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quinta-feira, 7 de julho de 2022

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TESTES NA EUROPA AVALIAM A SEGURANÇA DO USO DE EVTOLS


A Autoridade Portuária do Porto de Roterdã quer pesquisar a viabilidade do uso de evtols para transportar tripulações diretamente do navio para o hotel

Em poucos anos, a mobilidade aérea urbana será uma realidade, permitindo que as pessoas se desloquem convenientemente de uma forma mais adequada nas cidades e entre cidades.

E se o futuro tivesse ambulâncias transportando pacientes e medicamentos críticos por via aérea? E se os bombeiros pudessem combater incêndios com segurança e eficiência sem colocar vidas humanas em perigo?

Um futuro em que as pessoas possam viajar com mais rapidez e eficiência de um ponto a outro, com serviços melhores e otimizados para as cidades e seus moradores, não é uma mera visão – é uma realidade que chegará até nós em questão de anos: a Mobilidade Aérea Urbana (UAM).

UAM é um conceito de mobilidade transformacional para áreas urbanas, utilizando vários tipos de drones para realizar qualquer tipo de missão que vise melhorar o bem-estar de indivíduos e organizações.

E integrar esses grandes drones futuros com segurança no espaço aéreo urbano requer muita coordenação e muitos testes. Diante dessa necessidade, nos próximos meses, o projeto europeu AMU-LED realizará vários voos de demonstração em ambientes urbanos no Reino Unido, Holanda e Espanha.

U-space

Um dos principais facilitadores da UAM é o U-space, uma estrutura de gerenciamento de tráfego aéreo para permitir a integração segura de drones. Assim como o sistema de gerenciamento de tráfego aéreo para aeronaves em geral, o U-space garantirá que as operações de drones sejam realizadas com segurança e eficiência.

No entanto, o sistema será mais automatizado do que o atual controle de tráfego aéreo, com menos interação humana e com capacidade de atender mais voos simultaneamente.

O U-space pode ser definido como um conjunto de serviços e procedimentos específicos projetados para garantir um acesso seguro e eficiente ao espaço aéreo para um grande número de drones que incorporam altos níveis de digitalização e automação.

Cenários em ambientes urbanos

Muito trabalho tem sido colocado no desenvolvimento do U-space e da UAM através de projetos de pesquisa e inovação e de desenvolvimentos tecnológicos. Uma dessas iniciativas é o AMU-LED – um projeto de demonstração em grande escala (VLD) financiado pelo Empreendimento Comum SESAR no âmbito do programa de investigação e inovação Horizonte 2020 da União Europeia.

O AMU-LED demonstrará a integração segura de aeronaves tripuladas e não tripuladas por meio da implantação do U-space, com o objetivo final de tornar realidade, cidades inteligentes cada vez mais sustentáveis. Isso será feito através da realização de demonstrações de voo com vários cenários, situações e casos de uso em ambientes urbanos.

eVTOLs

Nessas demonstrações, o projeto usará grandes plataformas elétricas de Decolagem e Pouso Vertical (eVTOL) para transporte de passageiros e carga, combinadas com Sistemas Aéreos Não Tripulados (UAS) menores, realizando entrega de mercadorias e suprimentos médicos, vigilância ou suporte para serviços de emergência.

Objetivos do AMU-LED

O projeto começou há dois anos, em janeiro de 2020, com dois objetivos principais para demonstrar a interação segura da UAM com outros usuários do espaço aéreo e demonstrar o voo seguro da UAM.

Após minuciosa preparação, as demonstrações de voo que ocorrerão dentro do AMU-LED podem ser consideradas como o produto final do projeto, colocando em prática o conceito de operações, casos de uso, cenários, arquitetura do sistema e o sistema U-space que será definido no projeto.

“Depois de ter realizado uma quantidade impressionante de trabalho, onde nosso consórcio concebeu e implementou conceitos de operações de ponta para UAM, preparou casos de uso futuristas, mas ao mesmo tempo, como transporte aéreo ou entrega de encomendas de última milha, e tráfego não tripulado inovador integrado a serviços de gestão, finalmente estamos prontos para decolar”, esclarece Pablo Menéndez-Ponte Alonso, líder do projeto UTM da NTT DATA Espanha, que coordena o consórcio europeu de 17 entidades diferentes que participam do projeto AMU-LED.

Haverá sete operações no total, ocorrendo ao longo deste verão de 2022 do hemisfério norte, realizadas em Cranfield, no Reino Unido, Amsterdã, Enschede e Rotterdam, na Holanda, e Santiago de Compostela, na Espanha.

“Cranfield é nossa primeira demonstração, pois nos permitirá entender a prontidão dessa tecnologia ao enfrentar o desafio real”, disse Alonso.

Troca de informações

A variedade de locais permite que o projeto teste e demonstre vários aspectos relevantes de diferentes formas, por exemplo, avaliando a forma mais eficiente de troca de informações entre os atores (como os drones, seus pilotos e o sistema de gerenciamento de tráfego aéreo).

O projeto testará dois conceitos diferentes para distribuição de dados relevantes: uma arquitetura centralizada e uma descentralizada. A arquitetura descentralizada será testada em Cranfield, Enschede e Rotterdam, e a arquitetura centralizada será testada em Amsterdã e Santiago de Compostela.

As informações a serem trocadas dizem respeito a todo o tipo de dados, por exemplo, informação estratégica e táctica antes e durante o voo, dados de seguimento (informação em tempo real sobre a posição do drone), serviço de aconselhamento táctico de resolução de conflitos (informação para evitar conflitos antes e durante o voo) e dados meteorológicos e de CNS (Comunicação, Navegação e Vigilância).

O que se pode esperar durante as demonstrações?

Além disso, como o U-space e a UAM ainda são conceitos em desenvolvimento, o AMU-LED seguiu os três pilares da inovação – factibilidade, viabilidade e conveniência – para garantir que as demonstrações cobrissem as bases para uma implementação efetiva da UAM.

Em junho, as demonstrações começaram com o caso de viabilidade em Cranfield, comprovando a prontidão da solução, tecnologias e sistemas AMU-LED. Esses testes são conduzidos pela Cranfield University e ocorrerão no Aeroporto Cranfield, uma instalação única que possui seu próprio provedor de serviços de navegação aérea e controladores de tráfego aéreo, além de seus próprios pilotos e aeronaves.

Esta demonstração será um pré-requisito para as demonstrações subsequentes, comprovando que a solução AMU-LED está pronta e segura para ser testada em ambientes mais complexos. Uma segunda parte da demonstração de Cranfield acontecerá em setembro.

Depois de provar a viabilidade da solução AMU-LED em junho, em agosto o projeto continuará testando a conveniência de sua solução em Amsterdã e Enschede, com foco na aceitação pública e impacto social.

Em Amsterdã, os testes são conduzidos pelo Royal Netherlands Aerospace Center (NLR) e ocorrerão no coração da cidade, no Marineterrein.

Usando um grupo de foco para coletar dados, a equipe realizará várias demonstrações de voo, testando diferentes aspectos do U-space e certos indicadores de aceitação pública, como ruído, segurança percebida, confiança na tecnologia, preocupações com privacidade ou poluição visual. Medidas de mitigação para as preocupações levantadas pelo grupo focal serão propostas com base nos dados coletados.

Enschede seguirá demonstrando o impacto social da UAM. O Space53, um centro de testes e inovação para sistemas não tripulados, está a cargo desta demonstração, que terá lugar entre a localização do Space53 na Base Tecnológica e o Aeroporto de Twente, e a cidade de Enschede.

Apresentando vários casos de uso socialmente relevantes, como entrega médica, combate a incêndios ou vigilância policial, esta demonstração comprovará o impacto social que a UAM criará quando implementada.

Em Roterdã, a viabilidade econômica da UAM será demonstrada também em agosto. Este teste está sendo coordenado pela AirHub e acontecerá na zona portuária da cidade.

Será feito em colaboração com a Autoridade Portuária de Roterdã, que quer pesquisar a viabilidade do uso de evtols para transportar tripulações diretamente do navio para o hotel. Outros casos de uso também serão apresentados, voando diferentes UAVs e aeronaves VTOL.

A cidade de Santiago de Compostela sediará a demonstração final do AMU-LED, onde todos os aspectos anteriores – factibilidade, viabilidade e conveniência – se reúnem em um grande show final.

Coordenada pelo centro tecnológico ITG – Fundación Instituto Tecnológico de Galicia, a demonstração incidirá sobre a correta implementação de todos os aspetos em ambientes urbanos, como a vitrine final de como o U-space pode permitir a Mobilidade Aérea Urbana. Isso será demonstrado em setembro e em outubro.

Ao longo destas demonstrações, a equipe do projeto irá colher dados sobre os vários aspetos que estão sendo testados, que serão posteriormente analisados. Isso permitirá que o projeto elabore resultados para o desenvolvimento do U-space, fornecendo informações sobre a maneira mais eficiente de habilitar a UAM, fornecendo uma solução segura, eficaz e viável para cidades inteligentes.

Fonte: Aeroin – Com informações do Centro Aeroespacial Holandês



Esta publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

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BBC REVELA COMO COCAÍNA DA AMÉRICA LATINA ENTRA EM PORTO NA HOLANDA

 

Adolescentes trabalham como coletores de drogas no Porto de Roterdã

Os milhares de quilos apreendidos na cidade de portuária de Roterdã, Holanda, aumentam a cada ano. Junto com isso, cresce também o número de jovens contratados por grupos criminosos para receber e encaminhar a droga escondida em cargas que chegam da América Latina.

A BBC conseguiu um raro acesso ao nicho dos "coletores de cocaína" no país, um elo vital no tráfico de drogas para a Europa.

Na tela com imagens do circuito interno de TV, vê-se uma dúzia de pessoas no escuro, correndo uniformemente em direção a um contêiner no Porto de Roterdã.

A carga de frutas tropicais vindas da Colômbia pode já ter sido descarregada, mas essa caixa de metal de 12m de comprimento ainda tem itens a bordo. São 80 kg de cocaína escondidos dentro da unidade de refrigeração e que, nas ruas, valerão cerca de 4 milhões de euros (R$ 25 milhões).

O trabalho dos coletores é encaminhar a mercadoria a Amsterdã, Berlim e Londres, capitais respectivamente da Holanda, Alemanha e Inglaterra.

"Este porto é uma mina de ouro! É lindo", disse um desses homens ao programa Danny's Wereld, da rede de TV holandesa VPRO, com o rosto ocultado.

"Posso ganhar um bom dinheiro e perto de casa… e sempre há trabalho."

Estes jovens trabalham para poderosas organizações criminosas.

"Cada trabalho é diferente", explicou o entrevistado. "Um chefe diz: 'Você ganhará uma quantia X para dividir entre todos. Outro diz: 'Você terá uma quantia das drogas para vender por si mesmo.'"

Os coletores ganham cerca de 2 mil euros (R$ 12 mil) por cada quilo de cocaína que carregam. E este é um negócio que explodiu nos últimos anos, segundo Andre Kramer, dono de uma empresa de gestão de contêineres no porto.

"Nós os notamos pela primeira vez há cerca de dois anos", lembra Kramer.

"Havia um ou talvez dois deles, e era algo que aparecia uma ou duas vezes por ano. Mas nos últimos seis meses, os grupos de coletores ficaram maiores, com 10 a 12 pessoas, e acontece três ou quatro vezes por semana."

À medida que o volume de cocaína importada através da Holanda aumenta exponencialmente, os métodos usados pelos coletores também se tornam mais sofisticados.

O trabalho dos coletores é encaminhar a mercadoria a Amsterdã, Berlim e Londres, capitais respectivamente da Holanda, Alemanha e Inglaterra.

Às vezes, eles não precisam levar com as próprias mãos a cocaína para fora do porto. Em vez disso, eles transferem para outro contêiner a mercadoria ilegal, com a ajuda de algum funcionário cooptado, até que as drogas sejam levadas para fora em um caminhão. Nesse tempo, os coletores vivem dentro dos contêineres, que se tornam uma espécie de quarto de hotel para eles.

"Recentemente, encontramos três 'contêineres-hotéis'", diz Kramer. "Os coletores podem ficar neles por dias, onde comem, bebem e fazem suas necessidades. Já encontramos colchões, garrafas vazias, embalagens de comida…".

Mas, com o passar do tempo, esperar nestes "hotéis" até que a situação esteja favorável para o desembarque das drogas pode se tornar extremamente perigoso.

Resgate de coletores

No início de setembro, nove jovens ficaram presos depois que a porta do contêiner onde eles estavam ficou bloqueada inesperadamente. O contêiner, segundo os registros oficiais, deveria estar transportando troncos de árvores.

"Se a pessoa estiver cercada de materiais biológicos como frutas e madeiras, esses itens ainda usam oxigênio, o que significa que há menos para as pessoas lá dentro. O ar fica mais rarefeito", explica Jan Janse, chefe da Polícia Portuária de Roterdã.

"Normalmente, essas pessoas tomam o cuidado de garantir que conseguem abrir o contêiner por dentro, mas nesse caso algo deu errado e eles não conseguiram sair."

Com o pânico aumentando junto com a temperatura, os coletores acabaram ligando para o serviço de emergência.

"Então, recebemos a informação de que nove pessoas iriam morrer em um contêiner, mas em um terminal que tinha cerca de 100 mil outros contêineres. E os coletores não sabiam dizer exatamente onde eles estavam", lembra Janse.

Embalagens e itens deixados por coletores em um 'hotel-contêiner'

"Tivemos que revistar todas as instalações. Havia helicópteros, muitos policiais, funcionários da alfândega, o corpo de bombeiros, serviços de ambulância. Eles tiveram a sorte de os encontrarmos a tempo."

O resgate durou quatro horas. Alguns dos homens foram hospitalizados com dificuldades respiratórias. Mas, por razões de segurança, Janse, que é chefe da polícia local há sete anos, não revela como conseguiram encontrar os coletores.

"Digamos que fizemos algumas coisas inteligentes", diz ele, enigmaticamente.

Mais um ano de recorde previsto

Em 2014, as autoridades de Roterdã capturaram mais de 5 mil kg de cocaína no porto. Em 2020, o número atingiu 41 mil kg.

"Este ano, calculamos que serão 60 mil quilos", diz Janse. "A cada ano, batemos o recorde. Não estou orgulhoso: é bom que apreendamos a cocaína, mas a cada ano chega uma quantidade maior".

E as drogas descobertas no porto representam apenas uma pequena fração das importações ilegais.

Em setembro, 110 coletores foram detidos na zona portuária em pouco mais de uma semana. Mas, a menos que sejam pegos em flagrante, eles só estão sujeitos a uma multa de menos de 100 euros (R$ 630) por invasão ao local.

Alguns coletores até já carregam dinheiro consigo para que possam pagar a multa, caso sejam parados.

"Dizemos: 'Estamos apenas dando uma bela caminhada... Somos fascinados por contêineres'", diz um jovem com máscara, que ganha a vida transportando drogas para fora do porto.

Com 42 km de extensão, o Porto de Roterdã é o maior da Europa, onde são processados mais de 23 mil contêneires todo dia. E, no centro do trabalho dos coletores de cocaína e das organizações criminosas para as quais eles trabalham, está uma ferramenta essencial para eles: a corrupção.

"Se vier amanhã de manhã, garanto que vai conseguir um crachá de segurança. Basta dizer a um funcionário: 'Empreste-me o seu crachá até amanhã e ganhe 500 euros'", diz um coletor.

"É difícil fazer nosso trabalho sem alguém de dentro, como um oficial da alfândega. Ele poderia ter que inspecionar um contêiner, mas tira da lista de inspeção para você."

E se um funcionário se recusa a cooperar, os coletores usam a intimidação.

"No momento em que um funcionário da alfândega diz: 'Não', você ameaça os filhos dele", diz um coletor mascarado. "Então ele vai dizer 'sim' muito rapidamente."

Andre Kramer diz que seus funcionários estão sob pressão porque estão na mira de quem trabalha para o crime organizado.

"As pessoas estão sendo abordadas em casa para colocar contêineres perto de uma cerca, por exemplo", diz ele. "Alguns funcionários pediram demissão, não querem mais trabalhar aqui, porque têm medo."

O promotor-chefe de Roterdã está familiarizado com essas histórias.

"Muito da criminalidade na cidade tem alguma ligação com o problema das drogas no porto", diz Hugo Hillenaar. "Temos um tiroteio quase todos os dias. Dez anos atrás, isso não chegava às ruas. Agora, a violência está aumentando".

E as repercussões sangrentas do tráfico de cocaína se estendem por todo o país — incluindo o audacioso assassinato à luz do dia do jornalista policial mais conhecido da Holanda, Peter R de Vries, em Amsterdã, no mês de julho.

"Os grupos criminosos são muito bem organizados. Têm seus diretores, recursos humanos, funcionários e recrutadores", explica Nadia Barquioua, fundadora da JOZ, uma organização de apoio a jovens.

A JOZ tem projetos para jovens em uma das partes mais carentes de Roterdã, e da própria Holanda, de onde vêm muitos dos coletores de cocaína. Trata-se da margem sul. Mais de um quarto da população dali tem menos de 23 anos e mais da metade é de origem migrante.

Nos anos 1960 e 70, pessoas de fora da Holanda se estabeleceram na região, atraídas pelas oportunidades de emprego no porto. Mas quando a atividade industrial deslocou-se para o oeste, mirando uma melhor recepção aos meganavios, e os empregos ficaram mais escassos, ficou um grande número de famílias de baixa renda.

A JOZ atua nas escolas, clubes e centros comunitários buscando impedi-los de chegar ao crime.

"Devemos mostrar que ganhar dinheiro de forma normal é muito mais seguro do que de forma criminosa, e que eles têm oportunidades na cidade", diz Nadia Barquioua. "É mais fácil criar filhos felizes do que consertar homens quebrados."

Empresário diz que, por conta de ameaças, alguns funcionários do porto já pediram demissão

Adolescentes trabalhando como coletores de drogas

A idade dos jovens trabalhando como coletor de cocaína no Porto de Roterdã é cada vez menor, acrescenta o promotor Hugo Hillenaar.

"Temos meninos de 14 ou 15 anos fazendo esse trabalho, é preocupante", diz Hillenaar.

Fala-se de um "Natal branco" em Roterdã — mas ninguém está se referindo à neve. Antes da época festiva, Hillenaar deixa uma mensagem para os usuários de cocaína.

"Todos os dias na cidade de Roterdã, 40 mil carreiras de cocaína são cheiradas", diz ele. "Cada carreira que você cheira tem um histórico de violência, extorsão e morte."

Hillenaar espera que uma mudança na lei que entra em vigor em 2022 seja um forte empecilho para os coletores. Ela imporia multas maiores e pena de prisão de até um ano a qualquer pessoa não autorizada encontrada na área portuária. Mas, dadas as enormes quantias de dinheiro que se pode ganhar pegando drogas no porto, nem todos estão convencidos de que a lei funcionará.

"Sinceramente, não acho que se conseguirá impedir a entrada de drogas no Porto de Rotterdã", opina o empresário Andre Kramer.

Ele também está preocupado que o endurecimento das punições possam levar a mais violência na área portuária.

"Hoje, os coletores partem em silêncio. Mas será terrível quando eles usarem qualquer coisa para tentar fugir, como armas, facas... Ninguém quer algum tipo de espetáculo do Velho Oeste acontecendo em seu terminal."

Fonte: BBC News


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