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quinta-feira, 12 de março de 2026

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MPF E POLÍCIA FEDERAL CUMPREM PRISÕES EM INVESTIGAÇÃO DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS


Investigação apura envio de cocaína do Porto de Santos para a Europa em esquema investigado por equipe conjunta de autoridades brasileiras e francesas

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram, na manhã da última terça-feira (10), a “Operação Costeau”, que visa investigar crimes de tráfico internacional de drogas, de lavagem de dinheiro e de organização criminosa a partir do Porto de Santos (SP).

Na operação, foram expedidos três mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos nas cidades de Santos (SP) e Valinhos (SP). As diligências contaram com a participação de mais de 40 policiais federais.

Um mandado de prisão temporária foi cumprido, e outros dois suspeitos estão foragidos. A identidade dele não foi revelada.

Em Valinhos, os policiais estiveram em uma casa de um condomínio de luxo. No local, foram apreendidos notebooks, joias, relógios e carros de luxo.

Segundo o delegado Rodrigo Perin Nardi, da PF de Santos, um dos envolvidos já possui passagem e foi indiciado em outro inquérito da corporação, mas não chegou a ser preso. Dois veículos, celulares e computadores dos envolvidos serão periciados para identificar outros criminosos.

Equipe Conjunta de Investigação - ECI

A operação é resultado das apurações conduzidas pela equipe conjunta de investigação (ECI) formada por integrantes do MPF brasileiro e da Jurisdição Inter-regional Especializada da cidade de Rennes, na França, que é composta por representantes do Ministério Público e do Judiciário. Também participam da ECI policiais federais brasileiros e franceses.

As equipes conjuntas permitem a atuação coordenada das autoridades dos dois países na apuração de crimes de caráter transnacional. A ECI formada entre Brasil e França também conta com a participação da Agência da União Europeia para a Cooperação Judiciária Penal (Eurojust).

Investigação teve início com a apreensão de cocaína na França

A investigação teve início quando, em 26 de maio de 2022, autoridades francesas apreenderam no Porto de Le Havre, 124 kg de cocaína ocultos no “caixa-mar” (seachest), compartimento submerso do navio Great Sea. A embarcação havia passado, anteriormente, pelo Porto de Santos/SP, apontado como o provável local de inserção da droga.

A droga foi localizada por mergulhadores da guarda costeira francesa e estava acondicionada em embalagens equipadas com dispositivos eletrônicos de rastreamento, indicando possível monitoramento da carga ao longo do trajeto marítimo.

De acordo com os elementos colhidos na investigação, há indícios de que a droga tenha sido colocada na embarcação ainda em território brasileiro para ser entregue à integrantes da organização criminosa no exterior. O carregamento apreendido na França pode estar relacionado a um esquema mais amplo de remessa de drogas do Brasil para a Europa por meio de rotas marítimas internacionais.

Durante as diligências conduzidas na França, foram identificados possíveis envolvidos na logística criminosa, incluindo indivíduos brasileiros. Conforme os documentos compartilhados, os fatos investigados tiveram origem em território nacional.

Com o apoio da cooperação jurídica internacional, as autoridades brasileiras receberam um dossiê com elementos crucial para a investigação, denominado "Dossiê Origami", que apontava o Brasil como ponto de origem da droga e detalhava a logística criminosa que envolvia a inserção da substância no navio ainda em solo brasileiro. A partir dessas informações, a PF instaurou, em 2025, um inquérito policial para apurar o tráfico internacional de drogas.

"A partir dessas investigações, verificaram que eles [grupos] eram reunidos aqui na Baixada de Santista [...] Por intermédio de mergulhadores, que eles contaminam o casco do navio para encaminhar a droga para a Europa e outros países", disse o Rodrigo Perin Nardi, chefe da delegacia da Polícia Federal de Santos.

Alvos da operação

Os alvos desta fase da “Operação Costeau” são investigados como possíveis integrantes de uma organização criminosa (ORCRIM) brasileira voltada ao tráfico internacional de drogas. Prisões realizadas na França, no âmbito das investigações relacionadas ao recebimento da droga em território europeu, contribuíram para o avanço das apurações conduzidas no Brasil.

Os investigados seriam responsáveis por diferentes etapas da logística do esquema, desde a inserção da droga nas embarcações que partem do Porto de Santos, até a movimentação patrimonial e a ocultação de bens provenientes da atividade criminosa.

As investigações também apontam possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro, incluindo a utilização de veículos e outros bens registrados em nome de terceiros. Há ainda indícios de utilização de estruturas empresariais e logísticas para viabilizar o transporte e a ocultação de recursos relacionados às atividades ilícitas investigadas.

Materiais apreendidos

Os materiais apreendidos na operação serão analisados pela PF e pelo MPF para aprofundamento das apurações, identificação de outros integrantes do grupo e eventual responsabilização penal dos envolvidos. Também poderão subsidiar novas medidas investigatórias conduzidas pela equipe conjunta.

Nome da Operação

A ação foi batizada de Operação Cousteau, em referência a Jacques-Yves Cousteau, um renomado pesquisador francês que dedicou sua vida explorando a vida marinha.

“Simbolizando a atuação conjunta entre autoridades brasileiras e francesas para elucidar as atividades ilícitas”, disse a PF.


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