Operação realizada em 19 de outubro, amplia as
perspectivas de uso do biocombustível brasileiro no transporte marítimo
internacional
O
Porto de Santos iniciou uma nova etapa no abastecimento de embarcações com
etanol. A primeira operação da fase regular foi realizada em 19 de outubro de
2026, com o abastecimento do navio porta-contêineres CMA CGM IRON, de 13 mil
TEUs. A iniciativa reúne a Autoridade Portuária de Santos (APS), a CMA CGM, a
Copersucar, a Bunker One, a AGEO Terminais, a Santos Brasil e a Evolua Etanol.
A
operação dá continuidade ao abastecimento pioneiro realizado em julho e busca
estabelecer uma cadeia comercial para o fornecimento do biocombustível a
embarcações de longo curso. Até o fim de 2026, estão previstos novos
abastecimentos de navios da CMA CGM com etanol fornecido pela Copersucar.
O
CMA CGM IRON é equipado com o motor Everllence-B&W G95ME-C10.5-LGIM, o
primeiro motor tricombustível do mundo certificado para operar com etanol,
conforme informações divulgadas pelas empresas envolvidas. A tecnologia permite
ampliar as alternativas de combustível disponíveis para a embarcação,
contribuindo para a diversificação energética do transporte marítimo.
Para
Giovani Grassi, CEO da CMA CGM do Brasil, o início das operações regulares
representa um avanço na utilização comercial do biocombustível.
“Após
a primeira operação realizada em julho, estamos agora avançando para uma nova
fase, demonstrando que o etanol pode ser incorporado às operações marítimas de
forma segura, confiável e em escala comercial. Essa iniciativa reforça o compromisso
da CMA CGM em acelerar a adoção de soluções de menor intensidade de carbono e
apoiar o desenvolvimento de novos ecossistemas energéticos para o setor
marítimo”, afirma.
Cadeia logística conecta produção brasileira ao
transporte marítimo
A operação
envolve diferentes etapas de fornecimento, transporte, armazenamento e
abastecimento. O etanol produzido pelas usinas associadas à Copersucar é
fornecido e transportado até o Porto de Santos pela Evolua Etanol, empresa do
ecossistema da companhia, e armazenado pela AGEO Terminais.
O
abastecimento ocorre no terminal da Santos Brasil, com atuação da Bunker One,
responsável pelo desenvolvimento de um protocolo específico para a operação com
etanol. Segundo as empresas, o procedimento foi elaborado após meses de estudos
e treinamento das equipes, considerando as características do combustível,
incluindo seu baixo ponto de fulgor.
Para
Antônio Carlos Sepúlveda, diretor-presidente da Santos Brasil, a participação
nesse tipo de iniciativa está alinhada à agenda de sustentabilidade da empresa.
“Temos
atuado fortemente para reduzir a pegada de carbono das nossas operações e dos
nossos clientes. Contribuir com a transição energética da navegação também faz
parte dessa agenda”, afirma.
Etanol amplia alternativas para a transição
energética
A
utilização de etanol no transporte marítimo abre uma nova possibilidade de
mercado para o biocombustível brasileiro. O setor busca alternativas aos
combustíveis fósseis para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, em um
processo que envolve desafios tecnológicos, logísticos, econômicos e
regulatórios.
Segundo
estimativas apresentadas pelo setor, o consumo global de combustíveis marítimos
supera 270 bilhões de litros por ano. Considerando a equivalência energética
entre os combustíveis, a substituição de uma parcela desse consumo por etanol
poderia representar uma demanda potencial adicional de aproximadamente 50
bilhões de litros anuais.
Esse
cenário depende, entre outros fatores, da competitividade do combustível, da
disponibilidade de embarcações compatíveis e da capacidade de ampliar a
infraestrutura de abastecimento. A redução efetiva das emissões também depende
da intensidade de carbono do etanol ao longo de seu ciclo de vida e das
condições de utilização.
Tomás
Manzano, presidente da Copersucar, considera que a iniciativa abre novas
perspectivas para o mercado brasileiro.
“Este
é um marco para o etanol e para a navegação: inaugura o primeiro corredor verde
de abastecimento marítimo com etanol do mundo e abre um novo mercado de destino
global para o combustível. Com essa iniciativa, a Copersucar viabiliza o uso do
etanol em uma operação comercial regular, conectando a capacidade produtiva e
logística do Brasil à demanda internacional por descarbonização”, destaca.
A
caracterização da iniciativa como o primeiro corredor verde mundial é uma
avaliação da companhia e depende da definição dos critérios utilizados para
estabelecer esse pioneirismo.
Perspectivas de expansão
A
ampliação do uso de etanol na navegação também está relacionada ao
desenvolvimento de motores capazes de operar com combustíveis alternativos.
Embarcações equipadas com tecnologias compatíveis podem ampliar as
possibilidades de utilização do biocombustível, desde que atendidos os
requisitos técnicos e de segurança aplicáveis a cada navio.
De
acordo com informações divulgadas pelo setor, há uma perspectiva de crescimento
da frota preparada para utilizar combustíveis como metanol, o que pode ampliar
o mercado potencial para o etanol em determinadas configurações de motores. A
compatibilidade, contudo, deve ser verificada para cada embarcação e sistema de
propulsão.
Para
Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One LatAm, a iniciativa aproxima a capacidade
produtiva brasileira das necessidades do transporte marítimo internacional.
“O
Brasil conhece o potencial do etanol há décadas. Agora, estamos levando essa
experiência para a navegação internacional, combinando a capacidade de produção
brasileira com a experiência e a cobertura global da Bunker One. Ao liderar
essa iniciativa, o Porto de Santos se posiciona como destino estratégico para
armadores que buscam reduzir suas emissões”, afirma.
O
presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, também destaca a
importância da cooperação entre as instituições envolvidas para desenvolver
novas alternativas de abastecimento marítimo.
Com
a continuidade das operações, o Porto de Santos amplia sua atuação no mercado
de combustíveis marítimos alternativos e reforça o papel da infraestrutura
portuária e da cadeia produtiva brasileira na transição energética do
transporte internacional.
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