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FORAGIDO DA JUSTIÇA É PRESO EM OPERAÇÃO DE FORÇAS DE SEGURANÇA NO PORTO DE SANTOS

A operação contou com a participação da Polícia Civil dos dois estados, da Policia Militar-SP e da Guarda Portuária Na manhã da última ter...

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quinta-feira, 26 de junho de 2025

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GUARDA PORTUÁRIA PARTICIPA DE REVISÃO DE NORMA TÉCNICA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA


A participação de um Guarda Portuário na elaboração do Projeto de Revisão da Norma Técnica da SENASP foi possível após indicação da ANGPB

A Associação Nacional da Guarda Portuária do Brasil (ANGPB) celebra uma importante vitória que eleva o patamar da categoria no cenário da segurança pública nacional. Fruto de uma iniciativa estratégica da Associação, um Guarda Portuário foi selecionado para participar da elaboração do Projeto de uma norma técnica crucial para o uso de armas de incapacitação neuromuscular.

Em setembro de 2024, a ANGPB tomou a iniciativa de enviar ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) uma lista de Guardas Portuários com vasto conhecimento em diversas áreas operacionais, como Instrução de Armamento e Tiro, Operação de Drones e Mergulho. O objetivo era claro: mostrar o potencial técnico da Guarda Portuária (GPort) e inseri-los em discussões relevantes sobre segurança.

Esse esforço deu resultado rápido. Em dezembro do mesmo ano, o Guarda Portuário Fábio Ribeiro dos Santos, que atua no Porto de Santos, foi escolhido para integrar o grupo de especialistas encarregados da revisão da Norma Técnica SENASP NT 002/2020. Esta norma é fundamental, pois define os parâmetros técnicos para as Armas de Incapacitação Neuromuscular (AINM), equipamentos essenciais no contexto da segurança pública.

A participação de um membro da Guarda Portuária neste processo de revisão reforça o compromisso da ANGPB em fortalecer a representatividade da categoria no Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). É um passo significativo para garantir o reconhecimento institucional e o protagonismo técnico que a Guarda Portuária merece.

A nova minuta da norma será apresentada em Audiência Pública, aberta ao público, e a ANGPB convida a todos os interessados a acompanhar:

– Data: 10 de julho de 2025

– Horário: 09h30 (horário de Brasília)

– Local: Ministério da Justiça e Segurança Pública – Esplanada dos Ministérios, Bloco “T”, Brasília/DF

Fonte: ANGPB

 

* Esclarecemos que a a publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veúclo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      

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quarta-feira, 2 de abril de 2025

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MINISTRO DA JUSTIÇA DIZ QUE A POLÍCIA “PRENDE MAL” E O JUDICIÁRIO É “OBRIGADO A SOLTAR”


"É um jargão que foi adotado pela população, que a polícia prende e o Judiciário solta”, afirmou Lewandowski durante abertura de um evento

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou no dia 19 de março, em evento da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em Brasília, que o Judiciário é obrigado a soltar detentos que tiveram suas prisões conduzidas de forma errada pela polícia. Segundo ele, "a polícia tem que prender melhor".

"É um jargão que foi adotado pela população, que a polícia prende e o Judiciário solta”, afirmou Lewandowski durante abertura do evento.

Lewandowski, que é ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que, em muitos casos, a falta de provas concretas ou de um processo bem instruído inviabiliza a permanência dos suspeitos na prisão. Para ele, os detentos não seriam soltos se as prisões ocorressem de forma correta, com apresentação de indícios probatórios aos juízes, já que nenhum magistrado "soltará um criminoso".

Delegados da Polícia Federal repudiaram a declaração

Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) repudiou a declaração do ministro. Em nota, a entidade manifestou "indignação" com a fala e afirmou que os detidos são soltos quando a Justiça não vê necessidade de manter as prisões após a audiência de custódia, e não porque as prisões foram mal feitas ou ilegais.

Segundo a ADPF, não há erro "na esmagadora maioria" das prisões feitas no país. "Só é possível falar em prisão 'mal realizada' quando se detecta alguma ilegalidade, e certamente essa não é a realidade diuturna das audiências de custódia realizadas no Brasil. É preciso esclarecer à sociedade que, na maioria esmagadora dos casos, a prisão é considerada legal e o juiz que preside o ato concede a liberdade provisória", diz a ADPF.

Magistrados apoiam o ministro

Em nota, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) manifestaram apoio ao ministro. Na avaliação da AMB e da Ajufe, Lewandowski "apenas expôs um fato verdadeiro: o Poder Judiciário, por determinação constitucional, relaxa prisões quando realizadas em desacordo com o ordenamento jurídico".

Especialistas dividem opinião

A ideia de que "a polícia prende e a Justiça solta" dividiram especialistas e autoridades ligadas à segurança e ao cumprimento da lei. Uma parcela vê deficiências de investigação policial e apresentação de provas frágeis, o que leva à soltura dos suspeitos.

Outra parte critica a postura dos juízes, ao liberar ou flexibilizar o regime penal dos detentos, sob o argumento de que isso eleva o risco de novos crimes.

Declaração mal explicada criou controvérsias

A declaração do ministro foi baseada em um jargão adotado pela população, que a polícia prende e o Judiciário solta, tentando esclarecer porque isso ocorre. No entanto, talvez por ele não ter explicado mais detalhadamente, a sua fala criou uma serie de controvérsias.

Ditado Espanhol

Assim como diz o ditado espanhol sobre bruxas - "No creo en brujas, pero que las hay, las hay", que significa "Não acredito em bruxas, mas que elas existem, elas existem" -, não creio que a “polícia”, e são todas, não apenas a Polícia Federal “prenda mal”, mas que há casos, isso há.

Falta de dados estatísticos

Não se tem conhecimento de dados estatísticos, envolvendo o trabalho das “Polícias do Brasil”, sobre o Judiciário ser obrigado a soltar detentos que tiveram suas prisões conduzidas de forma errada pela polícia. Segundo a ADPF, não há erro "na esmagadora maioria" das prisões feitas no país.

Não é só na audiência de custódia

Lewandowski destacou que, em muitos casos, a falta de provas concretas ou de um processo bem instruído inviabiliza a permanência dos suspeitos na prisão e que eles não seriam soltos se as prisões ocorressem de forma correta, com apresentação de indícios probatórios aos juízes, e não apenas na audiência de custódia, e não apenas porque as prisões foram mal feitas ou ilegais, conforme citado na nota da ADPF.

Incompetência, negligência ou conveniência

Nos últimos anos temos relatado aqui vários casos onde o judiciário se viu obrigado a soltar suspeitos detidos em virtude de não respeitar o trâmite correto, tanto no momento da prisão, em desacordo com o ordenamento jurídico, como no registro da ocorrência, ou mesmo sem a devida preservação de locais e materiais para análise pericial, na coleta de provas e na apresentação de testemunhas. Uma parcela do “prender mal” está ligada a deficiências durante a investigação policial.

Os erros que possibilitam aos advogados acharem uma brecha na lei para soltar os seus clientes podem estar relacionados a incompetência de quem prende, quem registra ou quem investiga. Neste caso o problema pode estar no ensino, ou a falta de um processo de reciclagem, com treinamento para a atualização de modos de operação e investigação, baseado em mudanças na lei ou nos procedimentos.

Outros casos os erros podem estar relacionados a negligência, que apesar de ter o conhecimento do modo de agir de forma correta, um descuido, as vezes ocasionado pela pressa ou pela preguiça, nas várias fases do processo, abre uma brecha para a utilização dos advogados.

A pior situação, presente em vários casos, é a conveniência, que pode ocorrer por pressão política, corporativismo, ou mesmo corrupção, onde os erros ocorrem de “forma proposital” para invalidar a prisão e possibilitar a libertação do suspeito.

Casos emblemáticos

Nossa página tem relatado nos últimos anos vários casos one a polícia ao “prender mal”, possibilitou aos advogados utilizar as brechas na lei para libertar as pessoas presas.

Um dos caos mais recentes e emblemáticos ocorreu em 2023, quando uma busca pessoal feita por agentes federais contra um advogado criminalista anulou uma investigação conduzida pela Polícia Federal sobre tráfico internacional de drogas e colocou nas ruas quatro policiais civis presos sob a acusação de desviar 790 kg de cocaína de um narcotraficante.

SAIBA MAIS: JUSTIÇA MANDA SOLTAR INVESTIGADOR - EX-PRESIDENTE DO SANTOS -E MAIS TRÊS POLICIAIS

Em outro caso de grande repercussão, também em 2023, o STJ anulou as provas e determinou o trancamento de um inquérito policial que investigava o narcotraficante André de Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap, determinando a devolução dos bens apreendidos, entre eles um helicóptero.

A Justiça entendeu que os policiais que cumpriram mandado de prisão contra o acusado, em setembro de 2019, no município de Angra dos Reis, cometeram uma série de ilegalidades ao também recolheram documentos na residência do acusado. A ordem judicial não incluía busca e apreensão.

Desde então, o helicóptero vinha sendo usado pela Polícia Civil para ações de policiamento e até transporte de órgãos destinados a transplantes.

SAIBA MAIS: POLÍCIA DEVOLVE HELICÓPTERO DE ANDRÉ DO RAP APÓS DECISÃO DO STJ

Justiça também “solta mal”

A fala do ex-ministro de que, nenhum magistrado "soltará um criminoso", se as prisões ocorressem de forma correta, com apresentação de indícios probatórios aos juízes, também não é uma unanimidade.

Existem também aqui casos relatados em que a justiça soltou um preso que causaram vários questionamentos. O caso mais famoso foi a libertação do traficante André do Rap. Apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), e também considerado como um dos maiores traficantes de drogas do Brasil.

Em 9 de outubro de 2020 ele saiu pela porta da frente da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista, onde cumpria duas condenações que, somadas, atingiam 25 anos de prisão, após o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) lhe conceder um habeas corpus.

Ele foi libertado no sábado (10), às 11h50. A noite, o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, atendendo um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), suspendeu a decisão liminar (provisória) que determinou a soltura de André do Rap e determinou a sua prisão imediata. Ele fugiu e até hoje não foi encontrado.

SAIBA MAIS: JUSTIÇA LIBERTA UM DOS MAIORES TRAFICANTES BRASILEIROS


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terça-feira, 15 de outubro de 2024

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PROGRAMA DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA ADMITE MONITORAR 'ALVO' SEM JUSTIFICATIVA


O Cortex é utilizado pela Guarda Portuária no Porto de Santos. O Termo de Adesão para a implementação do sistema foi assinado em dezembro de 2021

O Córtex, uma poderosa ferramenta de inteligência já em uso mantida e gerida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), permite monitorar pessoas e veículos nas ruas de diversos municípios e rodovias de todo o país em tempo real sem precisar registrar a motivação da consulta. Isso significa que pessoas podem ser acompanhadas sem prévia análise do Judiciário e fora de inquéritos policiais.

Fontes que falaram sob reserva e dados obtidos por Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam que 55 mil usuários civis e militares têm acesso ao sistema em mais de 180 órgãos públicos no país. Procurado, o MJSP reconheceu à Agência Pública que os milhares de usuários civis e militares do sistema não estão obrigados a explicar o motivo da escolha de seus "alvos".

"Não há necessidade de se motivar a consulta [no Córtex], haja vista se tratar de consultas visando atividades de segurança pública (que é o objetivo do sistema). Porém, caso haja suspeita de irregularidades nas consultas, deve haver atuação da auditoria", disse o MJSP.

O MJSP se recusou a dizer quantas pessoas e veículos já foram vigiados por meio do Córtex. Mas, conforme divulgado pelo próprio ministério em resposta a pedido de LAI, um total de 360 mil "alvos" já haviam sido "identificados" entre 2019 e janeiro de 2022.

Entre os milhares de usuários do sistema, há membros das Forças Armadas, policiais civis, militares e federais, agentes penitenciários, integrantes do Ministério Público, bombeiros, guardas civis e até servidores de órgãos de fora do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).

Sem um controle independente ou interno eficaz sobre seu uso no dia a dia, o Córtex abre espaço para vigilância indiscriminada de qualquer cidadão, seja ele um manifestante, um membro de movimento social ou de organizações da sociedade civil, uma pessoa pública ou autoridade, adversários políticos ou mesmo familiares e cônjuges de agentes com acesso ao sistema.

A portaria que regulamenta o uso do Córtex exige que os órgãos com acesso realizem auditorias e enviem relatórios mensais sobre o uso, mas apenas 62 relatórios de auditoria foram registrados em mais de quatro anos de uso intenso do programa, informou o MJSP.

Questionado sobre os poucos relatórios, o MJSP argumentou que "puxou para si a responsabilidade em realizar relatórios de auditoria, sendo que todos os processos de auditoria do órgão estão sendo revisados. Portanto, os 62 relatórios produzidos foram todos no âmbito do MJSP".

Uma dessas auditorias, iniciada em 2023 dentro do MJSP, abandonou a ideia de revisar o uso do sistema durante o governo Bolsonaro.

'Cerco eletrônico'

O sistema de controle e vigilância se vale, entre outras informações, de imagens captadas em tempo real por 35,9 mil câmeras espalhadas por lugares públicos em todo o Brasil: rodovias federais, ruas e avenidas urbanas, entradas e saídas de estádios de futebol, entre outros pontos. O Córtex mantém uma funcionalidade chamada "cerco eletrônico", que serve para monitorar em tempo real veículos por ruas e avenidas pelo país a partir da "leitura" das placas dos carros.

Além disso, "as bases de dados internalizadas no Córtex" incluem outros dados sensíveis, como a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que contém vencimentos salariais de milhões de pessoas empregadas no Brasil; o Cadastro do Sistema Único de Saúde (CADSUS), com dados sigilosos de pacientes do SUS; e informações não especificadas sobre autoridades em geral, qualificadas como Pessoas Expostas Politicamente (PEPs).

Embora seja o criador, coordenador e mantenedor da plataforma, o MJSP disse à reportagem que não cabe à pasta controlar o acesso das consultas dos "alvos" pelos outros órgãos públicos que usam o Córtex. Segundo o próprio ministério, os "alvos" do Córtex podem ser vigiados por tempo indeterminado.

Documentos revelam ainda que o MJSP descobriu pelo menos um caso de usuário que fez 1 milhão de pesquisas no Córtex em um único dia, o que sugere o uso de robôs para a extração de dados sensíveis.

Nesse ponto, outro documento do MJSP registra a suspeita da presença de "laranjas" no sistema, com pessoas sem qualquer ligação com órgãos de segurança pública operando o Córtex. Suspeitas dessa natureza já foram tratadas anteriormente em reportagens do site The Intercept Brasil e da revista Crusoé.

Servidores do MJSP chegaram a discutir a criação de "um alerta quando o policial rastrear o veículo da esposa, considerando os crimes de violência doméstica" no Brasil.

A preocupação é que os 55 mil usuários do sistema possam vigiar em tempo real seu cônjuge sem explicar a necessidade, quem ordenou o monitoramento, qual foi o tempo de sua duração nem o resultado da vigilância.

Entre os documentos do MJSP, aparece a menção à possibilidade de enquadrar esse tipo de uso ilegal do programa, chamada pela equipe do ministério de "rastreio (cônjuge)".

First Mile x Córtex

O MJSP reconheceu à reportagem que, além das imagens de câmeras de rua, o Córtex dá acesso a dados de veículos, cadastros de pessoa física na Receita Federal, cadastros de embarcações e condutores, restrições judiciais e base nacional de carteiras de habilitação.

O monitoramento do trânsito de veículos e pessoas se assemelha às capacidades do programa First Mile, foco de um escândalo na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) após a descoberta de que ele consegue acompanhar, em tempo real, usuários de telefones celulares.

O Córtex acompanha veículos e pessoas em vez de telefones, mas o efeito prático é semelhante: os usuários têm a capacidade de saber onde e quando uma pessoa esteve ou por quais ruas e avenidas passou ou costuma passar, bastando reconstituir seu trajeto por meio das câmeras.

Consultas ao sistema podem ser feitas pela placa do carro a partir das milhares de câmeras instaladas em ruas, avenidas e rodovias que conseguem "ler" os caracteres das placas e indicar exatamente por onde o veículo passou ou costuma passar em determinado dia ou hora.

O sistema consegue vigiar pessoas e veículos "com ou sem restrições" 24 horas por dia, sete dias por semana. Ele também tem sido utilizado por órgãos públicos municipais e estaduais que têm firmado Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o MJSP.

Parcerias com governos e prefeituras

Até março de 2023, o MJSP havia assinado 184 ACTs em todo o país — o que, em muitos casos, deu acesso ao Córtex para guardas civis e servidores de órgãos fora do Sistema Único de Segurança Pública.

Para que as prefeituras, governos estaduais e outros órgãos tenham acesso ao sistema, basta que deem uma "contrapartida" — o acesso a bases de dados que eles já possuem.

ACTs obtidos via LAI pela reportagem mostram que prefeituras alimentam as bases do Córtex com dados diversos, como informações "em tempo real da bilhetagem dos ônibus", incluindo "CPF e Nome [dos passageiros], Linha e Prefixo [dos ônibus], Data e Hora da Leitura [dos cartões de embarque], Latitude e Longitude [dos ônibus em trânsito]".

Herdado do governo de Michel Temer (2016-2018), quando ainda operava pontualmente, o Córtex passou a ser usado em larga escala durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), nas gestões dos ex-ministros da Justiça Sérgio Moro (2019-2020), André Mendonça (2020-2021) e Anderson Torres (2021-2022).

Um total de 108 órgãos municipais e estaduais, como secretarias de Fazenda, de Segurança Pública e de Trânsito, têm acesso ao Córtex por meio de APIs (em inglês, Application Programming Interface), uma funcionalidade que permite a integração de sistemas de informação.

A Pública apurou que, durante o governo Bolsonaro e até março de 2023, também detinham a ferramenta API no Córtex: o setor de inteligência do Exército, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), ligado ao Ministério da Defesa, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o Ministério Público Federal (MPF), entre outros órgãos.

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Todos os 49 órgãos que integram o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) também possuem acesso ao Córtex, incluindo a Abin, a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

No atual governo federal, o sistema segue em expansão, para formar uma plataforma ainda mais poderosa, denominada Orcrim (Sistema Nacional de Inteligência para Enfrentamento ao Crime Organizado), na qual o Córtex seria inserido como apenas uma das peças.

Porto de Santos

O Cortex é utilizado pela Guarda Portuária (GPort) no Porto de Santos. O Termo de Adesão para aimplementação do sistema foi assinado em dezembro de 2021.

- A reportagem traz um vídeo com uma entrevista com o professor de Direito Luiz Augusto D’Urso

Fonte: UOL - A reportagem foi produzida pela Agência Pública e publicada em parceria com UOL


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