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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

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TRAFICANTE INTERNACIONAL QUE AGIA NO PORTO DE SANTOS É PRESO EM GUARUJÁ


Goiano foi conduzido à 6ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), do Denarc (Foto :Reprodução Uol)

Na última quinta-feira (17), por volta das 15, policiais civis do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), prenderam no Guarujá, litoral de São Paulo, um homem procurado pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), por tráfico internacional de drogas.
Considerado um dos maiores traficantes do mundo na atualidade, Mario Sérgio Machado Nunes, o Goiano, de 59 anos, líder de uma quadrilha internacional de drogas há mais de 30 anos, foi preso em um imóvel de luxo no Morro do Sorocotuba, em Guarujá.
Morador de um flat em Moema, bairro nobre da Zona Sul da Capital, Goiano alugou um apartamento em Guarujá há três meses, onde costumava passar os fins de semana.
Apesar de possuírem um mandado de prisão por tráfico de entorpecentes, os policiais prenderam Goiano em flagrante por posse ilegal de arma e falsidade ideológica. No imóvel em que ele foi localizado os agentes encontraram quatro munições de calibre 380, documentos falsos e lacres de contêiner.
Investigação          
Policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) investigavam os responsáveis pela distribuição de drogas em Moema, na zona sul da Capital. Com base nas apurações e denúncias, os agentes descobriram que Nunes como um dos traficantes da região.
Os investigadores ficaram sabendo ainda que ele estava relacionado como um dos envolvidos na “Operação Águas Profundas”, realizada em 2012, pela Polícia Federal.
Os integrantes da 6º Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (6º Dise) encontraram dois imóveis pertencentes ao procurado: um apartamento na Avenida Ibijaú, no mesmo bairro, e uma casa em um condomínio de luxo na Estrada do Pernambuco, no Guarujá, Baixada Santista – onde Nunes estaria escondido.
No litoral, os policiais fizeram diligências até abordarem o indiciado. Inicialmente, Goiano se apresentou com documentos falsos, porém confessou ser o procurado.
Também foram apreendidos dois carros, sendo um I/VW Passat branco, com placas de Sorocaba, e um I/VW Tiguan da mesma cor, emplacado em Votorantim. No apartamento na Capital, nada de ilícito foi encontrado.
Os agentes verificaram que havia um mandado de prisão preventiva contra Goiano, expedido pela 5º Vara da Justiça Federal do Estado de Goiás. Ele também era procurado pela Interpol como um dos maiores traficantes em atividade no país.
Segundo a Polícia Civil, ele manteve negócios com o narcotraficante colombiano Pablo Escobar, morto na década de 1990, um dos maiores narcotraficantes da historia e chefe do Cartel de Medellín, morto em 1993.
Cirurgia Plástica
O suspeito antes e depois de realizar cirurgias plásticas para não ser identificado (Foto: Reprodução / SSP-SP) 

Para conseguir despistar os policiais, Goiano fez duas cirurgias plásticas nos últimos anos. Com a fisionomia bastante modificada pelas cirurgias e usando uma peruca, ele chegou a negar para os policiais ser “Goiano”. Entretanto, sem conseguir sustentar tal versão, ele confessou ser de fato o foragido internacional.
Submarino
Tendo contato com traficantes famosos do mundo todo, Goiano tinha planos audaciosos, como a aquisição de uma embarcação com capacidade para cinco toneladas de cocaína.
Ele financiou a construção de um submarino para mandar entorpecentes para a Europa. Conforme a investigação, a quadrilha fechou uma mineradora na África para a construção da embarcação no local, que foi analisado por engenheiros colombianos. A droga sairia da Venezuela para o Suriname, onde seria acondicionada em pequenas embarcações. Em alto mar, a droga seria transferida para o submarino com destino ao continente africano, de onde seguiria em navios ou pequenas embarcações para a Europa.
O delegado Alberto Matheus disse que o traficante atuava como avalista da cocaína que era enviada para países africanos, principalmente África do Sul. Segundo ele, Goiano garantia o embarque da droga em contêineres. "Ele não colocava a mão na droga, mas comandava toda a parte administrativa do tráfico. Se o comprador não tivesse o dinheiro suficiente, ele pagava e recebia depois", disse.
O acusado seria credor do chefe da quadrilha Los Urabeños, o mexicano Henry de Jesús Lopez Londoño, conhecido como Ninja, e considerado o maior fornecedor de cocaína do cartel Los Zetas, que atua no México e é ligado a grupos colombianos. Ele foi preso em outubro de 2012, em Buenos Aires, na Argentina.
A PF diz que o bando tinha tentáculos em todos os continentes. Goiano, ainda segundo as investigações, financiou a construção de um submarino, na África do Sul, que seria usado exclusivamente para o tráfico de drogas. O projeto não deu certo, mas ele investiu pelo menos R$ 80 milhões (US$ 20 milhões). Ninja contribuiu com R$ 20 milhões (US$ 5 milhões). A quadrilha também pretendia comprar um avião da Boeing para transportar drogas.
A polícia apurou que seu grupo tinha os mesmos princípios de uma organização empresarial. Eram utilizados diversos mecanismos contábeis, comerciais e cambiais para obter o maior lucro possível e a redução constante de custos.
“O mexicano El Chapo (Joaquín Guzmán, que recentemente fugiu de uma cadeia no México), estava envolvido no plano e por algum desentendimento ficou devendo dinheiro para Goiano”, conta o delegado Carlos Batista.
Porto de Santos
De acordo com investigações das polícias Civil e Federal, Goiano utilizava contêineres no Porto de Santos para o embarque de drogas para vários  pelo menos 27 países da América, África, Europa, tais como Estados Unidos, China, Holanda, Espanha, Emirados Árabes, Angola e Itália.
Nos últimos meses a Polícia Federal fez pelo menos três grandes apreensões de drogas no Porto de Santos. A PF investiga a relação dos entorpecentes apreendidos, a maioria cocaína, com o esquema liderado por Goiano.
CPI                                               
Nos anos 2000 uma CPI do Narcotráfico criada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo para apurar a morte do então investigador do Denarc, Luciano Sturba, ouviu depoimentos de advogados que trabalharam com o traficante brasileiro quando ele foi preso na Ilha de Cabo Verde, na África, com um carregamento de 70 quilos de cocaína. Goiano conseguiu fugir da penitenciária africana e retornou ao Brasil. Os dois advogados disseram não saber do paradeiro do ex-cliente.
Operação Águas Profundas
O nome de Mario Sergio Machado Nunes consta na lista da Interpol (Foto: Reprodução / Interpol)

Em 2012, a Polícia Federal deflagrou a Operação Águas Profundas e prendeu seis acusados de integrar a quadrilha, mas Goiano conseguiu escapar dos agentes federais.
A Justiça Federal bloqueou vários bens da quadrilha no País. Está incluído no bloqueio, o sequestro de 46 imóveis, sendo um hotel, nove fazendas, uma chácara, seis casas, 26 lotes, quatro apartamentos na praia, cinco apartamentos e um boxe de garagem, avaliados em aproximadamente R$ 100 milhões, além de dezenas de veículos e dinheiro em contas bancárias.
Conforme as apurações, o grupo liderado pelo acusado tinha base em Goiás e distribuía drogas por mais de 30 países, em pelo menos três continentes.
Segundo as investigações do Denarc (Departamento de Narcóticos), Goiano estava no Brasil desde o ano passado. Ele fugiu de uma prisão, em Cabo Verde, na África, em 2013, quando passou a fazer parte da lista de procurados da Interpol.

Após a detenção, os policiais o conduziram à sede da 6ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), do Denarc, e o apresentaram ao delegado Carlos Battista. Em seguida, Goiano foi recolhido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros. Porém, a sua transferência para outra unidade deve ser requerida pela Interpol. 

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