SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO

SEGURANÇA PORTUÁRIA EM FOCO

Postagem em destaque

GUARDA PORTUÁRIA PRENDE FORAGIDO DA JUSTIÇA NO PORTO DO RIO

  A prisão foi possível graças a troca de informações entre a Polícia Civil e a Guarda Portuária, ambas integrantes do SUSP - Sistema Único ...

LEGISLAÇÕES

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

0

POLÍCIA FEDERAL APREENDE COCAÍNA ENCONTRADA EM EMBARCAÇÃO NO PORTO DE ÓBIDOS

 

A droga foi encontrada num freezer, desacompanhado, no compartimento de cargas de uma embarcação

Na tarde da última quinta-feira (07) a Polícia Federal (PF), em conjunto com a Força Nacional de Segurança Pública, encontrou 9 tabletes de pasta base de cocaína, durante o trabalho de fiscalização no Porto de Óbidos, no Pará.

O município de Óbidos fica localizado às margens do Rio Amazonas, no oeste do estado, justamente no trecho onde o rio se estreita, fazendo com que o Porto de Óbidos seja estratégico para fiscalizações de embarcações.

Durante fiscalização de rotina, por volta das 16h30, os policiais encontraram um freezer, desacompanhado, no compartimento de cargas de uma embarcação que fora despachado de Manaus, no Amazonas, para ser retirado no município de Santarém, no Pará. Dentro das paredes do referido aparelho foram encontrados os tabletes de pasta base de cocaína, pesando quase 10 kg no total.

A carga foi encaminhada para a Delegacia de Polícia Federal de Santarém/PA, onde dois tripulantes da embarcação e um policial da Força Nacional foram ouvidos sobre os fatos. As investigações prosseguem com a instauração de um inquérito policial para apurar a autoria dos fatos.


A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Guarda Portuária e a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      
                                                                                       
* Direitos Autorais: Os artigos e notícias, originais deste Portal, tem a reprodução autorizada pelo autor, desde que, seja mencionada a fonte e um link seja posto para o mesmo. O mínimo que se espera é o respeito com quem se dedica para obter a informação, a fim de poder retransmitir aos outros.
Continue lendo ►

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

0

GUARDA PORTUÁRIA PRENDE FORAGIDO DA JUSTIÇA NO PORTO DO RIO

 

A prisão foi possível graças a troca de informações entre a Polícia Civil e a Guarda Portuária, ambas integrantes do SUSP - Sistema Único de Segurança Pública

Na noite do dia 29 de dezembro, integrantes da Guarda Portuária do Porto do Rio de Janeiro prenderam mais um foragido da justiça.

Roberto Pereira Moizinho, conhecido como “Beto Cabeça”, foi preso quando iria acessar um navio atracado naquele porto, escalado pelo OGMO - Órgão Gestor de Mão de Obra do Trabalho Portuário dos Portos Organizados do Rio de Janeiro, Itaguaí, Forno e Niterói, que ele passou a integrar em outubro de 2019.

Após a prisão na área portuária, em virtude da periculosidade do preso, a Polícia Civil foi acionada para, em conjunto com a Guarda Portuária, acompanhar no trajeto entre o porto e a Delegacia de Roubos e Furtos da Polícia Civil (DRF-PC). Posteriormente ele foi levado para o sistema prisional no Complexo de Gericinó, em Bangu, onde cumprirá a sua pena.

Segundo os policiais, foragido há três anos, “Beto Cabeça” faz parte da quadrilha do traficante Evanilson Marques da Silva, o Dão da Providência. Ele é apontado como articulador entre o tráfico de drogas e um grupo de assaltantes de joalherias que atuam naquela região.

Ainda segundo a polícia, ele comanda crimes como as famosas ‘saidinha de banco’, quando criminosos abordam clientes nas portas das agências bancárias.

Serviço de inteligência

As investigações da polícia Civil duraram cerca de três meses, até que os agentes conseguissem, com o apoio da guarda Portuária, a localização do criminoso.

A prisão foi possível graças a troca de informações entre a Polícia Civil e a Guarda Portuária, ambas integrantes do SUSP - Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), implantado pela Lei nº 13.675, sancionada em 11 de junho de 2018, que prevê, além do compartilhamento de dados, operações e colaborações nas estruturas federal, estadual e municipal.

Outras prisões

Essa não foi a primeira vez, o trabalho conjunto já possibilitou a prisão de outros foragidos da justiça.

Em 04 de dezembro de 2019, depois de troca de informações dos setores de inteligência das duas autoridades, equipes da Polícia Civil e da Guarda Portuária se dirigiram até ao bairro do Santo Cristo, onde capturaram Michael Linhares Rodrigues da Silva, em cumprimento a um mandado de prisão por roubo.

No ano passado, em 9 de setembro, os guardas portuários cumpriram mais um mandado de prisão. Desta vez os agentes prenderam Carlos Alberto de Menezes. A prisão ocorreu após o serviço de inteligência levantar que ele estaria escalado pelo OGMO para trabalhar a bordo do navio Norsul, atracado no terminal da Multirio.

Após ser detido ele foi encaminhado, junto com viaturas da Polícia Civil, ao 76º Distrito Policial, onde foi apresentado à autoridade de plantão e posteriormente foi encaminhado ao sistema prisional.

Em 19 de novembro, a Guarda Portuária também prendeu, no Porto do Caju, área do Porto do Rio de Janeiro, José Welington Florenço da Costa, conhecido como “Toinho da Providência”. Condenado por latrocínio ocorrido em 2009 quando matou um policial militar durante um roubo a lotérica. Ele estava evadido do sistema prisional desde o início daquele ano.

Com uma lista extensa de anotações criminais, com passagens por roubos a banco na década de 80, ainda possui anotações por homicídio e latrocínio. Após ser preso, ele foi conduzido ao 26º Distrito Policial, e posteriormente reconduzido ao sistema prisional.

ISPS Code

A localização dos foragidos e procurados pela justiça é possível em virtude do Código Internacional para a Proteção de Navios e Instalações Portuárias (ISPS Code – International Ship & Port Facility Security Code), ou simplesmente Código ISPS, implantado no Porto do Rio de Janeiro, que possibilita o controle de acesso de todos que acessam à área interna do porto.


A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Guarda Portuária e a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      
                                                                                       
* Direitos Autorais: Os artigos e notícias, originais deste Portal, tem a reprodução autorizada pelo autor, desde que, seja mencionada a fonte e um link seja posto para o mesmo. O mínimo que se espera é o respeito com quem se dedica para obter a informação, a fim de poder retransmitir aos outros.
Continue lendo ►

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

0

RECEITA FEDERAL APREENDE COCAÍNA EM CARGA DE GOIABADA NO PORTO DE SANTOS

 

Os 670 kg de cocaína tinha como destino o Porto de Antuérpia, na Bélgica

Na tarde de ontem (04), a Receita Federal do Brasil (RFB) localizou 670 kg de cocaína no Porto de Santos, litoral de São Paulo.

A droga estava em uma carga de caixas de goiabada, que tinha como destino o Porto de Antuérpia, na Bélgica. O contêiner que transportava a carga foi selecionado para conferência através de critérios objetivos de análise de risco.

A inspeção começou com uma avaliação não intrusiva por imagens de escâner. Em seguida, o cão de faro da RFB sinalizou positivamente para a presença de drogas.


Com a abertura do contêiner, as caixas do produto foram abertas, sendo os tabletes localizados no interior das goiabadas, totalizaram 670 kg da droga.

A droga interceptada pela RFB foi entregue à Polícia Federal (PF), que acompanhou a operação a partir da localização da cocaína e prosseguirá com as investigações a partir das informações fornecidas pela Receita Federal.

Em 2020, a RFB interceptou, somente no Porto de Santos, 20,5 toneladas de cocaína em cargas de exportação destinadas à Europa.


A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Guarda Portuária e a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      
                                                                                       

* Direitos Autorais: Os artigos e notícias, originais deste Portal, tem a reprodução autorizada pelo autor, desde que, seja mencionada a fonte e um link seja posto para o mesmo. O mínimo que se espera é o respeito com quem se dedica para obter a informação, a fim de poder retransmitir aos outros.

Continue lendo ►

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

0

A ÍNTIMA RELAÇÃO ENTRE NARCOTRÁFICO E POLÍTICA NO BRASIL

 

Investigação da Polícia Federal obtida pela Pública traz detalhes de como os lucros da cocaína são lavados no agronegócio e com elos na política

Ao seguir o rastro do dinheiro da cocaína no Brasil, a Polícia Federal (PF) tirou das sombras uma economia clandestina lastreada no comércio da droga e descobriu uma ameaça real às instituições. “Se não destruir financeiramente esses caras, isso aqui vira um México”, disse em entrevista à Agência Pública o delegado Elvis Secco, chefe da coordenadoria de repressão às drogas, armas e facções criminosas da PF em Brasília. Ele se refere ao poder financeiro dos traficantes brasileiros e a potencial ameaça que representam. No México, assim como na Colômbia da era Pablo Escobar, os cartéis corromperam a política e deixaram um macabro saldo de violência.

O Brasil não está longe do problema. Estatísticas sobre apreensões de cocaína e relatórios que embasam operações desencadeadas pela PF em 2020 apontam que há sinais de que organizações criminosas conhecidas pelo uso da violência, como o PCC, se especializaram na lavagem de dinheiro da droga, interferem na economia formal e, pouco a pouco, vão se infiltrando no sistema político do país. 

O maior traficante do Brasil e, individualmente, um dos maiores do planeta, Luiz Carlos Rocha, o Cabeça Branca, responsável, até ser preso em Sorriso (MT), em 2017, por mandar entre 80 e 100 toneladas por ano para fora do país e lavar parte de seus lucros com o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Lava Jato.

As relações do traficante com a lavanderia, que distribuiu o dinheiro desviado da Petrobras a políticos, veio à tona num segundo depoimento prestado em 2018 por outro doleiro, Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, que trabalhou para Youssef.

Em 2014, Ceará já havia admitido que entregara propina da estatal a senadores e deputados. Com Cabeça Branca a PF já sequestrou mais de R$ 1 bilhão e ajudou a Justiça do Paraguai a bloquear cerca de US$ 183 milhões do traficante naquele país (o equivalente a R$ 1 bilhão). 

Segundo a PF, no Paraguai o traficante teria subornado políticos e autoridades de segurança para não ser pego. A PF suspeita que no Brasil, onde viveu os últimos dez anos com duas identidades falsas e o rosto modificado por três operações plásticas, Cabeça Branca também tenha subornado autoridades.

O envolvimento de políticos com o tráfico não é novidade. Em 1991, o então deputado federal Jabes Rabelo, cuja família construiu um império financeiro de origem suspeita em Cacoal, Rondônia, teve o mandato cassado pela Câmara depois que seu irmão, Abidiel Rabelo, foi preso em São Paulo com 554 kg de cocaína portando uma falsa carteira de assessor parlamentar com a assinatura do irmão. 

A PF suspeita que da região Norte do país – base territorial dos grandes traficantes para armazenar a droga – a centros como São Paulo e Rio de Janeiro o tráfico distribui suborno em troca de apoio político. “Já tem sinais de que o PCC financia a política. Nós sabemos disso. Eles não dão nomes. Falam assim: ‘Vamos financiar a campanha política ‘daqueles vereadores’. São estratégias criminosas para fortalecer a organização”, disse o delegado Elvis Secco.

A PF ainda não tem provas contra políticos de peso, mas está analisando conversas telefônicas e documentos apreendidos em mais de uma dezena de operações desencadeadas entre 2019 e 2020 para cruzar com dados de doações eleitorais e licitações no serviço público. Como os grupos que controlam hoje o comércio internacional da cocaína no atacado se sofisticaram na lavagem, repassando os lucros a terceiros ou criando empresas de fachada, a PF cruza informações para embasar uma operação destinada especificamente a identificar o núcleo político ligado ao tráfico.

As suspeitas estão fundamentadas também na envergadura da estrutura do tráfico no Brasil. Nunca se apreendeu tanta cocaína no país, conforme ilustra a estatística da PF nos últimos quatro anos: em 2016 foram 41 toneladas; em 2017, 48; em 2018, 79; e, no ano passado, 105 toneladas, quantidade que, se em vez de destruída fosse vendida na Europa, a um preço médio de US$ 30 mil o quilo – que é o que se paga no atacado –, renderia algo em torno de R$ 17,3 bilhões.

O Brasil virou o grande entreposto mundial da cocaína, por onde passam 60% do que é produzido na Colômbia, Bolívia e Peru. Na ponta do lápis, o recorde histórico de apreensões representa apenas 8,75% das 1.200 toneladas que, segundo a PF, passaram por aqui em 2019, uma montanha de pó equivalente a R$ 200 bilhões.

Traficante era dono de 16 fazendas

Segundo relatórios policiais, os comerciantes de cocaína se dividem entre famílias com um pé no agronegócio e organizações antes especializadas em crimes contra o patrimônio, que herdaram o modus operandi de lendários contrabandistas da fronteira do Brasil com o Paraguai. Não mais que dez grupos dominam esse mercado clandestino. O mais forte é o PCC, que nasceu nas prisões e hoje detém quase o monopólio da cocaína. Em apenas duas operações, entre setembro e outubro deste ano, a Rei do Crime e Caixa Forte, foram bloqueados R$ 932 milhões de pessoas ligadas à facção. Os lucros da cocaína fizeram fortuna também de outros clãs desmantelados pela PF. É o caso das famílias Morínigo, Pavão e Soares da Rocha, chefiadas, respectivamente, pelos traficantes Emídio Morínigo Ximenes, Jarvis Pavão e João Soares da Rocha, presos em diferentes operações e em nome dos quais, segundo a PF, foi encontrada expressiva quantidade de imóveis, todos passíveis de confisco para venda antecipada. 

Os bens sequestrados, prontos para leilão até final de 2020, segundo a PF, deve superar a cifra de R$ 1 bilhão. Só com laranjas de Pavão foram encontrados 337 imóveis. Especialista no transporte e na exportação via portos, como Santos e Paranaguá, Cabeça Branca negociava com todos os grupos. “Ele era um homem de logística do tráfico e atuava com diplomacia, sem se envolver com violência”, afirma o delegado Elvis Secco. Ao ser preso em Sorriso, meca do agronegócio, usava o nome falso de Vitor Luiz de Moraes, um próspero agropecuarista, com relações políticas no norte do Mato Grosso e no sul do Pará.

Segundo a PF, um de seus parceiros era o ex-prefeito de Brasnorte (MT) Eudes Tarciso de Aguiar (DEM), que, ao término de seu mandato (2012-2016), foi eleito o melhor prefeito mato-grossense e um dos 50 mais bem avaliados do país. Às vésperas de ser preso, em 22 de novembro de 2018, durante uma nova fase da Operação Spectrum, a Sem Saída, Eudes era apontado pela imprensa local como “a maior liderança de Brasnorte” por ter ajudado a eleger o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, o senador Jaime Campos, todos do DEM, e pelo apoio “apaixonado” ao então candidato a presidente Jair Bolsonaro. “O presidente Bolsonaro vai aumentar os repasses aos municípios e com isso todos saem ganhando”, declarou Eudes ao site regional A Folha do Vale seis dias antes de ser algemado pela PF. 

Procurado pela reportagem, Eudes, já em liberdade, negou envolvimento com o tráfico e atribuiu a denúncia que o tornou réu ao fato de ser irmão de um dos homens fortes de Cabeça Branca na região, Alessandro Rogério de Aguiar, que cuidava dos negócios da família enquanto administrou o município. Disse que abandonou a política depois de ter feito campanha por Bolsonaro na região, em 2018.

De fato, o vínculo mais forte com o traficante é Alessandro, acusado pela PF de enviar toneladas de cocaína para o exterior através do Porto de Paranaguá. O problema é que as duas principais empresas da família, a Madeireira Imperatriz e a Agropecuária Estrela do Oeste, teriam lavado R$ 175 mil para o traficante. Numa procuração encontrada pela PF, os dois figuram como supostos procuradores do traficante. Nas imagens apreendidas, Alessandro aparece também num elevador do Shopping Iguatemi, em São Paulo, ao lado de Cabeça Branca. Em vários áudios captados pela polícia, o irmão do prefeito aparece negociando remessas de cocaína. 

Segundo a PF, o traficante era dono de 16 fazendas em áreas praticamente contínuas entre Mato Grosso e Pará, com extensão total estimada em cerca de 40 mil hectares, avaliadas em cerca de R$ 200 milhões. Uma das fazendas, de 920 hectares, em Tapurah, estava com toda a documentação preparada para receber a escritura definitiva, requisitada através do programa de regularização fundiária do governo federal. Em março do ano passado, ao negar um pedido de habeas corpus em que o ex-prefeito pedia liberdade, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), frisou no despacho uma provável relação dele com queimadas, desmatamento e retirada ilegal de madeira na região. Mendes escreve que as relações com o irmão e contradições verificadas no interrogatório apontam que Eudes teve “papel ativo” na organização criminosa chefiada por Cabeça Branca: “[…] ao que tudo indica, pratica de forma habitual outros delitos: crimes ambientais, corrupção e provável delitos de lavagem de dinheiro para ocultar patrimônio pessoal e da família”. 

O ministro se referia a um grampo em que a PF captou um diálogo entre Eudes e o irmão para despistar a fiscalização do Ibama numa das fazendas. O ex-prefeito sugeriu que Alessandro usasse um laranja para camuflar a propriedade rural, mas acabou admitindo o suposto crime: “Também meti fogo”, diz, acrescentando que fez o “serviço completo”. Em seguida, achincalha os fiscais do Ibama com palavrões: “Já que é pra tomar no cu, toma igual vaca de pé e berrando”. À Pública, ele afirmou que se referia à queima de pastagem. “Não pertenço a organização criminosa. Nasci dentro de uma serraria e vendo madeira há 40 anos. Vou explicar a origem do dinheiro à Justiça. O que pesa contra mim é a denúncia de lavagem. Nunca vi esse homem”, disse Eudes, referindo-se a Cabeça Branca.

Cabeça Branca investiu seus lucros na compra de imóveis, na produção de grãos e de gado, em maquinário agrícola, em carretas usadas no transporte dos produtos e armazéns que garantiam, num primeiro momento, a camuflagem da cocaína mandada para Europa e Estados Unidos e, num segundo, o colocava no agronegócio, dono de fazendas produtivas e autossuficientes. Sua rede ligava as áreas de produção agrícola em municípios do Norte do Mato Grosso e Sul do Pará a Osasco, na Grande São Paulo, onde ele construiu modernos galpões para armazenar grãos e cocaína que seguiriam para o exterior pelo Porto de Santos. 

Narcotráfico e pecuária

Preso em fevereiro de 2019 em Tucumã, no Pará, durante a Operação Flak, o empresário João Soares da Rocha é apontado pela PF como um misto de traficante de cocaína, empresário do agronegócio, garimpeiro e comerciante ilegal de madeiras na Amazônia Legal. Segundo a PF, é parceiro de Cabeça Branca no tráfico e, embora tenham o mesmo sobrenome, não são parentes. 

Atuava com o irmão Evandro Geraldo Rocha Reis e um sobrinho, o piloto Cristiano Felipe Rocha Reis, ambos mortos na queda de um monomotor Cessna, nas proximidades da pista do aeroporto de São Félix do Xingu, no Pará, no curso das investigações sobre as atividades do grupo, em agosto de 2018.

João Soares e o irmão eram donos de garimpo em Ourilândia do Norte. O empresário é dono também de postos de combustíveis e da Agropecuária Abelha Comércio e Serviços, fazenda dedicada à produção de gado de corte e grãos. É acusado de extração ilegal de madeira em terras indígenas. Em 2013 o empresário entrou para lista suja do trabalho escravo. 

O relatório da Polícia Federal mostra que os lucros convertidos da cocaína eram lavados no agro. “As investigações indicam que alguns investigados, em especial João Soares da Rocha e Raimundo Prado da Silva (preso também na mesma operação), investem o dinheiro adquirido com o narcotráfico na atividade pecuária”, diz a PF no relatório da Operação Flak. O empresário especializou-se no transporte da droga entre os países produtores, Brasil e Caribe, cobrando por cada viagem US$ 150 mil. Entre 2017 e 2018, período tratado pela Operação Flak, realizou pelo menos 23 fretes, faturando US$ 3,450 milhões (algo em torno de R$ 19 milhões).

Aviões do tráfico apreendidos pela PF (Foto: Divulgação PF)

A PF listou um total de 51 aeronaves apreendidas com o grupo chefiado pelo empresário. Destas, nove estavam em nome de João Soares da Rocha ou de familiares, e outras três foram destruídas, duas em acidentes e uma terceira, avaliada em R$ 1 milhão, foi incendiada depois de concluído o transporte de cocaína – perdas que, segundo a polícia, nem chegaram a afetar os lucros. O empresário mandou adaptar tanques de combustível reservas dentro de pequenos aviões para alongar a autonomia de voos e escapar dos radares.

Era um bem-sucedido empresário do agronegócio, no qual envolveu a mulher, filhos, irmãos e sobrinhos. A Agropecuária Abelha, por exemplo, está em nome de três filhos e tem como atividades a criação de gado de corte e a produção de soja. 

João Soares da Rocha atuava também na compra e revenda de cereais e animais vivos, cultivo de milho, cacau e prestação de serviços em obras de engenharia através de outras duas empresas das quais é sócio, a Rolomat Terraplanagem e a Geo Comércio de Areia. Em outra atividade paralela, alugava máquinas e equipamentos agrícolas modernos, que funcionam sem operador. 

A PF mira o patrimônio do empresário, estimado em R$ 330 milhões. “Tirando o dinheiro, tira-se o poder. É importante conhecer a estrutura das facções, mas não adianta só apreender a droga e dizer que o tráfico sofreu uma grande baixa financeira. As perdas fazem parte do risco. Tem que seguir o dinheiro, que é lavado em empresas sólidas, legalmente constituídas e normalmente insuspeitas”, afirma o delegado Elvis Secco. Ele avalia que a magnitude da estrutura do tráfico exige dos órgãos públicos um tratamento sistêmico, baseado em operações contínuas focadas no “laranjal” do tráfico e na lavagem do patrimônio. A repressão, segundo o delegado, seguirá o modelo da Lava Jato, com operações em série.

Com o esvaziamento da Lava Jato, o poder do tráfico levou os órgãos de controle do governo a mirar o foco mais nos barões da cocaína.

Na sexta-feira, 23 de outubro, a Justiça de São Paulo decretou a prisão de 18 acusados de pertencer ao PCC. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo, são membros da estrutura de tráfico de drogas e de lavagem de dinheiro que comandam as ações da organização criminosa nas ruas. “Creio que essa será a primeira fase da Lava Jato do PCC”, disse o promotor Lincoln Gakiya ao Estadão, um dos seis que assinam a denúncia contra o grupo.

O PCC, segundo dados que constam nos documentos apreendidos na Operação Sharks, que investigou a lavagem de dinheiro da facção entre junho de 2018 e setembro de 2020, movimentou R$ 1,2 bilhão com o tráfico internacional de drogas por ano.

“Uma máfia”: a estratégia do PCC

Liderado por Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, que controla a organização criminosa de dentro da prisão federal de segurança máxima de Brasília, o PCC erigiu um império financeiro. Na Operação Rei do Crime, desencadeada em setembro de 2020, a PF bloqueou R$ 730 milhões do PCC e estimou, com base num relatório do Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf), que nos últimos quatro anos o setor encarregado da lavagem do dinheiro movimentou R$ 32 bilhões através de uma rede com 78 empresas ligadas ao grupo Boxter, que controla mais de cem postos de combustíveis e lojas de conveniência no país. “Foram anos para solidificá-la no mercado econômico e financeiro através de uma marca sólida”, escreveu o delegado federal Rodrigo de Campos Costa ao abordar a estratégia do PCC. 

O PCC dos negócios da cocaína prima pela discrição e estratégias complexas na lavagem dos lucros. No caso da Operação Rei do Crime, se a polícia demorasse mais dois anos para agir, não teria mais como rastrear o dinheiro. É uma tática usada pelas máfias, qualificação, aliás, que a PF passou a dar à facção. “O que faltava para o PCC ser considerado uma máfia? Saber lavar dinheiro, que é o que estamos demonstrando. Eles têm tentáculos no mundo todo. Não é tráfico de drogas. É tráfico de cocaína. O PCC é uma máfia”, afirma o delegado Elvis Secco. “O PCC é um monstro que estamos matando.”

LEIA TAMBÉM: INVESTIGAÇÕES DO GAECO APONTAM ATUAÇÃO DO PCC NO TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS

A Operação Rei do Crime enredou José Carlos Gonçalves, o Alemão, o principal preso ligado ao PCC. Com ele foram apreendidos 32 carros de luxo, um iate, joias, dinheiro vivo, dois helicópteros e um patrimônio estimado em cerca de R$ 12 milhões. Levava uma vida de respeitável empresário, mas sua ficha e as investigações mostram que tinha relações obscuras. Era dele, segundo a polícia, o helicóptero usado para assassinar dois traficantes que deixaram de seguir as rígidas regras do PCC e passaram a roubar a facção, Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca. Os dois foram mortos em fevereiro de 2018, em Aquiraz, próximo a Fortaleza, no Ceará. Outro jurado de morte, mas que conseguiu convencer a facção a não executar a “sentença”, é o agora famoso André de Oliveira Macedo, o André do Rap, traficante da pesada, que deixou pela porta da frente a penitenciária de Presidente Venceslau, em São Paulo, no dia 10 de outubro, favorecido por decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do STF. Chefe do PCC na Baixada Santista, condenado a 15 anos e seis meses por remeter quatro toneladas de cocaína pelo Porto de Santos, o traficante se transformou no pivô de uma crise entre Mello e o presidente do STF, Luiz Fux, que derrubou a liminar do colega e mandou investigar as circunstâncias da decisão que jogou holofotes sobre o poderio da organização.

LEIA TAMBÉM: A PRISÃO DE ANDRÉ DO REP, APONTADO POR TRAFICAR DROGAS PELO PORTO DESANTOS

No topo do PCC está Marcola, sentenciado a 150 anos de reclusão, mais de 30 deles já cumpridos, condenado a passar o resto de seus dias na cadeia. Marcola é um preso diferenciado: durante o longo cárcere, se politizou, adicionou métodos capitalistas ao crime e controla a organização sem precisar mostrar a cara. O relatório da PF ao qual Pública teve acesso descreve a facção como uma grande corporação empresarial, baseada em princípios de conglomerados capitalistas, segundo os quais a hierarquia, disciplina e obediência às regras de negócios são indispensáveis. A semelhança com a máfia italiana, segundo o relatório da PF, vem da violência e intimidação contra agentes de segurança e, em especial, contra os integrantes que violam as regras ou delatam. Marcola, segundo está escrito no relatório, mesmo preso exerce “com mãos de ferro o comando da cadeia alimentar do PCC, o que significa dizer que todas as ordens ou ‘salves’ [ordens para missão] da facção devem [submissão] a sua anuência, sob pena de severa punição, inclusive pelos conhecidos tribunais do crime”.

A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), do Ministério da Justiça, já arrecadou em 2020 mais de R$ 100 milhões sequestrados do crime, dos quais pelo menos 20% já foram reconhecidos pela Justiça como originários da cocaína, um recorde na história de confisco dos bens do tráfico. A meta da Senad é fechar 2020 com a arrecadação de R$ 200 milhões. No site do ministério há uma lista de quase 3.800 bens a serem leiloados, dos quais até recentemente pelo menos 33 eram fazendas de traficantes bloqueadas para leilões futuros, algo aproximado em 100 mil hectares de extensão. A secretaria quer apressar os convênios com os estados para vender logo os imóveis. “Não somos uma imobiliária”, disse a Pública o diretor de gestão de ativos do órgão, Giovane Magliane. 

Fonte: Texto:Vasconcelo Quadros - Pública – Agência de Jornalismo Investigativo


Esta publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Guarda Portuária e a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      
                                                                                       
* Direitos Autorais: Os artigos e notícias, originais deste Portal, tem a reprodução autorizada pelo autor, desde que, seja mencionada a fonte e um link seja posto para o mesmo. O mínimo que se espera é o respeito com quem se dedica para obter a informação, a fim de poder retransmitir aos outros.
Continue lendo ►

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

0

POLÍCIA FEDERAL LOCALIZA COCAÍNA EM CASCO DE NAVIO NO PORTO DO PECÉM

 

Foram apreendidos mais 26 kg da droga

Na tarde da última quinta-feira (24) a Polícia Federal (PF), apreendeu 26 kg de cocaína no Porto de Pecém, localizado em São Gonçalo do Amarante, município da Grande Fortaleza, no litoral do Ceará.

A droga, embalada em tabletes, foi localizada no casco de um navio. O trabalho contou com o apoio da Receita Federal do Brasil (RFB), do Corpo de Bombeiros e do Complexo do Pecém, em atuação colaborativa com as autoridades e órgãos competentes para a investigação.

Segundo as investigações, o destino da droga seria para abastecer o mercado Europeu. A PF continua diligenciando para identificar o traficante e origem da droga.

Em pouco mais de um mês, essa é a terceira vez que os traficante utilizam o mesmo modus operandi. Em 23 de novembro a PF localizou 300 kg de cocaína, também no casco de um navio atracado naquele porto. Quatro dias após (27/11) foram localizados mais 37,3 kg da droga.

Em 2020, a PF apreendeu cerca de 1.500 kg de cocaína em Fortaleza e na região metropolitana.


A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Guarda Portuária e a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      
                                                                                       
* Direitos Autorais: Os artigos e notícias, originais deste Portal, tem a reprodução autorizada pelo autor, desde que, seja mencionada a fonte e um link seja posto para o mesmo. O mínimo que se espera é o respeito com quem se dedica para obter a informação, a fim de poder retransmitir aos outros.
Continue lendo ►

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

0

INVESTIGAÇÕES DO GAECO APONTAM ATUAÇÃO DO PCC NO TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS

 

Segundo o GAECO, a facção movimenta mais de R$ 100 milhões anualmente

As investigações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), através de uma força-tarefa composta por seis promotores de Justiça e agentes de investigação, com apoio da Polícia Militar (PM), iniciada no primeiro semestre de 2019 a partir do cruzamento de múltiplos dados, revelaram a cadeia logística do tráfico de drogas da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

O GAECO Também identificou a sucessão entre suas principais lideranças e a fonte de maior renda da organização criminosa, indicando, ao final, a participação de 21 pessoas. Dois faleceram durante as investigações. Alguns integrantes da facção se encontram no exterior, comandando atividades logísticas a partir de outros países.

Prisão de homem da contabilidade

Segundo o promotor do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, as investigações tiveram início após a prisão, no dia 8 de agosto de 2018, em São Miguel Paulista, na zona leste da capital, de Robson Sampaio de Lima, apelidado de Tubarão ou “Alemanha”. Ele tinha o controle e as contabilidades de todos os setores da organização criminosa.

Com ele, foi apreendido um notebook contendo planilhas que indicavam remessas de valores para o Paraguai e para a Bolívia. Além do notebook foram apreendidos com ele vários telefones celulares com centenas de mensagens com os integrantes do braço financeiro do PCC sobre o tráfico de drogas.

O MP descobriu que os líderes do grupo compraram imóveis e montaram empresas em nomes de familiares, usados como "laranjas" para não serem identificados. Segundo o Ministério Público, alguns dos investigados adquiriram casas de luxo e montaram empresas, transportadoras, salões de beleza e clínicas de estética em áreas nobres da capital e Grande São Paulo.

Os documentos apreendidos também levaram os investigadores à Eduardo Aparecido de Almeida, de codinome Dinamarca, também conhecido como Pisca, preso também em 2018, em uma luxuosa mansão em Assunção, no Paraguai. Pisca era apontado como um dos principais membros da facção no exterior.

Com o objetivo de ocultar centenas de milhares de reais semanalmente, os investigados compravam veículos e se valiam de imóveis com esconderijos, onde guardavam dinheiro em espécie antes de realizar transferências, muitas vezes por intermédio de doleiros. As provas colhidas revelaram que a facção movimenta mais de R$ 100 milhões anualmente. Esse dinheiro é proveniente, basicamente, do tráfico de drogas e da arrecadação de valores de seus integrantes, por meio de um rigoroso controle em planilhas.

Operação Sharks

Em 14 de setembro de 2020 foi deflagrada a Operação Sharks, que contou com a participação de oito promotores de Justiça e o apoio da ROTA (1º Batalhão de Polícia de Choque), com 250 policiais militares e 65 viaturas.

Foram cumpridos 40 mandados de busca e 12 mandados de prisão para cumprimento em São Paulo, em cidades da região metropolitana, da Baixada Santista e do interior, expedidos pelo juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, contra lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital).

A ação apreendeu uma quantia superior a R$ 100 mil em dinheiro vivo, diversos veículos de luxo e drogas, além de uma pistola calibre 9mm, munição e oito cartuchos de emulsão explosiva (TNT). O GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) foi acionado após a descoberta dos explosivos escondidos no local. Os agentes também encontraram diversos equipamentos eletrônicos e documentos.

Os promotores obtiveram o bloqueio judicial de R$ 72.322.585,90, sendo o valor de R$3.806.451, referente a cada uma das 19 pessoas. O bloqueio atingiu as contas bancárias e os ativos financeiros de 12 pessoas físicas e 23 pessoas jurídicas ligadas aos denunciados, por haver suspeita de atuarem como “laranjas” ou empresas de fachada para o grupo criminoso. Também foram sequestrados, por ordem judicial, 14 imóveis, alguns deles de luxo.

O MP apurou ainda que o PCC gastou US$ 925.860,00 na aquisição de aeronaves; contratações de pilotos para transportar drogas; despesas com combustíveis e reposição de peças para os aviões e helicópteros.

Promotores de Justiça descobriram que alguns dos investigados adquiriram casas de luxo, transportadoras, salões de beleza e clínicas de estética em bairros nobres da capital e Grande São Paulo.

Comunicação

Após Operação Sharks, o GAECO descobriu que os membros da principal facção criminosa de São Paulo se comunicam usando apelidos inspirados na série espanhola “Casa de Papel”. Os líderes do esquema utilizavam iPhone de última geração e mantinham uma rede restrita para trocar mensagens.

Argentina, Austrália, Turquia, Jamaica, Inglaterra, Equador, Bolívia, Congo, Egito. Na lista, não são países, mas os apelidos de integrantes do PCC.

De acordo com a investigação, apenas uma pessoa ligada ao setor financeiro era responsável pela compra dos telefones, inclusão de contatos na agenda e instalação de aplicativos. A Organização utiliza programas para troca de mensagens pouco conhecidos com o objetivo de dificultar o monitoramento e a quebra de sigilo das conversas.

É comum o envio de códigos como este, o "QRCode", pelo celular. Uma chave para entrar em salas secretas de bate-papo. O processo de decodificação necessita de um trabalho junto ao fabricante, então existem poucas ferramentas disponíveis, principalmente no mercado nacional. No entanto, normalmente os fabricantes desses aplicativos menos conhecidos no Brasil, não têm filial no território nacional. Com isso, de certa forma, eles não respondem às leis e nem às determinações da Justiça do Brasil, por exemplo, num mandado de busca e apreensão.

Estrutura Financeira

A investigação também descobriu como se organizava a parte da estrutura financeira da facção. Robson Sampaio de Lima (Alemanha) é apontado como o chefe do setor. Acima dele, está Marcelo Moreira Prado, chamado de "Amigo", que seria o responsável por repassar as ordens da cúpula para o setor financeiro. Assim como Eduardo Aparecido de Almeida, mais conhecido como "Cássio". Ambos viviam no Paraguai e foram presos em 2018.


Prisão Preventiva

No dia 23 de outubro, o juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, após receber a denúncia oferecida pelo (Gaeco) contra 19 integrantes da organização criminosa PCC, decretou a prisão preventiva.

Os promotores obtiveram ainda o bloqueio judicial de R$ 72.322.585,90, sendo o valor de R$ 3.806.451,89 referente a cada uma das 19 pessoas. O bloqueio atingiu contas bancárias e ativos financeiros de 12 pessoas físicas e de 23 pessoas jurídicas ligadas aos denunciados, por haver suspeita de atuarem como “laranjas” ou empresas de fachada para o grupo criminoso. Também foram sequestrados, por ordem judicial, 14 imóveis, alguns deles de luxo.

Para ocultar a movimentação bilionária, os denunciados compravam bens e se valiam de imóveis com fundos falsos, onde guardavam dinheiro vivo antes de realizar transferências, muitas vezes por intermédio de doleiros. Também recorriam a empresas em nome de terceiros para movimentar valores.

Entre os denunciados estão as principais lideranças do PCC atualmente em liberdade e algumas já presas. Alguns integrantes da facção se encontram no exterior, comandando atividades logísticas a partir de outros países. Dos 21 envolvidos, dois faleceram durante as investigações.

Organograma da ORCRIM

Segundo as investigações, a cúpula do PCC é formada por cinco setores: o "Sintonia final da rua", que tem quatro homens tidos como os principais chefes; o "Raio-X", que tem como objetivo levantar informações, com cinco integrantes; o de "Logística e fornecimento de drogas", que agem no comércio de drogas, com três membros; e o do "Progresso", responsável por cumprir as missões com seis e, dentro do "Progresso", o "Financeiro", com três. Veja, abaixo, a situação de cada integrante da cúpula da facção.


Sintonia final da rua:

  • Marcos Roberto de Almeida, o "Africano", “Angola”ou "Tuta", atualmente foragido é a principal liderança de rua do PCC, à frente da chamada “Sintonia Final da Rua”, o denunciado, é o responsável por comandar os integrantes soltos da organização criminosa, mantendo contato direto com a cúpula da facção que está no sistema prisional. Com passagens por roubo a banco e tráfico de drogas, ele é suspeito de ser responsável pelos planos de fuga das lideranças da facção reclusas em presídios federais, e ainda de liderar os planos de assassinar agentes e autoridades públicas em represália às transferências e às ações contra a cúpula da organização. Também ostentava cargo de técnico do Consulado de Moçambique em Belo Horizonte. 
  • Eduardo Aparecido de Almeida, preso, vulgo “Pisca”; conhecido como "Cássio",
  • Marcelo Moreira Prado, preso, o Exu, vulgo “Sem Querer”; também chamado de "amigo", que seria o responsável por repassar as ordens da cúpula para o setor financeiro. Ambos viviam no Paraguai e foram presos em 2018.
  • Patric Uelinton Salomão: o “Forjado”, está preso, condenado a 15 anos de prisão, ele cumpre pena por tráfico de drogas, associação ao tráfico de drogas, porte ilegal de arma, formação de quadrilha, roubo e homicídio.

Raio-X:

  • Gilberto Flares Lopes Ponte, foragido, ele é apontado como responsável pela chamada ‘Célula Territorial’ e tinha a incumbência de fazer o contato entre a cúpula e as lideranças atuantes em outros estados do Brasil e países da América Latina, a chamada ‘Sintonia Geral dos Estados e Países’.
  • Gratualino de Sousa Lira, identificado como “Espanha”, que está foragido, era responsável pelo controle dos pontos de venda de drogas e pelo tráfico de maconha (‘Setor do Bob’).
Décio Português
  • Décio Gouveia Luiz, 53, o Décio Português ou Decinho, apontado por investigadores como o substituto de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, no comando do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo, preso, está entubado, em estado de saúde gravíssimo, na Santa Casa de Presidente Venceslau, no interior paulista. Décio Português foi preso em agosto do ano passado em uma casa de luxo em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Ao notar que era observado, Décio Português saiu de São Paulo. Foi para o Rio de Janeiro, onde passou a usar o nome falso de Lucas de Souza Oliveira e ter grande cobertura de segurança da cúpula do PCC. Em 14 de agosto, foi preso. No celular dele havia uma foto com o brasão do cartel mexicano de Sinaloa, criado na década de 1980 por Joaquín Guzmán Loera, o El Chapo. Segundo a Promotoria, essa foi a primeira ligação do PCC com o cartel mexicano já registrada.
Claudio José Pinheiro Freitas (Foto: Reprodução)
  • Cláudio José Pinheiro de Freitas, de 36 anos, que tinha o codinome Bulgária, foi surpreendido em um apartamento de classe média alta, na Avenida Ophelia Caccerari Reis, no bairro da Aviação, na cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo.  Apontado como líder da facção na Baixada Santista, ele foi morto em confronto com a polícia, na Operação Sharks. No apartamento dele foram encontrados oito explosivos, uma pistola alemã, colete à prova de balas, dinheiro em espécie (reais, dólares e guaranis, do Paraguai).
  • Wellington Roberto da Cruz, que está preso, era responsável último por fazer cumprir as normas e a disciplina da facção criminosa (‘Resumo disciplinar’).

Logística de Fornecimento de drogas

O MP-SP, ao investigar a ORCRIM identificou os integrantes da facção responsáveis pela logística do tráfico de drogas.

  • Valdeci Alves dos Santos, vulgo “Colorido” comandava a cadeia de suprimento de drogas da facção, sobretudo aquela vinda de outros Países. Ele é acusado pelo MP de ter adquirido três imóveis em Alphaville.
  • Sergio Luiz de Freitas Filho também comandava, junto com Valdeci, a cadeia de suprimento de drogas da facção. Ambos continuam foragidos, segundo o MP-SP, e a suspeita é a de que eles estejam fora do Brasil, de onde atuam para a facção. Ambos estão no rol de pessoas mais procuradas do Ministério da Justiça.
Levi, preso no Paraguai (Foto: Senad/Divulgação)
  • Levi Adriano Felício, 52 anos, foi preso no seu apartamento, em um dos bairros mais luxuosos de Assunção na capital do Paraguai. De acordo com relatório da Polícia Federal, era o responsável por lavar dinheiro e guardar armas para a facção no Paraguai. Segundo o MP informou na segunda-feira (14), tinha certificado de registro como CAC (colecionador, atirador e caçador) junto ao Exército brasileiro. O documento encontrado pela investigação tinha validade até 2016.

Progresso:

  • Odair Lopes Mazzi Júnior, o “Argentina”, que se encontra foragido, a frente da ‘Sintonia Final do Progresso’ e da ‘Padaria’ (refino de drogas), era responsável direto pelo preparo, guarda e divisão da droga entre os integrantes. Segundo o Ministério Público, era a pessoa que mais mantinha contato com Alemanha na hora de fechar negócios. Ele é um dos responsáveis pela logistica do tráfico de drogas. De acordo com as investigações, ele possui imóveis em Alphaville, restaurante e salão de beleza em Moema e apartamento no Morumbi.
  • Sergio Luiz Ferrari, ele se encontra foragido.
  • Wagner Rodrigo dos Santos, 42 anos, conhecido como branquinho, que se encontra preso, é acusado pelo MP de ter movimentado US$ 13,6 milhões para os cofres da facção no período de 17 de outubro de 2018 a 27 de julho de 2019.
  • Diego Macedo Gonçalves do Carmo, 36 anos, se encontra preso.
  • João Paulo Tomaz de Souza, ele se encontra preso.
  • Edmilson de Meneses: Ele está foragido. Segundo o MP ele é cunhado de um preso apontado como o número 2 na hierarquia do PCC, recolhido na Penitenciária Federal de Brasília. De acordo com as investigações ele é proprietário de uma transportadora.

 Financeiro:

  • Robson Sampaio de Lima, apelidado de Tubarão ou “Alemanha” (foto) é apontado como o chefe do setor.
José Carlos em depoimento à Justiça em 2018 (Foto: UOL)
  • José Carlos de Oliveira, 49 anos, foi morto durante realização de um assalto em confronto com policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), em julho deste ano, em Itaquaquecetuba.
  • Carla Luy Riciotti Lima, identificada como “Chechênia”, que se encontra presa, tinha a missão de organizar o esquema de comunicação entre os membros da facção. Uma de suas funções, de acordo com o MP, era providenciar os telefones para uso da rede restrita dos líderes.

PCC movimentou R$ 1,2 bi em tráfico internacional de drogas

Segundo dados levantados pelas autoridades, obtidos a partir de documentos apreendidos durante a Operação Sharks, entre junho de 2018 e setembro de 2020, o tráfico internacional de drogas fez o PCC movimentar R$ 1,2 bilhão. O valor não incluía negócios particulares realizados por membros e associados da facção.

Pela primeira vez, o PCC foi caracterizado pelo Ministério Público como organização de tipo mafioso. O motivo é a estrutura de lavagem de dinheiro da facção — o que restava em termos de organização para que pudesse ser considerada uma máfia.

Cerca de R$ 200 milhões foram movimentados no sistema financeiro por meio de contas bancárias em nomes de laranjas e empresas fantasmas.

O restante era mantido em casas-cofre, transportado em carros e remetido a doleiros para que enviassem o dinheiro ao exterior e, assim, a facção pagar fornecedores de drogas em países como Bolívia, Paraguai e Peru.

 

A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Guarda Portuária e a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      
                                                                                       
* Direitos Autorais: Os artigos e notícias, originais deste Portal, tem a reprodução autorizada pelo autor, desde que, seja mencionada a fonte e um link seja posto para o mesmo. O mínimo que se espera é o respeito com quem se dedica para obter a informação, a fim de poder retransmitir aos outros.

Continue lendo ►