Embarcação foi interceptada pela Marinha Francesa com base
em informações do MAOC-N. Um brasileiro e dois bolivianos foram presos
As autoridades
francesas anunciaram, no último sábado (11), a interceptação de um veleiro de
bandeira polonesa que transportava 1.075 quilos de cocaína e armas a bordo. A
abordagem ocorreu em 25 de junho, nas proximidades da ilha francesa de Reunião,
ao sul de Madagascar, no Oceano Índico, no âmbito da Operação Mirlo.
A interceptação foi
realizada pela Marinha Francesa, com base em informações fornecidas pelo Centro
de Análise e Operações Marítimas – Narcóticos (MAOC-N), sediado em Lisboa, e
com autorização da Polônia, país de registro da embarcação.
Um brasileiro e dois
bolivianos foram detidos durante a operação. Segundo as autoridades, os três
navegavam da América do Sul com destino à Austrália.
Indiciamento
Na sexta-feira, 10
de julho, um tribunal de Paris colocou os três sob investigação formal,
passando à condição de investigados perante a Justiça francesa. Após audiência
perante uma juíza de instrução, foi decretada a prisão preventiva dos
investigados.
Segundo fontes
ligadas ao caso, o brasileiro, de 58 anos, afirmou aos investigadores que
trabalhava como pescador.
Em manifestação à
agência AFP, o advogado do brasileiro, Eliott Amzallag, declarou que seu
cliente "não tem nenhum vínculo com o mundo do narcotráfico" e
sustentou que ele teria sido explorado por uma organização criminosa em razão
de sua situação de vulnerabilidade.
Os dois bolivianos
têm entre 30 e 40 anos. O advogado do mais jovem, Baptiste Bellet, informou que
seu cliente pretende colaborar com as investigações e afirmou acreditar que o
processo demonstrará que ele não possui vínculo com a organização criminosa
investigada.
A advogada do outro
investigado, de 40 anos, Sophie Guimanant, preferiu não comentar o caso.
Participação das autoridades uruguaias
Segundo as
autoridades uruguaias, a investigação teve origem em informações de
inteligência da Prefeitura Nacional Naval do Uruguai, que apontavam a
utilização do veleiro por uma organização criminosa voltada ao tráfico
internacional de drogas.
As autoridades
ressaltaram, entretanto, que a droga não teria sido embarcada em território
uruguaio.
O Uruguai também
confirmou sua participação na operação internacional denominada Operação Mirlo.
Investigação
A Promotoria
Nacional de Combate ao Crime Organizado (Junalco) instaurou procedimento para
apurar a possível prática dos crimes de importação de entorpecentes e tráfico internacional
de drogas praticado por organização criminosa (ORCRIM).
Cooperação internacional
Segundo as
autoridades envolvidas, a operação contou com a cooperação internacional da
Joint Interagency Task Force South (JIATF-S), da Drug Enforcement
Administration (DEA), da Polícia Federal (PF); do Brasil, da Prefeitura
Nacional Naval da Argentina e do Centro de Análise e Operações Marítimas –
Narcóticos (MAOC-N).
A abordagem final da
embarcação foi realizada por meios navais da Marinha Francesa.
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