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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

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COMBATE AO CRIME NO PORTO DE SANTOS FOI AMPLIADO


Roberto Cicliatti Troncon Filho

O Porto de Santos ampliou suas ações de combate ao crime. O diagnóstico faz parte das conclusões do superintendente da Polícia Federal (PF) de São Paulo, Roberto Cicliatti Troncon Filho. Para se ter uma ideia, em 2012, a Polícia Federal apreendeu 350 quilos de cocaína no complexo santista. No ano passado, foram praticamente 2,5 toneladas - um aumento de quase 60%. Para Troncon, esses números também evidenciam como há brasileiros adictos nesta droga. Leia, a seguir, a entrevista concedida pelo superintendente, em passagem pela região para a inauguração do posto da Polícia Federal no Miramar Shopping, em Santos.
Como a cocaína chega ao Porto de Santos?
A maior parte apreendida aqui é uma droga destinada ao exterior. O Brasil é hoje, infelizmente, o segundo maior consumidor de cocaína e outras formas de apresentação no mundo. Apenas os Estados Unidos estão na nossa frente. O Brasil tem um grande mercado negro de cocaína e seus derivados, por conta da proximidade dos países produtores (Colômbia, Peru e Bolívia). Pela permeabilidade da nossa extensa fronteira e pelo tamanho da nossa população, que melhorou de renda na última década, esse consumo aumentou. Parte dessa droga ingressa pelo território nacional e sai por aeroportos e portos.
O crime tenta dominar o Porto de Santos?
Eu diria que portos e aeroportos, as grandes entradas e saídas de pessoas e mercadorias, em todo mundo, são pontos críticos. Pontos sensíveis onde os grupos criminosos procuram se estabelecer e utilizar como meio de importação e exportação de produtos ilícitos. O Porto de Santos não é diferente. É uma área muito importante do comércio brasileiro e que está em expansão, sendo utilizado também pelos grupos criminosos.
Para onde vai essa cocaína?
O destino é a Europa, a África e a Ásia. Santos, por ter o maior porto de cargas da América Latina, é também um local por meio do qual os grupos criminosos tentam arremeter drogas para o exterior. A Polícia Federal tem acompanhado e intensificado o trabalho nesta área, em parceria com a Receita Federal e outros órgãos. O aumento da apreensão dos últimos dois anos é resultado deste trabalho.
Como o Porto está equipado para combater o tráfico?
O Porto tem se modernizado bastante e as instituições também, tanto a Receita Federal quanto a Polícia Federal. A melhoria chega em termos de capacitação de pessoal e equipamentos, com novos scanners de cargas, por exemplo. Hoje, o Porto está mais seguro agora do que era no passado e esperamos que no futuro esteja melhor ainda.
O Porto recebe uma quantidade grande de refugiados. Como a Polícia Federal lida com eles?

Os refugiados no Brasil, que é um país signatário da convenção da ONU para refugiados, têm um tratamento específico. Aquele que chega ao território nacional por aeroporto, porto ou fronteira pede o refúgio e a Polícia Federal apenas o encaminha para o Conselho Nacional de Refugiados, que vai decidir sobre esse pedido. A gente cumpre a lei e quem decide se concede ou não (o refúgio) é o Conselho.

Fonte: Jornal a Tribuna





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