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sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

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STJ ANULA AÇÃO E ORDEM DE PRISÃO DE TRAFICANTE É REVOGADA


Foragida desde 2021, ela é apontada como a responsável por enviar cocaína para a Europa por meio do Porto de Santos ao longo dos últimos 10 anos

Um mandado de prisão contra a traficante Karine Campos, conhecida como Rainha do Pó no Porto de Santos foi revogado pela Justiça Federal em Santos, após ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anular, e a quinta turma do STJ referendar,

De acordo com o ministro, uma ação de busca de busca apreensão realizada pela Polícia Federal (PF) em uma imobiliária em Balneário Camboriú (SC) na Operação Alba Vírus, para desarticular a organização criminosa (Orcrim) liderada por Karine Campos, foi irregular.

Além de anular os efeitos da busca e proibir o uso do material coletado, o ministro mandou cancelar o mandado de prisão até o fim do processo.

“Por fim, tendo em vista o retorno dos autos à 1ª instância, determino a expedição de contramandado de prisão ou alvará de soltura clausulado em favor da paciente até o trânsito em julgado da ação penal”, diz trecho da decisão de Ribeiro Dantas.

Traficante

Karine Campos é apontada por investigadores como a maior exportadora de cocaína por via marítima do Brasil.

Em 2020, ela foi condenada a 17 anos de prisão. Além do mandado de prisão revogado, a Rainha do Pó tem outra ordem de prisão contra ela expedida pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte.

Operação Habeas Patter

A Orcrim da Rainha do Pó também foi investigada da operação Habeas Patter, realizada pela PF em 2023.

Nesse caso, o grupo criminoso liderado por ela é suspeito de pagar R$ 3,5 milhões para ter uma decisão favorável do então juiz federal Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, e soltar um traficante. O magistrado se aposentou por invalidez em 2023.

A apuração teve início com a apreensão de 175 kg de cocaína em Lisboa, Portugal, traficados por pessoas ligadas a Orcrim de Karine Campos.

A partir de mensagens, monitoramentos e dados armazenados na nuvem dos investigados, a PF mapeou a procura de parentes do traficante por advogados para soltá-lo.

Um dos encontros foi com o filho do magistrado. Segundo a PF, na conversa com uma irmã do traficante, o filho propôs R$ 3,5 milhões pela liberdade, “podendo os valores serem pagos após a concessão do alvará de soltura”.

À época, os investigadores chegaram a pedir a prisão do juiz, mas a ministra Laurita Vaz, do STJ, negou a solicitação.

Porto de Santos

Para os investigadores, ela é apontada como a responsável por enviar cocaína para a Europa por meio do Porto de Santos ao longo dos últimos 10 anos.

Ela chefiava uma Orcrim e gravava vídeos para comprovar como a droga seria enviada pelo maior porto do país. Os vídeos era enviados para os compradores dos carregamentos como garantia de que os entorpecentes tinham embarcado.

“Lacradinha. Aqui já “desmontemos” o pallet, certo? Ele vai sair desse jeito. Vai estar no segundo e no terceiro. Vocês vão tirar o primeiro e vai estar no segundo e no terceiro”, dizia Karine em um dos vídeos.

Saiu do presídio pela porta da frente

Por incrível que pareça, dois dos maiores traficante do Brasil saíram do presídio pela porta da frente. Assim como “André do Rap”, a “Rainha do Pó” foi libertada em 2021, quando o próprio STJ substituiu a pena em regime fechado por prisão domiciliar. Segundo a decisão, ela tinha dois filhos menores que necessitavam da presença da mãe. Desde então ela se encontra foragida da justiça.

Possíveis disfarces

Para tentar encontrá-la, a PF chegou a divulgar possíveis disfarces que podem ser utilizados por Karine Campos, os policiais divulgaram fotos de como a “Rainha do Pó” poderia ser encontrada. Com cabelos claros, presos, franja no rosto e até mesmo com óculos.


LEIA TAMBÉM: RAINHA DO PÓ' SUSPEITA DE COMPRA DE SENTENÇA ESTÁ NA MIRA DA POLÍCIA HÁ MAIS DE 10 ANOS


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terça-feira, 28 de março de 2023

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RAINHA DO PÓ' SUSPEITA DE COMPRA DE SENTENÇA ESTÁ NA MIRA DA POLÍCIA HÁ MAIS DE 10 ANOS


Foto: Divulgação PF

Karine Campos está foragida e, segundo investigadores, pagava propina a juiz do TRF-1

Apontada pela Polícia Federal (PF) como financiadora da propina de R$ 3,5 milhões supostamente paga ao juiz federal Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional da 1ªRegião, em troca da soltura de um traficante, Karine Campos é nome frequente em investigações de combate ao tráfico ao menos desde 2011.

Conhecida nos meios policiais como a "rainha do pó" e maior exportadora de cocaína via portos do país, Karine foi condenada a 17 anos de prisão pela Justiça Federal em São Paulo em 2020.

Ela está foragida desde 2021, quando o STJ (Superior Tribunal de Justiça) substituiu a pena por prisão domiciliar. O motivo foram os dois filhos menores que, segundo a decisão, necessitavam da presença da mãe.

A Folha tentou contato com advogados que aparecem como defensores de Karine Campos em processos na Justiça, mas não obteve retorno.

Antes, ela havia entrado na mira de investigadores especializados na repressão ao tráfico de entorpecentes por várias vezes. A primeira delas foi em 2011, quando foi alvo da Operação Maia, da Polícia Civil da Bahia. Em 2014, novamente na Bahia, foi investigada na operação Twister, da PF.

Em outra ação da PF, em 2019, dessa vez no Porto de Santos (SP), Karine Campos aparece como líder da organização criminosa que teria exportado cerca de 6 toneladas de cocaína para países da Europa.

SAIBA MAIS: 'FAMÍLIA BUSCA PÓ' CHEFIA TRÁFICO EM PORTOS DO BRASIL E ESTÁ NA MIRA DA PF

Um relatório de análise, produzido pelos investigadores da Operação Alba Vírus e citado pelo juiz do caso na sentença que a condenou pelo tráfico, aponta para a arrecadação de quase R$ 1 bilhão pelo grupo com a venda da droga.

Nesse caso, a PF alcançou a Rainha do pó após encontrar documentos falsos utilizados por ela em uma residência na qual foi apreendida parte da droga movimentada pelo grupo.

Os investigadores seguiram as informações coletadas com os envolvidos diretamente no tráfico de cocaína e encontraram uma rede de pessoas usadas como laranjas em empresas, imóveis urbanos e veículos.

Também descobriram que Karine possui amplo patrimônio. São casas, fazenda, veículos de luxo, joias e outros bens. A PF apreendeu ao menos R$ 1,7 milhão em joias em uma casa e encontrou registro de uma fazenda adquirida por R$ 12 milhões no Mato Grosso do Sul.

Entre as empresas atreladas a Karine Campos estão transportadoras utilizadas para movimentar a cocaína até diversos portos brasileiros. A PF monitorou viagens com droga do grupo com caminhões das transportadoras até para o Nordeste.

"Importa destacar que, pelas informações obtidas, os contêineres contaminados com a cocaína não eram embarcados somente pelo Porto de Santos (SP), mas também pelo Porto de Navegantes (SC), Porto de Paranaguá (PR) e possivelmente outros, inclusive no Nordeste. Desse modo, é possível concluir que a organização criminosa possuía galpões em mais de um Estado da Federação", diz trecho da sentença que condenou Karine em Santos.

O grupo liderado por ela, descobriram os investigadores, era especializado na técnica "rip on/rip off" para passar a droga pelas fiscalizações nos portos brasileiros.

"[A técnica] consiste na interceptação de unidades de carga, na maioria das vezes com a conivência dos motoristas, para carregá-las com cocaína, que é escondida em meio a carga lícita, sem conhecimento do exportador, o que exige que o processo seja feito com celeridade e, normalmente, próximo aos portos de embarque, para que os motoristas não precisem se desviar das rotas", explica a sentença da Operação Alba Vírus.

Após ganhar liberdade, em agosto de 2021, Karine Campos conseguiu sair do radar da PF, mas voltou em 2022 quando começou a apuração sobre a compra de sentença no TRF-1. A suspeita da PF é que ela esteja foragida na Bolívia ou Paraguai.

Como revelou a Folha, ao longo da investigação da Operação Habeas Patter, a Polícia Federal monitorou o encontro de parentes de Leonardo Nobre, um integrante do grupo da Rainha do Pó, com pessoas ligadas ao juiz federal Cândido Ribeiro, entre elas o advogado Ravik Ribeiro, filho do juiz.

Os investigadores chegaram a pedir a prisão do magistrado, mas a ministra Laurita Vaz, do STJ, negou a solicitação. A investigação começou após uma apreensão de 175 kg de cocaína em Lisboa, Portugal.

"Foi identificado na investigação sujeito conhecido como 'Negão', alcunha de Davidson Soares, braço direito a serviço da 'Patroa' ou 'Madrinha' ou 'Mãe" ou 'Esmeralda', codinomes de Karine Campos, mulher referida como a maior traficante do país, mas sediada na Bolívia ou Paraguai, pessoa quem liberaria o dinheiro necessário para o pagamento de propina no valor de R$ 5 milhões para obtenção da soltura de Leonardo Nobre", diz trecho da decisão do STJ que autorizou busca em endereços do juiz federal.

A Folha procurou o juiz e seu filho. Em nota, o gabinete do juiz disse que a investigação corre em sigilo e não tem nada a declarar.

Em um primeiro momento, a propina paga seria de R$ 5 milhões, mas, após esses parentes encontrarem pessoalmente Ravik Ribeiro, diz a PF, o valor acertado foi de R$ 3,5 milhões.

Após esse encontro, um habeas corpus cujo julgamento estava previsto para 7 de março de 2022 foi tirado da pauta do TRF-1 -à época, o juiz Cândido Ribeiro estava de férias.

No dia 19 do mês seguinte, no entanto, Nobre teve a prisão revogada com base no voto de Cândido Ribeiro. A prisão foi substituída pelo monitoramento eletrônico.

A PF continuou com a investigação e, dias depois, soube, por meio de ligações telefônicas, do planejamento de uma reunião entre o traficante, agora solto, sua irmã e o filho do juiz.

"O encontro se deu exatamente 19 dias depois de Leonardo Nobre obter decisão favorável à sua liberdade exarada pelo desembargador Cândido Ribeiro, pai de Ravik, e chamou atenção que no início do encontro Leonardo estava com uma caixa em suas mãos que ao final do encontro passou para as mãos de Ravik", diz a PF.

Fonte: Folha – via Yahoo


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