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quarta-feira, 26 de julho de 2017

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MAIOR TRAFICANTE DA AMÉRICA LATINA USOU PORTOS CATARINENSES PARA ENVIAR COCAÍNA À EUROPA, DIZ POLÍCIA




Com certeza a quantidade de drogas exportada é maior que as apreensões. Pelo menos 50 vezes mais – afirma delegado

A prisão do maior traficante da América Latina, Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, no dia 1º de julho, levou a Polícia Federal a descobrir um esquema de exportação de drogas para os Estados Unidos e países da Europa e da África que teria como principais eixos o Porto de Santos e o Complexo Portuário do Itajaí, que integra os terminais de Itajaí e Navegantes. Para a polícia, o traficante era responsável por exportar pelo menos cinco toneladas mensais de cocaína com alto grau de pureza e, no mercado nacional, por abastecer facções criminosas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O delegado Elvis Secco, da Polícia Federal de Londrina (PR), comandou a operação que levou à prisão do traficante na cidade de Sorriso, no Mato Grosso. Suas equipes encontraram, em meio aos documentos apreendidos, anotações com nomes de portos e de navios que fazem linha entre os terminais brasileiros e portos na Europa e nos Estados Unidos - suspeitas reforçadas pelo fato de que tanto o Porto de Santos, quanto o Complexo Portuário do Itajaí, têm registrado número recorde de apreensões de cocaína.
Só na Portonave, em Navegantes, foram mais de 3 toneladas da droga apreendidas no ano passado pela Receita Federal. As anotações, no entanto, levam o delegado a acreditar que o volume de entorpecentes que passou pelos portos sem ser interceptado é muito maior.
– Com certeza a quantidade de drogas exportada é maior que as apreensões. Pelo menos 50 vezes mais – afirma.
No Complexo Portuário de Itajaí, isso somaria 150 toneladas da droga somente nos últimos 18 meses.
Os detalhes das investigações sobre o esquema do traficante Cabeça Branca ainda são sigilosos, mas a polícia já levantou de pelo menos dois tipos de cargas utilizados por ele para o envio de drogas para o exterior: pallets de madeira e blocos de pedra. O modus operandi coincide com um carregamento com 811 quilos de cocaína apreendido em maio do ano passado na Portonave, em Navegantes, pela Receita Federal, que pode ter pertencido ao grupo. A droga estava escondida em blocos de granito, que seriam exportados para a Espanha.
O delegado Elvis Secco já entrou em contato com as polícias de países que eram destino frequente dos carregamentos de Cabeça Branca como Bélgica, Espanha e Itália, e conta com a troca de informações para esclarecer qual era o caminho da droga. Também pediu apoio à Delegacia da Polícia Federal de Itajaí nas investigações. Quer saber, por exemplo, se houve facilitação no envio da cocaína para o exterior.
Até a manhã do dia 17 o pedido de apoio ainda não havia chegado a Itajaí. Segundo o delegado Thiago Giavarotti, a demora é comum quando há segredo de Justiça, já que os pedidos demandam autorização judicial para compartilhamento de informações.
Na Delegacia de Itajaí, os inquéritos que investigam os carregamentos de drogas interceptados desde o ano passado no Complexo Portuário, todos na Portonave, em Navegantes, seguem em andamento. A PF tem coletado depoimentos de toda a cadeia logística, desde os exportadores até os motoristas que fizeram o transporte da carga, para localizar os donos da droga.
Do ano passado para cá houve sete apreensões de cocaína em portos catarinenses, entre Itapoá e Navegantes. Juntas, elas somam mais de 4 toneladas de cocaína.
Só 5% das cargas passam por verificação física
A fiscalização das cargas nos portos brasileiros é feita através de canais de verificação, um modelo similar ao que existe em outros portos no mundo. Os contêineres já chegam aos terminais lacrados e passam por uma seleção, automática ou manual, que determina se terão que ser submetidos a verificação física ou por scanner.
São três canais de verificação: verde, em que a mercadoria passa sem interceptação; laranja, quando é feita conferência de documentos; e vermelha, quando o contêiner é escaneado e pode ser aberto se houver suspeita de irregularidade.
Com exceção de alguns portos brasileiros que têm 100% das cargas verificadas - geralmente por ordem judicial, em média 5% dos contêineres que passam pelos portos no Brasil caem nos canais laranja ou vermelho, de verificação. Segundo informado pela Receita, a média segue padrões internacionais.
O aumento no percentual de cargas verificadas é um assunto considerado quase um tabu, especialmente porque implicaria em atraso nas liberações - o que atrapalharia o comércio exterior brasileiro e poderia ter impacto econômico.
O escaneamento de 100% das cargas não é considerado uma prática totalmente eficaz, porque o contêiner tem condições de ser "contaminado" em vários momentos - diz o auditor fiscal Luiz Gustavo Robetti, que usa o termo "contaminado" para se referir à inclusão da droga em meio à carga.
Segundo ele, a análise de risco é um método seguro porque permite selecionar as cargas que passarão pela verificação com um índice de certeza maior. A Receita Federal tem apostado no aperfeiçoamento das técnicas de análise.
Procuramos melhorar a seleção de cargas pra aumentar a eficácia. Temos uma diretriz clara pra que se faça um trabalho de inteligência afirma o auditor.
Apreensões nos portos em Santa Catarina:
2016
8 de novembro
900 quilos de cocaína foram encontrados em meio a uma carga de madeiras na Portonave, em Navegantes. O destino era a Bélgica.
17 de outubro
1096 quilos de cocaína encontrados em meio a um carregamento de abacaxis em calda, que seria enviado de Navegantes para a Espanha.
11 de outubro
40 quilos de cocaína importada da China são interceptados no Porto de Paranaguá. A droga estava oculta num fundo falso do contêiner.
10 de outubro
300 quilos de cocaína são encontrados pela Receita Federal em Navegantes, em meio a bobinas de aço que seriam exportadas para o Porto de Livorno, na Itália.
6 de maio
811 quilos de cocaína são localizados escondidos em blocos de granito, que seriam levados de Navegantes para a Espanha.
A rede criminosa do tráfico em SC
A informação dada pelo jornal O Globo de que o megatraficante Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, costumava enviar cocaína para o exterior usando portos brasileiros, entre eles o de Itajaí, revela o quanto se acentuou no Estado o tráfico internacional de drogas.
O nome dele aparecia como espécie de fantasma no tráfico catarinense. Ao contrário, por exemplo, de Jarvis Chimenes Pavão, preso no Paraguai e comumente tido no meio policial como o grande barão das drogas que entram em Santa Catarina.
Sejam traficantes ao estilo "patrões" ou pequenas mulas (transportadores da droga), todos correm atrás do lucro astronômico da venda da cocaína em países da Europa e da Oceania. Ele chegaria a até 1000% em comparação com a comercialização no mercado consumidor interno.
Para se ter uma ideia, nos últimos 90 dias, a Polícia Federal em Florianópolis prendeu sete pessoas que tentavam embarcar levando malas recheadas de cocaína para a Austrália. A investigação está sendo concluída, mas já chama a atenção dos federais o grau de envolvimento de catarinenses com o esquema internacional.
Os traficantes do porte de Cabeça Branca atuam com uma rede do tráfico, que é segmentada, ou seja, envolve inúmeros outros criminosos locais. Aí entram corrupção, compra de laranjas, ordens de execução e uma guerra temerosa entre facções na fronteira do Brasil e o Paraguai que dimensionam o tamanho do problema.
Desde o ano passado, as apreensões recordes de cocaína em portos do Estado careciam de respostas, o que a Polícia Federal começa agora a descortinar diante das revelações do esquema montado por Cabeça Branca.

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