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PF FLAGRA PORTUÁRIOS COM PACOTES DE COCAÍNA NO CORPO PARA EMBARQUE EM NAVIO

Trabalhadores do Porto de Santos tentaram levar carregamento até navio atracado no cais, que foi cercado pela Guarda Portuária. Tablete...

segunda-feira, 16 de julho de 2018

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OPERAÇÃO DA POLICIA FEDERAL DESMANTELA QUADRILHA DE TRÁFICO TRANSNACIONAL DE DROGAS




Entre os alvos estão despachantes aduaneiros, funcionários de terminais portuários, motoristas e agentes marítimos

Na última segunda-feira (09), a Polícia Federal deflagrou a “Operação Antigoon”, que visou desarticular uma quadrilha especializada em tráfico transnacional de drogas que utilizava do modal marítimo para cometer o crime. Aproximadamente 100 policiais federais cumpriram 21 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão preventiva nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.
Entre os presos está um casal que morava em condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. Segundo a polícia, ele trabalha no setor financeiro, enquanto ela trabalha com comércio no exterior. Ambos usavam seus conhecimentos para mandar drogas para fora do país.
Os criminosos tinham um mapa dos contêineres e sabiam onde ficava cada um deles no navio. Entre os alvos estão despachantes aduaneiros, funcionários de terminais portuários, motoristas e agentes marítimos. Um policial militar também é suspeito de participar da quadrilha fazendo a escolta da carga. Um caminhão também foi apreendido. Ações foram controladas para rastrear todo o trajeto que a droga fazia até chegar ao destino final.

Espírito Santo
Segundo o auditor fiscal e delegado adjunto da Alfândega no Espírito Santo, Jaques Mauro de Moraes, um dos acusados era auxiliar de despachante aduaneiro e já estava preso desde abril. O outro era um homem acusado de atuar dando apoio logístico ao tráfico. Ele foi levado para a sede a Polícia Federal, em Vila Velha, e negou qualquer envolvimento da quadrilha.
Investigações
As investigações da PF, que duraram aproximadamente um ano e contaram com o apoio da Receita Federal, apontam que a quadrilha agia enviando drogas para a Europa através de contêineres que eram transportados em navios de carga.
No decorrer da investigação, cerca de 4 toneladas de cocaína foram apreendidas em portos do Brasil (Rio de Janeiro/RJ, Vitória/ES, Santos/SP, Salvador/BA e Suape/PE); sendo possível a identificação também do destino da droga e a desarticulação do braço da quadrilha no exterior.
Também foram realizadas apreensões nos portos de Antuérpia, na Bélgica; Gioia Tauro, na Itália e Valência, na Espanha, utilizando-se dos institutos de cooperação policial internacional para a difusão do conhecimento aos demais países. Tal cooperação deu-se através das Adidâncias Policiais da PF no exterior, bem como através dos representantes das polícias estrangeiras que atuam no Brasil.
Ação especializada
Cartéis controladores da produção de cocaína fornecem a droga, que é enviada para organizações criminosas radicadas na Europa, Ásia e África, como as máfias italiana, russa e albanesa.
Investigadores descobriram que a quadrilha não só tinha contato internacional, como também adquiriu ampla experiência de importação e exportação. Havia logística própria e conhecimento fiscal e financeiro para operar através de empresas brasileiras e de fora do país.
A quadrilha usava cargas pouco visadas, como de material de construção, e colocava a droga entre o produto que seria exportado. Os lacres eram trocados e o dono do material nem ficava sabendo do esquema. No porto de destino, o contêiner era arrombado e o entorpecente retirado, sendo colocado um novo lacre, falso. Segundo as investigações, o pagamento era feito em dinheiro e também em moeda virtual (bitcoin) no exterior.

"Essa é a maior operação realizada de combate ao tráfico internacional no Rio de Janeiro, onde foram batidos recordes de apreensão de cocaína nessa modalidade de tráfico, que é o modal marítimo. Isso é importante frisar porque esse tipo de modal utilizado por essas quadrilhas é o que tem viabilizado os maiores apreensões de drogas. Esse braço da quadrilha se utiliza dessa ferramenta, o uso contêineres, que é a maior via de envio de drogas para o exterior", disse Carlos Eduardo Thomé, da Delegacia de Repressão a Entorpecente (DRE), da Polícia Federal.
Como forma de despistar as autoridades, a quadrilha que remetia cocaína para a Europa em contêineres negociava em criptomoedas. "principalmente bitcoins", explicou Thomé. "Eles usam essa moeda para receber valores lá fora. É uma forma de burlar o controle da movimentação financeira", disse.
O Bitcoin é a mais famosa das "moedas virtuais", que não são reguladas por bancos centrais nem existem fisicamente - não há cédulas circulando, por exemplo.
Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por tráfico transnacional de drogas e associação para o tráfico, cujas penas podem chegar a 25 anos de reclusão.
Antigoon é uma referência a uma lenda sobre a origem do nome da cidade de Antuérpia, principal destino da droga na Europa. Segundo a lenda, um gigante chamado Antigoon cobrava valores de quem atravessasse o rio Escalda e cortava uma das mãos daqueles que se recusassem a pagar. Antigoon foi morto por um jovem chamado Brabo, que cortou a mão do próprio gigante e atirou-a ao rio. Daí o nome Antwerpen; do holandês hand (mão) e wearpan (arremessar).


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