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PF FLAGRA PORTUÁRIOS COM PACOTES DE COCAÍNA NO CORPO PARA EMBARQUE EM NAVIO

Trabalhadores do Porto de Santos tentaram levar carregamento até navio atracado no cais, que foi cercado pela Guarda Portuária. Tablete...

domingo, 28 de fevereiro de 2016

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HÁ 25 ANOS, PORTUÁRIOS PARARAM A CIDADE DE SANTOS




O dia 28 de fevereiro foi eternizado por lei municipal como Dia da Resistência Portuária.
Fevereiro de 1991. Uma data que marcou a vida de milhares de portuários, suas famílias e toda uma cidade. Há 25 anos, os trabalhadores do Porto de Santos mostraram a força da união e o poder de mobilização. Pararam o cais, acamparam dentro da Codesp, bloquearam a entrada da cidade, tomaram a Praça Mauá, lotaram a Avenida Rodrigues Alves, rezaram na Igreja Nossa Senhora da Aparecida, fizeram passeatas e promoveram caravana até Brasília.

A frente do prédio da Codesp foi tomada por cerca de dez mil portuários
Nosso país era comandado por Fernando Collor de Melo. Embora tido como um milagre para o Brasil, logo mostrou suas garras. Lançou o plano Collor 1 e menos de um depois o Collor 2, que continha em seu texto a Medida Provisória 295, que limitava os reajustes salariais.

Manifestação na frente da Prefeitura Municipal
A Codesp era comandada por Paulo Peltier de Queiroz Júnior. E as perdas salariais dos portuários ultrapassavam os 150%. Em meio a esse cenário, a Companhia Docas fechou a porta da negociação com a categoria. E os trabalhadores não tiveram outra alternativa a não ser a de deflagrar greve geral.
Porém, no dia 18 de fevereiro o Tribunal Regional do Trabalho, de São Paulo, julgou a paralisação abusiva e determinou que o reajuste da categoria não passasse de 33%. O índice salarial foi negado pelos portuários em assembleia, que decretou a continuidade do movimento grevista.

O movimento unificou todos os sindicatos
A partir daí, o que se viu foi o desrespeito e a covardia com os trabalhadores portuários. Durante todo o dia 20 de fevereiro, companheiros das mais diversas funções foram surpreendidos com um telegrama em casa.
No total, 5.372 portuários foram demitidos. No texto, o trabalhador era informado de que não havia cumprido uma decisão judicial e por isso a Codesp estava rescindindo seu contrato de trabalho por justa causa. Ele deveria dirigir-se até a Administração do Pessoal da empresa para a baixa na carteira de trabalho.

O movimento teve a participação de todos
Luiz Otávio de Carvalho guarda até hoje o telegrama. Na época, atuava como trabalhador de serviços gerais e recebeu o aviso das mãos de sua mãe. “Cheguei em casa e minha mãe me entregou o telegrama. Quando abri, li, não falei nada, sai de casa e fui para o sindicato”.
Assim como Luiz Otávio, que hoje trabalha no setor financeiro da Codesp, outros portuários não acreditavam no que estavam lendo. O vice-presidente do SINDAPORT, João de Andrade Marques, trabalhava como eletricista, e era casado e também guarda na memória aquele fatídico dia. “Foi desesperador. Muitos companheiros recebiam o telegrama e sequer falavam para a família. Imagina perder o emprego de uma hora pra outra”, indaga.

As esposas dos portuários foram às ruas
Uma comoção tomou conta da cidade. Muitas esposas foram para a rua, tomaram a Praça Mauá ao lado dos maridos e outras fizeram vigília na Igreja Nossa Senhora da Aparecida. Portuários que estavam de férias ou afastados por motivo de doença também foram às ruas e juntaram-se aos que tinham recebido o maldito telegrama.
Diante do caos econômico projetado para a cidade e da mobilização dos portuários, a então prefeita Telma de Souza abriu a sede da administração municipal aos trabalhadores para que as negociações com o Governo fossem centralizadas de lá. Uma caravana até Brasília com políticos e lideranças sindicais foi realizada visando sensibilizar o então ministro de Infraestrutura, Ozires Silva, e o ministro da Justiça, Jarbas Passarinho. A comitiva passou dois dias na sede federal.

O movimento envolveu toda a cidade
No dia 28 de fevereiro, a cidade parou. O comércio não abriu, ônibus eram parados no bairro do Saboó, onde grande parte da categoria morava nos prédios do Conjunto Habitacional Athiê Jorge Cury. Toda a cidade ficou unida em prol dos portuários e da reversão das demissões. A então prefeita Telma de Souza decretou calamidade pública.
A notícia da luta santista já tinha se espalhado por todo o país e estava estampada em todos os jornais. O Governo não teve outra alternativa e recuou. Um telefonema do ministro da Justiça Jarbas Passarinho para a prefeita Telma de Souza pôs fim às demissões.

A Guarda Portuária permaneceu nos posto para evitar a sua ocupação pelos fuzileiros navais
Às 13 horas do dia 1° de março de 1991 todos os portuários voltaram a seus postos na Codesp.
O dia 28 de fevereiro foi eternizado por lei municipal como Dia da Resistência Portuária. O dia que os portuários e toda a comunidade santista pararam a cidade em prol do emprego, de uma vida digna e do respeito ao trabalhador.

Os trabalhadores portuários foram saudados na volta ao trabalho
Será realizada missa na Paróquia São Tiago, nesse domingo, às 10h, localizada a Rua Itanhaém nº 274, Chico de Paula, Santos (Rua do Colégio Bartolomeu de Gusmão).

Reportagem da TV Tribuna 

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Um comentário:

  1. A ALEGRIA ESTÁ NA LUTA, NA TENTATIVA, NO SOFRIMENTO ENVOLVIDO E NÃO NA VITÓRIA PROPRIAMENTE DITA. ( GHANDI)

    UM MARCO NA HISTÓRIA DOS PORTUÁRIOS DE LUTA DESSE PAÍS

    SALVE O DIA 28 DE FEVEREIRO

    CILENO BORGES

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