Ação integra a Missão Redentor II e mobiliza forças
policiais em quatro estados; Justiça determinou bloqueio de bens de até R$ 1
bilhão
A Polícia Federal
(PF) deflagrou, na última quinta-feira (23), a Operação Commodity, destinada a
desarticular uma organização criminosa investigada por atuar no tráfico
internacional de drogas e na lavagem de capitais.
A operação foi
desenvolvida no âmbito da Missão Redentor II e contou com o apoio da Força
Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) nos estados de São Paulo e
Minas Gerais.
Policiais federais e
estaduais cumpriram 13 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e
apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito
Santo.
Além das prisões, a
Justiça determinou o cumprimento de medidas cautelares diversas da prisão, bem
como o sequestro de ativos e o bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas
investigadas, até o limite de R$ 1 bilhão.
Segundo a Polícia
Federal, pelo menos nove pessoas foram presas durante a operação.
Investigado morre durante cumprimento de mandado
De acordo com a
Polícia Federal, um dos investigados foi localizado em uma residência no
município de Igaratá, no interior de São Paulo.
Segundo a corporação, Rildo dos Reis Cerqueira, conhecido como "R7", é apontado pelas investigações como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ainda conforme a PF, durante o cumprimento do mandado de prisão, o investigado teria reagido à abordagem e efetuado disparos contra os policiais. Houve confronto, e ele foi baleado.
A Polícia Federal informou que foram prestados os primeiros socorros, mas o investigado morreu no local. Nenhum policial ficou ferido.
Ações na Baixada Santista
Segundo a Polícia
Federal, com o apoio da Polícia Militar (PM), dois investigados foram presos na
Baixada Santista.
Um deles em um
apartamento de alto padrão no bairro do Embaré. Outro homem foi preso em um
apartamento localizado no bairro Boqueirão.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos dinheiro em espécie, moeda estrangeira, joias, veículos e equipamentos eletrônicos.
Conforme as investigações, o homem, de 55 anos, é apontado como responsável pela movimentação financeira da organização criminosa.
Em Guarujá, outro
imóvel ligado aos investigados foi alvo de buscas. No local, foram apreendidos
armas de fogo, munições e um fuzil equipado com luneta, encontrados em um
cofre.
Também foram
recolhidos documentos, computadores, telefones celulares e veículos.
Todo o material apreendido
na Baixada Santista foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Santos e
posteriormente remetido à equipe responsável pela investigação.
Mandado cumprido em empresa no interior paulista
Segundo a Polícia
Federal, um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido por equipes da
Delegacia da PF de Jales em uma empresa exportadora de limões localizada no
município de Urânia (SP).
Investigação
Segundo a Polícia
Federal, a organização criminosa investigada estruturou uma rede logística com
ramificações na América do Sul, Europa e Ásia para exportação de cocaína por
via marítima.
As investigações
indicam que, desde 2021, o grupo teria enviado aproximadamente 6,5 toneladas de
cocaína para países europeus.
Ainda de acordo com
a PF, a organização manteria vínculos operacionais com integrantes do Primeiro
Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV).
Para ocultar a
droga, os investigados utilizariam diferentes métodos, entre eles a camuflagem
em cargas de café, cimento e argamassa, além da adulteração química de
substâncias, como a diluição de cocaína em garrafas de refrigerante.
A investigação
também aponta que o grupo movimentava valores expressivos por meio de empresas
de fachada, operadores financeiros clandestinos, criptoativos, bens de luxo e
imóveis.
Apreensão no Porto do Rio de Janeiro
Em setembro de 2025,
aproximadamente 500 quilos de cocaína foram apreendidos no Porto do Rio de
Janeiro, ocultos em uma carga de café com destino à Eslovênia.
Segundo a Polícia
Federal, essa apreensão contribuiu para o avanço das investigações que culminaram
na Operação Commodity.
Os investigados
poderão responder, conforme o resultado das investigações e das decisões judiciais,
pelos crimes de organização criminosa, tráfico internacional de drogas, lavagem
de capitais e outros delitos eventualmente apurados.
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