O Brasil estará nos planejamentos de grupos terroristas pelos motivos já expostos. Ainda somos um país de baixo custo para a produção de um atentado (pela reduzida capacidade atual de segurança), bem como os grandes eventos aumentarão exponencialmente os benefícios, pela propaganda gerada, de um ato terrorista.
 
 
7) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: O PCC pode ser considerado uma organização terrorista?
 
 


MARCUS REIS: Não. Ainda não creio que houve essa transformação dos objetivos do PCC. Não é um grupo com objetivos políticos somente. Possuem o foco principal ainda no ganho financeiro. Entretanto, com a ascensão de Marcola no comando houve um aumento da ideologização interna, em especial acerca dos direitos dos presos no Brasil. Essa causa política pode muitas vezes confundir as ações do PCC com ações terroristas. No fundo, por trás dessas ações, que aterrorizam, creio estar ainda a motivação econômica, na tentativa de pressionar governos a fragilizar a atividade de combate ao crime e de reforçar o espírito de corpo do grupo criminoso com uma ideologia que una todos os integrantes.
 

8)  SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: Existe legislação específica para o crime de terrorismo no Brasil?
 
MARCUS REIS: Não, infelizmente ainda não há legislação penal ou processual penal específica. Estamos muito atrasados em relação a países como EUA, Colômbia, Peru, Espanha, França, Alemanha etc.
 
 
9)  SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: A ABIN e a Polícia Federal estão preparadas para combater o terrorismo?
 
MARCUS REIS: Acredito muito na capacidade da ABIN e da Policia Federal, em especial a Divisão de Antiterrorismo (DAT) deste órgão, em combater o terrorismo no Brasil. O problema é que o Estado ainda não disponibilizou o aparato técnico e legal para isso.
 
 
10) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: A quem caberia intervir em caso de um ato terrorista no Brasil?

MARCUS REIS: Creio ser competência da Polícia Federal e das Polícias Estaduais. Somente no caso do terrorismo chamado catastrófico, de grandes proporções, como ocorre quando há a utilização de armas de destruição em massa, com ameaça à soberania do país, deveria intervir as Forças Armadas. Estas podem atuar de forma coadjuvante com as organizações policiais, em especial apoiando com material, treinamento, inteligência e pessoal.
 
 
11) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: Quais as causas e efeitos do atentado de 11/09/2001 ao Word Trade Center?
 



MARCUS REIS: Depois do fim da guerra fria, creio que o 11 de setembro de 2011 foi o fato politico mais marcante da sociedade mundial dos últimos anos, alterando de forma severa as relações internacionais, em especial com a inserção de novos atores como as organizações terroristas.
 
 
12) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: Após os atentados de 11 de setembro, o governo americano exigiu que a IMO implantasse o ISPS CODE em todos os portos do mundo? Os portos brasileiros podem ser considerados seguros?
 
MARCUS REIS: O ISPS Code foi um grande avanço para o incremento da segurança em navios e portos. Requer dos governos, empresas e instalações portuárias o estabelecimento de regras para a gestão de risco, como clara definição de ameaças e de vulnerabilidades, bem como melhoria da segurança física das estruturas.  Após os atentados do WTC em 2001 a preocupação acerca da segurança de aeroportos aumentou muito. Infelizmente, essa não foi a regra para todos os meios de transporte, o que forçou a migração de ações terroristas para navios, trens etc. O ISPS Code faz com que governos tenham uma preocupação integral sobre a segurança dos transportes.
 

13) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: Na Copa de 2014 e nas Olimpíadas os portos brasileiros receberão vários navios de passageiros que serão utilizados como hotéis flutuantes para abrigar turistas de várias nacionalidades. Estes navios podem ser alvos de ataques terroristas?
 
MARCUS REIS: Podem sim. Qualquer atentado durante esses grandes eventos terão a capacidade de gerar propaganda para uma causa determinada. A segurança deve ser pensada de forma a não deixar lacunas ou setores menos protegidos. Deve haver segurança integral durante esses eventos.
 
 
14) SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO: Em 26 de junho de 2012 uma boia de sinalização afundou e o Canal de Navegação do Porto de Santos ficou fechado por cerca de 20 horas? O que aconteceria se um atentado terrorista afundasse um navio na entrada deste Canal e interrompesse a entrada e saída de navios no porto, responsável por 25% do PIB do país?

MARCUS REIS: Olha que perigo. Grupos que desejam pressionar politicamente o Estado brasileiro poderiam cometer atentados nessa área com a intenção de prejudicar a economia do país demandando a atenção imediata dos governantes para determinada causa. É uma região de extrema vulnerabilidade e que deve ter um tratamento prioritário de gestão de risco em segurança. O Porto de Santos, em virtude de sua importância econômica para o país, pode ser considerado um alvo potencial.
 
 
Marcus Reis mantém um Blog sobre o assunto:
 
 
 
 
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segunda-feira, 30 de julho de 2012

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O BRASIL FRENTE AS NOVAS AMEAÇAS GLOBAIS - PERSPECTIVAS PARA 2014


SEGURANÇA PÚBLICA - TERRORISMO - COPA 2014

Entrevista que André Luís Woloszyn, Analista de Assuntos Estratégicos, deu para o DefesaNet .



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DefesaNet -  Você acredita que o Brasil possa ser alvo de uma ação terrorista durante a Copa do Mundo de 2014?

Woloszyn - Acredito na possibilidade de que o Brasil possa sofrer atentado terrorista na Copa do Mundo de 2014, pois num mundo globalizado as ameaças também se tornaram globalizadas. Mas apontar grupos terroristas dispostos ou mesmo em condições logísticas de efetuar ações desta natureza é prematuro. Irá depender, especialmente, de como se comportará a conjuntura da política  internacional nestes próximos dois anos. (conflito israelo-palestino, relações Irã-EUA e os efeitos colaterais da primavera árabe).

DefesaNet - Em caso positivo, quais seriam os pontos vulneráveis?

Woloszyn - Os pontos mais vulneráveis provavelmente serão os locais onde estarão hospedadas as delegações de atletas estrangeiros, suas rotas de deslocamentos para treinos e pontos turísticos visitados além dos próprios estádios onde se desenvolverão as competições.

DefesaNet  - A Polícia Federal estaria preparada para estas ameaças?

Woloszyn - Acredito que a PF esteja parcialmente preparada para lidar com o terrorismo, mas não em grande escala, pois sua estrutura atual (material e tecnológica) não é suficiente. Pela complexidade do tema e por experiências de crises anteriores torna-se necessário o envolvimento de outros órgãos públicos, notadamente da área policial e de inteligência em um trabalho conjunto e coordenado o que é dificultoso. Outros fatores intervenientes poderão contribuir para dificultar a adoção de medidas pró-ativas que são o fato de não possuirmos experiência alguma no trato com o terrorismo e não apresentarmos uma cultura voltada para a prevenção.

DefesaNet - Você acredita que o Governo Federal tem preocupação em relação a ameaça do terrorismo internacional?

Woloszyn - Compartilho da opinião de que o Brasil não se constitui um alvo em si mesmo, como a Alemanha também não o era nas Olimpíadas de Munique, em 1974. Seu território, sim, poderá ser utilizado para ações com a finalidade de atingir alvos internacionais a muito cobiçados e que não foram atingidos anteriormente por falta de oportunidade ou mesmo recrudescimento nas medidas de segurança. O grau de vulnerabilidade torna-se maior especialmente em um evento desta magnitude onde estará concentrados grande parte da imprensa mundial e onde todas as atenções estarão voltadas para o país, o que seria uma oportunidade para grupos ou pessoas (o que se denomina de lobo solitário) praticar tais atentados ganhando notoriedade. Quanto ao arrefecimento das políticas de contra-terrorismo de parte do Governo Federal não acredito, pois este tem a percepção de que seria o maior erro de avaliação do século, no Brasil. A imagem institucional do país e a credibilidade perante a comunidade internacional seriam fortemente abaladas como nação que não teve condições de se antecipar  a crises e eventos previsíveis.

DefesaNet -Você acredita em ações do  PCC e CV durante o evento como forma de pressão as autoridades brasileiras?

Woloszyn - É uma forte possibilidade que não pode ser descartada. Porém, caso ocorra ataques do PCC, CV e outros, a exemplo de maio de 2006 em São Paulo e novembro de 2010 no Rio de Janeiro, deverão acontecer meses antes da abertura, pois invariavelmente, as ações destas organizações visam pressionar e intimidar as autoridades para a concessão de benefícios pontuais e direcionados, por conta do desgaste político que estas ações acarretam na opinião pública.

DefesaNet - Existe a possibilidade de acordos das autoridades com estes grupos para impedir que ações criminosas aconteçam com ocorreu no passado?

Woloszyn - Sim. Acredito que as autoridades possam negociar uma trégua com os narcotraficantes para que o evento ocorra sem maiores incidentes  mas em que termos e em que circunstâncias?  Neste sentido, não concordo com negociações desta natureza  pois você teria uma moeda de troca que certamente viria em desprestígio das instituições governamentais e em detrimento do bem comum da população.

DefesaNet - Como seria em sua opinião, o pior cenário e o que se pode fazer para prevenir que ocorra?

Woloszyn - O pior cenário possível seria a ocorrência de um atentado terrorista durante a Copa do Mundo de 2014, com elevado número de vítimas fatais e feridos e com um poder de reação inadequado (socorro de feridos, rotas de transporte alternativas, hospitais preparados para receber a demanda, investigação e prisão de culpados – caso não seja ataque suicida) o que demonstraria definitivamente que não tínhamos competência para tratar com uma crise desta magnitude.  O que podemos fazer para nos antecipar? Bem, o terrorismo antes de sua materialização como atentado, é uma questão que envolve exclusivamente a atividade de inteligência, na tentativa de detectar e neutralizar tal ameaça. Fortalecendo esta atividade, criando uma coordenação geral eficiente entre as agências, dotando-as de recursos humanos qualificados e ferramentas tecnológicas seria um importante passo. Mas não único, pois é de fundamental importância o trabalho conjunto de outros segmentos, inclusive do alerta da população para informar em caso de alguma atitude suspeita. Podemos apreender muito com as falhas que resultaram no 11-S, mas o primeiro passo, é acreditar na premissa de que um atentado terrorista no Brasil seja possível.

DefesaNet - Na sua opinião, quais as maiores vulnerabilidades do Brasil?

Woloszyn - Existem muitas vulnerabilidades. Dentre as principais destacam-se a deficiência no controle e fiscalização de fronteiras terrestres e extensão marítima. Possuímos 17,8 mil Km de fronteiras terrestres com nove tríplices fronteiras limites com países da América Latina que, por sua vastidão e tipo de terreno, torna-se de difícil controle, porém de fácil acesso para quem deseja adentrar em território brasileiro sem um registro oficial. A extensão marítima é de cerca de 8 mil Km de costa, nas mesmas condições,  permitindo deslocamentos por água, de  pequenas embarcações, com poucas chances de detecção pelas autoridades.

DefesaNet -Você acredita que a utilização de veículos não tripulados nas fronteiras seria uma solução?

Woloszyn - A utilização de drones (veículos não tripulados) nas fronteiras da Amazônia não traria grandes resultados, pois o tipo de vegetação (floresta) é densa e fechada e este equipamento é utilizado especialmente em terrenos abertos e de vegetação pouco densa como a fronteira dos EUA com o México, em Israel e no Afeganistão.

Fonte: DEFESANET


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segunda-feira, 23 de julho de 2012

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SEGURANÇA: ESTAMOS PREPARADOS PARA A COPA E OLIMPÍADAS?

SEGURANÇA PÚBLICA / COPA 2014




Recentemente, o Ministro da Justiça informou que nossos órgãos de segurança pública estão preparados para a Copa do Mundo da FIFA e para as Olimpíadas. Será mesmo? Bom, vejamos! Temos um plano de segurança? Um plano de segurança é essencial para três momentos de um evento crítico (um atentado terrorista, i.e). Quais são: o antes, o durante e o depois.

- Antes – devemos estar preparados para prever situações que poderão acontecer nesse encontro de atletas. Sabemos que estarão aqui atletas de todos os cantos do mundo, atletas de países ameaçados pelo terrorismo, atletas de países que ameaçam pelo terrorismo, atletas que são verdadeiros representantes diplomáticos da sociedade de onde vêm. Assim, deve o Brasil prever o que pode acontecer nesses eventos. Fazer um exercício de prospectiva, estabelecer cenários. Além disso, deve estar investindo desde agora na preparação de seus policiais, militares, bombeiros, defesa civil, psicólogos, médicos, gestores etc. Também... ufaaaaa…. deve estar investindo em equipamentos, armamento, munição, comunicação, roupas, computadores etc. tudo que será necessário para o perfeito trabalho dos órgãos envolvidos na segurança desses eventos;

- Durante – nesses mega-eventos, caso passe algo, um atentado, por exemplo, devemos estar preparados para intervir, agir, solucionar de maneira adequada. Devemos estar com nossas forças de segurança e de defesa preparadas para essa missão. Equipes táticas (SWATS) devem ter evoluído para além do crime comum, prevendo que em caso de um atentado terrorista (mediante sequestro) deverão possuir intérpretes e psicólogos em seus quadros. Será que os negociadores da polícia conhecem a língua árabe, chinesa, ou mesmo a espanhola? Os perpetradores podem não ser brasileiros! Aliás, há grande possibilidade que não sejam. Os negociadores conhecem a realidade desses perpetradores? As equipes táticas possuem helicópteros, armas, munições, sistemas de comunicação etc. adequados?

- Depois – talvez o depois de um atentado possa ser o momento mais difícil. Munique que o diga! A sociedade precisa voltar a sua vida normal, precisa retornar a sua atividade econômica, social, política etc. Precisa estabelecer uma estratégia de marketing com os meios de comunicação para minimizar o que passou. Temos que confortar as vítimas e suas famílias. Devemos ter psicólogos, agentes sociais, bombeiros, defesa civil etc. em número suficiente e com treinamento adequado para permitir que a sociedade regresse a sua vida, apesar do que passou. Isso se chama Resiliência da sociedade.

Então! Estamos preparados? Dizem que sim, no governo. Eu, sinceramente, gostaria de acreditar nisso, mas realmente penso que estamos longe ainda dessa meta. Que tal baixarmos a bola e trabalharmos duro para deixarmos esses eventos mais belos ainda, mais seguros?

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