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quarta-feira, 17 de junho de 2026

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BRASIL LIDERA AVANÇO NO MONITORAMENTO MARÍTIMO GLOBAL DA IMO

Decisão amplia acesso gratuito ao sistema internacional de rastreamento de navios

O Brasil assumiu protagonismo internacional na segurança marítima após liderar, na Organização Marítima Internacional (IMO), a aprovação de uma proposta que amplia o acesso gratuito ao sistema global de rastreamento de navios LRIT (Long-Range Identification and Tracking of Ships). A decisão, aprovada durante a 111ª sessão do Comitê de Segurança Marítima da IMO, fortalece a capacidade de monitoramento marítimo, resposta a emergências e proteção ambiental de países costeiros, incluindo o Atlântico Sul brasileiro.

Sistema LRIT amplia consciência situacional marítima

A proposta liderada pelo Brasil na Organização Marítima Internacional (IMO) representa uma mudança relevante na arquitetura global de monitoramento marítimo. O sistema LRIT (Long-Range Identification and Tracking of Ships) é utilizado para rastrear embarcações em navegação internacional e constitui uma das principais ferramentas de vigilância marítima e segurança da navegação em águas oceânicas.

Com a decisão aprovada durante a 111ª sessão do Comitê de Segurança Marítima (MSC 111), Estados costeiros passam a ter acesso gratuito a relatórios regulares de rastreamento de navios atualizados a cada seis horas. A medida elimina custos operacionais que antes limitavam o uso do sistema por diversos países e amplia a capacidade de monitoramento de embarcações a até mil milhas náuticas das áreas costeiras — cerca de 1.850 quilômetros.

Especialistas em segurança marítima apontam que a ampliação do acesso ao LRIT fortalece a chamada “consciência situacional marítima”, conceito estratégico ligado à capacidade de identificar riscos, monitorar tráfego naval e responder rapidamente a incidentes no mar. O sistema também possui relevância para ações de busca e salvamento, combate a crimes marítimos e monitoramento ambiental em grandes áreas oceânicas.

Derramamento de óleo impulsionou mudança internacional

A proposta brasileira teve origem nas dificuldades enfrentadas durante o grande derramamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste em 2019, considerado um dos maiores desastres ambientais já registrados no Atlântico Sul. Na ocasião, limitações no acesso rápido a informações de rastreamento marítimo dificultaram a identificação de possíveis embarcações envolvidas no episódio.

Após o acidente, a Marinha do Brasil, na condição de Autoridade Marítima, iniciou estudos técnicos e jurídicos para propor mudanças no funcionamento do sistema LRIT. O objetivo era tornar o acesso às informações mais democrático e eficiente, especialmente para países costeiros com extensas áreas marítimas e restrições orçamentárias para aquisição de dados estratégicos.

A decisão aprovada na IMO possui impacto potencial não apenas para o Brasil, mas também para países em desenvolvimento altamente dependentes do comércio marítimo internacional. Ao reduzir custos e ampliar a troca de informações, o novo modelo fortalece a capacidade global de prevenção de acidentes ambientais, fiscalização marítima e proteção das rotas comerciais internacionais.

Brasil amplia protagonismo marítimo internacional

A articulação diplomática conduzida pela Representação Permanente do Brasil junto à IMO (RPB-IMO) consolidou o país como um dos protagonistas recentes do debate internacional sobre segurança marítima. Ao longo dos últimos anos, a delegação brasileira buscou apoio de países costeiros e grupos regionais para demonstrar que a modernização do LRIT beneficiaria toda a comunidade marítima internacional.

Durante os debates no MSC 111, o representante brasileiro junto à IMO, Almirante de Esquadra (Reserva) Claudio Henrique Mello de Almeida, destacou que a ampliação do acesso ao sistema contribuirá para transformar a consciência situacional marítima em um benefício global, e não restrito a poucos países com maior capacidade financeira.

Para analistas de Defesa e segurança marítima, a aprovação da proposta reforça o papel estratégico do Brasil na governança dos oceanos e na proteção do Atlântico Sul. Em um cenário de crescimento do comércio marítimo internacional, disputas geopolíticas e desafios ambientais, o fortalecimento de sistemas globais de rastreamento é considerado essencial para garantir segurança da navegação, proteção ambiental e soberania marítima.

Autor/Fonte: Marcelo Barros/Defesa em Foco


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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

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PRÁTICOS BRASILEIROS RECEBEM PRÊMIO MAIS IMPORTANTE DA ORGANIZAÇÃO MARÍTIMA INTERNACIONAL - IMO

 

Profissionais evitaram acidente no Porto de São Sebastião, em 2019.

Durante quase seis horas os práticos Marcio Santos Teixeira e Fábio Rodrigues Alves de Abreu enfrentaram no dia 28 de abril de 2019 uma tempestade com rajadas de mais de 130 km/hora (70 nós), ondas de 1,5 a 2 metros, chuva constante, muita tensão e um enorme desafio pela frente: no meio desse caos fundear em segurança dois petroleiros carregados e atrelados um ao outro por cabos de aço. 

Esses navios estavam à deriva no Canal de São Sebastião, levados pela força das correntes marítimas e rumando perigosamente para Ilhabela, colocando em risco seus moradores e o meio ambiente. E se não bastante todo o estresse dos comandantes dos dois navios e da tripulação, eles ainda tiveram que interromper a delicada operação para retirar um tripulante em estado crítico e mandá-lo para a terra para tentar um atendimento rápido no hospital.

Para superarem essas condições adversas do tempo e do mar, eles usaram de todo conhecimento da região e da experiência, conseguindo concluir essa missão, reconhecida internacionalmente agora com o Prêmio IMO por Bravura Excepcional no Mar, da Organização Marítima Internacional, considerado o de mais alto reconhecimento mundial.

Indicados pelo Brasil, por sua determinação, profissionalismo e expertise no manejo de navios demonstrados em uma emergência causada por condições climáticas extremas durante operação no Terminal Almirante Barroso, no Porto de São Sebastião, as ações seguras e assertivas dos práticos Márcio e Abreu salvaram vidas e evitaram graves danos a estruturas de cais e instalações de petróleo, com a possiblidade de um grande acidente ecológico, com derramamento de óleo. Todos os fatos e procedimentos foram considerados durante o longo processo da premiação, que envolve várias etapas e a participação de um grupo de jurados de entidades reconhecidas pela comunidade internacional.

O resultado saiu no dia 10 de setembro de 2020 e foi recebido com muito entusiasmo na Praticagem de São Paulo. Para o presidente Carlos Alberto de Souza Filho, a premiação é uma grande honra para a empresa e revela, mais uma vez, a importância da atividade como essencial para o interesse público na coordenação eficiente do tráfego marítimo e em todo gerenciamento de riscos inerentes à navegação em águas restritas.

"Trabalhamos 24 horas por dia com qualquer tempo e em qualquer condição, com a prioridade de preservar a segurança, atender às emergências e garantir as operações. É uma atividade que envolve muitos riscos, temos o conhecimento, a técnica, a coragem e a determinação como, princípios básicos para o exercício da profissão, como provaram nossos bravos práticos Márcio e Abreu", afirmou.

Fábio Rodrigues Alves de Abreu e Márcio Santos Teixeira - Foto: Divulgação

Como tudo começou

No dia 28 de abril de 2019, os práticos Márcio e Abreu foram alertados pelo gerente do Terminal que, devido a rajadas de vento inéditas de até 70 nós, os cabos de amarração de dois petroleiros atracados em operação navio a navio estavam partindo. Com pouca visibilidade, causada por fortes chuvas e ondas altas no canal, os dois práticos embarcaram na lancha da Praticagem para tentar chegar aos petroleiros, quando perceberam que os navios já estavam à deriva.

Em condições bastante desafiadoras, Márcio conseguiu embarcar no navio-tanque Rio 2016, onde encontrou a tripulação bastante apreensiva. Inicialmente ele se informou sobre a situação crítica para planejar a melhor abordagem, uma vez que os dois navios ainda estavam conectados por mangueiras de óleo e cabos de amarração e derivando para a região de Ilhabela.

Nesse ínterim, correndo sérios riscos, Abreu conseguiu subir a escada de prático do petroleiro Milton Santos. Ter um prático em cada navio era essencial para fins de comunicação e como plano de backup. Márcio comenta: "Foi um fato inédito e uma grande aprendizagem para nós. Essa operação nunca tinha sido realizada pela Praticagem de São Paulo. Eu e o prático Abreu só descobrimos que os navios já estavam à deriva e ainda amarrados um ao outro quando nos aproximamos deles com a lancha da Praticagem. Um navio estava atracado a contrabordo do outro no mesmo berço quando os 20 cabos de aço que os ligavam ao cais se partiram com a força do vento. Além das dificuldades de toda a operação, um grande desafio foi o embarque pelas condições do tempo. O navio estava praticamente parado, sem propulsão, o que prejudicou a estabilidade da lancha, ao contrário do que se poderia pensar. O embarque no navio em uma velocidade normal, de seis nós (11 km/h), é bem mais fácil."

Prioridade foi cuidar do tripulante

Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Márcio foi acionado por Abreu, informando que havia um tripulante em estado crítico, aparentemente com problemas cardíacos no Milton Santos, e que precisava ser desembarcado urgentemente para ser levado para um hospital mais próximo. Esta passou a ser a prioridade máxima. Como seria impossível pelas condições do mar desembarcar o tripulante direto do Milton Santos para a lancha da Praticagem, Márcio decidiu, juntamente com os comandantes e com o Abreu, que ele seria transferido primeiro para o seu navio e depois para o rebocador. "Foi muito rápido, as tripulações trabalharam muito bem, o paciente foi levado na maca em um guindaste e em menos de 5 minutos já estava no rebocador. Foi um momento crítico, um rebocador faria muita falta, mas a vida humana era prioridade. O Centro de Operações da Praticagem já havia solicitado uma ambulância que estava esperando, mas, infelizmente mesmo chegando ao hospital não resistiu".

Operação de salvamento

A única alternativa foi usar a área de fundeio no norte do canal e só os recursos do "Rio 2016", que foi rebocando o "Milton Santos" a contrabordo. "Tivemos que seguir a, no máximo, um nó e meio de velocidade, mais expostos a ventos e correntes, porque os mangotes para transferência de óleo ainda estavam conectados. Como os ventos nos jogavam para Ilhabela, tínhamos que jogar a proa para a direção de São Sebastião. O navio, na verdade, navegava de lado. Mas mostrei ao Comandante, nas telas dos equipamentos, que era o que tínhamos que fazer e fomos trabalhando em equipe, incluindo os Comandantes dos rebocadores", contou Márcio.

Márcio deu continuidade à navegação do Rio 2016, rebocando o Milton Santos ao lado, a uma velocidade máxima de 1,5 nós (2,8 km/h), em direção à área de fundeio. Após 40 minutos de navegação e uma desafiadora evacuação do tripulante gravemente ferido do Milton Santos, infelizmente chegou a informação de que ele havia falecido. A velocidade do vento diminuiu para 56 km/h (30 nós) e, enquanto o ferro (a âncora) do Rio 2016 estava sendo lançada, as embarcações foram desconectadas.

Os dois práticos manobraram cuidadosamente o Milton Santos para longe do Rio 2016 com o auxílio de rebocadores e, após mais de cinco horas estressantes, o navio finalmente também largou a âncora.

Depois de 5h30 de um trabalho cuidadoso e realizado com muita eficiência, eles finalmente conseguiram evitar um grave acidente com os dois petroleiros da classe Suezmax carregados de óleo.

Concluir a operação, separando os petroleiros e fundeando ambos em segurança no meio do canal, trouxe um sentimento de alívio e realização: "Acho que a fase mais crítica, com todos os cálculos possíveis e o conhecimento da região, foi conseguir girar os navios com segurança ao local de fundeio e tirá-los da área de perigo. Nossa sensação, minha e do Márcio, quando tudo terminou, foi de que a tripulação não tinha ideia do risco que todos estavam correndo, caso os navios continuassem à deriva, mas nós sabíamos o que poderia acontecer e, por isso, todos as ações foram tomadas com muita agilidade", disse Abreu.

Segunda premiação

Das 31 indicações para o prêmio, uma dividiu o primeiro lugar com os Práticos Brasileiros. Foi a do suboficial de segunda classe Ralph OfallaBarajan da Guarda Costeira filipina, indicado pelas Filipinas, pela liderança e determinação demonstradas, fora de serviço, durante a inundação e naufrágio do M / V SiargaoPrincess, onde era passageiro junto com 54 pessoas.

Fonte: Jornal da Orla



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