Postagem em destaque

NO PODCAST PORTO&GENTE CONTEI UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA NO PORTO DE SANTOS

Uma trajetória de mais de 30 anos, com atuação na Receita Federal, na Guarda Portuária, nas áreas sindical, cooperativista, beneficente e em...

sexta-feira, 12 de julho de 2024

0

CERCO DA PF E DA EUROPOL EXPÕE ROTA DO TRÁFICO COM PCC E MÁFIAS DOS BÁLCÃS


Aliança entre facção brasileira e grupos da Europa para levar cocaína movimentou 371 milhões de em 500 contas bancárias

Maior mercado consumidor de cocaína do mundo, a Europa viu durante anos a ascensão de grupos marginais que viraram referência para o crime organizado em todo o planeta, como a siciliana Cosa Nostra, a mais antiga máfia da história, ou a Camorra, que impôs o terror a partir do porto de Nápoles, por onde chegava boa parte da droga. 

O poder dessas quadrilhas, construído por meio de corrupção e violência, inspirou sucessos literários como Gomorra (Roberto Saviano) e O Poderoso Chefão (Mario Puzo) — este serviu de base à trilogia homônima imortalizada por Francis Ford Coppola no cinema. Nos últimos anos, no entanto, o controle sobre o mercado foi se pulverizando, com o surgimento de falanges baseadas em países periféricos, mas que agem de forma coordenada para abastecer o Velho Continente — entre elas, está uma sigla bem conhecida dos brasileiros: PCC.

O alerta, que já está disparado há algum tempo, voltou a soar com força há pouco mais de uma semana. Uma megaoperação coordenada pela Europol, a polícia da União Europeia, com participação da PF brasileira, prendeu quarenta pessoas, no Brasil, na Croácia, Alemanha, Sérvia, Espanha e Turquia, acusadas de enviarem drogas à Europa — a PF e a Europol não detalham as prisões. Em solo brasileiro, foram apreendidos 12,5 milhões de euros e 3 milhões de dólares, soma equivalente a 90 milhões de  reais. Além disso, 50 milhões de euros foram bloqueados na Sérvia. Uma investigação de março revelou que o esquema já movimentou 371 milhões de euros em cerca de 500 contas bancárias.

O papel do PCC não é pequeno. O entorpecente vem dos países produtores (Colômbia, Peru e Bolívia), passa por Brasil e África e entra no continente europeu pelos portos dos Bálcãs (Bósnia e Herzegovina, Croácia, Romênia e Turquia), uma alternativa aos destinos clássicos — e ainda utilizados —, como Hamburgo (Alemanha), Antuérpia (Bélgica) e Roterdã (Holanda). 

LEIA TAMBÉM: OPERAÇÃO DESMANTELA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGA

Além de ser responsável pelo transporte terrestre da droga, a rede brasileira fornecia serviços de logística e facilitava a lavagem de dinheiro para outras quadrilhas. “As organizações estão sempre se reinventando”, afirma o secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo.

A cocaína ainda é a grande mercadoria do tráfico internacional. No começo do ano, o quilo da droga chegou a custar 84 000 dólares na França, mais de vinte vezes o preço do início da cadeia produtiva. Antes, as máfias europeias enviavam membros à América Latina para cuidarem da compra e do transporte da droga. Porém, além de custar caro e ser pouco eficiente, pela falta de conhecimento da região, o método chamava a atenção das autoridades. 

Por isso, as facções firmaram alianças com grupos latinos para terceirizar a operação e ficar com a distribuição e venda. Chefes do PCC, como André de Oliveira Macedo, o André do Rap, Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, e Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola — este o capo di tutti capi da facção —, já vendiam ao exterior a sua própria cocaína desde 2009, mas a organização, de forma articulada, entrou no tráfico internacional em 2017. Hoje, as maiores alianças são com a ‘Ndrangheta — que tomou o lugar da Cosa Nostra como a principal quadrilha da Itália —, com traficantes sérvios e com a máfia albanesa, conhecida pela violência e por assumir o “trabalho sujo” que não interessa mais à organização italiana.

A articulação das facções preocupa — e muito — os governos da Europa. Em abril, uma comitiva de autoridades da Justiça da Romênia e da República Tcheca esteve no Brasil para debater, entre outros temas, o tráfico de cocaína na Europa com participação decisiva de brasileiros. O caráter transnacional do problema exige cada vez mais cooperação. 

Em novembro de 2023, os países da América do Sul criaram em Brasília a Ameripol, uma polícia continental. A iniciativa foi um passo importante, mas está longe do ideal. Hoje, grande parte da colaboração do país com outras polícias se dá no cumprimento de diligências — e não para dividir a investigação. “O crime organizado não tem fronteiras, nós é que temos”, diz o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que investiga o PCC desde o surgimento e diz que a sua expansão foi negligenciada pelas autoridades. Nem a negligência, nem o improviso e a desarticulação podem dar mais o tom na reação do país ao poderio do crime. O alarme já soou até na Europa.

Fonte: Autor: Isabella Alonso Panho - publicado em VEJA de 21 de junho de 2024, edição nº 2898


* Esclarecemos que esta publicação é de inteira responsabilidade dos autores e do veículo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.      

Respeitamos  quem se dedica para obter a informação, a fim de poder retransmitir aos outros, informando o autor e a fonte, disponibilizando o link da origem da publicação .  Os artigos e notícias, originais deste Portal, tem a reprodução autorizada pelo autor, desde que, seja mencionada a fonte e um link seja posto para o mesmo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários publicados não representam a opinião do Portal Segurança Portuária Em Foco. A responsabilidade é do autor da mensagem. Não serão aceitos comentários anônimos. Caso não tenha conta no Google, entre como anônimo mas se identique no final do seu comentário e insira o seu e-mail.

LEGISLAÇÕES