Embarcação de bandeira da Libéria passou pelo Porto de
Tarragona, na Espanha, antes de chegar ao Porto de Mersin, na Turquia
A Polícia turca
apreendeu aproximadamente 350 quilos de cocaína escondidos na parte submersa do
casco de um navio de carga que chegou ao Porto de Mersin, na Turquia,
procedente do Brasil. A operação, realizada em 13 de setembro, resultou na
detenção de nove suspeitos.
A informação foi
divulgada pelo ministro da Justiça da Turquia, Akın Gürlek, que afirmou que a
droga estava escondida em uma área relacionada ao sistema de refrigeração do
motor da embarcação. Segundo as autoridades turcas, havia suspeitas de que
mergulhadores seriam utilizados posteriormente para retirar os entorpecentes do
navio.
A investigação foi
conduzida pela Procuradoria-Geral de Mersin, com participação de unidades de
combate ao narcotráfico e de inteligência das polícias de Mersin e Istambul.
Segundo Gürlek, informações de inteligência indicavam que uma carga de cocaína
proveniente da América do Sul chegaria ao Porto de Mersin.
Durante a operação,
mergulhadores do Comando do Grupo de Operações Subaquáticas localizaram a droga
no sea chest, compartimento utilizado para a entrada de água do mar no sistema
de refrigeração da embarcação. Segundo as autoridades, a cocaína estava
distribuída em 12 grandes pacotes, dentro de embalagens impermeáveis. Também foram
apreendidos equipamentos de mergulho e um scooter subaquático, que, de acordo
com a investigação, estariam relacionados ao plano de retirada da droga.
Gürlek afirmou que
os investigadores identificaram um suposto esquema para retirar a cocaína da
parte submersa do navio com o auxílio de mergulhadores e posteriormente
transportá-la para províncias do oeste da Turquia. A informação integra a
versão apresentada pelas autoridades no curso da investigação e não representa,
por si só, uma conclusão judicial definitiva.
As autoridades
turcas estimaram o valor da droga em aproximadamente 1,5 bilhão de liras
turcas, equivalente a cerca de US$ 30,9 milhões, segundo os valores divulgados
no momento da apreensão.
Navio saiu do Brasil
O navio envolvido na
operação é o CSPC Pisces, de bandeira da Libéria. Segundo registros marítimos
citados pela imprensa, a embarcação havia partido do Porto de Santos e fez uma
escala em Tarragona, na Espanha, antes de chegar a Mersin, em 11 de setembro.
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| Navio CSPC Pisces - Foto: Cosco Shipping Lines |
Dados de
acompanhamento da embarcação indicam que o navio deixou Santos em 19 de agosto,
após permanecer no porto durante o período em que, segundo informações
divulgadas posteriormente pela imprensa turca, a droga teria sido colocada na
parte submersa da embarcação.
Nove suspeitos
Nove pessoas foram
detidas durante a investigação e passaram a responder a procedimento criminal
por suspeita do crime correspondente, na legislação turca, à produção e tráfico
de entorpecentes ou substâncias estimulantes.
Em 16 de setembro,
oito dos nove suspeitos tiveram a prisão preventiva decretada, enquanto um
recebeu medida de controle judicial, segundo informações divulgadas pela
imprensa turca.
Os investigados
foram identificados pelas iniciais Ö.D.A., M.D., M.S., A.E., Y.T., B.B., E.B.,
E.Y. e O.K.
Investigação aponta possível ligação com Santos
As autoridades
turcas informaram ter recebido informações de inteligência indicando que um
carregamento de cocaína chegaria da América do Sul ao Porto de Mersin e se
concentraram no monitoramento de embarcações provenientes daquela região.
Informações
divulgadas posteriormente pela imprensa turca acrescentaram detalhes sobre a
possível origem da ocultação da droga.
Segundo reportagem
baseada em informações atribuídas à investigação, registros de AIS e outros
elementos analisados pelos investigadores indicariam que a cocaína teria sido
colocada na área do sea chest durante a passagem do navio pelo Porto de Santos,
entre 14 e 15 de agosto, pelo método descrito por técnica do
"parasita", expressão utilizada para descrever a ocultação de drogas
na parte externa e submersa de embarcações.
Ainda segundo as
informações divulgadas pela imprensa turca, dois dos investigados,
identificados pelas iniciais E.Y. e O.K., seriam mergulhadores que estavam
sendo acompanhados pelas autoridades. Os relatos afirmam que eles em uma
piscicultura em Didim e teriam realizado mergulhos preparatórios, visando
aprimorar seu desempenho em profundidade e o controle da respiração, antes da chegada
da embarcação a Mersin.
De acordo com essas
reportagens, os mergulhadores eram investigados pela possível participação na
etapa destinada à retirada da droga da embarcação. As informações, entretanto,
fazem parte da investigação conduzida pelas autoridades turcas e ainda estão
sujeitas à apuração judicial.
A operação foi
deflagrada quando o navio atracou no Porto de Mersin, em 11 de setembro. Os
mergulhadores E.Y. e O.K. — que supostamente se preparavam para recuperar as
drogas da parte inferior da embarcação — foram detidos, juntamente com outros
membros do grupo: Ö.D.A., M.D., M.S., A.E., Y.T., B.B. e E.B.
A operação foi
deflagrada quando o navio atracou em Mersin, em 11 de setembro. Os
mergulhadores policiais localizaram a droga na área submersa da embarcação. Os
demais investigados foram detidos no âmbito da mesma operação.
Até o momento, as
informações divulgadas pelas autoridades turcas não indicam participação de
autoridades ou empresas brasileiras no caso. A investigação deverá esclarecer,
entre outros pontos, quem teria colocado a droga na embarcação, onde isso
ocorreu e quais pessoas estariam envolvidas na operação internacional.
Outras apreensões em Mersin
A operação ocorreu
meses depois de outra grande apreensão no mesmo porto. Em janeiro de 2026, a
polícia turca apreendeu 298 quilos de cocaína escondidos em um contêiner
declarado como contendo amendoim e proveniente do Brasil.
Dados citados pela imprensa
turca indicam que as apreensões de cocaína na Turquia chegaram a 3,08 toneladas
em 2024, aumento de 23% em relação ao ano anterior. No Porto de Mersin, as
autoridades teriam apreendido 4,1 toneladas entre 2018 e 2024.
Em outubro de 2023,
a polícia apreendeu 610 quilos de cocaína escondidos em uma carga de bananas
proveniente do Equador. Em abril de 2024, outra operação realizada em várias
províncias resultou na apreensão de 608 quilos e na detenção de 13 suspeitos.
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