Cachorros
da Guarda Portuária ajudam no combate ao crime nas áreas do cais santista
Uma tropa muito especial reforça o combate
ao tráfego internacional de drogas no Porto de Santos, em apoio à Polícia
Federal (PF) e à Alfândega da Receita Federal. São os oito cães farejadores da
Guarda Portuária (GPort), que é vinculada à Autoridade Portuária de Santos
(APS).
Apesar da fofura aparente, eles
passam por um rigoroso treinamento para identificar entorpecentes e até
encontrar cadáveres no complexo portuário. Desde o último dia 14, esses agentes
caninos estão sendo treinados nas novas instalações do Canil da Guarda
Portuária, em Santos.
A nova sede foi construída nas
dependências da APS e é equipada com baias monitoradas por câmeras, sala
veterinária, área de treinamento e espaço para banho. “O objetivo é unir
bem-estar animal e preparo operacional para missões de alta complexidade”,
afirmou o encarregado do canil, Eduardo Soares de Souza, lembrando que, antes,
a unidade funcionava no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá.
Dois oito cães, sete são da raça
pastor-belga-malinois e um é golden retriever. Os pastores são o Hunter, de 10
anos, o Hulk, de 7 anos, e os cinco filhotes de Hulk — Zeus, Cais, Thor, Venom
e Argus —, todos com 1,4 anos. Já o Golden se chama Charlie e tem um ano.
Apesar do comportamento afetuoso, os
cães são treinados diariamente para operações de fiscalização no maior porto da
América Latina. O principal foco é o faro de drogas em caminhões, cargas portuárias,
bagagens, mochilas e suprimentos destinados a navios de cruzeiro. As ações são
realizadas em apoio à Polícia Federal e à Receita Federal.
“O treinamento começa cedo: os cães
chegam ao canil ainda filhotes, com aproximadamente dois meses de idade. Conforme
amadurecem, avançamos em etapas mais complexas do treinamento”, explicou
Soares.
Soares disse que a rotina dos animais
exige disciplina e controle físico. “Os cães farejadores de drogas
(pastores-belga) trabalham em ciclos curtos porque fazem um esforço intenso
durante a busca de drogas. “Eles praticamente interrompem a respiração normal para
concentrar o olfato na procura das moléculas de odor. Cada sessão dura cerca de
20 minutos, seguida de 40 minutos de descanso”.
Já Charlie, de acordo com Soares,
está sendo preparado para a busca de cadáveres. “É uma raça muito fácil de
adestrar e excelente para o trabalho de faro. Além disso, ele também participa
das atividades sociais do canil por ser um Golden”, afirmou.
Segundo o guarda portuário e
adestrador do canil, Cleiton Santos Silva, “o cão tem cerca de 300 milhões de
células olfativas, enquanto o ser humano tem por volta de 5 milhões. Com isso,
a capacidade olfativa dele é 40 vezes maior que a nossa”.
Soares complementou que, além das
operações em terra, a Guarda Portuária já iniciou treinamentos para utilização
dos cães em patrulhamento marítimo, ampliando a fiscalização em navios
fundeados e áreas molhadas do Porto.
Para Soares, o contraste entre a
aparência dócil e a capacidade operacional dos cães costuma surpreender. “Eles
são muito carinhosos, mas também extremamente preparados para o trabalho. O cão
consegue acessar locais onde nem sempre é possível fazer inspeção visual ou
utilizar equipamentos”, disse.
Segundo ele, a presença dos animais também
funciona como ferramenta preventiva. “Onde há cães, a fiscalização é mais
rigorosa e isso ajuda a inibir ilícitos”, concluiu.
Estrutura
A Autoridade Portuária de Santos
(APS) inaugurou as novas instalações do Canil da Guarda Portuária no último dia
14. Instalado junto à sede da APS, o equipamento tem infraestrutura projetada
para garantir a eficiência das operações e a saúde dos animais. A planta do
edifício foi desenhada para atender às necessidades da corporação, contando com
um espaço dedicado para sala veterinária e área de treinamento. Atualmente, a
Guarda Portuária conta com oito cães.
Canil é parte do pacote de melhorias
Para o superintendente da Guarda
Portuária, Wagner Pinheiro, as novas instalações do canil fazem jus ao grau de
excelência que o grupamento tem demonstrado ao longo da atuação no Porto:
“Desde sua criação, em 2008, o Canil da Guarda Portuária sempre foi referência
no adestramento de cães e na atuação operacional, com destaque para diversas
ocorrências que levaram à apreensão de drogas em apoio à Polícia Federal ou à
Receita Federal”, explicou Pinheiro.
Contrapartida
O novo canil é a primeira de três
edificações contempladas em um pacote de melhorias estruturais previstas no
acordo de contrapartida da Autoridade Portuária de Santos com a Santos Brasil.
Além do prédio recém-inaugurado, o projeto engloba um Centro de Operações de Segurança
na Ilha Barnabé e uma base avançada na Avenida Perimetral da Margem Esquerda.
Ainda não há datas previstas para as entregas dessas instalações.
Segundo o diretor de Projetos
Estratégicos da Santos Brasil, Bruno Stupello, o investimento total é de
aproximadamente R$ 10 milhões. “A Santos Brasil tem compromisso com o
desenvolvimento da infraestrutura do Porto e com a segurança das operações
portuárias, aspectos fundamentais para a cadeia logística e a sociedade
brasileiras”, afirmou o executivo em entrevista para A Tribuna.

Foto: Reprodução - Publicação no Jornal A Tribuna - Santos
Fonte: A Tribuna - Santos
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