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quinta-feira, 18 de abril de 2019

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APREENSÕES DE DROGAS NO PORTO DE SANTOS DEVEM SUPERAR RECORDE DE 2018



Receita localizou 23 toneladas de entorpecentes no ano passado; complexo de Santos é preferido para remessas por ser o maior e com mais rotas à Europa
O Porto de Santos continua colecionando mais recordes. Além da movimentação de cargas e contêineres, o complexo portuário teve a maior apreensão de drogas de sua história no ano passado, com um total de 23 toneladas de cocaína encontradas a caminho do exterior.
Esse montante representa o dobro da quantidade de entorpecentes localizados no cais santista em relação a 2017. Neste ano, a previsão é que o número seja superado. Até sexta-feira, mais de 6 mil quilos tinham sido descobertos, com 2,2 toneladas apenas na última semana.
As autoridades atribuem à eficiência da fiscalização e ao estudo do modo de agir dos criminosos os motivos do crescimento do confisco de drogas.
O porto santista é o preferido dos traficantes por ser o principal ponto de exportação do País e ter mais rotas para a Europa, destino principal dos entorpecentes. “É um porto com muita movimentação e com favelas no seu entorno, o que facilita a logística do traficante”, explica o delegado-chefe da Polícia Federal (PF) em Santos, Ciro Tadeu de Moura.
Ele explica que o Porto sempre foi utilizado pelos narcotraficantes, mas que as apreensões começaram a crescer a partir de 2015, depois da Operação Oversea. “Conseguimos entender melhor como se dava o tráfico de drogas pelo continente e os métodos utilizados pelos criminosos. E a cada investigação a gente aprende mais”.
A Receita Federal afirma que, nos últimos dez anos investiu em recursos e medidas administrativas nos locais que operam no comércio exterior e capacitação de pessoal para lidar com esse crime.
Entre as providências adotadas estão a formação de equipes K-9 (cães de faro) e grupos dedicados à análise de risco de exportações e inspeção não invasiva, que utilizam escâneres de raios X, central de operações de vigilância e câmeras de monitoramento. Com isso, se aprimoram o controle de movimentação de contêineres e a troca de informações com outros órgãos do governo e organismos de caráter internacional.
Uma parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), que começou em 2017, também facilitou os trabalhos e promove a integração entre os órgãos envolvidos.
“Noventa por cento do comércio mundial se dão através de contêineres, mas menos de 2% são inspecionados. Portanto, é preciso ter uma técnica de amostragem para identificar os ilícitos e montar um perfil de risco para esses equipamentos e combater o tráfico. A nossa parceria foi um dos fatores que ajudaram no aumento da apreensão de drogas no Porto de Santos”, explica o coordenador da Unidade de Estado de Direito do Unodc, Nivio Nascimento.
Drogas ficam em contêineres com carga legal
Hoje, a tática mais comum dos narcotraficantes, conhecida como rip on/rip off loading, é pôr a droga em contêineres em meio a mercadorias regulares exportadas por empresas idôneas e sem conhecimento disso. Essas transações costumam envolver trabalhadores do setor, que conhecem a rotina das operações.
“Existe a possibilidade muito grande de se corromper pessoas que trabalham com isso. Um caminhoneiro, um trabalhador ou um tripulante, por exemplo, são pessoas facilmente captadas”, comenta o delegado chefe da Polícia Federal (PF) em Santos, Ciro Tadeu de Moura.
De acordo com o Unodc, o tráfico de drogas é a atividade criminosa mais lucrativa do planeta. Só em 2017, calcula-se que os criminosos movimentaram, no mundo, cerca de US$ 320 bilhões (R$ 1,24 trilhão). No Brasil, foram em torno de US$ 15 bilhões (R$ 58,3 bilhões).
As cifras a seguir dão ideia da lucratividade do tráfico. Estima-se que um tablete do entorpecente com um quilo de cloridrato de cocaína – que é a forma mais pura da droga – passa pela fronteira do Brasil, vindo dos principais países produtores, como Colômbia, Peru ou Bolívia, a um custo médio de R$ 10 mil. Porém, chega aos locais de mais difícil acesso da Europa a 50 mil euros (quase R$ 220 mil).
Com isso, pode-se calcular que a carga apreendida no ano passado em Santos significou um prejuízo de R$ 5 bilhões para o narcotráfico internacional.
A quantidade de drogas apreendidas com o mesmo destino é maior do que a contabilizada pela Receita Federal. O delegado da PF afirma que muitas cargas ilícitas com destino ao cais são interceptadas no trajeto antes de chegar à área portuária.

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