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sábado, 9 de maio de 2026

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HOMEM É DETIDO APÓS INVADIR PORTO DE VITÓRIA E ANDAR EM TELHADOS DE CASAS


Suspeito chegou a se jogar de telhado em cima de um carro e precisou ser socorrido

Um homem foi detido pela polícia por duas vezes no mesmo dia, no último sábado (02), em Vitória. Primeiro, por invadir uma área restrita no Porto de Vitória durante a madrugada e, pela manhã, por andar em cima de telhados de casas e quebrar um carro.

De acordo com informações da Polícia Militar, o suspeito chegou a invadir uma embarcação no Porto de Vitória, onde acabou detido. Horas depois, foi visto em surto andando sobre casas e se jogou em cima de um veículo estacionado, sendo novamente detido.

Invasão à embarcação no Porto de Vitória

Na primeira ocorrência, segundo a Guarda Portuária, o suspeito de 36 anos invadiu um perímetro de segurança no Cais Comercial do Porto de Vitória e entrou em uma embarcação sem autorização na madrugada de sábado (02).

Os guardas disseram que ele apresentava comportamento agressivo e resistente e a Polícia Militar foi acionada para prestar apoio. O homem precisou ser contido e detido com algemas. Ele, então, foi encaminhado à Delegacia Regional de Vitória.

Depois dos trâmites, o suspeito foi liberado ao assinar um termo circunstanciado.

Danos a telhados de imóveis e a um carro

Horas depois, na manhã de sábado (02), ele foi visto em situação de risco, andando sobre telhados de casas no bairro Horto, em Vitória, próximo à delegacia.

A Polícia Militar voltou a ser acionada para a nova ocorrência envolvendo o homem. Segundo a PM, ele apresentava sinais de surto e comportamento agitado, danificando os imóveis e colocando em risco sua integridade física e a dos moradores da região.

Os policiais disseram que tentaram negociar com o homem, mas ele acabou se lançando do telhado de uma das casas e caiu em cima de um veículo estacionado.

Segundo a PM, durante a ocorrência, foram registrados danos a imóveis e ao veículo, e uma das vítimas manifestou interesse em representar criminalmente.

Os militares relataram que precisaram do uso de força moderada para conter o suspeito. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência São Lucas. Após atendimento médico, foi conduzido mais uma vez à Delegacia Regional de Vitória.

De acordo com a Polícia Civil, o suspeito foi novamente liberado após assinar outro termo circunstanciado, por se tratar de crime de menor potencial ofensivo. Ele se comprometeu a comparecer em juízo e irá responder por violação de domicílio e dano ao patrimônio.

Autor/Fonte: Enzo Bicalho Assis / Folha de Vitória *Com informações da repórter ThainaraFerreira, da TV Vitória/Record


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sexta-feira, 8 de maio de 2026

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PORTOS, TRÁFICO INTERNACIONAL DE COCAÍNA E TRANSFORMAÇÃO DO PCC


Entrevista com Lincoln Gakiya, promotor do Ministério Público de São Paulo e membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado-GAECO

Entrevista com Lincoln Gakiya, há 35 anos promotor de justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPESP) e membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do mesmo órgão, publicada originalmente no relatório “Diário de Bordo”: Histórias, dados e mecanismos das projeções criminosas nos portos italianos e no exterior”, da Associação Libera - Itália.

Nos últimos vinte anos, ele dedicou-se principalmente a investigações de combate ao crime organizado, em especial ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que hoje representa a maior organização criminosa da América do Sul e uma das maiores em nível global, com cerca de 40.000 integrantes.

Quais foram às mudanças mais relevantes observadas nos últimos anos no crime organizado no Brasil, com especial atenção aos portos? E qual é o papel do PCC?

Atualmente, a principal fonte de financiamento do PCC é o tráfico internacional de cocaína para a Europa. Cerca de 90% da cocaína que deixa o Brasil é exportada por via marítima, e uma parcela significativa desse tráfico é direta ou indiretamente gerida pelo PCC. Existem, naturalmente, outros grupos criminosos ativos no tráfico de entorpecentes, mas o controle dos portos — em particular do Porto de Santos — é exercido em grande medida pelo PCC.

A partir dessa constatação inicial, como Ministério Público, passamos a nos questionar sobre as razões pelas quais o crime organizado escolheu os portos como principal meio de exportação de cocaína para a Europa. Em um primeiro momento, poderia se supor que isso se deva exclusivamente ao volume das cargas — às vezes de 500 kg, uma tonelada, duas toneladas ou até dez toneladas —, o que tornaria inviável o transporte aéreo. No entanto, essa explicação não é suficiente. O controle dos aeroportos, de fato, costuma ser mais eficiente do que o dos portos.

Tomando como exemplo o Porto de Santos, localizado no estado de São Paulo, onde exerço minha atividade, é importante lembrar que se trata do maior porto da América Latina: uma estrutura imponente que movimenta mais de 10.000 contêineres por dia e por onde transitam diariamente cerca de 55.000 trabalhadores. No Brasil, a autoridade portuária é de natureza pública e é nomeada pelo governo federal, mas a operação do porto é inteiramente confiada a agentes privados, de forma semelhante ao que ocorre na Itália e em muitos outros portos europeus. Esse aspecto também contribui para tornar a fiscalização mais complexa.

Durante algumas inspeções, pude constatar falhas significativas nos sistemas de controle de acesso aos terminais portuários por parte de trabalhadores e operadores. Trata-se de um ponto de grande vulnerabilidade. Nossa principal preocupação hoje, além de tentar conter a expansão do tráfico de entorpecentes, é identificar as vulnerabilidades estruturais dos portos brasileiros que favorecem seu uso como canal privilegiado para o tráfico ilícito. É importante destacar que essas fragilidades não dizem respeito apenas ao Porto de Santos, mas atingem o conjunto dos portos brasileiros.

E não me refiro apenas aos portos marítimos: o Brasil também dispõe de numerosos portos fluviais, especialmente na região Norte do país, na Amazônia e nas áreas de fronteira, por exemplo com a Guiana. Essas situações merecem uma análise aprofundada, também porque dos portos brasileiros não sai apenas cocaína. O Brasil, de fato, também é afetado por graves fenômenos de evasão de capitais, contrabando de ouro e de metais preciosos, extraídos ilegalmente da região amazônica e posteriormente exportados, às vezes até para a Europa.

Essas atividades também constituem fontes de financiamento para organizações criminosas. O próprio PCC está envolvido na exploração da mineração ilegal na Amazônia, inclusive dentro de territórios indígenas, em uma prática que é duplamente ilegal.

Qual é o impacto das organizações criminosas nos portos brasileiros?

O que posso afirmar com certeza é a existência do que defino como um verdadeiro ecossistema criminoso. Esse ecossistema não é composto apenas por facções. Inclui, por exemplo, sindicatos de trabalhadores portuários, atores políticos, funcionários — inclusive públicos — envolvidos em práticas de corrupção, bem como empresas de importação e exportação.

A isso se soma todo o percurso logístico que permite que as mercadorias cheguem aos portos: fiscalizações rodoviárias, polícias de fronteira, etapas intermediárias que frequentemente pressupõem um certo nível de corrupção para que a carga possa chegar ao porto e ser posteriormente embarcada. O problema, portanto, não se limita ao espaço portuário em sentido estrito, mas ao conjunto de atividades e relações que giram em torno da administração e do funcionamento de um porto. Existe toda uma cadeia logística que permite que determinados produtos — incluindo drogas — cheguem aos portos.

No Brasil, por exemplo, uma parte significativa das mercadorias chega por meio de ferrovias: há inúmeros carregamentos que chegam diretamente aos terminais portuários pela malha ferroviária. Isso também representa um elemento crítico, pois implica dificuldades adicionais de controle e inspeção. Todos esses fatores contribuem para configurar o que defino como um ecossistema criminoso portuário, que vai muito além do perímetro físico do porto e envolve todo o contexto logístico e de infraestrutura. Trata-se de um fenômeno que, muito provavelmente, não diz respeito apenas ao Brasil, mas também pode ser observado em outros países, incluindo a Itália.

Nesse cenário, os grupos criminosos tendem a usar mais a violência ou a corrupção?

No Porto de Santos, considerando o papel do PCC, é preciso ter em mente que essa organização exerce um controle territorial praticamente total no estado de São Paulo. Não existem outras organizações criminosas capazes de competir com o PCC nessa área: trata-se de um domínio hegemônico. Nesse contexto, a violência tende a ser um elemento residual, ao menos no que diz respeito ao Porto de Santos. Qualquer outro grupo criminoso que tentasse operar nesse porto seria imediatamente repelido ou obrigado a pagar uma espécie de “taxa de acesso” ao PCC. Essa dinâmica é bem conhecida pelos atores criminosos e reduz drasticamente a conflituosidade.

A situação é diferente em outras regiões do Brasil, especialmente no Sul do país. Em alguns portos dessas áreas, ocorreram diversos homicídios relacionados às atividades portuárias, sobretudo em fases em que o controle das organizações criminosas ainda não estava plenamente consolidado. Nesses casos, trabalhadores corruptos às vezes desviaram parte da droga para uso próprio ou para revenda independente, ou ainda ocorreram infiltrações de grupos criminosos concorrentes, gerando conflitos violentos.

Há também situações em que um trabalhador ou funcionário em posição estratégica recebe inicialmente uma proposta de corrupção para facilitar o tráfico ilícito. Quando essa proposta é recusada, surgem ameaças e, em alguns casos, o recurso direto à violência. Também acontece de um trabalhador denunciar a conduta ilegal de um colega; nessas circunstâncias, quem denuncia frequentemente se torna alvo de intimidações ou até mesmo de homicídios.

Esse mecanismo produz um difundido código de silêncio: quem não aceita se corromper tende, ainda assim, a “virar o rosto para o outro lado”, evitando denunciar por medo de retaliações. Não participa diretamente da atividade criminosa, mas tampouco colabora com as autoridades.

Há relações entre o PCC e as máfias italianas?

As operações do PCC são frequentemente realizadas em colaboração com organizações criminosas europeias, em particular com a ’Ndrangheta. PCC e ’Ndrangheta controlam conjuntamente toda a cadeia logística do tráfico de cocaína: desde a compra nos países produtores — Bolívia, Peru e Colômbia — até o trânsito pelo Brasil e a distribuição na Europa.

Nesse esquema, o PCC se encarrega da compra e do transporte inicial, sem que a ’Ndrangheta precise enviar seus próprios membros à América do Sul ou antecipar capital para a aquisição da droga. É o PCC quem compra a droga, que normalmente é levada a São Paulo e depois ao Porto de Santos — mas não apenas.

Por exemplo, após uma operação em Santos, o grupo criminoso se deslocou para outros portos, tanto no Nordeste do Brasil — onde a administração é ainda mais precária do que em São Paulo — quanto no Sul do país, principalmente em Santa Catarina e no Paraná, com destaque para portos como Itajaí, Navegantes e Paranaguá. Portanto, esses portos já possuem pontos de conexão com o PCC e estão preparados para, caso haja controles mais rigorosos em Santos, deslocar rapidamente grandes carregamentos para outras rotas.

Além disso, o PCC possui códigos internos, rituais de “batismo”, formas de nomeação e um código de silêncio muito semelhante ao das máfias. Tenho uma hipótese de que essas condutas mafiosas foram aprendidas com dois italianos foragidos que foram presos no ano de 1990 em São Paulo, os irmãos Bruno e Renato Torsi, que cumpriram a pena juntos com um dos fundadores do PCC. Eles trocavam muitas informações e suspeitamos que a inspiração para a criação do PCC tenha vindo dos irmãos Torsi.

Nesses tráficos destinados à Europa, há também triangulações com outros países, especialmente na África?

Sim. Nesse caso, o que pudemos observar é que os sistemas de fiscalização e de vigilância nos portos africanos são significativamente mais fracos do que os europeus. Trata-se de sistemas frequentemente precários e particularmente expostos a fenômenos de corrupção.

Para citar um exemplo concreto, um dos mais importantes narcotraficantes brasileiros — provavelmente o maior em atividade até há pouco tempo — Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho, foi preso em Moçambique. Estava foragido no Brasil havia mais de 20 anos, em razão de condenações no Estado de São Paulo, e vivia entre a África do Sul e Moçambique, onde coordenava operações ligadas aos portos locais.

Quando determinadas rotas se tornam mais arriscadas ou mais vigiadas, as organizações criminosas passam a utilizar itinerários alternativos considerados mais seguros. Nessa lógica, a África representa uma plataforma logística privilegiada: o objetivo principal é fazer com que a droga saia da América do Sul e chegue ao continente africano ou diretamente à Europa. Uma vez alcançado um desses pontos estratégicos, as etapas seguintes da distribuição tornam-se mais simples.

No que diz respeito às rotas africanas, constatamos um uso frequente de países como Moçambique e Costa do Marfim. Em menor escala, também surgem outras áreas da África Ocidental. A partir de lá, a droga é direcionada para a Espanha, Portugal e Itália, além dos grandes hubs logísticos do norte da Europa, como Roterdã e Antuérpia.

Atualmente, quais são os principais campos de intervenção necessários para enfrentar esses fenômenos?

São múltiplos, como a questão financeira, por exemplo, na qual as autoridades competentes, juntamente com o Ministério Público, desenvolveram mecanismos para o rastreamento do dinheiro, ocultado em vários níveis por meio da aquisição de imóveis e de empresas. E isso hoje existe apenas em parte, porque já existe a transferência digital de dinheiro, por vezes por meio de criptoativos que, dependendo das modalidades utilizadas, não conseguimos rastrear.

E penso que hoje chegamos a um ponto em que será necessária uma globalização da cooperação internacional, uma cooperação internacional nunca antes vista, para tentar enfrentar esse fenômeno. No Brasil, por exemplo, tenho me empenhado em uma mudança legislativa. Já temos uma lei que disciplina a classificação das organizações criminosas, mais ou menos nos termos da Convenção de Palermo, mas essa classificação não trata da organização criminosa de tipo mafioso. Trata-se de uma organização diferente. Não estamos falando simplesmente de três ou quatro criminosos que atuam de forma estável em uma atividade ilícita. Aqui estamos falando de uma máfia e, portanto, precisamos de uma legislação específica.

Participei de um grupo de trabalho no Ministério da Justiça do Brasil para promover um projeto de lei. Elaboramos um projeto inspirado na legislação italiana, o artigo 416 bis e o artigo 41 bis, com as devidas adaptações ao contexto brasileiro.

Fonte: IREE – Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa



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AUTORIDADES ESPANHOLAS APREENDEM NARCO DRONE SUBMARINO


Com engenharia DIY e eletrônica avançada - a prova do crime organizado está se adaptando mais rápido do que nunca

As autoridades da Espanha, divulgaram no dia 30 de abril, a apreensão de um narco drone submarino de superfície para narcotráfico (USV – veículo de superfície não tripulado). Ele foi encontrado à deriva no Estreito de Gibraltar sem drogas a bordo, no que os policiais temem ser a próxima evolução do contrabando de cartéis.

O dispositivo caseiro, apelidado de "carro de droga flutuante", parecia rude à primeira vista - mas por dentro contava uma história diferente.

O dispositivo construído com uma base retangular e bordas arredondadas em fibra de vidro, com aproximadamente 2,5 metros de comprimento e 1,25 metro de largura, e com coloração escura para baixa visibilidade, é capaz de transportar até 200 kg de drogas.

O design combinava características simples de fabricação caseira com engenhocas avançadas, refletindo a inovação contínua do crime organizado nos métodos de tráfico de drogas marítimos.

Sistema Starlink

Elementos tecnológicos incluíam um bloco retangular elevado, possivelmente abrigando uma antena GPS de alta precisão, outras antenas em forma de haste e uma cúpula transparente, potencialmente para sensores.

Assim como o USV de baixo perfil para narcotráfico encontrado recentemente na Colômbia, ele parece usar o sistema Starlink para comunicação e navegação. Uma câmera na proa permitiria ao piloto controlá-lo.

Compartimento Eletrônico

No interior, havia um compartimento eletrônico com componentes como uma unidade de gerenciamento de energia CAN PMU e fiação conectada.

Ele é movido a eletricidade, com dois pequenos propulsores, portanto, provavelmente tem uma autonomia muito curta.

Semissubmersíveis

Outros semissubmersíveis de tamanho semelhante, usados ​​para narcotráfico já foram encontrados na área.

Um volume significativo de contrabando de drogas ocorre através do Estreito de Gibraltar, com diversas tentativas de construção de narco-submarinos locais.

Parcialmente submersa e furtiva, o narco drone é o último sinal que as organizações criminosas (ORCRIM) estão começando a utilizar tecnologia não tripulada e quase invisível para colocar drogas numa das rotas de tráfico mais movimentadas da Europa.

Especialistas dizem que é uma mistura arrepiante de engenharia DIY e eletrônica avançada - a prova do crime organizado está se adaptando mais rápido do que nunca.

Esses USVs (veículos de superfície não tripulados) talvez representem uma abordagem mais discreta para o problema. Sem tripulação. Sem drogas. Sem suspeitos.


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