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FORAGIDO DA JUSTIÇA É PRESO EM OPERAÇÃO DE FORÇAS DE SEGURANÇA NO PORTO DE SANTOS

A operação contou com a participação da Polícia Civil dos dois estados, da Policia Militar-SP e da Guarda Portuária Na manhã da última ter...

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

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JUSTIÇA DE SP CONDENA GORDÃO DO PCC, DONO DE R$ 130 MI E ARMAS ANTIAÉREAS

 

A PF aponta Gordão como um dos maiores narcotraficantes do Brasil, responsável pelo envio de toneladas de cocaína para a Europa

A Justiça de São Paulo condenou por associação criminosa o narcotraficante Anderson Lacerda Pereira, 43, o filho dele Gabriel Donadon Loureiro Pereira, 28, além de Edmilson Silva do Nascimento, 43, o Scoobão, e Luciano de Almeida, 46.

Segundo a Polícia Civil, os quatro escondiam um arsenal de guerra em uma casa no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. O armamento foi apreendido em 21 de novembro de 2019 na parede falsa de uma casa na rua Emanuel Araújo, 71.

Eram três metralhadoras ponto 50, semelhantes às furtadas em setembro do Arsenal de Guerra do Exército, em Barueri (SP); sete fuzis e oito pistolas. Na ocasião, Marcos Andrade de Moura, 43, chegou a ser preso na casa, mas conseguiu se livrar das algemas e fugiu.

    Armas apreendidas em uma casa no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, em novembro de 2019

O juiz José Henrique Oliveira Gomes, da 2ª Vara Criminal de Arujá, anunciou a sentença no dia 22/11. Gordão foi condenado a uma pena de 11 anos e 4 meses de prisão; Gabriel, a 9 anos e 5 meses; Scoobão, a 8 anos e 6 meses; e Luciano, a 6 anos e 6 meses.

Na sentença, o magistrado observou que Gordão era o líder da organização criminosa e Gabriel tinha ingerência sobre o arsenal apreendido. O juiz mencionou que Scoobão já tinha quatro condenações por furtos, roubos e porte de arma, e Luciano era tecnicamente primário.

A reportagem do UOL não conseguiu contato com os advogados dos réus, mas o espaço está aberto para manifestações

Lavagem de dinheiro

Ao tentar apurar quem eram os donos do armamento, o delegado Fernando José Goes Santiago, à época do 4º DP de Guarulhos e hoje no Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), chegou até Anderson e desvendou um grande esquema de lavagem de dinheiro.

Anderson Gordão ficou dois anos foragido. Ele foi preso em 5 de setembro do ano passado em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Já o herdeiro Gabriel foi capturado em 23 de outubro deste ano em Ermelino Matarazzo, zona leste paulistana.

A PF aponta Gordão como um dos maiores narcotraficantes do Brasil, responsável pelo envio de toneladas de cocaína para a Europa. O nome dele estava incluído na difusão vermelha da Interpol (Polícia Internacional) desde 2020, quando virou réu no processo de lavagem de dinheiro.

Dono de 38 clínicas e um hospital

O delegado Santiago apurou que o narcotraficante montou 38 clínicas médicas e odontológicas na Grande São Paulo e adquiriu 15 casas de alto padrão em Arujá, também na região metropolitana.

As investigações apontaram ainda que ele se infiltrou na Prefeitura de Arujá e fechou contratos milionários, sem licitação, em serviços de coleta de lixo, distribuição de alimentos e medicamentos. Montou também empresas e nomeou parentes como laranjas.

Anderson Gordão fazia questão de dizer que havia se inspirado no narcotraficante colombiano Pablo Escobar e montou um minizoológico no município de Santa Isabel, vizinho a Arujá. O patrimônio, de acordo com a Justiça do Arujá, foi avaliado em R$ 130 milhões.

O criminoso costumava desfilar tranquilamente pelas ruas do Arujá em carros de luxo. Gostava de ostentar correntes e relógios de ouro e fumar charutos cubanos. A segurança dele era feita por policiais.

Investigadores descobriram também que um dos hospitais montados por Anderson Gordão tinha como objetivo atender integrantes do PCC baleados em confrontos policiais.

Um dos baleados socorridos foi Giovanni Barbosa da Silva, 29, o Koringa, preso em 9 de janeiro de 2021 em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, na fronteira com Ponta Porã, município localizado em Mato Grosso do Sul.

O criminoso tinha sido baleado na perna em 30 de novembro de 2017, após trocar tiros com PMs na Freguesia do Ó, zona norte da capital. Ele foi levado por comparsas para o Hospital Vida Mais Vida, em Arujá, distante 47 km do local do confronto. Segundo a polícia, o hospital estava em nome de Gabriel.

Fonte: UOL - Por Josmar Jozino - Colunista


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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

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UM BARCO PESQUEIRO E 160 MILHÕES DE DÓLARES EM COCAÍNA

 

Traficantes do PCC estão cruzando o Atlântico para levar drogas a Cabo Verde, e de lá para a Europa – tudo com apoio de mafiosos sérvios

Era meio-dia e o barco Alcatraz I estava no meio do Oceano Atlântico. Já tinha percorrido milhares de quilômetros do trajeto que separa Brasil e Cabo Verde, na costa da África, quando seus sete tripulantes avistaram no horizonte o navio Hershel “Woody” Williams, da Marinha dos Estados Unidos. Entraram em pânico. O Alcatraz I, um pequeno barco pesqueiro, velho e lento, capaz de atingir no máximo 11 km por hora, não teria chance de escapar da embarcação imponente dos americanos. O Hershel tem dez vezes o comprimento do Alcatraz I e o dobro da velocidade.

A abordagem foi rápida. Os oficiais da Marinha se aproximaram, renderam os tripulantes – cinco brasileiros, dois montenegrinos – e revistaram o barco. No porão, encontraram 214 fardos com tabletes de cocaína pura, que juntos pesavam 5,5 toneladas. Os marujos foram presos em flagrante e a droga, confiscada. Terminada a operação, os americanos afundaram o Alcatraz I a tiros. Mais tarde, os sete tripulantes foram condenados pela Justiça de Cabo Verde a doze anos de prisão por tráfico de drogas. Aquela foi uma das maiores apreensões de cocaína no mundo, em 2022.

O encontro em alto-mar não foi obra do acaso. Os marinheiros americanos estavam na companhia de cinco policiais de Cabo Verde, que haviam sido avisados pela Polícia Federal brasileira sobre o carregamento de cocaína. O tráfico marítimo entre Brasil e Cabo Verde se tornou recorrente nos últimos anos. O país africano é hoje um entreposto importante para traficantes que querem vender drogas na Europa.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, ao menos um dos brasileiros a bordo do barco tem ligações com o PCC. Uma investigação da piauí em parceria com a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (Gitoc, na sigla em inglês) mostra que, nesse e em outros casos, integrantes da facção se aliaram a grupos mafiosos da Sérvia para transportar cocaína até Cabo Verde.

É uma operação complexa, mas cada vez mais comum. Nos últimos dez anos, a polícia cabo-verdiana apreendeu 8,6 toneladas de cocaína em embarcações oriundas do Brasil. A Polícia Federal, por sua vez, apreendeu 9,5 toneladas de cocaína no Porto de Santos que tinham o continente africano como destino entre 2017 e 2022, segundo informações fornecidas via Lei de Acesso à Informação.

Os dois montenegrinos presos no Alcatraz I são suspeitos de integrar uma máfia sérvia. Documentos da Polícia Judiciária de Cabo Verde afirmam que eles respondem ao Kavač, grupo criminoso ligado ao Šarić, uma máfia ainda maior, controlada por Darko Šarić, um dos narcotraficantes mais procurados da Europa, dono de uma fortuna estimada pela revista Forbes em 27 bilhões de dólares. Embora Šarić esteja preso há nove anos na Sérvia, acusado de traficar ao menos 5,7 toneladas de cocaína, seu grupo ainda é um dos mais atuantes no mercado europeu.

Cabo Verde é um país pequeno e lusófono, formado por dez ilhas vulcânicas no meio do oceano. Tem cerca de 600 mil habitantes. Não foi o único país da costa Oeste africana a entrar no radar dos megatraficantes. Diálogos captados num aplicativo de mensagens pela Europol, força policial da União Europeia, mostram que criminosos têm usado diferentes portos da África Ocidental como entreposto para os carregamentos de droga. Isso se deve a dois fatores. O primeiro é que, segundo os próprios traficantes, embarcações oriundas de países africanos despertam menos suspeita das polícias europeias do que aquelas saídas de países latinoamericanos. O segundo é a conhecida debilidade das instituições públicas nos países africanos.

Documentos do Ministério das Relações Exteriores do Brasil apontam deficiências na infraestrutura policial de Cabo Verde. “Além de contar com poucas embarcações para o adequado patrulhamento do mar, a Guarda Costeira não dispõe de recursos humanos suficientes para equipar seus navios e lanchas. Há dificuldade também no custeio da manutenção das embarcações militares”, diz um telegrama obtido pela piauí. Essa deficiência no patrulhamento marítimo tem sido parcialmente compensada, nos últimos anos, pela Marinha dos Estados Unidos e pelo Maoc (N) (Centro de Análise e Operações Marítimas, na sigla em inglês), unidade de inteligência transnacional voltada ao combate ao narcotráfico no Oceano Atlântico.

De acordo com a DEA (Drug Enforcement Administration), polícia americana especializada no combate ao narcotráfico, quem primeiro explorou a rota Brasil-Cabo Verde foi o traficante brasileiro Mario Sergio Machado Nunes. Na década de 1990, segundo os americanos, Nunes transportou ao menos 3 toneladas de cocaína em hidroaviões que viajavam do Maranhão até o arquipélago africano. Dali, a droga seguia em embarcações de médio porte até o litoral europeu.

Em dezembro de 1996, Nunes e um de seus pilotos foram presos em flagrante pela polícia de Cabo Verde levando 73 kg de cocaína em uma aeronave. No mês seguinte, o traficante, também conhecido como Goiano, fugiu da prisão escondido em um cesto de roupas sujas. Voltou a ser preso em 2015, no Guarujá (SP), em decorrência de outra investigação por tráfico de drogas. Hoje, está em liberdade.

Depois dele, vieram outros. Um dos criminosos que se interessaram por Cabo Verde foi Sérgio Roberto de Carvalho, ex-major da PM de Mato Grosso do Sul, considerado um dos maiores narcotraficantes brasileiros. Em abril de 2018, o grupo comandado por ele adquiriu no Brasil quatro barcos pesqueiros em nome de uma empresa de fachada. Um deles, batizado de Wood, zarpou rumo a Cabo Verde no mês seguinte. Não carregava drogas. Depois de percorrer 90 km, no entanto, foi abordado por um helicóptero, que arremessou em direção ao barco 1,1 tonelada de cocaína. O esquema cinematográfico foi pensado para despistar a polícia. Depois de chegar a Cabo Verde, a cocaína seria levada em embarcações para Portugal.

O plano, no entanto, foi frustrado. Com apoio da Maoc (N), a Polícia Federal brasileira apreendeu o barco no meio do Oceano Atlântico, antes que ele ancorasse em Cabo Verde. Sete tripulantes foram rendidos. Carvalho acabou sendo preso pela Interpol quando estava na Hungria, em 2022. Depois foi transferido para a Bélgica, onde respondia a processos por tráfico de drogas, e está preso no país até hoje.

A Polícia Federal começou a seguir as pegadas da máfia dos Bálcãs em 2014. Em abril daquele ano, o piloto brasileiro Ronelson Cândido Martins esteve em Cabo Verde para se reunir com o velejador esloveno Milan Rataj, que na época vivia no país, casado com uma cabo-verdiana. A viagem se repetiu em setembro de 2015. A PF suspeita que Martins e Rataj chefiavam uma quadrilha especializada no transporte de cocaína por meio de veleiros. A droga era levada de Pernambuco a Cabo Verde, um trajeto oceânico de mais de 3 mil km. Diferentemente de navios comerciais, veleiros não precisam passar pelo controle de imigração.

Rataj foi preso pouco tempo depois, em 2017, em Angra dos Reis (RJ), a bordo de um veleiro que rumava ao arquipélago africano carregando 50 kg de cocaína. A Justiça brasileira o condenou a seis anos e meio de prisão por tráfico internacional de drogas. Martins, por sua vez, foi preso em flagrante em 2018, quando transportava meia tonelada de cocaína em Americana, cidade do interior paulista. Foi condenado a quatro anos de prisão por tráfico internacional de drogas.

Desde então, a PF monitora a colaboração de traficantes brasileiros com criminosos do Leste Europeu. Trata-se, na maioria dos casos, de grupos paramilitares que atuaram na Guerra Civil da Iugoslávia, entre 1991 e 2001, e que depois se transformaram em organizações criminosas. A mais famosa delas é o Šarić.

Nos anos 2000 esse grupo enviou uma espécie de embaixador para o Brasil, incumbido de gerenciar o transporte da cocaína até a Europa. Seu nome era Goran Nesic. Documentos da PF relatam que Nesic, estabelecido em Bauru (SP), exportava a droga no Porto de Santos utilizando uma técnica conhecida como “içamento”, muito usada por criminosos sérvios: pequenas embarcações se aproximavam dos navios ancorados no porto, onde tripulantes cooptados pelo grupo içavam a droga usando cordas e carregavam-na para dentro dos navios. Nesic foi preso em 2011 na Operação Niva, da PF, que mirou criminosos sérvios no Brasil. Em 2018, foi extraditado para a Sérvia, onde cumpre pena por tráfico de drogas.

A maior apreensão já feita na rota Brasil-Cabo Verde foi a do Alcatraz I, em abril de 2022. Ao investigar quem estava por trás desse carregamento de cocaína, avaliado em 160 milhões de dólares na Europa, a PF chegou ao nome de Aleksandar Nesic, filho de Goran Nesic, o antigo “embaixador” dos traficantes sérvios no Brasil.

O esquema criminoso começou a ser desvendado pela PF cinco meses antes da apreensão. Já naquela época, os agentes seguiam os passos de Aleksandar Nesic. O jovem sérvio participava do esquema do pai desde os anos 2000, segundo os registros da PF, atuando no transporte de dinheiro vivo e na relação com doleiros. Por falta de provas, no entanto, ele não foi alvo da Operação Niva, em 2011.

Aleksandar é casado com uma brasileira, com quem ostenta uma vida de luxo nas redes sociais. Quando não estão em Dubai, estão passeando em carros de luxo, como uma BMW X5, que custa mais de 500 mil reais. Relatórios do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, constataram movimentações suspeitas: entre maio e novembro de 2021, a conta bancária de Aleksandar recebeu 96 depósitos fracionados, todos em dinheiro vivo, no valor total de 236 mil reais.

Em outubro de 2021, os policiais acompanharam uma viagem de Aleksandar do Guarujá, onde morava, a Fortaleza. O sérvio viajou de caminhonete, enquanto alguns de seus comparsas percorreram o caminho de lancha. O grupo se reuniu por alguns dias numa casa de veraneio alugada por Aleksandar em Aquiraz, cidade próxima a Fortaleza, no litoral cearense. Não houve nenhum flagrante, na ocasião.

Três meses depois, no entanto, um dos criminosos associados a Nesic, Hugo Agenor dos Santos Dias, o Alemão, viajou a São Gonçalo (RJ) para avaliar a compra de um velho barco pesqueiro – o Alcatraz I. O negócio foi selado por 1,2 milhão de reais, pagos em dinheiro vivo. Segundo a PF, o barco foi comprado a mando de Nesic. A embarcação foi levada para uma oficina no Guarujá e, de lá, para Fortaleza. Os policiais notaram, na embarcação, duas características típicas dos “narco-barcos”: a presença de dez tanques de combustível suplementares – pensados para permitir longas viagens, o que é incomum para barcos pesqueiros – e a ausência de tangones, estruturas tubulares usadas para armar a rede de pesca.

Na noite de 24 de março, o Alcatraz I zarpou de Fortaleza com destino a Cabo Verde, sem levar nenhum grama de cocaína. Horas depois, no entanto, a lancha que havia transportado os criminosos até Fortaleza partiu de Itapipoca, no litoral cearense, carregando as 5,5 toneladas da droga. Já em alto-mar, o carregamento foi transferido da lancha para o barco pesqueiro – uma estratégia para evitar uma possível abordagem policial. Foram sete dias de viagem pelo Atlântico até que, em 1º de abril, o Alcatraz I foi encontrado pela Marinha dos Estados Unidos.

A Polícia Federal e a Polícia Judiciária de Cabo Verde, além do Ministério Público dos dois países, formaram uma equipe conjunta de investigação para o caso, compartilhando provas entre si. Entre as evidências colhidas pelos agentes de Cabo Verde está uma carta atribuída a Cristiano Fernando de Mattos, um dos tripulantes do Alcatraz I. No documento, Mattos cobra de um integrante do esquema o pagamento por 1 tonelada de cocaína transportada numa embarcação chamada Dom Isaac, adquirida por Alemão em sociedade com Vanderlei Faria, integrante do PCC. (A carga mais tarde foi apreendida, dessa vez pela Marinha brasileira.)

“Gostaria de saber o porquê de vocês não terem depositado os 50 mil igual os outros?”, diz a carta. O Ministério Público de Cabo Verde enviou os celulares dos tripulantes para a PF do Rio de Janeiro, a quem coube extrair o conteúdo, incluindo contatos e diálogos por aplicativos. Em uma das conversas, Aleksandar Nesic cobrou providências de Alemão para vender o mais rapidamente possível a droga estocada pelo grupo. “Se servir pra eles [compradores interessados] vou fechar a venda […] e tirar essa porra da minha vida”, escreveu Alemão. Na resposta, Aleksandar disse ter investido mais de 12 milhões de dólares no esquema. “Mandamo mais de 12 milhões de dólar em 4 anos para vocês e vc fala que te fudeu. Atrasou sua vida. Por mim vende, claro, eu também quero vender.”

No último dia 5 de outubro, a PF deflagrou a Operação Dontraz (acrônimo dos barcos Dom Isaac e Alcatraz) e prendeu preventivamente Aleksandar Nesic, Vanderlei Faria e outras doze pessoas. Três investigados, entre eles Alemão, estão foragidos. Todos foram indiciados por tráfico internacional de drogas e organização criminosa.

Procurada pela piauí, a advogada de Alemão, Raquel González dos Santos, preferiu não se manifestar. A defesa de Vanderlei Faria, por sua vez, negou envolvimento do cliente com o tráfico de cocaína. “[Faria] acabou envolvido na operação Dontraz porque vendeu um barco que posteriormente acabou apreendido realizando transporte de drogas”, alegou o advogado Erivelton Almeida. A defesa de Aleksandar Nesic não foi localizada. O espaço segue aberto para eventual manifestação.

Fonte: Allan de Abreu - Repórter da Revista Piauí, autor dos livros O Delator, Cocaína: A Rota Caipira e Cabeça Branca


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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

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'BANDO DE LADRÃO', DIZ TRAFICANTE AO CONTAR A INTEGRANTE DA QUADRILHA QUE POLICIAIS CIVIS ROUBARAM COCAÍNA

 

Leonardo Serro é procurado pela PF desde 2020. Ele é um dos investigados de envio de cocaína para a Europa através do Porto do Rio

Mensagem enviada, em 2020, pelo traficante Leonardo Serro dos Santos, o Jonny, a integrante do grupo criminoso acontece após ser informado da apresentação de 220 kg de cocaína quando o plano era traficar 500 kg para a Itália, através do Porto do Rio.

Investigado pela Polícia Federal, o traficante Leonardo Serro dos Santos, conhecido como Jonny ou Carioca, não se controlou e enviou, em 2020, mensagem para um integrante da quadrilha ao ser informado que policiais civis da 25ª DP (Engenho Novo) apresentaram à imprensa 220 kg de cocaína:

"Roubaram 280. Bando de ladrão fdp. Mas eles não sabem com quem estão brincando. Já estão vindo advs (advogados) para o RJ."

De acordo com o plano da quadrilha de traficantes, monitorado pela Polícia Federal (PF), a ideia dos criminosos era enviar 500 kg de cocaína para a Itália, em 16 malas, através do Porto do Rio. A droga seria inserida em contêineres na área portuária.

Leonardo Serro é procurado pela PF desde 2020. Ele é um dos investigados por um esquema de envio de cocaína para a Europa através do Porto do Rio.

Na sexta-feira (20), a Polícia Federal realizou buscas na casa de quatro policiais civis, entre eles, o delegado Renato dos Santos Mariano. Eles são suspeitos de abordarem na Avenida Brasil, em um dos acessos ao Complexo da Maré, o caminhão que levava a cocaína.

O veículo foi levado para a 25ª DP. Ao chegar ao local, os policiais não perceberam que haviam sido seguidos por um motoqueiro dos traficantes que atuaria como "batedor" da droga até o porto.

Assim que o caminhão foi estacionado diante da delegacia, o motoqueiro enviou para Jonny a foto do veículo. Até então, os criminosos acreditavam que alguém havia denunciado o carregamento aos policiais.

Com a apresentação de parte da droga veio a surpresa do grupo: os policiais civis mostraram apenas nove malas.

O delegado Renato Mariano explicou a apreensão na época:

"Temos investigação em andamento na delegacia e nosso núcleo de inteligência identificou a possibilidade desse transporte, dessa carga ilícita. Conseguimos localizar, interceptar e quando da abertura do contêiner, para nossa surpresa havia em seu interior somente sete bolsas que dentro das quais 203 tabletes de cocaína pura."

A partir deste momento, a equipe da Polícia Civil passou a ser investigada pela Polícia Federal. Além do delegado Renato dos Santos Mariano, os outros investigados são os policiais Hugo de Novaes Almeida, Ricardo Mendes Floriano da Silva e Cláudio José Silveira.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 5 milhões do grupo. Este seria o valor que os policiais arrecadaram com a venda da droga. Os agentes terão que andar com tornozeleira eletrônica até o fim das investigações.

Três carros, duas motos, R$ 70 mil em dinheiro, telefones celulares e documentos também foram apreendidos.

SAIBA MAIS: PF DEFLAGRA OPERAÇÃO CONTRA POLICIAIS CIVIS SUSPEITOS DE ENVOLVIMENTO NO TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS

O que dizem as autoridades e o citado

A Corregedoria-Geral de Polícia Civil disse que instaurou procedimentos internos disciplinares.

A Polícia Civil afirmou que repudia qualquer tipo de desvio de conduta e atividade ilícita, e que reitera seu compromisso no combate à criminalidade.

O RJ2 tentou contato com o delegado Renato dos Santos Mariano, mas não teve retorno.

PF faz nova operação contra suspeita de tráfico de drogas por policiais civis do Rio.

Fonte: Por Adriana Cruz, Marco Antonio Martins,Leslie Leitão, Gabriela Moreira, g1 Rio e TV Globo


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quinta-feira, 1 de junho de 2023

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HOMENS LIGADOS A CASO DE NARCOTRÁFICO DO BRASIL DESAPARECEM NA LIBÉRIA

            520 kg de cocaína foi encontrado em navio vindo do Brasil no ano passado – Foto: Reprodução

Eles foram recentemente julgados e absolvidos após a apreensão de um carregamento de 520 kg de cocaína provenientes do Brasil

As autoridades de Libéria reconheceram, nesta segunda-feira (22), que perderam a pista de quatro homens recentemente julgados e absolvidos após a apreensão de um carregamento de 520 quilos de cocaína provenientes do Brasil, uma sentença que chocou o ministro da Justiça do país africano.

Em 18 de maio, um tribunal penal de Monróvia causou sensação ao declarar não culpados um liberiano, um cidadão de Guiné Bissau, um português e um libanês detidos por relação com a apreensão, em outubro de 2022, de 520 kg de cocaína - com valor estimado em 100 milhões de dólares (R$ 496 milhões na cotação atual) - escondidos, segundo as autoridades, em um contêiner proveniente do Brasil.

Fruto da cooperação com os Estados Unidos e o Brasil, esta é uma das apreensões mais importantes já realizadas no país.

A decisão pronunciada por um júri popular foi ainda mais surpreendente, já que o tribunal ordenou a restituição aos suspeitos de 200.000 dólares (quase R$ 1 milhão) confiscados na operação.

O caso revela o papel do litoral da África Ocidental nas rotas do tráfico de droga proveniente da América do Sul, especialmente destinada à Europa, assim como o funcionamento da Justiça e sua exposição à corrupção.

A decisão do tribunal "torna a Libéria motivo de chacota internacional", disse o ministro da Justiça Frank Musah Dean Jr em comunicado.

Isso "afeta claramente os esforços coletivos realizados pela Libéria e seus aliados internacionais para lutar contra o tráfico de drogas ilícitas, e contra a utilização da África Ocidental como rota de comércio internacional proveniente da América Latina e de outras partes", acrescentou o ministro na nota.

Ele também questionou a utilização de júris populares no país. "Fala-se constantemente da prática imoral de subornar o júri durante esses julgamentos", escreveu.

Em seu relatório sobre direitos humanos na Libéria em 2022, o Departamento de Estado dos Estados Unidos observa que os juízes "estão sujeitos a tentativas de influência e envolvidos em corrupção".

"Advogados e promotores supostamente instruíram os réus a pagar propinas para obter decisões favoráveis de juízes, promotores e jurados", diz o documento.

Fonte: AFP Via GZH


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terça-feira, 28 de março de 2023

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RAINHA DO PÓ' SUSPEITA DE COMPRA DE SENTENÇA ESTÁ NA MIRA DA POLÍCIA HÁ MAIS DE 10 ANOS


Foto: Divulgação PF

Karine Campos está foragida e, segundo investigadores, pagava propina a juiz do TRF-1

Apontada pela Polícia Federal (PF) como financiadora da propina de R$ 3,5 milhões supostamente paga ao juiz federal Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional da 1ªRegião, em troca da soltura de um traficante, Karine Campos é nome frequente em investigações de combate ao tráfico ao menos desde 2011.

Conhecida nos meios policiais como a "rainha do pó" e maior exportadora de cocaína via portos do país, Karine foi condenada a 17 anos de prisão pela Justiça Federal em São Paulo em 2020.

Ela está foragida desde 2021, quando o STJ (Superior Tribunal de Justiça) substituiu a pena por prisão domiciliar. O motivo foram os dois filhos menores que, segundo a decisão, necessitavam da presença da mãe.

A Folha tentou contato com advogados que aparecem como defensores de Karine Campos em processos na Justiça, mas não obteve retorno.

Antes, ela havia entrado na mira de investigadores especializados na repressão ao tráfico de entorpecentes por várias vezes. A primeira delas foi em 2011, quando foi alvo da Operação Maia, da Polícia Civil da Bahia. Em 2014, novamente na Bahia, foi investigada na operação Twister, da PF.

Em outra ação da PF, em 2019, dessa vez no Porto de Santos (SP), Karine Campos aparece como líder da organização criminosa que teria exportado cerca de 6 toneladas de cocaína para países da Europa.

SAIBA MAIS: 'FAMÍLIA BUSCA PÓ' CHEFIA TRÁFICO EM PORTOS DO BRASIL E ESTÁ NA MIRA DA PF

Um relatório de análise, produzido pelos investigadores da Operação Alba Vírus e citado pelo juiz do caso na sentença que a condenou pelo tráfico, aponta para a arrecadação de quase R$ 1 bilhão pelo grupo com a venda da droga.

Nesse caso, a PF alcançou a Rainha do pó após encontrar documentos falsos utilizados por ela em uma residência na qual foi apreendida parte da droga movimentada pelo grupo.

Os investigadores seguiram as informações coletadas com os envolvidos diretamente no tráfico de cocaína e encontraram uma rede de pessoas usadas como laranjas em empresas, imóveis urbanos e veículos.

Também descobriram que Karine possui amplo patrimônio. São casas, fazenda, veículos de luxo, joias e outros bens. A PF apreendeu ao menos R$ 1,7 milhão em joias em uma casa e encontrou registro de uma fazenda adquirida por R$ 12 milhões no Mato Grosso do Sul.

Entre as empresas atreladas a Karine Campos estão transportadoras utilizadas para movimentar a cocaína até diversos portos brasileiros. A PF monitorou viagens com droga do grupo com caminhões das transportadoras até para o Nordeste.

"Importa destacar que, pelas informações obtidas, os contêineres contaminados com a cocaína não eram embarcados somente pelo Porto de Santos (SP), mas também pelo Porto de Navegantes (SC), Porto de Paranaguá (PR) e possivelmente outros, inclusive no Nordeste. Desse modo, é possível concluir que a organização criminosa possuía galpões em mais de um Estado da Federação", diz trecho da sentença que condenou Karine em Santos.

O grupo liderado por ela, descobriram os investigadores, era especializado na técnica "rip on/rip off" para passar a droga pelas fiscalizações nos portos brasileiros.

"[A técnica] consiste na interceptação de unidades de carga, na maioria das vezes com a conivência dos motoristas, para carregá-las com cocaína, que é escondida em meio a carga lícita, sem conhecimento do exportador, o que exige que o processo seja feito com celeridade e, normalmente, próximo aos portos de embarque, para que os motoristas não precisem se desviar das rotas", explica a sentença da Operação Alba Vírus.

Após ganhar liberdade, em agosto de 2021, Karine Campos conseguiu sair do radar da PF, mas voltou em 2022 quando começou a apuração sobre a compra de sentença no TRF-1. A suspeita da PF é que ela esteja foragida na Bolívia ou Paraguai.

Como revelou a Folha, ao longo da investigação da Operação Habeas Patter, a Polícia Federal monitorou o encontro de parentes de Leonardo Nobre, um integrante do grupo da Rainha do Pó, com pessoas ligadas ao juiz federal Cândido Ribeiro, entre elas o advogado Ravik Ribeiro, filho do juiz.

Os investigadores chegaram a pedir a prisão do magistrado, mas a ministra Laurita Vaz, do STJ, negou a solicitação. A investigação começou após uma apreensão de 175 kg de cocaína em Lisboa, Portugal.

"Foi identificado na investigação sujeito conhecido como 'Negão', alcunha de Davidson Soares, braço direito a serviço da 'Patroa' ou 'Madrinha' ou 'Mãe" ou 'Esmeralda', codinomes de Karine Campos, mulher referida como a maior traficante do país, mas sediada na Bolívia ou Paraguai, pessoa quem liberaria o dinheiro necessário para o pagamento de propina no valor de R$ 5 milhões para obtenção da soltura de Leonardo Nobre", diz trecho da decisão do STJ que autorizou busca em endereços do juiz federal.

A Folha procurou o juiz e seu filho. Em nota, o gabinete do juiz disse que a investigação corre em sigilo e não tem nada a declarar.

Em um primeiro momento, a propina paga seria de R$ 5 milhões, mas, após esses parentes encontrarem pessoalmente Ravik Ribeiro, diz a PF, o valor acertado foi de R$ 3,5 milhões.

Após esse encontro, um habeas corpus cujo julgamento estava previsto para 7 de março de 2022 foi tirado da pauta do TRF-1 -à época, o juiz Cândido Ribeiro estava de férias.

No dia 19 do mês seguinte, no entanto, Nobre teve a prisão revogada com base no voto de Cândido Ribeiro. A prisão foi substituída pelo monitoramento eletrônico.

A PF continuou com a investigação e, dias depois, soube, por meio de ligações telefônicas, do planejamento de uma reunião entre o traficante, agora solto, sua irmã e o filho do juiz.

"O encontro se deu exatamente 19 dias depois de Leonardo Nobre obter decisão favorável à sua liberdade exarada pelo desembargador Cândido Ribeiro, pai de Ravik, e chamou atenção que no início do encontro Leonardo estava com uma caixa em suas mãos que ao final do encontro passou para as mãos de Ravik", diz a PF.

Fonte: Folha – via Yahoo


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quinta-feira, 2 de março de 2023

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MP PORTUGUÊS DENUNCIA 18 ALIADOS DE 'ESCOBAR BRASILEIRO' POR NARCOTRÁFICO

 

Sérgio Roberto de Carvalho

Empresário é apontado pela Justiça portuguesa como o braço direito na Europa do Major Carvalho conhecido como o "Escobar brasileiro"

O empresário português Ruben Alexandre Vieira Oliveira, 39, o Xuxas, viajou quatro vezes para o Brasil para negociar a importação de toneladas de cocaína para a Europa antes de ser preso pela Polícia Judiciária de Portugal, em 27 de junho do ano passado.

No último dia 14 de fevereiro, o Ministério Público de Portugal denunciou ele e outros 17 comparsas ligados ao Major Carvalho pelos crimes de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Entre os acusados, 16 são portugueses, um é angolano e outro indiano.

Xuxas era apontado pela Justiça portuguesa como o braço direito na Europa do ex-major da PM de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho, 64, conhecido como Major Carvalho e "Escobar brasileiro".

As datas das viagens de Xuxas ao Brasil: 28 de janeiro de 2019; 9 de dezembro de 2019; 4 de setembro de 2020; 11 de janeiro de 2021.

O Major Carvalho foi preso em Budapeste, na Hungria, seis dias antes de Xuxas. O "Escobar brasileiro" é acusado de coordenado a exportação de 45 toneladas de cocaína para a Europa, avaliadas em R$ 2,25 bilhões entre 2017 e 2022. O governo brasileiro já pediu a extradição dele.

Também no dia 14, o Major Carvalho foi alvo de novo mandado de prisão. Ele é acusado de ser o dono de 350 kg de cocaína escondidos em chapas de granito em Cachoeira do Itapemirim (ES) em outubro de 2021 e de 892 kg da droga apreendidos no Porto de Santos, em abril de 2022.

Segundo o Ministério Público português, Xuxas era o líder da quadrilha de Carvalho na Europa. As investigações apontaram que o empresário fundou uma organização criminosa para importar grandes quantidades de cocaína da América do Sul.

Considerado o "padrinho do tráfico", Xuxas tem tatuado no corpo imagens de dois barões mundiais da droga: Pablo Escobar, fundador do Cartel de Medellín, na Colômbia, e Joaquin Guzman, ex-chefe do Cartel de Sinaloa, no México.

Xuxas mantinha estreita relação com o "Escobar brasileiro". O empresário português também tinha a missão de contratar narcotraficantes em outros países e ainda era o responsável pela quantidade de droga a ser exportada e pelos locais de destino da cocaína.

Condenação e bloqueio de bens

Os comparsas dele começaram a integrar a organização criminosa no início de 2020. Dércio Vieira de Oliveira, 31, irmão de Xuxas, também foi cooptado pela quadrilha e recrutou um comparsa para prestar serviço ao bando no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

Também foram integrados ao grupo criminoso o estivador Paulo Miguel da Silva Campos Joaquim, 50, do Porto de Setúbal, e Luís Miguel Gomes Gonçalves, 40, que mantinha contato com alguns funcionários do Porto de Leixões.

Segundo o Ministério Público português, o empresário indiano Gusvinder Singh, 32, era proprietário da Happy Selection Unipessoal Ltda e contava com a ajuda de uma empresa de frutas do Brasil para importar a cocaína escondida em meio às cargas lícitas.

Os nomes de dois sócios da empresa de frutas constam na acusação feita pelo Ministério Público português. Ambos são brasileiros. Eles criaram a companhia em 5 de março de 2020 e viajaram para Portugal no mesmo ano, entre 28 de fevereiro e 21 de março.

A Procuradoria da República de Portugal pediu à Justiça daquele país a condenação dos 18 comparsas do "Escobar brasileiro" e também o bloqueio dos bens de todos os envolvidos no esquema.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Xuxas, Dércio, Paulo Miguel e Luís Miguel, mas publicará a versão dos defensores deles na íntegra, caso haja uma manifestação.

Autor/Fonte: Josmar Jozino – Site UOL


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