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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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PRIVATIZAÇÃO DA AUTORIDADE PORTUÁRIA DE SANTOS VOLTA AO RADAR EM CASO DE VITÓRIA DE BOLSONARO

 

Daniela Marques - Foto: Felipe Araújo

A coordenadora do plano econômico dele, a administradora de empresas Daniela Marques, já anunciou que a ideia é privatizar estatais

Embora nunca tenha citado textualmente, a empresa que administra o maior porto da América Latina entra no radar, numa retomada do plano que vinha sendo executado na gestão de Jair Bolsonaro.

A privatização da Autoridade Portuária de Santos (APS) deve voltar à pauta caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição. A coordenadora do plano econômico dele, a administradora de empresas Daniela Marques, já anunciou que a ideia é aplicar um tesouraço para cortar R$ 200 bilhões, vender imóveis que pertencem à União e privatizar cerca de 30 estatais – entre elas Banco do Brasil, Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), Banco do Brasil.

Embora nunca tenha citado textualmente, a empresa que administra o maior porto da América Latina entra no radar, numa retomada do plano que vinha sendo executado na gestão de Jair Bolsonaro, quando o ministro da Infraestrutura era Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Controle estatal

A atual gestão federal pensa diferente: manter a empresa sob o controle estatal, com metas de eficiência e regras de compliance. Há a ideia, embora ainda embrionária, de lançar o IPO da APS, ou seja, abrir o capital da empresa com o lançamento de ações na Bolsa de Valores (B3), mas mantendo o controle do governo – como acontece com Petrobras e Banco do Brasil.

Dobrando a aposta

A privatização da APS é um debate complexo e que divide opiniões, inclusive entre o setor empresarial, diante do risco de provocar uma concentração de mercado. Ou seja, o novo governo precisaria colocar muitas fichas para fazer valer a sua aposta.

Dando as cartas

Independentemente do processo avançar, o processo de indicação política para cargos estratégicos da empresa permaneceria no início de um eventual governo Bolsonaro. Neste cenário, a deputada federal Rosana Valle (PL) teria influência no preenchimento destes cargos.

Autor/Fonte: Marco Santana / Diário do Litoral


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CASOS DO CAIS: A FUGA DOS COELHOS


Pouca gente imagina, mas o Porto de Santos é habitado por uma grande diversidade de animais: domésticos, de criação, urbanos e até selvagens.

Por estar situado em uma região de estuário, onde as águas dos rios se encontram com as do mar, o Porto de Santos está inserido em um ambiente que abriga uma rica diversidade de vida animal. Por ali, é possível avistar tartarugas marinhas, arraias, golfinhos e até baleias, entre outras espécies aquáticas.

A fauna silvestre também encontra espaço na região portuária. Capivaras circulam pelas áreas próximas aos canais, enquanto jacarés e ratos-do-banhado encontram abrigo nas margens e áreas alagadas. Assim, mesmo em meio à intensa atividade portuária, esses animais encontram no estuário condições para sobreviver.

Antigamente, as regras e restrições não eram tão rigorosas quanto as atuais, e era comum encontrar funcionários que tinham um cachorro como mascote. Em menor número, também havia gatos e até passarinhos.

Uma das mais curiosas dessa época, era a de um chefe que mandava o guarda levar seu passarinho para passear. Dizia que o animal ficava preso na sala o dia inteiro. E lá ia o guarda, com a gaiola na mão, dar uma volta no quarteirão com o bichinho.

Já os animais considerados pragas urbanas, como ratos e pombos, continuam presentes no porto até hoje, apesar dos programas de controle.

Havia ainda uma categoria de animais que dependia diretamente da iniciativa dos próprios funcionários: os criados no local. Em alguns pontos do porto, existiam pequenas criações de galinhas, patos, porcos e outros animais.

Na área da Presidência, por exemplo, o chefe da manutenção elétrica criava coelhos nos fundos da instalação.

Certo dia, o guarda Bentes, que por ser filho de um lusitano — daqueles que se encaixam no tradicional estereótipo do dono de padaria — muitos chamavam apenas de português, descobriu a criação e arquitetou um plano com seu parceiro Zé Pangaré. Como havia muitos funcionários chamados José, era comum recorrer a apelidos para diferenciá-los. A origem do apelido, porém, nunca descobri.

Sempre que chegavam ao último dia do turno da madrugada, eles aproveitavam a oportunidade para pegar um coelho. Bentes levava o bichinho para casa, onde sua mãe o preparava. Depois, trazia a refeição para o trabalho, para comerem durante o turno das 18h à meia-noite. Na hora do rango, sempre compareciam ao posto o rondante e o inspetor da área.

Depois de algumas noitadas regadas a banquetes à base de carne de coelho, enquanto degustavam mais um guisado, Bentes resolveu perguntar a todos:

— Tá gostoso?

— Quando a gente pegou, parecia ser maior. Depois que cozinhou, diminuiu de tamanho, mas tá muito gostoso. A sua mãe cozinha muito bem.

Para a surpresa de todos, ele abriu a mochila, tirou de dentro a pele de um gato e disse:

— Hoje vocês comeram gato, porque o coelho nós comemos em casa.

Dito isso, saiu correndo do local.

Literalmente, comeram gato por lebre.

Teve gente se engasgando, gente vomitando e todo mundo ficou puto da vida. Como o Bentes gostava de aprontar com os colegas, até hoje ninguém sabe se aquilo foi mais uma de suas pegadinhas ou se ele realmente tinha esfolado um gato para preparar o quitute.

Ele também contava que o pai havia morrido durante o banho, vítima de um cozimento do cérebro. Não se sabe o homem morreu mesmo desse jeito ou se essa era mais uma das suas costumeiras bravatas.

Não demorou muito para os eletricistas perceberem que os coelhos estavam desaparecendo. Desconfiados, iam até o posto da Rua João Guerra e perguntavam:

— Seu guarda, você não viu algum coelho perdido por aí? Acho que eles estão fugindo do nosso viveiro.

Com a maior cara de pau, Bentes respondia:

— Não vi, não. Mas pode deixar: se aparecer algum por aqui, eu prendo e entrego pra vocês.

As artimanhas de Bentes eram tantas que, no fim das contas, até parece que lhe renderam uma promoção. Ele passou a rondante e, tempos depois, foi aprovado no concurso da Polícia Civil e deixou a Guarda Portuária.

Certa vez, quando fui apresentar uma ocorrência no 3º Distrito Policial, lá estava ele, agora como chefe dos investigadores.

E foi aí que eu pensei: quem diria que o homem que fazia os coelhos desaparecerem acabaria trabalhando para investigar desaparecimentos?

Moral da História

Quem conhece bem as artimanhas do ofício pode acabar se tornando especialista em desvendá-las.

Texto: Carlos Carvalhal

Ilustração: Gerada por IA — Inteligência Artificial.


* Esta é uma história memorialista, de ficção, baseada em fatos reais. Os nomes dos envolvidos são fictícios. Dizem que ela é 99% verdadeira — só não é 100% porque quem conta um conto sempre aumenta um ponto.

* Artigo publicado na Revista Literária Barbante - Volume XIV – Nº 191 – Página 10 - 18 de outubro de 2026.

Leia os três últimos casos publicados clicando nas ilustrações abaixo:




Leia todos os casos publicados clicando aqui:


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