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GUARDA PORTUÁRIA DETÉM CAMINHONEIRO APÓS TOMBAMENTO DE VEÍCULO EM VIA DO PORTO DE SANTOS

O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos como embriaguez ao volante Na manhã do último domingo (14/06), por ...

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terça-feira, 16 de junho de 2026

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NARCOTRÁFICO REDUZ USO DE CONTÊINER E AMPLIA BARCOS PESQUEIROS NO ENVIO DE COCAÍNA À EUROPA, DIZ PF


A Polícia Federal tem identificado uma mudança na estratégia do narcotráfico para escoar cocaína do Brasil para a Europa e a África

Houve redução no uso de contêineres em portos, e os criminosos passaram a investir mais em rotas marítimas alternativas, utilizando embarcações pesqueiras, veleiros e semissubmersíveis.

Dados da Polícia Federal, que agregam informações de diferentes instituições, mostram a apreensão de 15,6 toneladas de cocaína em 2025 em portos brasileiros, uma redução de 76,6% em relação ao pico da série em 2019, no total de 66,8 toneladas.

De acordo com autoridades ouvidas pela reportagem, esses dados indicam uma tendência de redução nas apreensões de cocaína em contêineres, tanto nos portos brasileiros quanto em terminais estrangeiros que recebem cargas provenientes do Brasil.

Para investigadores, essa redução não reflete necessariamente uma diminuição do fluxo de cocaína, mas sim uma mudança nas estratégias adotadas pelas organizações criminosas.

A queda é observada tanto nos casos em que a cocaína é escondida em cargas lícitas, como alimentos, madeira, minério ou produtos industrializados, quanto na modalidade conhecida como rip-on/rip-off.

Nesse método, criminosos violam o contêiner após inspeção e lacração, inserem a droga clandestinamente e, posteriormente, retiram a carga ilícita no porto de destino antes que o contêiner seja entregue. Em geral, exportador e importador não têm conhecimento da operação criminosa.

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em agosto do ano passado, quando a Marinha da França apreendeu seis toneladas de cocaína em uma embarcação de bandeira brasileira em águas internacionais, ao largo da costa da África Ocidental.

A ação foi resultado de um trabalho de inteligência que envolveu a Polícia Federal e agências internacionais da França, Reino Unido e Estados Unidos.

Somente em 2025, sete operações conduzidas em conjunto com autoridades estrangeiras resultaram em apreensões de drogas em rotas marítimas com destino a países como Portugal e França.

Segundo autoridades da Polícia Federal e da Receita Federal, não há um único fator capaz de explicar a redução das apreensões de cocaína em contêineres nos portos brasileiros. Entre as principais hipóteses está o fortalecimento das medidas de segurança portuária nos últimos anos.

Nos principais portos do país, praticamente a totalidade das cargas destinadas à exportação passa por inspeção por scanners. Houve ainda ampliação dos sistemas de videomonitoramento nos terminais, maior controle de acesso às áreas portuárias e aperfeiçoamento dos mecanismos de gerenciamento de risco e fiscalização.

A cocaína é a principal droga exportada pelo Brasil para os mercados internacionais. A maconha aparece em operações voltadas ao combate à entrada de entorpecentes no país para consumo interno.

"A cocaína representa cerca de 80% das apreensões de drogas da Receita Federal voltadas para o exterior", disse o auditor-fiscal Maurício Santos Silva, coordenador-geral substituto de Combate ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal.

A Polícia Federal também observa o aparente aumento do uso de portos de países como Colômbia, Equador e Peru para o envio de cocaína à Europa. Esses países estão mais próximos das áreas produtoras da droga, o que pode representar vantagens logísticas para as organizações criminosas.

As cargas destinadas ao mercado internacional costumam ser operadas por grandes traficantes, conhecidos como brokers, que controlam a compra, o armazenamento e o transporte da cocaína.

Em território brasileiro, frequentemente recorrem ao apoio logístico de facções criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, em regiões onde exercem influência sobre rotas de transporte, áreas portuárias e estruturas de distribuição.

Nesses locais, as facções costumam fornecer serviços de proteção, armazenamento, transporte e facilitação do escoamento da droga.

Como a Folha mostrou, as duas maiores facções criminosas do Brasil estão presentes nas 27 unidades da federação, mas com hegemonia em 13 estados brasileiros.

O PCC tem hegemonia em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Roraima, São Paulo e Piauí. Já o CV tem domínio sobre seis estados: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rio de Janeiro, estado onde surgiu.

Fonte: Raquel Lopes - Brasília – DF -FolhaPress



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sexta-feira, 12 de junho de 2026

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COMO BARCOS REPLETOS DE COCAÍNA LEVARAM PF AO ELO DO PCC COM CHEFÃO DA MÁFIA ITALIANA


A investigação levou à decretação da prisão preventiva de dez suspeitos, entre eles o mafioso sérvio Antun Mrdeza, o "Nikola Boros"

A Operação Narco Sky, da Polícia Federal (PF), aponta ao menos sete missões marítimas usadas pelo crime organizado para enviar grandes carregamentos de cocaína do Brasil para a Europa. As ações foram comandadas, segundo a PF, por um núcleo formado por líderes internacionais do tráfico e operadores brasileiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A investigação levou à decretação da prisão preventiva de dez suspeitos, entre eles o mafioso sérvio Antun Mrdeza, o "Nikola Boros", apontado como integrante da máfia italiana 'Ndrangheta' aliada à facção paulista.

Segundo a investigação, o esquema tinha "elevada envergadura e especialização" e era dividido em três núcleos. O primeiro, baseado fora do país, era responsável pelo financiamento das operações e pelas decisões estratégicas do grupo.

O segundo atuava no comando nacional da logística em território brasileiro, enquanto o terceiro reunia células operacionais encarregadas do preparo, armazenamento e transporte físico da cocaína.

A investigação da Operação Narco Sky teve origem em dados telemáticos compartilhados com a Polícia Federal por meio de cooperação jurídica internacional. As informações, obtidas com auxílio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, do Ministério da Justiça, foram submetidas a análise pericial da PF em São Paulo.

A partir do cruzamento de mensagens, registros digitais e comunicações criptografadas, os investigadores reconstruíram a estrutura da organização criminosa (ORCRIM), identificaram seus principais integrantes e mapearam as operações usadas para enviar cocaína do Brasil à Europa.

Veja a seguir os detalhes de sete missões marítimas do esquema internacional do tráfico de drogas, alvo da Operação Narco Sky.

Venezia

Em 30 de agosto de 2020, o grupo criminoso conseguiu embarcar cerca de 340 quilos de cocaína no navio Venezia, enquanto a embarcação estava atracada no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A operação, considerada de alta complexidade pela PF, foi monitorada em tempo real por integrantes da organização.

As interceptações mostram que Marco Aurélio de Souza, conhecido como "Lelinho", coordenava a logística da ação a partir de São Paulo. Ele recebia atualizações constantes de Pedro Alonso Camacho Fernandez, o "Vince", responsável por informar a chegada da droga às proximidades do porto em um veículo terrestre.

Ambos são alvo de mandados de prisão preventiva expedidos pela 5.ª Vara Federal de Santos.

O momento de carregar o navio com a droga também foi acompanhado de perto pelos líderes do esquema. Segundo a PF, Alejandro Salgado Vega, o "Tigre", participou diretamente da definição do instante exato em que a embarcação de apoio deveria se aproximar do cargueiro, buscando aproveitar pontos cegos ou períodos de menor vigilância no terminal portuário.

"Tigre" também é alvo de um pedido de prisão preventiva expedido pela Justiça.

Para os investigadores, a operação demonstra "alta capacidade da organização criminosa de mobilizar equipes, transportar centenas de quilos de cocaína por via terrestre e executar uma inserção marítima de alta complexidade, revelando elevado grau de profissionalismo e uma cadeia de comando clara e eficiente".

Panorea

A missão do grupo criminoso em março de 2020 tinha como objetivo embarcar 500 quilos de cocaína no navio mercante Panorea para envio ao exterior. A ação exigiu "planejamento detalhado" e mobilização de diferentes operadores ligados à organização criminosa internacional investigada na Operação Narco Sky.

A coordenação da logística em território brasileiro ficou a cargo de "Lelinho", apontado nessa missão pela PF como responsável por articular o apoio em terra, a cooptação de tripulantes estrangeiros e a aproximação de embarcações usadas no transbordo da droga para o navio.

As investigações mostram que a primeira tentativa de inserção da cocaína ocorreu em 28 de março de 2020, quando o cargueiro estava fundeado no Porto de Paranaguá, no Paraná. A operação acabou frustrada por causa do risco de detecção. Dois dias depois, já atracado no Porto de Santos, o grupo conseguiu concluir a contaminação da embarcação.

Apesar de o plano inicial prever o embarque de meia tonelada de cocaína, dificuldades logísticas reduziram a carga efetivamente colocada no navio para cerca de 80 quilos. A PF afirma que os investigados utilizaram bolsas estanques, boias de sustentação, lanternas e dispositivos de geolocalização para ocultar e posicionar a droga, o que demonstraria o "elevado grau de sofisticação da operação".

Las Palmas

Dois meses depois, em maio de 2020, a organização criminosa conseguiu esconder cerca de 14 quilos de cocaína no compartimento do motor de um contêiner refrigerado enviado ao Porto de Las Palmas, na Espanha. A droga foi colocada em uma área estratégica do equipamento para dificultar a detecção por scanners e cães farejadores durante as inspeções alfandegárias, segundo a PF.

A operação, porém, acabou comprometida após Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, conhecido como "Sapão", descobrir que o contêiner havia sido selecionado para fiscalização. Ele alertou imediatamente os demais integrantes do grupo, desencadeando uma tentativa urgente de retirada da cocaína antes da inspeção das autoridades espanholas.

Após receber o aviso, "Lelinho" teria sido acionado para coordenar a remoção da droga já dentro da área controlada do porto espanhol. A tentativa fracassou devido ao forte esquema de segurança e ao controle de acesso no terminal portuário.

As autoridades aduaneiras da Espanha acabaram localizando e apreendendo 14,268 quilos de cocaína no contêiner. Para a PF, o episódio demonstrou a capacidade da organização de operar de forma transnacional, com monitoramento remoto de cargas ilícitas em portos estrangeiros, uso de logística especializada e comunicações criptografadas para acompanhar as operações em tempo real.

Mobydick

Uma das principais operações do grupo ocorreu em julho de 2020 com o uso do veleiro "Mobydick" para transportar cocaína do litoral paulista até Las Palmas, na Espanha. A embarcação pertencia ao mafioso sérvio Antun Mrdeza, conhecido como "Nikola Boros" ou "John Gotti", apontado como um dos líderes da organização criminosa investigada.

Preso desde maio de 2025 na Venezuela, Mrdeza não atua apenas como financiador do tráfico internacional, segundo a PF. Os investigadores afirmam que ele comanda remessas de cocaína para a Europa, supervisiona operações, cobra resultados e investe recursos próprios para ampliar os lucros da organização criminosa.

A Polícia Federal afirma que relatórios de inteligência e informações obtidas com fontes internacionais identificam o mafioso sérvio como integrante da chamada "New Drug Trafficking Board", descrita por autoridades colombianas como um novo centro global de comando do narcotráfico. A estrutura seria usada para coordenar alguns dos maiores carregamentos de cocaína do mundo e já é alvo de investigações em ao menos sete países.

O veleiro "Mobydick" era comandado pelo capitão sueco Axel Bertil Eriksson, que atravessou o oceano até o Brasil e chegou ao Recife em março daquele ano. Depois, seguiu para Ilhabela, no litoral de São Paulo, onde a embarcação passou pelos preparativos finais antes da saída rumo à Europa.

As investigações apontam que a cocaína destinada ao "Mobydick" estava ligada a uma carga de 490,8 quilos da droga apreendida pelas autoridades brasileiras em uma aeronave PT-RAS, em Fernandópolis, no interior paulista.

Para a PF, a conexão revelou uma cadeia logística sofisticada, na qual a cocaína era transportada por via aérea até pontos de armazenamento no interior do País e depois levada ao litoral para exportação marítima. A carga, segundo a PF, pertencia ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A apreensão da droga e problemas técnicos no veleiro atrasaram a partida da embarcação e provocaram atritos entre integrantes brasileiros da organização e o capitão estrangeiro. Após reorganizar a operação e recompor a carga ilícita, o grupo conseguiu concluir o embarque da cocaína e iniciar a travessia em 30 de julho de 2020.

Segundo a PF, a operação no Brasil contou com uma ampla estrutura de apoio em terra coordenada por "Lelinho". Também integravam o núcleo logístico "Sapão", Walter Pires Junior, conhecido como "Waltinho", e Klaus de Castro Rios Motta e Silva, responsáveis por fornecer suporte operacional para a preparação e saída da embarcação rumo à Europa.

Praia do Góes

Uma apreensão realizada na Praia do Góes, no Guarujá, em julho de 2020, atingiu diretamente a estrutura de armazenamento da organização criminosa no Brasil. Segundo a PF a operação revelou um imóvel usado como entreposto da quadrilha e resultou na apreensão de 321 quilos de pasta base de cocaína.

As investigações apontam que a droga estava sob responsabilidade direta de "Lelinho", descrito pela PF como responsável pela segurança e pela gestão do estoque de entorpecentes no País.

A carga pertenceria a diferentes integrantes da cúpula do esquema, entre eles o mafioso sérvio Antun Mrdeza, e Alejandro Salgado Vega, o "Tigre", que teriam cobrado explicações de "Lelinho" após a perda da droga.

A PF afirma que a primeira ação policial não encontrou todo o entorpecente porque a cocaína estava dividida entre dois imóveis distintos. Ao perceber que parte da carga ainda não havia sido localizada, "Lelinho" teria reagido rapidamente para evitar novas perdas.

Segundo os investigadores, ele acionou imediatamente seus homens de confiança, "Waltinho", e Klaus de Castro Rios Motta e Silva, ordenando a retirada e ocultação de 219 tijolos de cocaína que estavam em deslocamento para São Sebastião, no litoral paulista. A operação de retirada foi concluída com sucesso, episódio que, para a PF, demonstrou a capacidade de reação da organização criminosa e a autoridade exercida por "Lelinho" dentro do grupo.

Adrienne

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa tentou resgatar cerca de 175 quilos de cocaína transportados pelo navio Adrienne na região da Calábria, na Itália, em uma operação internacional monitorada em tempo real pelos integrantes do grupo. A estratégia consistia em esconder a droga em um compartimento selado do cargueiro ainda no Brasil para, depois, recuperar a carga ilícita em alto-mar durante a rota europeia da embarcação.

As investigações apontam que Pedro Alonso Camacho Fernandez, o "Vince", era o principal responsável pela coordenação da operação no território europeu. Segundo a PF, ele mantinha contato direto com tripulantes do navio e com as equipes encarregadas do resgate da droga, transmitindo coordenadas de GPS e instruções operacionais detalhadas para os integrantes posicionados no oceano.

A apuração também identificou a criação de um grupo específico na plataforma criptografada SKY ECC voltado exclusivamente à coordenação da operação de resgate. A ação era acompanhada de perto pelos líderes Alejandro Salgado Vega, o "Tigre", e o mafioso sérvio Antun Mrdeza, apontados como coproprietários da carga de cocaína.

Apesar da estrutura montada pela organização criminosa, o resgate fracassou. As autoridades italianas conseguiram localizar e apreender 216,68 quilos de cocaína a bordo do navio Adrienne quando a embarcação estava atracada no Porto de Ancona, na Itália.

Barbara

O chamado "Evento Barbara" repetiu o mesmo modelo operacional usado pela organização criminosa em outras remessas internacionais de cocaína. O plano previa o embarque de cerca de 300 quilos da droga no navio Barbara e posterior resgate da carga em alto-mar durante a rota europeia da embarcação.

As investigações apontam que a inserção da cocaína no cargueiro foi coordenada por Pedro Alonso Camacho Fernandez, o "Vince", em parceria com Antônio Greg Ribeiro Pinheiro, conhecido como "Fisherman". Já a etapa de recuperação da droga no exterior teria sido supervisionada novamente por Alejandro Salgado Vega, o "Tigre".

Segundo a PF, a missão acabou afetada após a apreensão de cocaína no "Evento Adrienne", ocorrido anteriormente no Porto de Ancona, na Itália. A ação das autoridades italianas teria provocado pânico entre os tripulantes do navio Barbara, levando o capitão da embarcação a ordenar que as bolsas contendo a droga fossem lançadas ao mar antes da aproximação da equipe encarregada do resgate.

Após o descarte da carga, os integrantes da organização tentaram localizar a cocaína no oceano, mas sem sucesso. De acordo com a PF, "Vince" chegou a usar um cartão de crédito em seu próprio nome para ativar o sistema de GPS instalado nas bolsas usadas para rastrear a droga, porém o equipamento não foi encontrado.

Dias depois, em outubro de 2020, autoridades europeias registraram a descoberta de 300 pacotes de cocaína encontrados por banhistas na praia de Borssele, na província da Zelândia, na Holanda. A PF aponta que a carga tinha ligação direta com a operação frustrada envolvendo o navio Barbara.

Fonte: Estadão Conteúdo


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quinta-feira, 4 de junho de 2026

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JUSTIÇA DE PORTUGAL MANDA SOLTAR HULK, NARCOTRAFICANTE LIGADO AO PCC


O narcotraficante já foi condenado pela Justiça Federal a 29 anos de prisão por envolvimento com o tráfico internacional de cocaína

A Justiça de Portugal soltou o brasileiro Ygor Daniel Zago, 45, o Hulk, apontado como um dos maiores narcotraficantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), acusado de exportar cocaína para a Europa e de participar no Brasil de um esquema de fraude de combustíveis com metanol e lavagem de dinheiro.

Segundo a polícia portuguesa, a defesa de Hulk havia pedido asilo para o cliente, mas o prazo para extraditar o preso havia terminado e, pela lei, ele não podia mais ficar detido. O Tribunal de Relação de Lisboa teve de libertá-lo.

Hulk estava preso desde 15 de novembro do ano passado, quando foi capturado pela Polícia Judiciária de Portugal em um condomínio de luxo na cidade litorânea de Cascais. Na ocasião, o nome dele constava na difusão vermelha da Interpol.

Ele e a mulher tinham mandados de prisão em aberto pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Hulk é investigado no Brasil por suspeita de ser um dos chefes do PCC no esquema de fraude de combustíveis com metanol.

No Brasil, o narcotraficante já foi condenado pela Justiça Federal a 29 anos de prisão por envolvimento com o tráfico internacional de cocaína, ao lado do foragido André Oliveira Macedo, o André do Rap, e com a máfia dos Bálcãs, em 2014.

Em 2023, a Polícia Federal passou a investigá-lo após uma apreensão de 30 mil litros de metanol. A apreensão permitiu aos agentes federais a descoberta de um esquema criminoso de adulteração de combustíveis do PCC com o composto químico.

Megaoperação no Brasil

Em setembro do ano passado, a Polícia Federal tinha prendido um empresário em uma megaoperação contra o PCC. O alvo tentou fugir de lancha e, segundo a PF, era aliado de Hulk na Baixada Santista.

A megaoperação apurava um esquema bilionário no setor de combustíveis, comandado pelo PCC. As investigações indicavam sonegações de até R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais. A Receita Federal estimava que os envolvidos movimentaram R$ 52 bilhões para a organização.

Segundo documentos da PF, Hulk tinha vínculo com o empresário e outro comparsa dele também preso. O narcotraficante, diz a Polícia Federal, apresentou o empresário ao outro parceiro e ambos passaram a fazer planos para ganhar R$ 1 milhão por mês com atividades ilícitas.

Outros acusados foram presos na mesma megaoperação. Já os demais suspeitos conseguiram fugir, entre eles Mohamed Hussein Mourad, conhecido como "João", "Primo" ou "Jumbo", apontado como "epicentro" do esquema e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", considerado líder do grupo.

Isaac Minichillo, advogado de Hulk, diz que o cliente mudou para Portugal para tentar uma nova vida porque cansou das mazelas do Brasil e se considera inocente das acusações de crimes de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e outros delitos que lhe são atribuídos. A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Primo e Beto Louco. O texto será atualizado assim que houver um posicionamento.

Autor/Fonte: Josmar Josimo - UOL


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quarta-feira, 27 de maio de 2026

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PCC E FORÇAS DE SEGURANÇA TRAVAM BATALHA NO PORTO DE SANTOS


Maior complexo portuário da América Latina é usado pela facção e por grupos europeus para exportar cocaína

No maior complexo portuário da América Latina, o Porto de Santos, o Primeiro Comando da Capital (PCC) trava uma batalha tecnológica e logística com as forças de segurança para escoar cocaína pura rumo à Europa, África e Oceania. A facção diversifica métodos e rotas para lançar as cargas em alto-mar, e vender o produto ao mercado exterior por preços elevados. Do outro lado, a polícia tenta desmantelar os grupos criminosos, com a ajuda de drones subaquáticos e inteligência. Esse jogo entre crime e polícia é tema do último episódio do Podcast PCC: O Salve Geral, uma produção do GLOBO e da rádio CBN, que entrou no ar na última quinta-feira (21).

Apesar dos esforços das forças de segurança, as apreensões no Porto de Santos caíram drasticamente nos últimos anos, segundo dados inéditos da Polícia Federal. Em 2019, a PF apreendeu o recorde de cerca de 27 toneladas de cocaína que seria exportada pelas organizações criminosas. No último ano, foram menos de 7 toneladas — uma redução de 75%.

Por outro lado, o mundo nunca consumiu tanta cocaína. Produção, apreensões e uso da droga alcançaram novos recordes em 2023, tornando a cocaína o mercado de drogas ilícitas que mais cresce no mundo, segundo o último relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

As autoridades admitem que é difícil mapear a próxima investida do PCC para exportar cocaína. O delegado Rodrigo Perin Nardi, chefe da Polícia Federal em Santos, diz que a facção está diversificando as formas de envio e também explorando outras rotas.

— Não tem um ponto que a gente pode chegar e falar: migrou daqui de Santos e foi pra Xiboquinha da Serra. Não dá pra falar isso porque a gente tem percebido que houve mesmo essa pulverização, que eles estão se valendo daquele local que melhor atende as necessidades ou até de uma forma pulverizada. Isso torna mais difícil nossa própria atuação — afirmou.

Pela localização privilegiada e geografia peculiar, a Baixada Santista se tornou um dos pontos mais importantes para os negócios internacionais do PCC. Não só por abrigar o porto de Santos. Mas também pelas comunidades encravadas em áreas de mangues e morros de difícil acesso que favorecem as fugas dos criminosos e a camuflagem da droga.

— É o porto mais importante do Hemisfério Sul, e o volume de navios aqui dificulta uma inspeção mais minuciosa. Em um porto que você tem duas, três manobras por dia, a chance daquela carga ser perdida é grande, e significa um prejuízo grande para o tráfico de drogas. É muito mais fácil você utilizar um navio no meio de centenas que são movimentados diariamente, para poder efetivamente esconder. A rota é importante também. Muitos navios saem daqui em direção à Europa, Oriente Médio, e esses locais efetivamente têm muita demanda pelo tráfico de drogas — explicou o capitão de Fragata Igor da Silva Alves, comandante do Grupamento de Patrulha Naval do Sul e Sudeste, da Marinha do Brasil.

Esconderijos

O primeiro método que o PCC usou para despachar cocaína em grandes quantidades para o exterior é chamado de rip-on/rip-off. A estratégia consiste em arrombar contêineres e recrutar pessoas carregando grandes quantidades da droga em mochilas para despejá-la rapidamente no compartimento, que é fechado com um lacre clonado para passar despercebido pela alfândega. Na Europa, os parceiros internacionais do PCC conseguiam resgatar a droga no porto de destino.

De lá pra cá, para despistar a fiscalização, a operação foi aperfeiçoada com diferentes estratégias, como a ocultação da droga entre sacas de grãos, o emprego de veleiros e até a contratação de mergulhadores profissionais, que ocultam a carga no casco de navios, nas chamadas caixas de mar.

— A dificuldade de quem coloca a droga no casco é que o navio pode estar com as caixas de mar ligadas. E, com isso, a pessoa pode ser sugada pela caixa e morrer ali durante a operação. É uma operação bem arriscada, porque tem risco de morte — afirmou um mergulhador da Marinha que atua no Porto de Santos e não quer ser identificado.

O mergulho em portos é perigoso especialmente em lugares como Santos, onde a água é muito turva. Em 2022, um brasileiro recrutado pelo PCC morreu no porto de Newcastle (Austrália) ao mergulhar para tentar recuperar uma carga de cocaína. O incidente despertou autoridades também para a entrada da facção na rota Ásia/Pacífico, que paga mais pela cocaína no varejo.

Autora/Fonte: Aline Ribeiro / O Globo


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