A principal linha de investigação aponta para o mercado
internacional, especialmente o Reino Unido e outros países da Europa
A Polícia Civil de
Santa Catarina apreendeu 4.426,2 quilos de cocaína em um galpão localizado no
bairro Nossa Senhora da Paz, próximo ao Posto Graal, às margens da BR-101, em
Balneário Piçarras, no Litoral Norte catarinense. A operação foi realizada na
quinta-feira (29) pela Delegacia de Combate às Drogas (DECOD) de Itajaí e
resultou na prisão em flagrante de seis cidadãos britânicos.
Segundo a Polícia
Civil, esta foi a maior apreensão de cocaína já registrada na história de Santa
Catarina. A droga estava escondida em meio a uma carga de materiais de borracha
utilizados na fabricação de pneus e câmaras.
Os seis estrangeiros
foram autuados em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e associação para
o tráfico. De acordo com a corporação, o grupo estava no Brasil desde meados de
setembro de 2026.
A principal linha de
investigação aponta para o mercado internacional, especialmente o Reino Unido e
outros países da Europa, como possível destino da cocaína.
O fato de todos os
seis presos na operação serem cidadãos britânicos e o galpão ficar a uma
distância de aproximadamente 25 a 27 quilômetros do Porto de Itajaí, reforça
essa tese.
Entretanto, a origem
da droga e a rota que seria utilizada para o transporte ainda estão sendo
investigadas.
Investigação
De acordo com o
delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Marcelo Sampaio Nogueira, a
operação foi resultado de aproximadamente um mês de investigação conduzida pela
Delegacia de Combate a Drogas (DECOD), de Itajaí.
As primeiras
informações sobre atividades suspeitas chegaram à polícia entre três e quatro
semanas antes da operação. Os investigadores identificaram um furgão branco que
permanecia estacionado em uma área isolada durante a noite e circulava pela
região ao longo do dia.
Durante o
monitoramento, os policiais observaram que pessoas chegavam ao local utilizando
dois veículos alugados, um Hyundai Creta e um Nissan Kicks. Os automóveis eram
deixados estacionados próximos ao furgão, e os ocupantes seguiam viagem
utilizando a van.
A partir de
consultas aos sistemas policiais e de levantamentos de inteligência, os
investigadores identificaram que os veículos alugados estavam vinculados a dois
cidadãos britânicos. A informação aumentou as suspeitas e levou ao aprofundamento
do acompanhamento da movimentação.
— Nos chamou muita
atenção quando focamos na van utilizada. Começamos a ter várias suspeitas desse
movimento: por que eles chegavam com carros bons, deixavam esses automóveis
junto à van e iam para algum lugar que ainda não sabíamos? — relatou Eduardo
Dallo, delegado responsável pela DECOD de Itajaí.
Segundo os
investigadores, inicialmente foi considerada a possibilidade de que o grupo
estivesse transportando produtos alimentícios, como frango refrigerado. A hipótese
perdeu força após uma análise do consumo de energia do imóvel indicar que o
galpão não possuía estrutura compatível com o funcionamento de uma câmara fria.
As últimas 72 horas
de investigação foram decisivas para a operação. Na quinta-feira (29), os
policiais decidiram abordar o furgão no momento em que deixava o imóvel.
Dentro do veículo,
foram encontrados materiais de borracha utilizados na fabricação de pneus e
câmaras, além de aproximadamente cinco quilos de cocaína. Os cinco ocupantes
foram abordados, e os policiais prosseguiram com as diligências no galpão.
Galpão
No interior do
imóvel, os investigadores encontraram um sexto homem, que, segundo a Polícia
Civil, era responsável por vigiar a carga. O galpão estava trancado pelo lado
de fora com um cadeado.
No local, havia
diversos paletes envolvidos em plástico-filme e protegidos por materiais de
borracha, além de produtos químicos. O forte odor percebido pelos policiais
levantou a suspeita de que esses produtos poderiam estar sendo utilizados para
dificultar a identificação da droga por cães farejadores.
Durante a abertura
dos paletes, os investigadores não encontraram cocaína nos primeiros conjuntos
examinados. A droga foi localizada em um dos paletes armazenados no fundo do
galpão.
Ao perceber que os
policiais haviam encontrado o entorpecente, um dos suspeitos, que aparentava
exercer posição de liderança no grupo e falava um pouco de português, teria
informado que havia aproximadamente quatro toneladas de cocaína naquele setor.
Cães farejadores e perícia
A equipe solicitou
apoio do Núcleo de Operações com Cães da Polícia Civil. Durante as buscas, o
animal indicou a presença de mais entorpecentes entre os materiais armazenados.
Com o auxílio de uma
balança encontrada no próprio galpão, os policiais contabilizaram
aproximadamente 4.426,2 quilos de cocaína.
A Polícia Científica
realizou exames periciais em amostras do material apreendido e confirmou que se
tratava de cocaína.
Prisão em Flagrante
Os seis homens foram
presos em flagrante e autuados por tráfico de drogas e associação para o
tráfico. Segundo a Polícia Civil, a Embaixada do Reino Unido foi comunicada
sobre as prisões, e os estrangeiros puderam entrar em contato com seus
familiares no exterior.
Também foram
apreendidos aparelhos celulares, que serão submetidos à análise para auxiliar
na identificação da origem e do destino da droga, da logística de transporte e
de possíveis outros envolvidos no esquema.
Após a apreensão, o
entorpecente foi encaminhado à sede do Departamento de Investigação Criminal
(DIC) de Itajaí.
A Polícia Civil
informou que já havia representado à Justiça pela conversão das seis prisões em
flagrante em prisões preventivas. A investigação continua para identificar os
responsáveis pela carga e esclarecer se o grupo integra uma organização
criminosa com atuação nacional ou internacional.
— Acreditamos
veementemente que há uma organização criminosa por trás, dado o alto valor
financeiro envolvido, mas a investigação dirá se é uma organização nacional ou
internacional — afirmou o delegado-geral Marcelo Sampaio Nogueira.
Prejuízo estimado em mais de R$ 486 milhões
Segundo o
delegado-geral, cada quilo da cocaína apreendida poderia ser comercializado no
Reino Unido por aproximadamente R$ 110 mil.
Com base nessa
estimativa, o valor potencial da carga ultrapassaria R$ 486 milhões,
representando um expressivo prejuízo financeiro para o narcotráfico.
A Polícia Civil
destacou que a apreensão representa a maior quantidade de cocaína já retirada
de circulação em uma única operação no estado, enquanto as investigações
continuam para esclarecer toda a cadeia logística e financeira envolvida no
transporte do entorpecente.
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