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LEGISLAÇÕES

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

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NATAL EXPORTOU 4,3 TONELADAS DE COCAÍNA PARA A HOLANDA NOS ÚLTIMOS 4 MESES



A Receita Federal e a Polícia Federal investigam a atuação de grupos de tráfico internacional de drogas no Rio Grande do Norte

A polícia holandesa apreendeu 4,3 toneladas de cocaína exportada pelo Porto de Natal em quatro meses, entre novembro do ano passado e fevereiro deste ano. A informação foi confirmada pela Receita Federal, que investiga com a Polícia Federal a atuação de grupos de tráfico internacional de drogas no Rio Grande do Norte e apreendeu 3,2 toneladas de cocaína no porto nesta semana. Ao todo, a quantidade de cocaína apreendida que seria movimentada pelo Porto de Natal à Europa é de 7,5 toneladas. Existem registros de que a capital é uma rota de tráfico internacional desde 2017.
Semelhante a apreendida no Porto de Natal, na última semana, a cocaína encontrada na Holanda nos últimos quatro meses estava dentro de contêineres, camuflada entre caixas de frutas. A semelhança é considerada pelas investigações como indício de que o grupo de traficantes é o mesmo  que está ligado às 3,2 toneladas encontradas no Porto de Natal na última terça e quarta-feira. A movimentação financeira somada das duas transações chega a R 974 milhões, segundo estimativa da reportagem feita com base no relatório "A nova geração de narcotraficantes colombianos pós-FARC: Os Invisíveis", do centro de pesquisa sobre o crime Insight Crime.
Para se ter uma ideia do volume da apreensão em Natal, o Porto de Santos, o maior do país e um dos principais centros de distribuição de drogas para o tráfego internacional, teve no ano passado cerca de 18 toneladas apreendidas. O Porto de Natal, que não está entre os 10 maiores do país, movimentou quase metade desse volume em apenas quatro meses.
A primeira grande apreensão em território holandês foi feita em 16 de novembro do ano passado, no Porto de Roterdã, com 2,5 toneladas encontradas entre caixas de melão. Um motorista holandês chegou a ser preso por envolvimento com a droga. A outra ocorreu na última quinta-feira (14), de 1,5 toneladas de droga escondidas entre mangas, também com uma prisão. Segundo o jornal holandês RTL Niews, o preso é um funcionário da alfândega holandesa.
As primeiras informações concretas de que o Porto de Natal estaria sendo utilizado como rota é de aproximadamente seis meses, período que coincide com a primeira apreensão em território holandês – divulgada somente um mês depois nos jornais do país. Fontes ligadas às investigações brasileiras afirmam que a droga vem sendo monitorada desde então. Até o início de janeiro, foram rastreadas duas cargas para sair de Natal com destino a Europa.
A estratégia foi deixar o primeiro carregamento sair do Brasil. A polícia holandesa foi acionada e interceptou a carga, sendo a apreensão ocorrida na última quinta-feira. A segunda carga foi de 3,2 toneladas apreendidas pela Receita Federal e Polícia Federal na última semana. "Fizemos assim porque sabíamos que viriam duas cargas. Se pegássemos a primeira no porto, a segunda não chegaria e não pegaríamos", disse um dos investigadores, que preferiu não se identificar por razões de segurança.
Tráfico em 2017
O maior volume de drogas traficadas aconteceu nos últimos quatro meses, mas estatísticas disponibilizadas pela Receita Federal mostram que o Porto de Natal é uma rota para o tráfego internacional pelo menos desde 2017, inclusive para outros países, sendo a Espanha o destino de 290 kg de cocaína em 2017 e no início do ano passado antes dos grandes apreensões, 300 kg foram interceptados na Holanda.
O delegado diz que informações concretas vieram seis meses atrás
O porto é uma rota internacional, disse o delegado da Polícia Federal Agostino Cascardo, afirmando que as informações mais concretas apontam os últimos seis meses, mas que antes existiam boatos. Um agente da Receita Federal, responsável pelo controle alfandegário, disse que a abertura dos contêineres, como feito na semana passada, necessita de uma certeza de que existem drogas. “Caso contrário, podemos fazer a operação, não achar nada e alertar os traficantes”, explicou.
Também em 2017, o Porto de Natal teve a passagem do veleiro Rich Harvest, flagrado com 1,1 tonelada de cocaína no Porto de Mindelo, ilha na costa oeste da África. O caso ficou conhecido no Brasil porque três velejadores foram presos e condenados por 10 anos pela justiça de Cabo Verde por tráfico de drogas. No último dia 7, o trio foi libertado depois que a justiça anulou a sentença. A defesa alega, com base no inquérito da Polícia Federal, que os três mão tinham envolvimento com a droga.
Cocaína em Parnamirim
No dia 25 de novembro do ano passado, a Polícia Federal encontrou 1,3 toneladas de cocaína em Parnamirim, na região metropolitana de Natal. A droga estava escondida num compartimento subterrâneo de um galpão. A Polícia Federal não confirmou se essa droga era destinada à Europa ou se era para comércio interno.
Mas, segundo a Polícia Federal, a descoberta deste galpão foi depois que um caminhão foi flagrado com uma carga de 1,5 toneladas de cocaína em Juazeiro, na Bahia, no dia anterior. Três homens foram presos nesta operação. Eles afirmaram a polícia que a droga era destinada às cidades do Nordeste e a Europa.
Se a droga fosse destinada para a Europa, a quantidade de cocaína que passou por Natal foi de 9,3 toneladas. O valor disso é superior a R $ 1,2 bilhão.
Etapa
Os carregamentos de frutas que são exportadas e utilizadas pelo grupo que opera no Porto de Natal passam por quatro etapas: na primeira, as frutas são produzidas em fazendas; na segunda, são embaladas, acondicionadas e colocadas nos contêineres; na terceira, são transportadas para o porto; e na quarta, elas são exportadas. Esse processo pode envolver quatro empresas, uma em cada etapa.
As investigações da Polícia Federal ainda não identificaram em qual etapa a droga foi incluída nos contêineres, mas o delegado Agostinho Cascardo, a frente das investigações, não descarta nenhuma delas. O Porto de Natal garantiu que não é na instalação que a droga é inserida nos contêineres.
Esse modo de operação difere dos outros observados nos portos brasileiros. O tráfego no Porto de Santos, em São Paulo, uma rota conhecida pelos investigadores, embarca a droga, na maior parte das vezes, diretamente aos navios, com os traficantes se aproximando em embarcações menores e repassando para a tripulação, não através dos contêineres. Neste tipo de operação, existe uma rede de propinas pagas aos funcionários das empresas exportadoras e do porto.
Scanner
Há um fator que facilita a operação diferente em Natal: a falta de varreduras de cargas. Isso torna a operação mais barata e menos arriscada. Segundo o delegado Agostinho Cascardo, fiscalizar a entrada de drogas sem o scanner entre centenas de contêineres exportados pelo porto é "como procurar um palito de fósforo específico, dentro das caixas de fósforo alojadas em uma prateleira do supermercado". "Não tenho dúvidas de que a falta deste scanner foi uma característica importante para o porto se tornar uma rota", acrescentou.
Emerson Fernandes, gerente de infraestrutura e suporte operacional do Porto de Natal, disse que desde 2010 a Codern, que administra o porto, pretende comprar o scanner, mas não recebe verba suficiente para isso. O valor do equipamento é estimado em R$ 10 milhões. O equipamento é considerado importante, mas segundo Emerson, o pedido não é atendido. Desde 2010, a Codern passou pela alçada de três ministérios e agora está subordinada ao Ministério da Infraestrutura.
Origem
Agostinho Cascardo acredita que as drogas são provenientes do Peru, Bolívia ou Colômbia, países que apresentaram crescimento na produção de drogas, segundo o Relatório Mundial de Drogas 2017, produzido pela Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). A Polícia Federal fará uma análise (uma espécie de "DNA" da droga) para confirmar o país onde foi produzida


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