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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

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CASOS DO CAIS: QUEM É ESSE PAPA?


Durante um turno da manhã Ed Carlos ouviu uma voz saindo do rádio: — COP em QAP, aqui é Papa-Papa-51

Em 1988 o Centro de Controle de Policiamento - COP, da Guarda Portuária foi transferido da Avenida Rodrigues Alves, onde funcionava na garagem do prédio da Chefia, hoje ocupado pelo Museu do Porto, para a Avenida Ismael Coelho de Souza, no cais conhecido como “Mortona”, onde anteriormente funcionava o Departamento Marítimo da Codesp, atualmente ocupado pela Marinha do Brasil.

Naquele mesmo ano, após a promulgação da nova Constituição, foi criada a quinta turma da Guarda Portuária, a Turma “E”. Segundo comentários da época, ela teria sido formada por guardas que não haviam sido escolhidos pelos inspetores das quatro turmas já existentes.

A sua equipe de trabalho tinha a seguinte composição:

Regis “Risadinha”, motorista de confiança do inspetor, com larga experiência no porto.

Roberto, recém-admitido, mas com curso superior (algo raro na época), vindo de família militar e indicado pelo Tenente Navarro, chefe da GPort. Ele assumiu a função de mesário, responsável por toda a parte administrativa: escala, telefonemas, direcionamento de ocorrências, relatórios, etc.

Ed Carlos, também recém-ingresso, escolhido para ser o radialista. Apesar de não ter experiência na função, além de também ter curso superior, possuía perfil calmo, sereno e boa dicção, atribuições necessárias para operar a rede de comunicação interna.

A sala do rádio, onde trabalhava o operador, era pequena, com apenas uma bancada, dois rádios de mesa e uma cadeira.

O da esquerda era um equipamento antigo, enorme, de ferro, já corroído pela maresia — um verdadeiro objeto de museu.

O da direita, usado diariamente nas operações, era moderno e comparando com o outro, parecia de última geração.

A equipe trabalhava de forma integrada e harmônica, até que um fato inesperado gerou tensão.

O episódio do “Papa”

Durante um turno da manhã (06h/12h), Ed Carlos ouviu uma voz saindo justamente do rádio antigo:

— COP em QAP, aqui é Papa-Papa-51.

Assustado, ele deixou a sua sala e correu até Roberto, na sala ao lado:

- Tem um tal de Papa chamando naquele rádio de ferro. Quem é esse Papa?

Como Roberto também não sabia, foi consultar o inspetor Melo. Enquanto isso, a chamada insistia:

— COP cópia, Papa-Papa-51?

Melo, com tranquilidade, abriu uma gaveta e retirou uma lista com os prefixos antigos da rede de comunicação. Lá estava: PP-51 = Comandante da Guarda Portuária.

Com a informação em mãos, Ed Carlos respondeu:

— COP em QAP, comandante. Qual a mensagem?

Do outro lado, a resposta curta:

— É apenas um teste de rádio.

Ufa. Passado o susto, Regis “Sorriso” não parava com as risadinhas, fiel ao apelido. Melo, mais sério, explicou:

“Papa é apenas o código de rádio para a letra ‘P’, e 51 é o prefixo.”

Curiosamente, aquele rádio, que operava na faixa da Santos Rádio, canal marítimo do porto, nunca a Guarda Portuária foi acionada — nem antes, nem depois. Logo após o ocorrido ele foi desativado.

O teste não foi do equipamento, mas sim do próprio guarda portuário Ed Carlos, que foi colocado à prova.

Moral da história: Esteja sempre preparado, porque você poderá ser testado na sua função quando menos esperar.

* Essa história é baseada em fatos reais. Dizem que é ela é 99% verdadeira, só não é 100% porque quem conta um conto aumenta um ponto. Os nomes dos envolvidos são fictícios.

Veja abaixo outros casos:





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