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quinta-feira, 24 de abril de 2014

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PARAMILITARES AMERICANOS TREINAM POLICIAIS BRASILEIROS PARA A COPA


Publicado na Folha de SP

Patrícia Campos Melo



A empresa americana Academi, que antes se chamava Blackwater, está treinando policiais militares e agentes da Polícia Federal para ações antiterrorismo na Copa.

A Blackwater ficou conhecida por agir como um exército terceirizado dos Estados Unidos, com mercenários atuando nas guerras do Iraque e do Afeganistão.

A empresa está envolvida em polêmicas. Ex-funcionários da Blackwater são acusados de terem matado 17 civis iraquianos no massacre da Praça Nisour, em 2007.

Na semana passada, um grupo de 22 policiais militares e agentes federais brasileiros voltou de um treinamento de três semanas no centro da Academi em Moyock, na Carolina do Norte. O curso foi bancado pelo governo dos EUA e faz parte de uma série de ações de intercâmbio entre as forças policiais dos dois países.

“O foco do programa é passar as experiências práticas vividas pelas tropas americanas no combate ao terrorismo. Por isso, fomos enviados, pois somos a tropa especializada que será empregada durante uma ameaça de ataque terrorista em São Paulo”, disse à Folha o tenente Ricardo Bussotti Nogueira.

Ele é comandante de pelotão do COE (Comando de Operações Especiais) em São Paulo. “O centro é incrível, tem tudo para qualquer ocorrência, até contêineres com cidades cenográficas; foi lá que os “seals” foram treinados para entrar na casa do Osama Bin Laden”, afirmou.

O treinamento “Interdição Marítima de Terrorismo” teve instrutores militares reformados, Navy Seals [força especial da Marinha] e membros da guarda costeira dos EUA.

O objetivo: “segurança portuária com foco em como terroristas operam em ambiente marinho e como reconhecer ameaças e mitigá-las quando necessário”, segundo informa em seu site a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, que organizou o intercâmbio.

Cooperação

Segundo o governo americano, esse treinamento é apenas um entre diversos programas de cooperação militar.

“O governo americano gastou cerca de US$ 2,2 milhões nos últimos dois anos em cooperação com as polícias do Brasil para megaeventos”, disse um funcionário do governo americano à Folha.

A Academi foi escolhida porque tem um centro de excelência, dizem os americanos. A empresa mudou sua diretoria e não é mais a Blackwater, acrescentam.

Segundo o tenente Nogueira, os americanos têm “know-how” de explosivos improvisados, ataques químicos e biológicos. No treinamento dos brasileiros também estavam militares da Índia e da Indonésia e “rangers” (membros de elite do Exército dos EUA).

A Blackwater foi a principal empresa terceirizada a fornecer serviços de segurança para o governo americano nas guerras do Iraque e Afeganistão e já treinou integrantes do exército afegão.

A Secretaria de Segurança para Grandes Eventos diz que o programa foi uma parceria com a Embaixada dos EUA, ofertada por agentes do Regional Security Office - Agência de Segurança Regional da embaixada. Segundo a secretaria, “não houve indicação prévia de que haveria terceirização dos instrutores”.

Empresa é acusada de matar civis no Iraque

A Blackwater, atualmente chamada de Academi, é uma das empresas mais controversas dos Estados Unidos. Faturou bilhões de dólares fornecendo serviços de segurança para o Departamento de Defesa, diplomatas do Departamento de Estado e, de forma secreta, para a CIA, nas guerras do Iraque e Afeganistão e em outros locais de alto risco.

Entidades de direitos humanos criticavam duramente a Blackwater e outras empresas contratadas pelo governo dos EUA, dizendo que não havia mais uma linha divisória entre as forças armadas americanas e esses soldados terceirizados.

Fundada em 1997 por Erik Prince, herdeiro de um império de autopeças e ex-Navy Seal (tropa de elite da Marinha americana), a empresa começou treinando “seals”, mas, após os atentados de 11 de setembro, passou a prestar serviços de segurança para o governo dos EUA.

A Blackwater também chegou a treinar policiais gregos para a Olimpíada de 2004, grupos táticos navais do Azerbaijão e funcionários do Ministério do Interior do Afeganistão.

A grande mancha na reputação da empresa veio com o massacre na Praça Nisour, em 2007, no Iraque. Ex-funcionários da Blackwater são acusados de matar 17 civis e ferir dezenas na praça, com metralhadoras e granadas.

A empresa alega que seus funcionários estavam envolvidos em uma troca de tiros, mas testemunhas questionam essa versão.

Em 2009, após o escândalo do Iraque, a Blackwater mudou seu nome para Xe, na tentativa de melhorar sua imagem. Em 2010, Prince vendeu a empresa, que mudou novamente de nome em 2011, para Academi, ainda na tentativa de melhorar sua reputação. Prince não faz mais parte da empresa.

Em agosto de 2012, a Academi pagou uma multa de US$ 7,5 milhões em um acordo para retirada de acusações de “posse de armas automáticas nos EUA sem registro, mentir a agentes federais sobre armas fornecidas ao rei da Jordânia”, entre outros.

Negócios                                                                                                             

Atualmente, a empresa faz segurança para diplomatas americanos no Iraque, Afeganistão, Bósnia e Israel e mantém uma base no Afeganistão onde presta serviços para as tropas americanas e de outros países aliados.

Também treina militares americanos e de diversos países no centro de Moyock, onde os policiais militares brasileiros estiveram.

Lá, há um lago artificial e contêineres simulando navios para treinar reações a ataques pelo mar e rios.

O jornalista Jeremy Scahill, parceiro de Glenn Greenwald – que revelou o esquema de espionagem do governo americano por meio da Agência de Segurança Nacional –, escreveu um livro de denúncia contra a empresa: “Blackwater: The Rise of the World’s Most Powerful Mercenary Army” (a ascensão da tropa mercenária mais poderosa do mundo, em tradução livre).



Fonte: ComitePopularSP



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