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APÓS TENTAR A TERCEIRIZAÇÃO, CDP DIVULGA NOVO CONCURSO PARA A GUARDA PORTUÁRIA

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

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CRIME ORGANIZADO ALTERA LOGÍSTICA PARA MANTER TRÁFICO PARA A EUROPA


Organizações criminosas que lucram com o tráfico internacional de cocaína estão mudando sua forma de operar no Brasil

Há anos, esses grupos – o Primeiro Comando da Capital (PCC) é o maior deles – embarcam clandestinamente pacotes da droga em contêineres que saem de portos do Brasil em cargueiros rumo, principalmente, à Europa.

Para reduzir o risco de terem suas cargas “contaminadas” e seus funcionários ameaçados ou comprados pelo crime, empresas operadoras portuárias vêm reforçando medidas de segurança e de tecnologia. Polícia Federal, Receita Federal e outros órgãos também têm intensificado ações de controle.

Com portos mais vigiados, as apreensões despencaram. Em 2022, a PF registrou 32.470 kg de cocaína apreendidos em portos brasileiros. Em 2025, 15.630 kg. E em 2026, até junho, apenas 3.197 kg – um indicativo de que há menos cocaína passando atualmente pelos portos brasileiros em direção ao exterior.

Porto de Santos

No Porto de Santos – o maior do Brasil -, as apreensões também estão em queda. Em 2019, a Receita Federal apreendeu 27.053 quilos de cocaína no porto; em 2025, foram 6.428 quilos.

Mas isso está longe de significar um enfraquecimento de grupos e facções que faturam com o comércio internacional de cocaína. É o que afirmam fiscais federais, integrantes da Receita e a própria Polícia Federal.

“A redução das apreensões de cocaína em contêineres, especialmente no Porto de Santos, não deve ser interpretada como uma diminuição do tráfico internacional de drogas, mas, sim, como um indicativo da constante adaptação das organizações criminosas diante do aumento da capacidade estatal de fiscalização e repressão”, disse a PF, por meio de nota, ao Valor.

A polícia afirma que tem havido um reforço do emprego de scanners de contêineres, maior capacitação de equipes especializadas – como cursos de mergulho operacional e inspeção subaquática -, utilização de embarcações e tecnologias específicas, além do aprimoramento da análise de risco sobre empresas exportadoras, cargas e rotas marítimas.

Terminais Privativos

Empresas privadas que são operadoras portuárias também investem alto em segurança. Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, entidade que reúne seis das maiores empresas de infraestrutura do Brasil, diz que elas mantêm um padrão alto de segurança para reduzir os riscos de que suas estruturas sejam usadas pelo crime organizado.

“A Santos Brasil [uma das empresas ligadas ao MoveInfra], por exemplo, investiu R$ 55 milhões entre 2023 e 2025 em tecnologia e inteligência para combater esse tipo de atuação [de narcotraficantes]. São investimentos em Tecnologias 3D, Digital Twin (que espelha o mundo real), Internet das Coisas, Machine Learning, realidade aumentada e uso de drones”, diz Glanzmann.

Esses movimentos surtiram um efeito: tornou mais caro para o crime organizado no Brasil manter os portos e os cargueiros como sua principal solução logística para o envio de cocaína para a Europa ou outras regiões, afirma a PF.

É uma mudança que tem levado criminosos do PCC e de outros grupos do Brasil a reverem suas operações a fim de reduzir o risco de perderem cargas de cocaína. Quase todas são cargas milionárias.

Somente uma das apreensões em Santos este ano, de 461 quilos da droga em fevereiro, teria o valor aproximado de US$ 15 milhões. A estimativa leva em conta o preço de US$ 32 mil por quilo da cocaína, pagos por traficantes na França e na Itália, segundo o World Drug Report 2026, relatório do escritório da ONU para drogas, de junho.

Principal alvo de autoridades federais que combatem o crime organizado no Brasil, o PCC – por meio de seus líderes e operadores — movimenta grandes somas com o comércio de cocaína para a Europa. Em entrevista ao Valor em junho, o porta-voz da Europol disse que criminosos da facção desempenham hoje o papel de operadores logísticos de quase toda a cocaína que passa pelo Brasil rumo à Europa. E que são parceiros de todas as máfias europeias.

O Departamento de Estado dos EUA incluiu em junho o PCC, assim como o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, na lista de grupos considerados organizações terroristas estrangeiras. O CV tem tido uma atuação menos relevante no narcotráfico internacional, dizem autoridades, concentrando sua atuação no território brasileiro.

Com portos e terminais mais vigiados, criminosos têm se adaptado a outras rotas. E, nesse caso, o Equador se tornou uma opção. Assim como o Brasil, o país não produz cocaína. Os cultivos de coca e a produção de cocaína estão concentrados em três vizinhos: Bolívia, Peru e Colômbia.

O Equador viu em anos recentes o aumento da presença de organizações criminosas ligadas ao tráfico internacional de cocaína. O PCC é uma delas. De acordo com o World Drug Report 2026, Brasil e Equador foram, entre 2020 e 2024, os principais pontos de onde partiram navios apreendidos com cocaína na Europa, África e Ásia.

“As organizações criminosas passaram a diversificar tanto as rotas quanto os modais empregados. Há um crescimento da utilização da rota pelo eixo Colômbia-Equador-Europa”, disse a PF.

Há outras mudanças. “Paralelamente a isso, há um aumento no Brasil do emprego de embarcações de menor porte e maior autonomia, como pesqueiros, veleiros e embarcações semissubmersíveis, capazes de realizar travessias oceânicas ou transferências de carga em alto-mar”, afirma a Polícia Federal.

Em novembro de 2025, dois pesqueiros que tinham saído de Santa Catarina levando sete toneladas de cocaína foram barrados por autoridades nas proximidades da Ilha da Madeira. Investigações apontaram para uma rede cujos pesqueiros recebiam no mar, na costa nordestina e também no Suriname, pacotes de cocaína – levados por lanchas. Os pesqueiros, então, seguiam para a Europa.

No início de julho, uma operação da Polícia Federal e da Marinha, com apoio de órgãos dos EUA, interceptou mais um barco de pesca levando 3.748 kg de cocaína, na costa do Pará. Os tripulantes eram brasileiros. Veleiros também passaram a ser usados com mais frequência na travessia.

A PF diz que as parcerias entre autoridades brasileiras e estrangeiras têm aumentado a capacidade de interceptação da droga ao longo da rota internacional.

A mais ousada opção de transporte marítimo usada por criminosos ligados ao crime transnacional são os rudimentares submersíveis. Embarcações que começaram a ser fabricadas e usadas por traficantes da Colômbia e que hoje são fabricados às escondidas no litoral do Amapá e na Ilha do Marajó, segundo afirmou à reportagem o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA Sindical), que reúne auditores fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Essas embarcações chegam a ter 15 metros de comprimento e funcionam com motor a diesel. Carregam grandes quantidades de cocaína e levam três tripulantes, guiados por GPS, diz o sindicato dos fiscais que acompanham de perto a movimentação de cargas nos portos.

Todas essas artimanhas têm uma justificativa simples: o estímulo econômico. É o que lembra o professor de Relações Internacionais da FGV, Matias Spektor. Ele e outro acadêmico da FGV, Oto Montagner, têm estudado as dinâmicas do crime organizado e suas relações entre Brasil e outros países.

“Enquanto 1 kg de cocaína, vindo dos países produtores, é adquirido no Paraguai por cerca de US$ 1.000, essa mesma quantidade é vendida em Lisboa por US$ 15 mil e em Hong Kong por US$ 150 mil”, cita Spektor.

Mas se o fluxo da droga produzida nos Andes perdeu força em portos do Brasil, ele não desapareceu por completo. “Devido ao rigor da atuação da fiscalização no Porto de Santos, as quadrilhas estão migrando para outros portos brasileiros”, diz José Roque, diretor-executivo do Sindamar, que representa agências marítimas que atuam em nome dos armadores.

“Há uma enorme preocupação do segmento marítimo com referência aos embarques de drogas, que podem acarretar prejuízos incalculáveis para a imagem dos armadores, além de multas e do risco de apreensão do navio.”

Mesmo no Porto de Santos – com seus 17 scanners de contêineres instalados, suas 4.400 câmeras monitoradas pela Receita Federal, drones para a segurança, câmaras térmicas para captar movimentos noturnos -, mesmo com tudo isso, carregamentos de cocaína continuam sendo embarcados às escondidas, conforme indicam apreensões periódicas da droga.

A exposição ao risco de contaminação pelo narcotráfico tende a ser maior em portos com menor nível de segurança. Além de Santos, Paranaguá, Itajaí, Rio Grande, Mucuripe, Vila do Conde e Natal estão entre os portos com histórico de apreensões de cocaína.

Ainda que, via de regra, as empresas de logística marítima não tenham envolvimento deliberado com organizações de narcotraficantes, a descoberta de drogas em seus contêineres, terminais ou navios, costuma gerar atrasos, longos questionamentos por parte da polícia a funcionários e a executivos e desgastes junto a clientes.

Outro ponto sensível: o suborno ou a ameaça a funcionários dos portos por parte de grupos de traficantes, para que façam vistas grossas a determinados contêineres.

Risco da classificação de organizações criminosas como terroristas

Agora, mais um item entra no cálculo. O risco para empresas de se tornarem alvo de ações judiciais ou de sanções econômicas dos EUA se suas cargas forem flagradas com cocaína do PCC ou do CV – recém-classificadas como terroristas pelos EUA – o que traz implicações mais sérias para pessoas e empresas que venham a ser apontadas como tendo algum tipo de “apoio material” a esses grupos.

“Com essa nova classificação, o sarrafo aumenta para todo mundo” diz Glanzmann, do MoveInfra. Segundo ele, empresas associadas já têm um padrão historicamente alto de segurança. “Mas os desafios são diários e estamos cada vez mais dedicados a oferecer mais segurança à carga e às pessoas e mais agilidade aos processos”, diz.

Enquanto a produção de cocaína avança na Bolívia, no Peru e na Colômbia – este o maior produtor do mundo – o consumo na Europa continua fazendo dessa a droga que mais preocupa autoridades do continente. O fato de o Brasil estar entre os dois polos tem dado ao país uma perigosa condição de corredor transnacional do crime.

Especialistas repetem que, governo após governo, o Brasil não tem sido capaz de apertar os controles nas portas de entrada de toneladas e toneladas de cocaína proveniente dos Andes. E em que a alta demanda pela droga alimenta um fluxo sem fim que usa o Brasil e fortalece o crime organizado.

A PF diz que tem ampliado suas ações “sobre as novas rotas e os novos métodos empregados pelo narcotráfico internacional”.

Autor/Fonte: Marcos de Moura e Souza — Jornal Valor Econômico


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quarta-feira, 29 de julho de 2026

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PF CONCLUI QUE CONCESSIONÁRIA DE CARROS DE LUXO LAVAVA DINHEIRO DE ESQUEMA DO PCC E CV QUE USAVA O PORTO DO RIO

Empresa em Osasco sofreu intervenção judicial. Dois investigados que estavam presos também passaram a responder por esse núcleo da Operação Commodity

A Polícia Federal concluiu que uma concessionária de veículos de alto luxo, em Osasco (SP), era usada para lavar dinheiro de uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas. Segundo os investigadores da Operação Commodity, o estabelecimento fazia parte da estrutura financeira responsável por dar aparência legal aos recursos obtidos com o envio de cocaína para a Europa, em um esquema que envolvia criminosos do CV e PCC. A Justiça determinou intervenção judicial na empresa.

A investigação também incluiu nesse núcleo Rodrigo de Paula Morgado, apontado pela PF como o "Contador do PCC", e Wanderson Machado de Oliveira, conhecido como "Del Piero" ou "Pen Drive". Os dois já estavam presos por outras investigações, mas agora passam a responder também pelos crimes apurados na Operação Commodity.

Segundo a denúncia apresentada pela PF, "a macroestrutura de lavagem corporativa foi desenhada e gerida pelo operador Rodrigo de Paula Morgado (...), responsável por prover estruturas societárias instrumentais ao grupo investigado".

Morgado também foi investigado na Operação Narco Fluxo, que levou às prisões dos funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan SP. A Polícia Federal aponta o empresário como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa investigada.

PF conclui que concessionária lavava dinheiro do PCC e CV - Foto: Reprodução

A concessionária alvo da investigação ocupa um amplo showroom em Osasco, na Grande São Paulo, onde são expostos dezenas de veículos de alto padrão. As imagens obtidas pelo g1 mostram modelos de marcas como Ferrari, Porsche, Corvette e Land Rover, além de SUVs e esportivos.

PF conclui que concessionária lavava dinheiro do PCC e CV - Foto: Reprodução

Organização tinha divisão de tarefas

De acordo com a investigação, a organização criminosa mantinha uma estrutura altamente especializada, dividida entre um núcleo responsável pelo envio internacional da droga e outro dedicado exclusivamente à lavagem dos recursos obtidos com o tráfico.

A PF afirma que o grupo possuía vínculos operacionais com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), utilizando empresas de fachada, movimentações em criptomoedas e negócios aparentemente regulares para ocultar a origem do dinheiro.

Enquanto Wanderson Machado de Oliveira seria o responsável por coordenar a logística internacional do tráfico e controlar a movimentação financeira da organização a partir da Europa, Rodrigo Morgado seria o operador encarregado de inserir os recursos ilícitos na economia formal.

Rodrigo Morgado foi preso pela polícia Federal em Santos (SP) - Foto: redes Sociais

Segundo a investigação, Morgado fornecia empresas de fachada, utilizava notas fiscais sem lastro e convertia milhões de reais em criptoativos para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.

Porto do Rio era rota

Embora a organização atuasse em diversos estados e mantivesse operações internacionais, parte importante da investigação foi conduzida pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, a partir de apreensões realizadas no Porto do Rio.

As investigações identificaram ao menos seis carregamentos ligados ao grupo entre 2023 e 2025.

Entre eles estão:

  • junho de 2023: apreensão de 25 kg de cocaína no Porto de Le Havre, na França;
  • março de 2024: apreensão de 1.321 kg de cocaína no Porto do Rio de Janeiro, em carga que seguiria para a Bélgica;
  • maio de 2025: apreensão de 651,2 kg de cocaína no Porto de Hamburgo, na Alemanha;
  • setembro de 2025: apreensão de 450 kg de pasta-base de cocaína no Porto do Rio de Janeiro, em remessa destinada à Eslovênia;
  • outubro de 2025: apreensão de 1,5 tonelada de cocaína em porto na Espanha;
  • novembro de 2025: apreensão de cocaína diluída em carga embarcada no Porto de Navegantes (SC), com destino à Eslovênia.

Segundo a PF, a organização escondia cocaína em cargas de café, cimento e argamassa e também utilizava técnicas de adulteração química para tentar escapar da fiscalização, como a diluição da droga em garrafas de refrigerante.

Relação com MC Poze e MC Ryan

Rodrigo Morgado já estava preso desde outubro de 2025, quando foi alvo da Operação Narco Bet. Posteriormente, ele também passou a responder na Operação Narco Fluxo, investigação que resultou nas prisões dos funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan SP.

Segundo a PF, Morgado era responsável por estruturar o braço financeiro da organização criminosa, criando empresas de fachada, emitindo notas fiscais sem lastro e utilizando criptomoedas para ocultar e movimentar recursos do tráfico internacional.

As investigações da Commodity apontam que esse mesmo conhecimento técnico também teria sido empregado para dar suporte financeiro ao esquema responsável por enviar toneladas de cocaína para a Europa por meio de contêineres embarcados em portos brasileiros.

Autora/Fonte: Márcia Brasil / g1 Rio de Janeiro



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quinta-feira, 4 de junho de 2026

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JUSTIÇA DE PORTUGAL MANDA SOLTAR HULK, NARCOTRAFICANTE LIGADO AO PCC


O narcotraficante já foi condenado pela Justiça Federal a 29 anos de prisão por envolvimento com o tráfico internacional de cocaína

A Justiça de Portugal soltou o brasileiro Ygor Daniel Zago, 45, o Hulk, apontado como um dos maiores narcotraficantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), acusado de exportar cocaína para a Europa e de participar no Brasil de um esquema de fraude de combustíveis com metanol e lavagem de dinheiro.

Segundo a polícia portuguesa, a defesa de Hulk havia pedido asilo para o cliente, mas o prazo para extraditar o preso havia terminado e, pela lei, ele não podia mais ficar detido. O Tribunal de Relação de Lisboa teve de libertá-lo.

Hulk estava preso desde 15 de novembro do ano passado, quando foi capturado pela Polícia Judiciária de Portugal em um condomínio de luxo na cidade litorânea de Cascais. Na ocasião, o nome dele constava na difusão vermelha da Interpol.

Ele e a mulher tinham mandados de prisão em aberto pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Hulk é investigado no Brasil por suspeita de ser um dos chefes do PCC no esquema de fraude de combustíveis com metanol.

No Brasil, o narcotraficante já foi condenado pela Justiça Federal a 29 anos de prisão por envolvimento com o tráfico internacional de cocaína, ao lado do foragido André Oliveira Macedo, o André do Rap, e com a máfia dos Bálcãs, em 2014.

Em 2023, a Polícia Federal passou a investigá-lo após uma apreensão de 30 mil litros de metanol. A apreensão permitiu aos agentes federais a descoberta de um esquema criminoso de adulteração de combustíveis do PCC com o composto químico.

Megaoperação no Brasil

Em setembro do ano passado, a Polícia Federal tinha prendido um empresário em uma megaoperação contra o PCC. O alvo tentou fugir de lancha e, segundo a PF, era aliado de Hulk na Baixada Santista.

A megaoperação apurava um esquema bilionário no setor de combustíveis, comandado pelo PCC. As investigações indicavam sonegações de até R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais. A Receita Federal estimava que os envolvidos movimentaram R$ 52 bilhões para a organização.

Segundo documentos da PF, Hulk tinha vínculo com o empresário e outro comparsa dele também preso. O narcotraficante, diz a Polícia Federal, apresentou o empresário ao outro parceiro e ambos passaram a fazer planos para ganhar R$ 1 milhão por mês com atividades ilícitas.

Outros acusados foram presos na mesma megaoperação. Já os demais suspeitos conseguiram fugir, entre eles Mohamed Hussein Mourad, conhecido como "João", "Primo" ou "Jumbo", apontado como "epicentro" do esquema e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", considerado líder do grupo.

Isaac Minichillo, advogado de Hulk, diz que o cliente mudou para Portugal para tentar uma nova vida porque cansou das mazelas do Brasil e se considera inocente das acusações de crimes de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e outros delitos que lhe são atribuídos. A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Primo e Beto Louco. O texto será atualizado assim que houver um posicionamento.

Autor/Fonte: Josmar Josimo - UOL


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quarta-feira, 27 de maio de 2026

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PCC E FORÇAS DE SEGURANÇA TRAVAM BATALHA NO PORTO DE SANTOS


Maior complexo portuário da América Latina é usado pela facção e por grupos europeus para exportar cocaína

No maior complexo portuário da América Latina, o Porto de Santos, o Primeiro Comando da Capital (PCC) trava uma batalha tecnológica e logística com as forças de segurança para escoar cocaína pura rumo à Europa, África e Oceania. A facção diversifica métodos e rotas para lançar as cargas em alto-mar, e vender o produto ao mercado exterior por preços elevados. Do outro lado, a polícia tenta desmantelar os grupos criminosos, com a ajuda de drones subaquáticos e inteligência. Esse jogo entre crime e polícia é tema do último episódio do Podcast PCC: O Salve Geral, uma produção do GLOBO e da rádio CBN, que entrou no ar na última quinta-feira (21).

Apesar dos esforços das forças de segurança, as apreensões no Porto de Santos caíram drasticamente nos últimos anos, segundo dados inéditos da Polícia Federal. Em 2019, a PF apreendeu o recorde de cerca de 27 toneladas de cocaína que seria exportada pelas organizações criminosas. No último ano, foram menos de 7 toneladas — uma redução de 75%.

Por outro lado, o mundo nunca consumiu tanta cocaína. Produção, apreensões e uso da droga alcançaram novos recordes em 2023, tornando a cocaína o mercado de drogas ilícitas que mais cresce no mundo, segundo o último relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

As autoridades admitem que é difícil mapear a próxima investida do PCC para exportar cocaína. O delegado Rodrigo Perin Nardi, chefe da Polícia Federal em Santos, diz que a facção está diversificando as formas de envio e também explorando outras rotas.

— Não tem um ponto que a gente pode chegar e falar: migrou daqui de Santos e foi pra Xiboquinha da Serra. Não dá pra falar isso porque a gente tem percebido que houve mesmo essa pulverização, que eles estão se valendo daquele local que melhor atende as necessidades ou até de uma forma pulverizada. Isso torna mais difícil nossa própria atuação — afirmou.

Pela localização privilegiada e geografia peculiar, a Baixada Santista se tornou um dos pontos mais importantes para os negócios internacionais do PCC. Não só por abrigar o porto de Santos. Mas também pelas comunidades encravadas em áreas de mangues e morros de difícil acesso que favorecem as fugas dos criminosos e a camuflagem da droga.

— É o porto mais importante do Hemisfério Sul, e o volume de navios aqui dificulta uma inspeção mais minuciosa. Em um porto que você tem duas, três manobras por dia, a chance daquela carga ser perdida é grande, e significa um prejuízo grande para o tráfico de drogas. É muito mais fácil você utilizar um navio no meio de centenas que são movimentados diariamente, para poder efetivamente esconder. A rota é importante também. Muitos navios saem daqui em direção à Europa, Oriente Médio, e esses locais efetivamente têm muita demanda pelo tráfico de drogas — explicou o capitão de Fragata Igor da Silva Alves, comandante do Grupamento de Patrulha Naval do Sul e Sudeste, da Marinha do Brasil.

Esconderijos

O primeiro método que o PCC usou para despachar cocaína em grandes quantidades para o exterior é chamado de rip-on/rip-off. A estratégia consiste em arrombar contêineres e recrutar pessoas carregando grandes quantidades da droga em mochilas para despejá-la rapidamente no compartimento, que é fechado com um lacre clonado para passar despercebido pela alfândega. Na Europa, os parceiros internacionais do PCC conseguiam resgatar a droga no porto de destino.

De lá pra cá, para despistar a fiscalização, a operação foi aperfeiçoada com diferentes estratégias, como a ocultação da droga entre sacas de grãos, o emprego de veleiros e até a contratação de mergulhadores profissionais, que ocultam a carga no casco de navios, nas chamadas caixas de mar.

— A dificuldade de quem coloca a droga no casco é que o navio pode estar com as caixas de mar ligadas. E, com isso, a pessoa pode ser sugada pela caixa e morrer ali durante a operação. É uma operação bem arriscada, porque tem risco de morte — afirmou um mergulhador da Marinha que atua no Porto de Santos e não quer ser identificado.

O mergulho em portos é perigoso especialmente em lugares como Santos, onde a água é muito turva. Em 2022, um brasileiro recrutado pelo PCC morreu no porto de Newcastle (Austrália) ao mergulhar para tentar recuperar uma carga de cocaína. O incidente despertou autoridades também para a entrada da facção na rota Ásia/Pacífico, que paga mais pela cocaína no varejo.

Autora/Fonte: Aline Ribeiro / O Globo


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