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MUDANÇAS NA GUARDA PORTUÁRIA DE SANTOS

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

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CÃES ENTRAM NA GUERRA CONTRA AS DROGAS NO PORTO DE SANTOS


Dexter em ação: cão faz vistoria em contêineres buscando por entorpecentes (Foto: Carlos Nogueira)

Dupla de pastores-alemães vistoriam cargas e bagagens a procura de entorpecentes no complexo marítimo

Com colete da Receita Federal, os dois funcionários mais novos do órgão saem para trabalhar todos os dias a procura de entorpecentes. A dupla chama atenção por onde passa e usa um recurso peculiar para localizar os produtos ilegais: o nariz. Tratam-se dos cães de faro, Dexter e Dixie, utilizados para encontrar drogas entre as cargas do Porto de Santos.
Prestes a completar cinco anos, a dupla percorre diariamente terminais ajudando os agentes a localizar tóxicos. Na temporada de cruzeiros, os pastores-alemães ampliam suas atribuições e passam a atuar também no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, verificando passageiros e bagagens.
No caso de cargas, a Receita tem um trabalho de avaliação de risco, que escolhe os contêineres que serão examinados. A decisão também pode contar com a ajuda da Polícia Federal ou de outras Aduanas, que passam a possibilidade de drogas estarem escondidas em determinado ponto.
E são nestes produtos suspeitos que os cães tentam farejar algo de ilícito que tenha passado pela percepção de máquinas e homens. Um exemplo disto aconteceu há poucas semanas. Uma carga de sucata, que já tinha passado pelo equipamento de scanner, chamou a atenção de Dexter. Uma bola de metal, que pela espessura do ferro não permitiu que o aparelho visse seu interior, foi o alvo certeiro do cão. Com a ajuda de um serralheiro, o objeto foi aberto e, lá dentro, havia drogas. “Sem os cães, seria muito trabalhoso encontrar droga neste material. Teríamos que abrir toda a sucata”, conta uma das condutoras dos animais, que por motivo de segurança não será identificada.
Pelo volume de cargas movimentadas no Porto de Santos, o ideal seria que esse serviço fosse ampliado, mas não há previsão para que isso ocorra. “Seria muito bom, mas no momento, não temos efetivo para isso, pois a função exige dedicação exclusiva do servidor, que não poderia realizar outras atividades”, diz inspetor-chefe da Alfândega, Cleiton Alves dos Santos João Simões.
Ele afirma que, quando uma operação necessita de mais cães, ele trabalha de forma integrada com a Polícia Militar, Guarda Portuária e a Supervisão da Receita, em São Paulo, que enviam o reforço canino. “Dexter, por exemplo, foi trabalhar, na época da Copa do Mundo, no Mineirão (Estádio Governador Magalhães Pinto, em Minas Gerais).”
Temperamento
No trabalho, os dois cães têm comportamentos e personalidades bem diferentes. Enquanto, a fêmea, ao sentir o cheiro da droga, senta para indicar o local, o outro cão vai para cima e começa a arranhar o local. E é justamente por esse perfil, considerado ativo, que Dexter é destinado apenas a inspecionar cargas. A revista de pessoas é feita por Dixie, que foi preparada para trabalhar também em ônibus e aeroportos.
Enquanto a cadela gosta de brincar com bolas de tênis, ele prefere uma brincadeira mais voltada para a caça. “Ele gosta de disputar comigo. Não adianta deixar o pano parado para ele pegar. Tenho que ficar puxando para ele. E ao final, sempre deixo ele ganhar, como recompensa pelo bom trabalho”. Os animais também são impulsivos e não recebem um treinamento voltado à obediência. “Os cães da Polícia Militar, por exemplo, são treinados para permanecer sentados, para o ataque ou defesa, ao comando do policial. O foco da Receita Federal não é esse. Um cão que aguarda o comando não está apto para este trabalho. Ele tem que ter a iniciativa de achar as drogas e indicar o local”, explica uma das condutoras.
Origem
Os cães Dexter e Dixie nasceram na mesma ninhada e o “pai” da dupla trabalha na Receita Federal de Foz do Iguaçu. Para se tornar um cão de faro, os animais são selecionados ainda filhotes e ser de linhagem de farejadores, não garante que sejam treinados para isso. São escolhidos aqueles que já demonstram características para desenvolver a função, como possessividade, foco e motivação para investigar. A raça do cão também é importante. Atualmente, a Receita tem pastores-alemães, pastores-malinoises e labradores.
Rotina
Pela manhã, as condutoras vão ao canil, que fica numa região próxima à área portuária, para buscar os animais. Antes, porém, elas alimentam os bichos e passeiam com eles. Nos terminais, quando não estão farejando, os pastores-alemães continuam com privilégios. Eles aguardam o próximo trabalho descansando nas caixas de transporte, dentro do carro, com o ar-condicionado ligado. “Eles são cães resistentes, se adaptam facilmente, mas, originalmente, são de regiões frias e o calor daqui é muito para eles”, diz a condutora.
Depois do expediente, em que em alguns dias significar vistoriar cerca de 20 contêineres, os animais são levados novamente para o canil, onde existe uma área grande para correr e brincar. Eles são alimentados e descansam para o dia seguinte.
Nos dias em que não há cargas para vistoriar, a dupla de condutoras realiza treinamentos com os animais. Mesmo nos dias de folga das servidoras federais, o contato com os cães é obrigatório. “Não existe sábado, domingo ou feriado. A gente vai ao canil para alimentá-los e dar alguma atenção”.
Como todo trabalhador, Dexter e Dixie têm direito à assistência médica. Uma vez por mês, os cães seguem para São Paulo, onde passam por veterinário para verificar se a saúde está boa, ser vermifugado e tomar banho.
Treinamento de elite
Pastor-alemão ajuda no trabalho de fiscalização ao combate às drogas (Foto: Carlos Nogueira)
“Muita gente acha que os cachorros são viciados em drogas e por isso vão atrás dos entorpecentes. É uma ideia errada. Eles querem brincar”, explica outra condutora. Os cães farejadores de Santos passaram por treinamentos no Centro Nacional de Cães de Faro (CNCF) da Receita, em Vitória, no Espírito Santo e buscam exclusivamente drogas. Com 200 milhões de células olfativas (pessoas contam com 5 milhões), eles são capazes de identificar cocaína, maconha, crack, ecstasy, skank e alguns dos componentes básicos de droga sintética. Existem cães que podem detectar explosivos, cigarros, papel-moeda, entre outros objetos.
E a capacitação não é dada apenas ao animal. Os condutores também fazem um curso de dois meses, onde aprendem técnicas para lidar com o cão e a forma de comando. Mas o principal do curso é estabelecer a ligação e afinidade entre o cão e o condutor. “Lá eles avaliam o vínculo. Se a dupla (cão-condutor) não funciona, a pessoa não é aprovada na capacitação”, conta a funcionária da Receita, que fez o treinamento com o macho Dexter, o primeiro cão de faro de Santos, em 2013.
A justificativa para esta condição é simples. O condutor precisa conhecer seu companheiro de trabalho para entender todos os sinais que ele pode emitir.
E a afinidade vai além do trabalho. Esses cães trabalham até completar sete anos. Depois, são doados a seus cuidadores. “É ótimo que a destinação deles seja essa. Isso é muito importante, pois eles acabam sendo parte da nossa família. E eu não conseguiria ver ele sendo levado por outra pessoa”, afirma a consultora que atua desde o ano passado com a fêmea Dixie. A futura dona de Dexter já poderia estar aposentada, mas não deixou de trabalhar por conta do cão. “Vou esperar mais dois anos e nos aposentamos juntos”.


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