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FORAGIDO DA JUSTIÇA É PRESO EM OPERAÇÃO DE FORÇAS DE SEGURANÇA NO PORTO DE SANTOS

A operação contou com a participação da Polícia Civil dos dois estados, da Policia Militar-SP e da Guarda Portuária Na manhã da última ter...

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terça-feira, 19 de novembro de 2024

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MAIORIA DOS RÉUS É ABSOLVIDA NA MAIOR AÇÃO DE TRÁFICO INTERNACIONAL DO PAÍS


Em sentença de 236 laudas, juíza federal condenou 14 investigados na “Operação Brabo”

Com um total de 159 réus, a maior ação penal de tráfico internacional de drogas do País, derivada da operação “brabo”, da Polícia Federal (PF), apresentou índice de absolvição de 61,54% em um dos quatro processos nos quais ela foi desmembrada. A sentença é da juíza Paula Mantovani Avelino, da 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Cabe recurso.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a organização criminosa desmantelada pela “Operação Brabo” é ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo foi responsável pela remessa de cerca de nove toneladas de cocaína do Brasil a vários países europeus, entre 2015 e setembro de 2017, principalmente a partir do Porto de Santos.

Entrevistados pela revista eletrônica Consultor Jurídico, advogados de acusados que foram inocentados atribuíram o elevado percentual de absolvições à “pirotecnia, sem o respaldo de provas” promovida pela PF e pelo MPF por ocasião da investigação e do oferecimento da denúncia. A princípio, a inicial elencou 156 réus, sendo depois aditada para incluir mais três.

Em sentença de 236 laudas prolatada no último dia 7 de novembro, a juíza federal apreciou a conduta de 39 réus, em 12 dos 26 “eventos” (nome dado a cada ação atribuída ao grupo investigado) descritos na denúncia principal da “Operação Brabo”. As operações criminosas analisadas resultaram na apreensão de 4,4 toneladas de cocaína no Brasil e no exterior.

O desmembramento dos autos originais em mais três outras ações decorreu do grande número de eventos e de acusados, além das situações processuais diversas dos réus (presos preventivamente e em liberdade). Dos 39 recém-julgados, houve a condenação de 14 (38,46%) e a absolvição de 25 (61,54%).

Além do tráfico internacional, os réus responderam por integrar organização criminosa de alcance transnacional e conexa a outros grupos mafiosos. Conforme a participação de cada um no esquema, as penas variaram de três anos e seis meses (para apenas um acusado, absolvido da organização criminosa) a 15 anos e 11 meses de reclusão.

Segundo o MPF, os membros da organização criminosa dividiam tarefas necessárias para o sucesso do esquema, tais como a cooptação de caminhoneiros e tripulantes de navios, a contratação de equipes responsáveis pela inserção da cocaína em contêineres previamente selecionados e o aliciamento de funcionários de terminais portuários.

Elo perdido

A denúncia vinculou um dos absolvidos ao evento nº 18 – relacionado à apreensão de 332 quilos de cocaína no Porto de Santos, em maio de 2017. Defendido pelo advogado Marcelo Cruz, esse réu foi acusado de desempenhar o papel de “elo” entre as células da organização, obtendo dados de contêineres com trabalhadores de terminais.

Conversas telefônicas foram usadas pelo MPF para incriminar o acusado. Porém, para a juíza federal, o “conteúdo sucinto dos diálogos” não se mostra suficiente para comprovar a suposta participação do réu nem detalhou qual teria sido ela. Desde a resposta à acusação, Cruz apontava essa fragilidade probatória, reconhecida na sentença.

“Para um inocente acusado de crimes graves como o tráfico internacional e participação em organização criminosa, figurar como réu representa uma pena sem condenação. Foram sete anos de angústia para o meu cliente, mas há de se louvar a cautela e o senso de justiça da magistrada ao apreciar ação tão volumosa e complexa”, declarou Cruz.

Sem reconhecimento

Os advogados José Luiz Moreira de Macedo e Fábio Spósito Couto defenderam um estivador acusado de participar, com outros homens, do içamento de 234 quilos de cocaína para introduzi-lo no navio Cap San Artemissio, atracado em Santos, em novembro de 2016. Posteriormente, a droga foi colocada em um contêiner embarcado.

Segundo a PF, dois tripulantes estrangeiros do cargueiro flagraram o esquema. No entanto, conforme Macedo e Couto, os policiais federais não providenciaram que as supostas testemunhas realizassem o reconhecimento do estivador, de acordo com as exigências legais, sendo o réu acusado apenas porque trabalhava no navio na ocasião.

A juíza Paula Avelino assinalou na sentença que as informações do timoneiro e imediato do navio não foram ratificadas em juízo, e nem poderiam, “tendo em vista que ambos sequer foram arrolados como testemunhas”. Ela acrescentou a ausência de quaisquer outras evidências a comprovar a ligação do estivador com o caso, absolvendo-o.

Tecnologia

Funcionário de um terminal portuário de Santos, um outro réu foi acusado de envolvimento com o evento nº 5, que resultou na apreensão de 1.137 quilos de cocaína em setembro de 2016. Segundo o MPF, esse acusado utilizou o seu login e a sua senha para apagar imagens de câmeras de segurança no pátio de contêineres da empresa.

Defendido por Alex Sandro Ochsendorf, esse réu negou participação, alegando trabalhar com tecnologia há 20 anos e que, se tivesse intenção de deletar a filmagem, não usaria as próprias credenciais. A julgadora acolheu esse argumento, salientando que não foram produzidas provas vinculando o funcionário do terminal aos demais acusados.

O advogado Ochsendorf apontou nos autos “violação à soberania nacional” por suposta investigação da Drug Enforcement Administration (DEA) – agência antidrogas dos Estados Unidos – em território brasileiro. “A rigor, as provas deveriam ser anuladas, porque a PF juntou no processo uma série de diligências da DEA como se fosse dela.”

Processo 0013470-67.2017.4.03.6181

Autor/Fonte: Eduardo Velozo Fuccia – Revista Consultor Jurídico


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quarta-feira, 26 de maio de 2021

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BRASIL QUER EXTRADIÇÃO DE JORDANIANO PRESO NA EUROPA

 

Ele é apontado como elo do PCC com máfias da Itália e do leste europeu

O jordaniano Waleed Issa Khamayis, de 59 anos, apontado por autoridades brasileiras e europeias como uma peça-chave no Brasil para a articulação entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e grupos mafiosos da Itália e do leste europeu, está preso desde 22 de julho de 2020 na Turquia. O governo brasileiro pediu sua extradição. Se a solicitação for aceita, o jordaniano pode revelar detalhes valiosos sobre a atuação de organizações criminosas de todo o mundo em território nacional.

Desde 5 de julho de 2017, ele tem prisão decretada no Brasil por tráfico internacional de drogas e por organização criminosa. Apesar de o pedido de extradição ter sido feito oficialmente, há um entrave: Não existe acordo de extradição entre Turquia e Brasil. O governo brasileiro estuda possibilidades jurídicas e diplomáticas específicas para tentar trazer o jordaniano ao país. É aqui, no Rio Grande do Sul, por exemplo, que encontra-se a família dele.

Informações da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), obtidas com exclusividade pelo Núcleo de Jornalismo Investigativo da RecordTV, mostram que o Khamayis não é só o elo, mas também personifica a presença de máfias estrangeiras de origens difusas no Brasil. “Para que se mensure a magnitude do mercado do qual participava o jordaniano, ressalta-se que, apenas entre 2015 e 2017, Waleed foi responsável pelo ingresso de aproximadamente 8 toneladas de cocaína na Europa”, aponta a análise da agência.

De acordo com investigações brasileiras e italianas, ele coordenou envios de cocaína para a máfia italiana ‘Ndrangheta e ao clã Saric, de Montenegro. Sua atuação no Brasil, de acordo com a PF (Polícia Federal), porém, é mais antiga: Tem pelo menos duas décadas.

Da Itália ao Brasil

A ficha criminal de Waleed Khamayis teve início em 1987, em Messina, no sul da Itália, quando teve o nome envolvido a um atentado no qual morreram dois policiais. Dois anos depois, tentou negociar, sem sucesso, armamento antitanque para mafiosos italianos. Com olhos da polícia atentos aos seus passos, decidiu viajar para o Brasil em 1990.

Desde 1991, o jordaniano entrou no radar da polícia brasileira sob a suspeita de agir no tráfico internacional de cocaína desde o Brasil até a Europa. Em janeiro de 1992, foi identificado que ele organizou uma remessa de 325 quilos de cocaína para a Itália. Em julho daquele mesmo ano, foi detido ao ser flagrado tentando exportar, em Fortaleza (CE), 592 quilos da droga para a Itália.

A ação de exportar cocaína em navios, que hoje é corriqueira, à época foi considerada inovadora e sofisticada. Em 1996, foi agraciado com o regime semiaberto. Ele devia voltar para a prisão toda noite, mas decidiu fugir para São Paulo. Na capital paulista, foi localizado e voltou à prisão, desta vez, no extinto complexo do Carandiru, na zona norte da capital. Pouco depois, conseguiu fugir novamente.

Em 2004, voltou a ser preso, desta vez, no Rio Grande do Sul, sob a suspeita de praticar crimes de lavagem de dinheiro junto a outro jordaniano, identificado como Khmaue Ayman Rateb Issa Khmayis. No entanto, os processos relativos a essas prisões foram extintos em 2008 e ele foi liberado.

Apesar disso, ele continuou no radar das autoridades brasileiras. Em 2017, ele foi um dos alvos da Operação Brabo da PF, sendo condenado, à revelia, por tráfico internacional de drogas e organização criminosa. Ele ficou foragido desde então.

Passaporte verdadeiro, identidade falsa

Uma investigação da polícia da Macedônia, com auxílio da Interpol, que foi revelada pelo projeto de jornalismo IrpiMedia, da Itália, e pelo IRL (Investigative Reporting Lab Macedonia), identificou que o Ministério do Interior da Macedônia abrigou um esquema de fabricação de passaportes falsos que beneficiou pelo menos 215 criminosos. Entre eles, o jordaniano Khmayis.

A tática não é nova. Era a mesma feita, por exemplo, por Charles Sobhraj, um francês com ascendência indiana e vietnamita que drogava, roubava e matava jovens que visitavam a Tailândia onde morava. Depois de cometer os crimes, ele pegava os passaportes falsos das vítimas, trocava as fotos e viajava pelo mundo se passando pela pessoa que matou. A história baseou a série “O Paraíso e a Serpente”, disponível na Netflix.

No caso da Macedônia, não há registros de mortes. No entanto, pessoas pobres do país eram usadas para a tática. Passaportes falsos eram feitos com dados dos macedônios, mas as fotos coladas eram de mafiosos europeus. O que poderia ajudar Khmayis a escapar de autoridades mundo afora, na verdade, foi o que o levou para a prisão.

Sabendo que a Turquia não realiza prisões com base na difusão vermelha da Interpol, o jordaniano decidiu ir para o país. Lá, acabou preso por uso de documento falso. Antes de ser preso e visitar a Turquia, há registro de que Khamayis morava, com uso do passaporte macedônio, em um resort de luxo nas Ilhas Maurício. Era lá, inclusive, que ele recebia uma namorada de nacionalidade de Kosovo.

Máfias balcânicas se intensificam na América do Sul, diz Abin

A Abin tem acionado suas superintendências, a área operacional, parceiros de serviços estrangeiros e do Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência), com o objetivo de trocar informações que possam auxiliar a identificação da rede criminosa de Khamayis. Por meio de relatórios analíticos semelhantes, a agência brasileira identificou que a atuação de grupos criminosos da região dos Bálcãs e do Leste Europeu intensificaram suas ações na América do Sul.

As organizações balcânicas têm como modus operandi a infiltração em setores da economia, o que lhes garante recursos para lavagem de dinheiro, cooptação  e pagamento de propina a autoridades e, por fim, criação de alianças com criminosos de outros países para viabilizar a operação em rotas transnacionais de drogas e de armas.

A partir da década de 2000, as máfias sérvias assumiram o protagonismo da chamada “Rota dos Bálcãs”, como é conhecido um dos itinerários do tráfico de cocaína da América do Sul para a Europa, de acordo com a Abin, se sobrepondo às máfias italianas, associadas a cartéis da Colômbia. Nesse período, começou a ser identificada a presença dessas organizações em países sul-americanos.

A atuação principal se deu na Argentina. Mas além do país vizinho, foram identificados núcleos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru e Uruguai. Foram identificados, desde o início do século, apreensões, prisões e crimes violentos vinculados nesses países com cidadãos de origem balcânica.

Recentemente, um albanês foi assassinado em um restaurante na região dos Jardins, centro de São Paulo. O Núcleo de Jornalismo Investigativo da Record TV revelou que há suspeita de que ele tenha envolvimento com a máfia do seu país de origem.

Rotas balcânicas na América do Sul

Para importar cocaína da América do Sul, as máfias sérvias utilizaram, entre 2004 e 2010, duas rotas principais: uma a partir do Uruguai e Argentina, chegando primeiro na África do Sul e, depois, no norte da Itália e em Montenegro; e a outra a partir da Colômbia, passando pela África Central e Turquia antes de atracar em Montenegro.

Investigações internacionais mostram que, desde o início da década de 2011, o grupo de origem sérvia identificado como Clã Saric mantinha estruturas físicas de atuação em Montevideo (Uruguai), Ciudad del Este (Paraguai), Santa Cruz de la Sierra (Paraguai), além de lugares não definidos no Brasil.

Aqui, está identificado que o Clã Saric mantém contato com membros do “Grupo América”, que é uma organização criminosa originada nos EUA na década de 1980 e que opera com agentes financeiros de esquemas de narcotráfico e lavagem de dinheiro.

Fonte: R7


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sexta-feira, 30 de abril de 2021

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INTEGRANTE DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA MONTENEGRINA É PRESO EM PORTUGAL

 

Investigações da PF mostraram que o Clã Šarić, da organização criminosa Kavaćki Klan intermediava a compra de cocaína com o PCC

No início do mês, a polícia portuguesa, em cooperação com a Europol e a polícia de Montenegro, prendeu na cidade de Redondo, Kotorani Igor Božović (56) e seu filho Vladimir Božović (30), membros da organização criminosa Kavaćki Klan, da cidade de Kotor, com base em mandados do Escritório Central Nacional (NCB), da Interpol em Podgorica, capital de Montenegro, emitidos em 2017.

Ambos acusados de crimes de constituição de organização criminosa, tentativa de extorsão em cumplicidade, ato agravado contra a segurança pública e porte ilegal de armas e explosivos.

Segundo a Polícia Portuguesa, eles foram localizados numa casa, em uma vila. Durante as buscas, foram encontrados documentos pessoais falsos da Bulgária e da Croácia com outras identidades.

Eles são investigados desde 12 de setembro de 2016. Igor Božović é procurado desde agosto de 2017, quando foi libertado, assim como Siniša Vlahović, Aleksandar Đurišić, Igor Đurišić também conhecido como Major, Davor Prelević.

Ele deixou a prisão de Spuški em 4 de agosto, e a Promotoria Especial do Estado pediu ao Tribunal Superior que ordenasse a detenção de Božović apenas 12 dias depois.

Naquela época, nenhum dos supostos líderes do clã criminoso Kavač - Slobodan Kašćelan e Miloš Radonjić. Eles foram presos depois na República Tcheca e na Croácia.

Igor Božović é suspeito de, a partir do início de novembro de 2011, na área de Kotor, Tivat e Budva, criar uma organização criminosa juntamente com Slobodan Kašćelan  (SK).

Seu filho Vladimir é suspeito de agir com violência e intimidação com outros membros daquele grupo criminoso. Ele cometia atos criminosos de extorsão, para obter, manter e armazenar armas, explosivos, coletes à prova de balas para as necessidades dos membros da organização criminosa, além de ser o responsável por transmitir as instruções que lhe foram dadas pelo líder.

Esta organização tem laços estreitos com a de Darko Šarić. Em 2009, integrantes do Clã Šarić foram presos pela Polícia Federal (PF) na Operação Niva e na Operação Brabo, que também desarticularam um esquema de tráfico para a Europa envolvendo portos brasileiros.

Operação Niva

A quadrilha desmantelada pela PF traficava exclusivamente cocaína e tinham uma estratégia sofisticada para embarcar a droga. Segundo o delegado Ivo Roberto Costa da Silva, coordenador geral da Operação Niva, o grupo agia de dois modos diferentes para efetivar o transporte.

No primeiro deles, utilizavam navios de carga ou de passageiros. Os criminosos cooptavam, no Exterior, tripulantes de navios que desembarcavam no Brasil. Esses tripulantes eram pagos para colocar a droga na embarcação e transportá-la. "As remessas eram transportadas em sacolas cujo peso variava entre 25 e 30 kg ou mesmo dentro das vestes destes tripulantes", comenta.

No segundo modo, os tripulantes não precisavam desembarcar. Através de botes, os traficantes seguiam com a droga até a chamada área de fundeio (local onde a embarcação lança as âncoras e aguarda para atracar ou realizar o embarque ou desembarque de produtos).

Nessa modalidade, os tripulantes "pescavam" mochilas com as drogas - geralmente com carregamentos de 100 kg a 200 kg de cocaína. "Após um contato prévio com os traficantes, eles desciam uma corda e içavam essas mochilas até o navio. Essa logística dificultava um pouco o trabalho da polícia, porque eles usavam botes pequenos e difíceis de serem localizados em fiscalizações e também por serem cidadãos sérvios e terem facilidade em arregimentar os tripulantes", detalha.

Ao todo, 48 do bando foram presos

Ao longo de dois anos de investigações, a PF prendeu 48 integrantes da quadrilha. Durante este período, também foram apreendidos 620 kg de cocaína, além de cerca de R$ 2 milhões. Além disso, a 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo determinou o sequestro de bens de integrantes do bando, sendo 31 imóveis, 15 veículos de luxo e três embarcações, patrimônio avaliado em cerca de R$ 16 milhões.

"Todos os membros que estavam vivendo no Brasil foram presos. Os que estavam no Exterior tiveram os mandados de prisão expedidos e encaminhados à Interpol", revela o delegado Ivo Roberto Costa da Silva, coordenador geral da operação.

De acordo com ele, o sucesso da operação se deu ao acordo de cooperação bilateral firmado entre o Brasil e a Sérvia em junho de 2010 e à eficiência da relação entre as polícias dos dois países. Também contou com a colaboração de autoridades dos Estados Unidos, Reino Unido e África do Sul.

O início das investigações deu-se em abril de 2009, após o alerta de organismos internacionais sobre a atuação da organização criminosa em várias cidades portuárias do Brasil, entre elas Santos, Paranaguá, Rio Grande, Vitória e cidades do Nordeste.

Operação Brabo

A Operação Brabo, deflagrada em setembro de 2017, levou à apreensão de aproximadamente nove toneladas de cocaína que seriam remetidas a terminais europeus de 2015 até aquele ano. As investigações apontaram a participação direta de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que deu suporte logístico e financeiro às atividades do grupo. Entre eles estão alguns dos coordenadores do esquema, como Ronaldo Bernardo, condenado a 21 anos e 7 meses de prisão, Luís de França e Silva Neto, sentenciado a 24 anos e 2 meses de reclusão, e Patrício da Silva Fausto, cuja pena alcança 13 anos e 6 meses.

As drogas eram adquiridas em países vizinhos, como Bolívia e Colômbia, para distribuição na Europa por meio de portos na Itália, na Rússia, na Bélgica, na Espanha e na Inglaterra. Integrantes da máfia sérvia também estão entre os réus: B. K. e Miroslav Jevtic faziam parte da cúpula da organização criminosa e participavam das decisões, da compra das drogas e de seu direcionamento. Eles foram condenados, respectivamente, a 23 anos e 6 meses e 17 anos e 8 meses de prisão.

Segundo as investigações, as ações do grupo seguiam uma extensa divisão de tarefas para viabilizar a movimentação das cargas desde o fornecimento até a recepção na Europa. Boa parte dos envolvidos dedicava-se à logística de embarque da droga, executando tarefas como a cooptação de tripulantes dos navios e a inserção dos carregamentos em contêineres previamente selecionados.

Porto de Santos

A presença de criminosos do leste europeu na Baixada Santista começou em meados dos anos 2000, segundo policiais da área de inteligência da PF, sérvios, croatas, búlgaros e russos ligados ao embarque de droga para a Europa costumavam se encontrar em um quiosque no canal 2, na Praia do Gonzaga, na cidade de Santos.

O búlgaro Dimitar Minchev Dragnev, preso na Operação Brabo, abriu um quiosque nesta mesma praia em maio de 2006. No ano seguinte, ele foi preso na Operação Sofia, que desmantelou um grupo ligado à máfia búlgara que enviava cocaína para a Europa.

Veja abaixo o vídeo do momento da prisão;


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segunda-feira, 19 de abril de 2021

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AGENTE DA PF É DEMITIDA POR VAZAR INFORMAÇÕES PARA TRAFICANTES DE DROGAS

 

Ela realizava pesquisas "encomendadas" por criminosos no sistema da PF

A ex-agente administrativa da Polícia Federal (PF) Hélida de Oliveira Vaz, 35 anos, foi demitida da corporação por vazar informações para uma organização criminosa acusada de tráfico internacional de cocaína. Assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Luiz de Almeida Mendonça, a portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), em 29 de setembro. Moradora de Águas Claras, Hélida teria atuado no esquema realizando pesquisas "encomendadas" por criminosos no sistema da PF.

Desde 2014 no cargo de agente administrativa, classe A, com remuneração bruta de R$ 4.768,72 por 40 horas semanais, a ex-servidora havia sido presa em setembro de 2017, no âmbito da Operação Brabo. A mulher ganhou a liberdade após passar pela audiência de custódia no dia seguinte. A decisão foi tomada pela 9ª Vara Criminal de São Paulo.

Natural do DF, Hélida cresceu em Brazlândia. Ela chegou a abandonar os estudos quando engravidou, mas voltou às salas de aula em 2003. Tinha 18 anos quando cursou o 1° ano do ensino médio em uma instituição pública da região administrativa.

Atualmente, Hélida mora em Águas Claras e tem uma vida badalada na capital federal. De acordo com colegas da Polícia Federal, é vista com frequência em festas de Brasília e costuma viajar bastante a lazer.

No mesmo dia em que a servidora foi solta, a PF conseguiu prender mais um dos cerca de 40 foragidos na Operação Brabo. O alvo detido é uma modelo que mora em São Paulo, identificada apenas como Larissa. Segundo apurou a reportagem, a mulher tinha contato direto com os traficantes que atuavam no Porto de Santos.

Operação Brabo

Ela participava do grupo investigado que coordenava o tráfico internacional de cocaína, utilizando a cidade de São Paulo como entreposto e o Porto de Santos como principal local de saída da droga. A quadrilha, segundo a PF, foi responsável por traficar mais de seis toneladas de cocaína pura para a Europa durante o período investigado.

Conforme a PF, funcionários do porto facilitavam a entrada da droga que vinha enrolada ao corpo de falsos trabalhadores, mudavam a direção das câmeras de segurança e, até mesmo, liberavam o acesso de veículos ao setor dos contêineres, onde os entorpecentes eram descarregados.

Na ação, a PF confiscou mais de 20 motos e carros de luxo. Entre as apreensões, estão modelos das marcas Porsche, BMW, Mercedes, Audi e Land Rover. Todos foram guardados em um depósito próximo à PF de São Paulo.

A Justiça havia ordenado o confisco de mais de 100 veículos e de cerca de 40 imóveis, casas e apartamentos de luxo em São Paulo e na região de Santos.

SAIBA MAIS: MAIOR AÇÃO PENAL POR TRÁFICO INTERNACIONAL TEM 156 RÉUS


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sexta-feira, 10 de maio de 2019

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JUSTIÇA CONDENA 26 INTEGRANTES DE FACÇÃO CRIMINOSA E ESTRANGEIROS POR TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS



Grupo tentou enviar nove toneladas de cocaína à Europa entre 2015 e 2017
Vinte e seis integrantes de uma quadrilha foram condenados por participar de um esquema de tráfico internacional de drogas em portos brasileiros, principalmente o Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Na decisão proferida pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo, as penas aplicadas somam quase 400 anos.
De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), os condenados faziam parte de uma organização criminosa com mais de 150 integrantes. A “Operação Brabo”, deflagrada em setembro de 2017, levou à apreensão de aproximadamente nove toneladas de cocaína que seriam enviadas a terminais europeus de 2015 até aquele ano.
As investigações identificaram a participação direta de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que deu suporte logístico e financeiro às atividades do grupo.
As drogas eram adquiridas em países vizinhos, como Bolívia e Colômbia, para distribuição na Europa por meio de portos na Itália, na Rússia, na Bélgica, na Espanha e na Inglaterra. Integrantes da máfia sérvia também estão entre os réus. Pelo menos dois deles faziam parte da cúpula da organização criminosa e participavam das decisões, da compra das drogas e de seu direcionamento.
Segundo as investigações, as ações do grupo seguiam uma extensa divisão de tarefas para viabilizar a movimentação das cargas desde o fornecimento até a recepção na Europa. Boa parte dos envolvidos dedicava-se à logística de embarque da droga, executando tarefas como a cooptação de tripulantes dos navios e a inserção dos carregamentos em contêineres previamente selecionados.
Funcionários dos terminais Deicmar e Santos-Brasil, no Porto de Santos, também foram identificados em atividades vinculadas à organização criminosa, assim como um agente de segurança portuário.
Todos os réus condenados já estão presos e não poderão recorrer em liberdade. Embora a sentença acolha a maioria dos pedidos do Ministério Público Federal (MPF), a Procuradoria recorrerá para que a ordem judicial contemple outras requisições, entre elas a condenação de seis pessoas absolvidas.
Além desta ação, outras três relativas a ” Operação Brabo” tramitam na Justiça. O desmembramento dos casos foi determinado ainda em 2017 devido ao grande número de acusados e às diferentes situações processuais em que se encontravam.
O nome da operação remete a um dos destinos da droga, o porto de Antuérpia (Bélgica). Brabo seria um soldado romano que teria libertado os habitantes da região do rio Escalda, onde se localiza Antuérpia, do jugo de um gigante e jogado sua mão no rio. A lenda deu origem ao nome da cidade.
Fonte: G1 Santos


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