O sistema deverá contribuir para a prevenção e a repressão de ilícitos relacionados a embarcações e instalações portuárias
A Autoridade
Portuária de Santos (APS) assinou, na última quinta-feira (6), com o Consórcio
Portulano, o contrato para implantação do Sistema de Gerenciamento de
Informações do Tráfego de Embarcações (Vessel Traffic Management Information
System – VTMIS) no Porto de Santos, no litoral de São Paulo.
O sistema deverá
ampliar o monitoramento do tráfego marítimo na área do Porto Organizado,
contribuindo para a segurança da navegação, a eficiência operacional e o
compartilhamento de informações com órgãos que atuam na fiscalização e na
segurança portuária.
Cerimônia
A cerimônia de
assinatura ocorreu na sede da Autoridade Portuária de Santos e contou com a
participação da diretoria da APS, de representantes do consórcio vencedor e da
Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP).
Sistema
O VTMIS permitirá o
monitoramento, em tempo real, do tráfego de embarcações na área abrangida pelo
sistema.
A tecnologia deverá
auxiliar no acompanhamento das entradas e saídas de navios, nas manobras e na
utilização das instalações portuárias, além de fornecer informações para a
tomada de decisões relacionadas à segurança da navegação e à gestão do tráfego
marítimo.
A implantação integra
o conjunto de iniciativas tecnológicas da APS, que inclui o Sistema Integrado
de Gestão Portuária, o Sistema de Sequenciamento de Navios, o Gêmeo Digital, a
rede 5G, o Smart Porto e o aplicativo Porto de Santos, entre outras
iniciativas.
Câmeras e estações de monitoramento
O projeto prevê a
instalação de câmeras, radares e outros equipamentos de monitoramento em pontos
estratégicos, incluindo áreas elevadas como a Ilha da Moela, no Guarujá.
As informações
produzidas pelos equipamentos serão transmitidas para um centro operacional
instalado na sede da APS, permitindo o acompanhamento do tráfego marítimo e o
suporte à resposta a diferentes situações, desde a aproximação das embarcações
até sua movimentação no canal de acesso, áreas de fundeio e regiões próximas
aos terminais portuários.
Compartilhamento de informações
Segundo a APS, o
VTMIS Santos também permitirá o compartilhamento de informações com órgãos que
atuam na segurança e fiscalização marítima e portuária, entre eles o Núcleo
Especial de Polícia Marítima (Nepom), da Polícia Federal, a Marinha do Brasil e
a Receita Federal.
A integração deverá
contribuir para a prevenção e a repressão de ilícitos relacionados a
embarcações e instalações portuárias, inclusive aqueles relacionados ao tráfico
internacional de drogas.
O sistema também
deverá permitir a identificação de movimentações que estejam em desacordo com
os parâmetros de navegação ou de acesso estabelecidos para a área monitorada,
possibilitando o acionamento dos órgãos competentes quando necessário.
Valor do contrato
O contrato tem valor
global de R$ 88,99 milhões e duração de cinco anos.
Segundo a APS, o
período contratual compreende a implantação da infraestrutura e dos
equipamentos, com prazo de até dois anos, e três anos de serviços de logística
integrada, incluindo manutenção e suporte operacional.
O Consórcio
Portulano é formado pelas empresas BEN Bureau Engenharia & Negócios, Erival
Telecomunicações Comércio e Representações e Almaviva Solutions.
Projeto aguardado há mais de 15 anos
A implantação do
VTMIS no Porto de Santos é discutida há mais de 15 anos.
Segundo a APS,
mudanças institucionais, revisões de escopo, alterações regulatórias e
prioridades de investimento contribuíram para o adiamento do projeto.
A autoridade
portuária considera o empreendimento estratégico para ampliar a segurança da
navegação, a proteção das instalações portuárias, a eficiência operacional e a
sustentabilidade das operações marítimas.
Para viabilizar a
implantação, foram realizados estudos preliminares e estabelecidas três
premissas: redução do prazo de implantação, aproveitamento de radares e
infraestrutura disponibilizados em contrato anterior e avanço das negociações
com os proprietários dos terrenos onde serão instaladas as estações de radar.
O projeto foi
posteriormente submetido à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), da
Marinha do Brasil, responsável pelos procedimentos relacionados à implantação e
autorização do Serviço de Tráfego de Embarcações.
Segundo a APS, a
Marinha concedeu, em setembro de 2024, a licença de implantação.
Após essa etapa,
foram providenciados os acordos e autorizações necessários ao lançamento da
licitação, tais como: avaliação dos terrenos utilizados, dispensa de
licenciamento ambiental pelos órgãos ambientais (Ibama e Cetesb), acordo com a
Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e a Marinha para utilização do Farol da
Ilha da Moela para estruturas de transmissão de dados.
Antes da publicação
do edital, a APS produziu aproximadamente 11 mil documentos, segundo
informações da própria autoridade portuária.
Início da operação
De acordo com o
edital, a empresa contratada terá até dois anos para implantar a infraestrutura
física e tecnológica do sistema.
Os três anos
seguintes serão destinados aos serviços de suporte logístico integrado, manutenção
e consolidação operacional.
A expectativa da APS
é que o VTMIS entre em operação assistida em agosto de 2027, após os
procedimentos de homologação pela Marinha do Brasil.
A operação plena
está prevista para o segundo semestre de 2028, quando deverão estar em
funcionamento todas as estações de radar, os sistemas de monitoramento
meteorológico e os equipamentos hidroceanográficos previstos no projeto.
Principais benefícios esperados
- Segurança da navegação: o monitoramento do tráfego marítimo poderá auxiliar na identificação de situações de risco, contribuindo para a prevenção de colisões, encalhes e outros incidentes.
- Salvaguarda da vida humana no mar: as informações disponibilizadas pelo sistema poderão auxiliar na identificação de situações de emergência e no acionamento dos órgãos responsáveis, contribuindo para a proteção da vida de tripulantes, passageiros e trabalhadores portuários.
- Eficiência operacional: o acompanhamento do fluxo de embarcações poderá melhorar o planejamento das operações de entrada, saída, atracação e fundeio.
- Proteção ambiental: informações meteorológicas, hidroceanográficas e relacionadas à movimentação das embarcações poderão auxiliar na prevenção e resposta a ocorrências com potencial de impacto ambiental.
- Gestão portuária: os dados poderão subsidiar o planejamento das operações e a tomada de decisões relacionadas à utilização da infraestrutura portuária, facilitando o planejamento logístico, o controle de cargas, a segurança portuária e o atendimento a exigências regulatórias.
- Integração com serviços de emergência: o sistema poderá apoiar operações de busca e salvamento, combate a incêndios e atendimento a outras situações de emergência.
- Integração institucional: o compartilhamento de informações poderá ampliar a cooperação entre a autoridade portuária e os órgãos responsáveis pela segurança, fiscalização e segurança da navegação.
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