Investigação apura envio de cocaína do Porto de Santos
para a Europa em esquema investigado por equipe conjunta de autoridades
brasileiras e francesas
O Ministério Público
Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram, na manhã da última terça-feira
(10), a “Operação Costeau”, que visa investigar crimes de tráfico internacional
de drogas, de lavagem de dinheiro e de organização criminosa a partir do Porto
de Santos (SP).
Na operação, foram
expedidos três mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e
apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos nas cidades de Santos (SP)
e Valinhos (SP). As diligências contaram com a participação de mais de 40
policiais federais.
Um mandado de prisão
temporária foi cumprido, e outros dois suspeitos estão foragidos. A identidade
dele não foi revelada.
Em Valinhos, os
policiais estiveram em uma casa de um condomínio de luxo. No local, foram
apreendidos notebooks, joias, relógios e carros de luxo.
Segundo o delegado
Rodrigo Perin Nardi, da PF de Santos, um dos envolvidos já possui passagem e
foi indiciado em outro inquérito da corporação, mas não chegou a ser preso.
Dois veículos, celulares e computadores dos envolvidos serão periciados para
identificar outros criminosos.
Equipe Conjunta de Investigação - ECI
A operação é
resultado das apurações conduzidas pela equipe conjunta de investigação (ECI)
formada por integrantes do MPF brasileiro e da Jurisdição Inter-regional
Especializada da cidade de Rennes, na França, que é composta por representantes
do Ministério Público e do Judiciário. Também participam da ECI policiais federais
brasileiros e franceses.
As equipes conjuntas
permitem a atuação coordenada das autoridades dos dois países na apuração de
crimes de caráter transnacional. A ECI formada entre Brasil e França também
conta com a participação da Agência da União Europeia para a Cooperação
Judiciária Penal (Eurojust).
Investigação teve início com a apreensão de cocaína na França
A investigação teve
início quando, em 26 de maio de 2022, autoridades francesas apreenderam no
Porto de Le Havre, 124 kg de cocaína ocultos no “caixa-mar” (seachest), compartimento
submerso do navio Great Sea. A embarcação havia passado, anteriormente, pelo
Porto de Santos/SP, apontado como o provável local de inserção da droga.
A droga foi
localizada por mergulhadores da guarda costeira francesa e estava acondicionada
em embalagens equipadas com dispositivos eletrônicos de rastreamento, indicando
possível monitoramento da carga ao longo do trajeto marítimo.
De acordo com os
elementos colhidos na investigação, há indícios de que a droga tenha sido
colocada na embarcação ainda em território brasileiro para ser entregue à integrantes
da organização criminosa no exterior. O carregamento apreendido na França pode
estar relacionado a um esquema mais amplo de remessa de drogas do Brasil para a
Europa por meio de rotas marítimas internacionais.
Durante as
diligências conduzidas na França, foram identificados possíveis envolvidos na
logística criminosa, incluindo indivíduos brasileiros. Conforme os documentos
compartilhados, os fatos investigados tiveram origem em território nacional.
Com o apoio da
cooperação jurídica internacional, as autoridades brasileiras receberam um
dossiê com elementos crucial para a investigação, denominado "Dossiê
Origami", que apontava o Brasil como ponto de origem da droga e detalhava
a logística criminosa que envolvia a inserção da substância no navio ainda em
solo brasileiro. A partir dessas informações, a PF instaurou, em 2025, um
inquérito policial para apurar o tráfico internacional de drogas.
"A partir
dessas investigações, verificaram que eles [grupos] eram reunidos aqui na
Baixada de Santista [...] Por intermédio de mergulhadores, que eles contaminam
o casco do navio para encaminhar a droga para a Europa e outros países",
disse o Rodrigo Perin Nardi, chefe da delegacia da Polícia Federal de Santos.
Alvos da operação
Os alvos desta fase
da “Operação Costeau” são investigados como possíveis integrantes de uma
organização criminosa (ORCRIM) brasileira voltada ao tráfico internacional de
drogas. Prisões realizadas na França, no âmbito das investigações relacionadas
ao recebimento da droga em território europeu, contribuíram para o avanço das apurações
conduzidas no Brasil.
Os investigados
seriam responsáveis por diferentes etapas da logística do esquema, desde a
inserção da droga nas embarcações que partem do Porto de Santos, até a
movimentação patrimonial e a ocultação de bens provenientes da atividade
criminosa.
As investigações
também apontam possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro, incluindo a
utilização de veículos e outros bens registrados em nome de terceiros. Há ainda
indícios de utilização de estruturas empresariais e logísticas para viabilizar
o transporte e a ocultação de recursos relacionados às atividades ilícitas
investigadas.
Materiais apreendidos
Os materiais apreendidos
na operação serão analisados pela PF e pelo MPF para aprofundamento das
apurações, identificação de outros integrantes do grupo e eventual
responsabilização penal dos envolvidos. Também poderão subsidiar novas medidas
investigatórias conduzidas pela equipe conjunta.
Nome da Operação
A ação foi batizada
de Operação Cousteau, em referência a Jacques-Yves Cousteau, um renomado
pesquisador francês que dedicou sua vida explorando a vida marinha.
“Simbolizando a
atuação conjunta entre autoridades brasileiras e francesas para elucidar as
atividades ilícitas”, disse a PF.
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