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FORAGIDO DA JUSTIÇA É PRESO EM OPERAÇÃO DE FORÇAS DE SEGURANÇA NO PORTO DE SANTOS

A operação contou com a participação da Polícia Civil dos dois estados, da Policia Militar-SP e da Guarda Portuária Na manhã da última ter...

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quinta-feira, 17 de abril de 2025

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POLÍCIA FEDERAL REVELA MECANISMO DE LAVAGEM DE DINHEIRO QUE UNE O PCC À MÁFIA ITALIANA

Foto: Reprodução - Jornal Nacional - TV Globo

A análise da quebra dos sigilos bancário e fiscal de investigados revelou uma rede complexa e estruturada de lavagem de dinheiro

A Polícia Federal (PF) prendeu, em São Paulo, dois suspeitos de envolvimento com o PCC e a máfia italiana

Um prédio comercial na Zona Sul de São Paulo. Um escritório na área leste de Roma. Dois endereços que, segundo a PF, o doleiro Thareck Mourad usou para movimentar dinheiro vivo como pagamento pela venda de drogas no exterior. A polícia informou que prendeu Thareck Mourad na sexta-feira (28/03), em São Paulo. Ele é apontado como elo entre o PCC e a 'Ndrangheta, um grupo mafioso italiano.

"Esse dinheiro não transita no sistema formal, até porque isso levaria ao rastreamento e à identificação. Então, esse pagamento é feito no sistema paralelo, que são essas operações conhecidas como operações do dólar cabo, que são um sistema de compensação com a entrega de um dinheiro no país e retirada em outro, sem que esse dinheiro ultrapasse as fronteiras, sem ter a remessa física desse dinheiro”, afirma o delegado Eduardo Verza.

As investigações também revelaram que Thareck Mourad é ligado a William Barile Agati, que se apresentava como empresário, mas é apontado como uma espécie de faz-tudo do PCC. Ele foi preso em janeiro. Em uma foto, os dois aparecem juntos em Dubai.

William Barile Agate e Thareck Mourad em Dubai - Foto: Reprodução Jornal Nacional - TV Globo

O MPF do Paraná acusa Agati e Mourad, junto com outras doze pessoas, de tráfico internacional, associação para o tráfico e organização criminosa. Segundo os investigadores, a cocaína vinha da Colômbia, Bolívia e Peru. Entrava no Brasil pelas fronteiras com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Do Brasil, os grupos criminosos levavam os carregamentos até a Europa, para países como Espanha e Bélgica. O envio era feito por portos e também de avião.

Policiais brasileiros também prenderam Marlon dos Santos, outro integrante do PCC suspeito de ligação com Agati. Os investigadores dizem que Marlon ajudava a enviar drogas pelos portos de Paranaguá e de Santos e esteve em pelo menos uma reunião com um integrante da máfia italiana.

Marlon dos Santos - Foto: Reprodução Jornal Nacional - TV Globo

A polícia e o Ministério Público Federal (MPF) conseguiram identificar os integrantes da quadrilha por meio de uma cooperação com investigadores da Itália. Eles tiveram acesso a mensagens que os criminosos trocavam por celular dentro de um aplicativo que não exigia cadastro com os nomes reais dos usuários. O grupo se comunicava por apelidos.

Em uma conversa, os criminosos falam que estão com dificuldade para decolar em um avião que iria para a Bélgica com uma tonelada de cocaína escondida em compartimentos abertos no piso e nos bancos.

A análise da quebra dos sigilos bancário e fiscal de investigados revelou uma rede complexa e estruturada de lavagem de dinheiro que movimentou bilhões de reais entre empresas e contas de fachada, também chefiada por Agati, segundo a PF. Ele é sócio de, ao menos, oito empresas de ramos variados.

A PF diz que ele abriu com sócios uma empresa de R$ 3,5 milhões para construir um prédio em Santo André, na Grande São Paulo. Só que esse prédio já tinha sido construído nove anos antes.

SAIBA MAIS: PCC-EUROPA: EMPRESÁRIO É SUSPEITO DE OPERAR “ROTA FIXA” DO TRÁFICO A PARTIR DO PORTO DE PARANAGUÁ

A procuradora responsável pelo caso diz que as organizações criminosas têm se associado para operar no tráfico internacional e usado formas de lavar dinheiro, mais difíceis de rastrear.

"São as pessoas que passam como empresários aqui no Brasil e que não são incomodadas com investigações de tráfico porque misturam recursos ilícitos com atuações lícitas e fica difícil de fato você comprovar que aquele recurso ilícito veio do tráfico. A não ser nesses casos como a gente conseguiu com o acesso a mensagens do aplicativo que era comercializado mundialmente com finalidade ilícita”, afirma Hayssa Kyrie Medeiros Jardim, procuradora da República.

A defesa de Tharek Mourad disse que ele já havia sido solto por meio de habeas corpus e que os autos expõem a arbitrariedade da nova prisão.

A defesa de William Barile Agati disse que ele é inocente e que isso vai ficar provado ao final do processo.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de Marlon Santos.

Clique aqui e tenha acesso a matéria do Jornal Nacional

Fonte: Jornal Nacional – TV Globo


* Esclarecemos que a a publicação é de inteira responsabilidade do autor e e do veículo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      

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quarta-feira, 5 de março de 2025

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PCC-EUROPA: EMPRESÁRIO É SUSPEITO DE OPERAR “ROTA FIXA” DO TRÁFICO A PARTIR DO PORTO DE PARANAGUÁ

Delação aponta para elo entre PCC e máfia no envio de cocaína do Porto de Paranaguá para a Europa

Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que o Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, se tornou uma rota consolidada para o tráfico de drogas da América do Sul com destino ao continente europeu em uma operação envolvendo a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana 'Ndrangheta. A operação do crime a partir do porto paranaense - maior responsável pelas exportações do agronegócio brasileiro - é alvo de operações desde 2020.

São ações que resultaram em condenações na Justiça e delações premiadas. Os acordos de colaboração firmados auxiliaram as autoridades do Brasil e da Itália a desvendar a rede internacional de tráfico de drogas.

Em dezembro, a "Operação Mafiusi" identificou que, além do tráfico de drogas, o grupo movimentava empresas e contas bancárias de fachada para lavagem de dinheiro com aquisição de bens e transações fraudulentas. Segundo apuração da Gazeta do Povo, a PF identificou que o empresário paulista Willian Barile Agati atuava como um facilitador do crime organizado, responsável por fornecer infraestrutura para o tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, incluindo aeronaves, veículos e imóveis de luxo.

SAIBA MAIS: QUEM É O LÍDER DO TRÁFICO CHAMADO PELA POLÍCIA DE 'FAZ-TUDO' DO PCC

Investigação

As investigações avançaram após o acordo de delação premiada firmado na 23ª Vara Federal de Curitiba com um empresário paranaense, considerado peça-chave no esquema de lavagem de capitais, que teria confirmado fatos e dados levantados pela Polícia Federal em outras operações. Durante o período de investigação, entre 2018 e 2022, a movimentação financeira alcançou aproximadamente R$ 2 bilhões. 

O delegado da PF em Curitiba Eduardo Verza informou que a operação Mafiusi revela que o Porto de Paranaguá era uma rota consolidada da organização criminosa (ORCRIM), que também utilizava aeronaves privadas para o tráfico intercontinental. “O modal marítimo era o principal utilizado pela organização criminosa, em especial o porto de Paranaguá, onde foi consolidada uma rota fixa para o envio de diversos carregamentos para o exterior”, declarou o delegado durante a operação em dezembro.

Segundo Verza, a ação no final do ano passado foi um desdobramento da "Operação Retis", deflagrada em março de 2022, quando a PF identificou grupos especializados em logística para remessa de carregamentos de cocaína para Europa, por meio do Porto de Paranaguá. “Vimos que aquele núcleo era apenas uma parte de algo muito maior com ramificações em diversos países, que promovia o tráfico internacional de cocaína em larga escala, inclusive com uma rota consolidada no Porto de Paranaguá com destino previamente definido para Valência, na Espanha”, informou ele.

De acordo com a investigação, a droga era ocultada em contêineres com cargas como cerâmica, louça sanitária e madeira. Nove mandados de prisão preventiva foram cumpridos no Brasil e um na Espanha.

O trabalho conjunto entre autoridades brasileiras e italianas teve início em 2019, quando dois mafiosos foram presos em Praia Grande (SP), na Baixada Santista, caso que levantou as primeiras suspeitas sobre a conexão entre os grupos criminosos. “Membros da máfia italiana estavam no Brasil para intermediar as relações com os traficantes na remessa da droga para a Europa, onde ela era recebida e distribuída por membros dos clãs, sediados principalmente na região de Piemonte [na Itália], para o tráfico em larga escala no país”, completou o delegado.

Segundo apuração da Gazeta do Povo, o principal delator do caso forneceu evidências, por meio da apresentação de mensagens criptografadas do aplicativo Sky ECC, sobre as ligações de Agati com Nicola e Patrick Assisi, membros da máfia calabresa 'Ndrangheta. Agati também teria oferecido uma “carteira de cônsul” de Moçambique a um dos criminosos, sugerindo a montagem de operações no país africano a pedido de líderes do PCC, entre eles o traficante internacional Gilberto Aparecido Santos, conhecido como “Fuminho”.

De acordo com um relatório da PF publicado pelo jornal Estadão, as mensagens criptografadas ainda apontam que um guarda civil foi assassinado por vingança por um suposto desvio do carregamento de cocaína do porto no litoral paranaense. Ele foi executado dentro do carro em Paranaguá por dois homens fortemente armados.

Nas mensagens entregues pelo delator, conforme o jornal, um usuário com apelido Tony Stark relata a Agati como foi a decolagem de um avião que partiu do Brasil com um carregamento de cocaína para Europa. “A cena foi linda. Merece um seriado mexicano.” Na sequência, o empresário brinca: “Narcos 5. Vamos lançar.” A série da Netflix “Narcos” conta a história do tráfico de drogas na Colômbia e no México desde a ascensão de Pablo Escobar no cartel de Medelín até o domínio dos clãs mexicanos por Joaquín “El Chapo” Guzmán.

O principal delator do caso foi alvo da "Operação Narcobroker", deflagrada em novembro de 2020 pela Polícia Federal de Curitiba. À época, a Justiça Federal determinou o bloqueio de contas de 68 pessoas físicas e jurídicas que, segundo as investigações, tiveram movimentação suspeita de aproximadamente R$ 1 bilhão entre 2018 a 2020. 

SAIBA MAIS: OPERAÇÃO NARCOBROKER: 13 PESSOAS SÃO CONDENADAS PORNARCOTRÁFICO

Mais de R$ 40 milhões em bens do narcotráfico foram sequestrados pela operação, entre eles uma residência avaliada em aproximadamente R$ 6 milhões na capital paranaense. Dois anos depois, a Justiça Federal condenou 13 pessoas por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro com penas de quatro a 31 anos de prisão, em regime fechado.

Durante as investigações da operação Narcobroker, 240 quilos de cocaína em uma carga de papel e 325 quilos da droga em um carregamento de madeira, ambos com destino à Europa, foram apreendidos no porto de Paranaguá.

O empresário Willian Barile Agati está preso desde o final de janeiro, quando se apresentou na Delegacia de Capturas de São Paulo em decorrência da operação Mafiusi. Em nota enviada à Gazeta do Povo pelo advogado criminalista Eduardo Maurício, o empresário alega que é inocente.

Pedido de Habeas Corpus

O representante de Agati também informou que deve impetrar um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para revogação da prisão preventiva. “Willian Agati é um empresário idôneo e legítimo, primário e de bons antecedentes, pai de família, que atua em diversos ramos de negócios lícitos, nacionais e internacionais, sempre com ética e seguindo as leis vigentes e os bons costumes”, afirma a nota.

Na avaliação do advogado, a prisão é abusiva e causa “constrangimento ilegal”, pois Agati se colocou à disposição da Polícia Federal para “colaborar com a Justiça na busca da verdade real dos fatos”. Ele ainda classifica as informações fornecidas nos depoimentos da delação premiada como “ilações”.

“A investigação afirma ser ele autor de delitos com base em ilações sem qualquer fundamento, baseadas em conversas telefônicas no telefone criptografado SKY ECC, prova manipulada e nula de pleno direito, que fere a cadeia de custódia da prova, lei de interceptação telefônica e normas e princípios constitucionais, sendo certo que Willian nunca utilizou esse tipo de telefone”, defende.

O advogado também afirma que o empresário não comentou nenhum crime de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, organização criminosa, associação criminosa ou corrupção. “Isso ficará provado ao final do processo, bem como jamais teve qualquer relação ilícita ou ilegal com funcionários do Consulado de Moçambique no Brasil e nunca teve qualquer conexão com o PCC e nem com a máfia Italiana.”

Nota da Autoridade Portuária

Em nota à Gazeta do Povo, a Portos do Paraná - empresa responsável pela administração de Paranaguá e Antonina (Autoridade Portuária) - afirmou que a atual gestão trabalha no combate ao tráfico internacional de drogas por meio de ações desenvolvidas pela Guarda Portuária (GPort). Conforme dados comparativos apresentados pela empresa, 15 toneladas de cocaína foram apreendidas em 2019, ano em que a atual gestão assumiu o comando da estatal.

Em 2024, foram duas toneladas, o que na avaliação da Portos do Paraná aponta para efetividade das ações contra o tráfico de drogas em Paranaguá e Antonina. “As ações da Autoridade Portuária de Paranaguá têm afastado criminosos, que passaram a buscar outras formas de tráfico, inclusive utilizando outros portos ou atuando fora das áreas de operações portuárias”, afirma a nota.

Guarda Portuária - GPort

De acordo com a Guarda Portuária, as tentativas de envio de drogas para fora do país ocorrem por meio dos contêineres, na maioria dos casos flagrados. Para fiscalização e controle das áreas portuárias, a Portos do Paraná informa que conta com um parque de monitoramento com mais de 400 câmeras e faz vistorias com cães farejadores.

“Há diversas formas de detectar esse tipo de crime. Uma delas é o sistema de rastreabilidade, que identifica, por exemplo, a entrada de pessoas e veículos não autorizados na faixa portuária”, acrescenta. 

Fonte: Gazeta do Povo


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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

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QUEM É O LÍDER DO TRÁFICO CHAMADO PELA POLÍCIA DE 'FAZ-TUDO' DO PCC

Foto: Reprodução TV Globo

Ele era sócio de Edmilson de Meneses, o Grilo, membro da facção. Juntos, enviavam cocaína para a Europa pelo Porto de Paranaguá

Segundo a Polícia Federal, Barille chegou a movimentar R$ 2 bilhões no sistema financeiro brasileiro. Ele se entregou à Justiça no início do ano.

O Programa Fantástico, exibido pela rede Globo de Televisão no último domingo (23/02), mostrou uma reportagem sobre o líder de uma organização criminosa (ORCRIM), que atuava no Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná.

Segundo a Polícia Federal (PF), o líder desse grupo criminoso chegou a movimentar R$ 2 bilhões no sistema financeiro brasileiro. Ele se entregou à Justiça no início do ano.

Conheça o líder do tráfico chamado pela polícia de concierge do PCC

Willian Barille, de 37 anos, vivia como empresário numa área nobre da Grande São Paulo. Mas, segundo as autoridades, ele é um megatraficante que conectava organizações criminosas de vários lugares do mundo, incluindo a máfia italiana. Utilizando um aplicativo de mensagens secreto, Barile mantinha uma rede internacional a serviço do crime.

Em 2020, em Florianópolis, Barille era o dono de uma mansão com vista para o mar. Ele curtia a vida e os negócios ao lado de amigos e sócios.

Mansão de Barille em Florianopólis - Foto: Reprodução TV Globo

Segundo Eduardo Versa, delegado da Polícia Federal (PF) e supervisor do grupo especial de investigações sensíveis no Paraná, entre 2018 e 2022, Barille movimentou R$ 2 bilhões no sistema financeiro brasileiro. Ele diz que ainda existem indicativos de investimentos no exterior, investimentos nos Emirados Árabes, investimentos na Itália, investimentos em outros países da Europa.

Barille falava várias línguas e se apresentava como um homem de sucesso, dono de nove empresas. Mas a polícia descobriu que essas empresas eram usadas para lavagem de dinheiro do tráfico.

"Nessas empresas, a gente constatou vários indicativos do uso delas para lavagem de dinheiro e diversas metodologias também, como aquisição de bens, como estruturação contábil”.

Porto de Paranaguá

Para as autoridades, Barille era um "faz tudo" do PCC, fornecendo contatos e logística no Brasil e no exterior. Ele era sócio de Edmilson de Meneses, o Grilo, membro da facção. Juntos, enviavam cocaína para a Europa pelo Porto de Paranaguá.

Edmilsom de Menezes, o Grilo - Foto: reprodução TV Globo

De acordo com as autoridades, o grupo de Barille tinha acesso à área interna do porto e às informações privilegiadas sobre a exportação.

Os criminosos traziam a cocaína em caminhões, abriam os contêineres que já tinham sido escaneados e inseriam a droga rapidamente. Os contêineres eram escolhidos a dedo. Pertenciam a empresas idôneas e com boa reputação. E que, portanto, não eram verificados fisicamente. Isso possibilitava o envio de grandes quantidades. Centenas e centenas de quilos.

Droga sendo inserida dentro de conteiner no Porto de Paranaguá - Foto: Reprodução TV Globo

Processo de inserção da droga

O processo era assim: o caminhão entrava no porto para descarregar um contêiner. Logo depois, parava em um local determinado e um homem abria a porta do carona e levava a droga para dentro do contêiner. No vídeo exibido pelo Fantástico, foram dez malas com cocaína.

"Eles necessariamente precisam de informações privilegiadas de funcionários do terminal do contêineres", afirma Versa.

Barille tinha contratado a quadrilha do atravessador Jefferson Barcelos de Oliveira, um guarda civil municipal de Paranaguá, para fazer a logística criminosa. Barcelos corrompia funcionários do porto e coordenava os carregamentos.

Jeferson Barcelos de Oliveira - Guarda Civil Municipal - Foto: reprodução TV Globo

Os primeiros registros dos negócios entre Barille e Barcelos são de junho de 2019, quando houve uma reunião entre Barcelos e um comparsa de Barille num apartamento da máfia italiana em Praia Grande, litoral paulista.

O mafioso italiano Nicola Assissi, que vivia foragido no Brasil, foi o anfitrião do encontro.

"Nicola Assisi era conhecido como o fantasma da Calábria. Ele era o responsável pelo escritório latino-americano da Ndrangueta", diz Raíssa Kyrie Jardim, procuradora da República.

As autoridades acreditam que a máfia da Calábria enviava drogas da América do Sul para a Europa com o grupo de Barille.

Droga roubada

Em julho de 2019, Nicola Assisi e seu filho foram presos pela PF. No entanto, os negócios entre Barille e Barcelos continuaram até que dois carregamentos para a Europa com 770 kg de cocaína foram roubados em 2020.

SAIBA MAIS: PF PRENDE SUSPEITOS DE INTEGRAR MÁFIA ITALIANA

Homens de Barille foram à casa do atravessador responsável pela operação no porto para tirar satisfação. Um comparsa de Barcelos que estava na casa ligou para o irmão.

Minutos depois, a Polícia Militar chegou e prendeu todos em flagrante. Em um grupo de mensagem, Grilo, sócio de Barille e membro do PCC, disse que se vingaria da quadrilha de Barcelos.

Segundo a PF, Barille matava quem o roubava. Em maio de 2020, Jefferson Barcelos foi executado. Segundo os investigadores, Barille enviou uma foto do corpo para os comparsas na Europa: "O guarda caiu. Nós fomos roubados e matamos quem nos roubou."

O grupo ainda teria assassinado outras três pessoas ligadas a Barcelos.

Barille montou uma nova equipe e continuou a enviar drogas pelo Porto de Paranaguá. Em dezembro de 2020, dois carregamentos de cocaína dele foram apreendidos, um deles com meia tonelada e outro de 322 quilos. Mas nessa época, outro meio de transporte já era usado pela organização dele.

Uso de aviões particulares

De acordo com as investigações, Barille usava aviões particulares para transportar drogas à Europa. Em um único voo, essa aeronave, que foi apreendida pela PF, levou quase uma tonelada de cocaína para Bruxelas, na Bélgica.

Os criminosos colocavam a droga no bagageiro, no assoalho, debaixo de poltronas, em compartimentos secretos, chamado de mocós.

Um dos voos saiu de São Luís com destino à Bélgica. No meio do caminho, o piloto comenta que foi difícil decolar e comentam sobre o peso.

Grupo foi monitorado

Desde 2020, a Polícia Federal do Brasil e o Ministério Público Federal (MPF) vêm monitorando os passos da organização de Barille, um trabalho feito em conjunto com autoridades da Itália.

A cooperação permitiu que a PF tivesse acesso às mensagens trocadas entre os integrantes por meio de um aplicativo secreto, chamado SKYECC, que precisava de um telefone próprio e que mantinha os usuários em anonimato.

"A França detectou, conseguiu monitorar esse aplicativo, junto também com a Bélgica, se detectou ali a atuação de vários agentes criminosos espalhados pelo mundo inteiro", diz Anamara Osório e Silva, procuradora-chefe da unidade de cooperação internacional da Procuradoria Geral da República.

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, braço direito do PPC

De acordo com as autoridades, mensagens no aplicativo revelaram, inclusive, um plano de Barille para ajudar Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, braço direito do PPC, Marcos Camacho, o Marcola.

Fuminho tinha sido preso em Moçambique e queria fugir da cadeia. "Ele apareceu nas mensagens do SKYECC, sendo um dos coordenadores, da tentativa do resgate do Sr. Fuminho", diz a procuradora Raíssa Kyrie Jardim.

Barille pretendia pagar US$ 2,5 milhões em propina a policiais moçambicanos para libertar Fuminho, e depois escondê-lo nos Balcãs, onde Barille tinha relações com grupos criminosos. Barille contratou um cônsul honorário de Moçambique para ajudar no plano.

Fuminho foi extraditado e hoje está em um presídio federal brasileiro. A defesa do cônsul Deostede diz que não recebeu qualquer intimação e nega qualquer envolvimento em atividades ilícitas.

Em dezembro do ano passado, a PF fez uma operação contra Barille. Foi realizada busca e apreensão em 31 endereços ligados a ele, como na mansão em que vivia em um condomínio de luxo em Alphaville, área nobre da Grande São Paulo, além da sua casa em Florianópolis.

Barille ficou foragido por mais de um mês e depois se entregou

Edmilson Meneses, o Grilo, morreu dois meses antes da operação. Barille ficou foragido por mais de um mês e depois se entregou. Na audiência de custódia, ele disse que se coloca à disposição da justiça.

"Willian Barille desconhece o SKYECC, ele nunca utilizou esse telefone criptografado, e nunca praticou nenhum ato ilícito, muito menos tráfico de drogas", diz Eduardo Maurício, advogado de Barille.

Para a Polícia Federal, não há dúvidas de que ele comandava a organização por meio do aplicativo e já tinha outros planos.

Clique aqui e veja a reportagem no Programa Fantástico.

Fonte: Programa Fantástico– Rede Globo de Televisão


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sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

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OPERAÇÃO DA PF DESARTICULA ORCRIM DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS


A “Operação Conexão Paraíba” ocorreu de forma simultânea com a “Operação Mafiusi”, que foi realizada no estado do Paraná

A Polícia Federal (PF) deflagrou na terça-feira, 10/12, no estado da Paraíba, a “Operação Conexão Paraíba”, que ocorreu de forma simultânea com a “Operação Mafiusi”, que foi realizada no estado do Paraná.

Ambas as ações foram realizadas em conjunto com a polícia italiana e visa desarticular um núcleo de uma organização criminosa (ORCRIM) transnacional especializada em tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

Nesta ação a PF cumpriu 16 mandados de busca e apreensão criminal nos estados da Paraíba (João Pessoa), do Rio Grande do Norte (Parnamirim), Pernambuco (Recife), São Paulo (São Paulo, Guarulhos, Campos do Jordão, Santos) e Paraná (Antonina); 8 mandados de prisão preventiva; determinações judiciais para o bloqueio de valores bancários e o sequestro de bens móveis e imóveis.

Na capital paraibana, um dos mandados de prisão preventiva foi no bairro Jardim Cidade Universitária, na Zona Sul de João Pessoa. Uma mansão em Campos do Jordão (SP) foi alvo da operação

Mansão em Campos do Jordão foi alvo da operação - Foto: Divulgação PF

Na operação foram apreendidos R$ 120 mil, 30 mil dólares e cerca de 4 mil euros, além de relógios que podem chegar a R$ 200 mil.

Relógios preendidos na operação - Foto: Divulgação PF

Investigação

A operação é um desdobramento das investigações iniciadas em 2019, após a prisão de dois integrantes da máfia italiana, Rocco Morabito e Vincenzo Pasquino, em João Pessoa.

Rocco Morabito - Foto: Divulgação

O mafioso Rocco Morabito, o "rei da cocaína de Milão", era o 2º mais procurado da Itália na época que foi preso em 24 de maio de 2021 pela Interpol, em um hotel de João Pessoa, junto com Vicenzo Pasquino.

Vicenzo Pasquino - Foto: Divulgação

Rocco era considerado um dos 10 traficantes mais perigosos da máfia italiana. Após sua prisão, foi extraditado para a Itália em 2022. Antes, em 2007 Morabito foi preso no Uruguai, mas fugiu em 2009.

A partir da assinatura de um acordo entre a Secretaria de Cooperação Internacional (SCI) do MPF e as autoridades italianas, foi criada uma Equipe Conjunta de Investigação (ECI) responsável pelas investigações.

Operação Conexão Paraíba - Foto: Divulgação PF

Desde então, o trabalho conjunto permitiu desvendar as estreitas conexões entre as estruturas mafiosas italianas, espalhadas no Brasil e na Itália, e as organizações criminosas brasileiras de tráfico de drogas.

As investigações também contaram com o apoio dos organismos de cooperação jurídica e policial da Europa (Eurojust e Europol), do Departamento Italiano de Segurança Pública, da Direção Nacional Antimáfia e da Diretoria Central Antidrogas italianas, da Coordenação-Geral de Repressão a Drogas da Polícia Federal do Brasil e da Embaixada da Itália em Brasília (DF).

Durante as apurações, foram identificados vínculos entre indivíduos e organizações locais com a estrutura internacional do crime organizado.

A Polícia Federal e autoridades europeias descobriram que a máfia italiana 'NDrangheta, considerada a mais poderosa na Itália, tinha uma base montada em João Pessoa, de onde articulava a compra e venda internacional de drogas. Nos últimos anos, a Paraíba se tornou um ponto estratégico para a organização criminosa.

De lá, a facção articulava operações internacionais de tráfico de drogas, o que levou a uma série de ações policiais conjuntas entre o Brasil e a Europa.

Conexões com o Brasil (PCC / CV)

As conexões com o Brasil foram reveladas pelo mafioso Vincenzo Pasquino, que decidiu colaborar com a Justiça do seu país. Membro da máfia da Calábria, ele descreveu as relações da sua organização criminosa com facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

O mafioso foi ouvido em 7 de maio, mas suas declarações foram tornadas públicas em julho, quando começaram a ser noticiadas pela imprensa do país europeu. Na audiência, o criminoso descreveu suas passagens por várias capitais brasileiras, 'cúpulas' realizadas com chefes do PCC e do CV, e os interesses dos italianos no transporte de cocaína a partir de portos brasileiros.

Pasquino fez as declarações ressaltando sua vontade de colaborar com a justiça do seu país, conforme noticiou a mídia local. O mafioso reconstituiu as suas relações com alguns grupos envolvidos no tráfico internacional de droga, relatando acontecimentos a partir de 2015. Um dos casos relatados é uma reunião com as cúpulas do crime organizado brasileiro.

Divisão de droga com facção brasileira

Em outro trecho do depoimento, Pasquino descreve como funciona o crime organizado no Brasil. O documento divulgado pela Justiça italiana omite nomes, mas reconstitui o modus operandi do tráfico internacional de drogas em solo brasileiro.

"Em 2020, (nome omitido) saiu de Brasília (onde vivia) e veio visitar-me em Aracaju (onde eu vivia na época), com escala em Salvador e destino à Fortaleza. Ele tomou essas precauções porque eu era um fugitivo. Veio visitar-me porque tínhamos algumas importações em curso, incluindo uma em Roterdã", afirmou Pasquino.

Ele também mencionou uma conversa com um grupo de traficantes na qual foi negociado o envio de meia tonelada de cocaína para Gioia Tauro, na Itália. "Combinamos então dividir os 500 kg 50-50 entre nós e os brasileiros.

"Depois da ruptura, de que falei num relatório anteriormente (...), pediram-nos para encontrar pessoas sérias com quem trabalhar. Foi nesse momento, como já expliquei, que começaram as relações com o grupo de Nirta", afirmou.

A logística do grupo usava tecnologias de comunicação com aplicativos de mensagens criptografados.

Esquema sofisticado

Os investigados são suspeitos de integrar um esquema sofisticado de envio de grandes carregamentos de cocaína para a Europa. A droga era transportada pelo método conhecido como "RIP ON – RIP OFF", em que o entorpecente era escondido em contêineres com cargas lícitas, com destino a portos europeus. A organização criminosa também utilizava aeronaves privadas para transporte aéreo de drogas a aeroportos na Europa.

Estima-se que, entre 2018 e março de 2024, o grupo movimentou aproximadamente R$ 7 bilhões em transações financeiras ilegais. Esses valores foram lavados por meio de uma rede de empresas e contas bancárias utilizadas para ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos.

Máfia calabresa: 'Ndrangheta

O grupo nasceu na região da Calábria, sul da Itália, o nome ‘Ndrangheta vem do grego “andragathia”, que significa coragem e lealdade, "um grupo de homens de honra".

Hoje, é considerada a organização criminosa mais rica e poderosa da Itália, superando a Cosa Nostra e a Camorra. Com operações em todos os continentes do mundo, o grupo fatura cerca de US$ 60 bilhões por ano (R$ 297,5 bilhões).

A fonte deste dinheiro é principalmente a cocaína. A organização é dominante no mercado mundial, e é estimado que cerca de 80% do tráfico de drogas na Europa seja controlado por ela.

Em 2019, uma operação internacional conjunta da Itália, Alemanha, Suíça e Bulgária prendeu 335 suspeitos ligados ao grupo. Entre eles, advogados, contadores e até ex-parlamentares. Todos eram membros ou conectados com a família Mancuso, um dos 150 clãs que compõem a organização. As acusações contra os detidos incluem homicídio, extorsão e tráfico de drogas. Em março deste ano, outros 61 supostos membros também foram presos.

Em maio de 2023, a “Operação Eureka”, coordenada por dez países prendeu 132 integrantes da 'NDrangheta, incluindo membros no Brasil. Essa investigação revelou esquemas de lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de drogas envolvendo grandes quantias de dinheiro.

Base em João Pessoa

A escolha da capital paraibana como base operativa se deve, segundo a PF, por ser considerada uma cidade pacata, longe dos maiores centros urbanos do país. Para não serem flagrados, eles usavam aplicativos de mensagens de celulares criptografados, ou seja, que não podem ser grampeados.

Segundo a PF, o grupo organizava tudo em João Pessoa por celular, onde faziam toda a logística. Muitas vezes a droga saía de outros países do continente americano — que é o principal fornecedor de cocaína para a Europa. Entre o material enviado, a PF chegou a perceber que eles chegavam a mandar cargas avaliadas em 10 milhões de euros (mais de R$ 63 milhões) em contêineres.

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