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PF FLAGRA PORTUÁRIOS COM PACOTES DE COCAÍNA NO CORPO PARA EMBARQUE EM NAVIO

Trabalhadores do Porto de Santos tentaram levar carregamento até navio atracado no cais, que foi cercado pela Guarda Portuária. Tablete...

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

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BOTÃO DE PÂNICO ALERTOU GOVERNO DA ITÁLIA SOBRE INVASÃO PIRATA NO PORTO DE SANTOS



Suspeitos usavam roupa de mergulho, capuz, escalaram a lateral do cargueiro por uma corda com 15 m e ameaçaram oficial imediato com um facão. PF decretou sigilo nas investigações

Equipes de emergência do Governo da Itália foram mobilizadas durante a invasão ao navio "Grande Francia", a 15 quilômetros do acesso ao Porto de Santos, no litoral de São Paulo, no domingo (12). O alerta sobre uma "ação de pirataria" em andamento foi emitido pelo comandante, que trancou toda a tripulação em uma sala blindada e pediu socorro via rádio. As informações foram obtidas com exclusividade pelo G1 na manhã desta quinta-feira (16).
O incidente ocorreu enquanto o cargueiro, de bandeira italiana, estava ancorado aguardando autorização para atracar no cais santista. A Polícia Federal sabe que de quatro a cinco homens armados foram a bordo simulando um roubo, para embarcar cocaína - mais de 1,3 tonelada da droga foi achada a bordo. O sigilo nas investigações foi decretado.
Invasão e droga a bordo:
  • De quatro a cinco invasores vestindo roupas de mergulho e com facões subiram no navio;
  • Polícia Federal investiga se parte do carregamento de cocaína foi içado na invasão;
  • Os 26 tripulantes ficaram trancados em sala segura, monitorando de longe a invasão;
  • Polícia Federal ouviu e liberou suspeito, e decretou sigilo nas investigações.

O G1 apurou que os criminosos vestiam roupas pretas de borracha, semelhantes àquelas usadas por mergulhadores, e estavam com balaclavas (gorro que cobre toda a cabeça). O bando utilizou cordas com nós e um gancho (galateia) para escalar, aproximadamente, 15 metros da lateral frontal do cargueiro para acessar o convés (cobertura superio) por aberturas acima da âncora.

O oficial imediato, profissional que está somente abaixo do comandante em hierarquia, foi um dos três tripulantes que perceberam a invasão. Um dos criminosos, com um facão na mão, correu em direção a ele, que conseguiu isolar com grades toda a área do convés, por onde o grupo embarcou, e alertar os demais colegas sobre o que estava acontecendo a bordo.
Em um comunicado oficial na quinta-feira, a Grimaldi Lines, empresa proprietária do navio, declarou que o protocolo de emergência foi cumprido com sucesso. "O capitão acionou o alarme geral, e todos os tripulantes se abrigaram na sala segura da embarcação. O sistema de segurança também foi ativado para informar o Estado da bandeira [Itália]", declarou.
Ao colocar os 26 marinheiros e oficiais na sala segura, o comandante também acionou o "botão de pânico". Um funcionário da armadora no Brasil, que pediu anonimato, explicou que o alerta foi recebido e confirmado de forma instantânea no Ministério dos Transportes da Itália, onde há uma equipe específica para prestar apoio em ocorrências de pirataria.
O sistema automático de emergência também comunicou o centro de controle de operações da frota da Grimaldi, na Itália, informou a armadora. Enquanto isso, a Praticagem de São Paulo recebia, via canal aberto de rádio, o pedido de socorro do capitão e repassava as informações à Polícia Federal, em Santos. A Marinha do Brasil também foi acionada.
Durante as duas horas de invasão, houve um período de silêncio entre as equipes de emergência e o comandante, uma vez que ele e a tripulação ficaram trancados na sala segura, cujo revestimento é de aço e capaz de suportar até explosões. Ao fim, o capitão afirmou a todos que não haveria necessidade de intervenção, pois os invasores tinham fugido.
No comunicado, a Grimaldi ainda agradeceu às autoridades brasileiras pelo "sucesso na operação", e parabenizou a tripulação por ter enfrentado pela primeira vez a situação de invasão, ao seguir os "protocolos de segurança" utilizado em ataques. "Os representantes da empresa colocaram-se à disposição das autoridades para auxiliá-las na investigação", afirmou.

O G1 também apurou que tratava-se da primeira viagem a Santos daquela formação da tripulação, o que pode afastar eventual envolvimento ou conivência dos marítimos com os narcotraficantes. Entretanto, para não prejudicar o andamento da apuração do caso, a Polícia Federal decidiu tornar sigiloso o inquérito, que ocorre pela Delegacia de Santos.
Investigações
O bando utilizou uma embarcação de pequeno porte para enfrentar ondas de 2,5 metros, provenientes de uma ressaca marítima, e chegar ao navio, ancorado no Fundeadouro 4. Trata-se de uma área de 100 mil metros quadrados onde os cargueiros aguardam autorização para entrar no cais santista e realizar operações de carga e descarga de mercadorias.
A delegada Luciana Fuschini, responsável pelo caso, afirmou anteriormente ao G1 acreditar que os criminosos simularam a pirataria para levar cocaína a bordo. "Encontramos e apreendemos 1,3 tonelada da droga, e algumas das 41 malas em que elas eram armazenas estavam molhadas. Por isso, acreditamos que parte foi levada ao navio durante aquela invasão".
O comandante e os tripulantes prestaram depoimentos na terça-feira (14), e o conteúdo do que eles disseram não pode ser divulgado pela Polícia Federal. Ainda quarta-feira, a Grimaldi confirmou que a delegada esteve a bordo do navio para ouvir outros membros da tripulação e reconstituir a invasão. O cargueiro foi liberado para seguir viagem nesta quinta-feira (16).
Na segunda-feira, um dia após a ocorrência, policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), da Polícia Militar, detiveram um suspeito de participação no crime no bairro Gonzaga, em Santos, após denúncias anônimas. O homem foi liberado após ser ouvido, mas o celular dele foi apreendido para ser analisado e, posteriormente, periciado.
Juntas, a Polícia Federal e a Alfândega da Receita Federal no Porto de Santos contabilizam mais de 14 toneladas de cocaína interceptadas no cais santista este ano. Trata-se de um número recorde no complexo portuário, considerado o principal do Brasil. A quantidade registrada supera as apreensões de 2017 (11.539 kg) e 2016 (10.622 kg).
Fonte: G1 Santos


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