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quinta-feira, 28 de março de 2019

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DELEGADO ESPECIALISTA NO COMBATE AO NARCOTRÁFICO ASSUME COMANDO DA PF EM SANTOS



Em entrevista exclusiva ao G1, delegado Ciro Tadeu Moraes, que já combateu o tráfico na fronteira com a Bolívia, fala em tornar a polícia marítima mais operacional no Porto de Santos
O delegado Ciro Tadeu Moraes, de 51 anos, é o novo chefe da Polícia Federal em Santos, no litoral de São Paulo. Este mês, ele assume o cargo então ocupado pelo delegado Gilberto Antônio de Castro Júnior, que, após um ano, decidiu retornar ao comando da unidade de São Sebastião (SP).
Moraes está há uma década em Santos, mas há 16 anos na PF - a maior parte deles dedicada ao combate ao narcotráfico. O convite à função partiu do novo superintendente paulista, o delegado Lindinalvo Alexandrino de Almeida Filho, empossado após as mudanças de gestão em Brasília (DF).
A unidade é considerada uma das mais relevantes e estratégicas do órgão. Além de abranger 24 cidades entre as regiões da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, onde vivem aproximadamente 2,5 milhões de pessoas, é também responsável pelo Porto de Santos, o principal do país.
Gilberto retornou à delegacia da qual é procedente, pois entendeu que a missão dele foi cumprida. O pedido foi acatado pelo superintendente. No início de 2018, o agora ex-chefe de Santos recebeu ordens para garantir apoio às investigações que ocorriam no porto.
"Santos é uma delegacia que tem um viés operacional muito grande, com várias investigações importantes. A minha missão está muito clara: continuar o trabalho que já era realizado, além, é claro, de viabilizar toda e qualquer necessidade dos colegas", afirma o novo delegado-chefe.
Ciro quebrou uma tradição e decidiu não presidir a Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos (Cesportos), cuja coordenação cabe à PF, antes representada pelo chefe da delegacia santista. O dever foi entregue à delegada Luciana Fuschini, interina desde a transição.
"A delegada está fazendo um excelente trabalho. Eu entendo que meu papel é auxiliá-la e, também, ajudar a comissão como um todo, mas não na coordenação", afirma o delegado. A Cesportos reúne órgãos diversos e é responsável pelo planejamento de ações de segurança no cais.
Formado em Direito, Moraes também é administrador. Começou a carreira como agente na capital paulista, depois passou em concurso para delegado e trabalhou em unidades da PF no Mato Grosso por três anos e meio, antes de ser transferido para o litoral paulista.
"Muito difícil comparar. Em Mato Grosso, eu trabalhei na repressão de entorpecente e, lá, a gente cuidava da droga entrando no país. Aqui, temos no maior porto do Brasil, o maior da América Latina, um grande porto de trânsito de droga, de cocaína, para a Europa", comenta.
Entre as operações das quais fez parte, ele destaca Sapicuá (2007) e Fronteira Branca (2009), no combate ao tráfico na fronteira com a Bolívia. O delegado lembra, ainda, da Navio Fantasma (2012), contra o contrabando, e Opus Magna (2013), de desvio de químicos no porto.
Em Santos, o delegado já chefiou os núcleos de Operações, de Polícia Marítima e de Inteligência. Também atuou na substituição do comando da delegacia na ausência do delegado-chefe, assim como na função de delegado-executivo (o número dois na escala de hierarquia do órgão).
"É evidente que [o combate ao narcotráfico] é importante. É um lado que eu sempre estive envolvido. Vamos continuar combatendo, mas, não é nosso único foco de trabalho. Toda investigação que se inicia é muito importante, independentemente da área", afirma.
A primeira entrevista de Ciro Tadeu Moraes como delegado-chefe da Polícia Federal em Santos foi concedida ao G1.
Como foi o convite para comandar a Delegacia da Polícia Federal em Santos?
Fui chamado pelo superintendente para uma reunião há cerca de um mês, e ele explicou qual era a situação em relação à chefia de Santos. O doutor Gilberto tinha a pretensão de sair da delegacia, pois tinha a ideia de voltar a São Sebastião. Por isso, ele me convidou para a chefia. Ele considerou o trabalho anterior aqui mesmo na delegacia em Santos. Pedi um dia para pensar, e eu aceitei. Aqui em Santos, já fui chefe de alguns núcleos: Operações, Especial de Polícia Marítima e Inteligência Policial. Eu também já atuei em substituição ao próprio chefe da delegacia e ao delegado-executivo.
Qual a diferença de gestão entre a função de chefe de núcleo para a de delegado-chefe? Para o senhor, é um novo desafio?
É lógico que é um desafio, embora eu já tenha exercido funções não tão abrangentes como a de chefe da delegacia. Eu encaro como um desafio. Foi um pouco de surpresa, claro, mas, depois, refletindo, é natural que o convite poderia ocorrer, assim como eu imagino que para o todos os delegados aqui de Santos, pois todos têm condições de chefiar. Agora, como chefe da delegacia, tudo está incluso. Tenho sob responsabilidade a gestão, gestão de pessoas e de material, por exemplo. Santos é uma delegacia grande e importante, com tantos municípios sob responsabilidade. Como chefe de núcleo, você tem questões específicas, enquanto que, agora, tudo se torna mais amplo.
A sua carreira é fincada na presidência de inquéritos, na investigação, no trabalho de rua. O que o senhor pretende ao assumir a função de chefe?
Embora eu tenha dito que é um novo desafio, mas, sinceramente, eu não encaro como algo difícil, impossível ou desagradável. É adaptação. Eu gosto muito do inquérito policial, eu gosto da investigação. É difícil, pela carga de trabalho da chefia da delegacia, eu conseguir manter isso. Com relação a estar na chefia na delegacia, eu sei o que eu quero fazer e sei qual é meu papel, que é o de permitir que os colegas trabalhem e dar condições para que os policiais trabalhem e façam o melhor trabalho possível, sem prejuízo pessoal de cada um. Meu maior papel de chefe é ajudar as pessoas que estão com você a conseguirem fazer os respectivos trabalhos. Não é somente você cobrar ou direcionar, afinal, todo mundo sabe o que tem que fazer e todos têm a intenção de fazer bem feito. Você tem é que prover esses meios. Eu quero viabilizar o trabalho deles.
O delegado Gilberto Antônio de Castro Júnior, seu antecessor, chegou a Santos com a clara missão de dar continuidade ao trabalho do então delegado-chefe Julio Cesar Baida Filho, que foi retirado do cargo repentinamente pelo antigo diretor-geral da Polícia Federal. Entre os objetivos estavam a de dar andamento às investigações que ocorriam, sem qualquer tipo de possível interferência externa. Qual é a sua missão?
A missão, para mim, está muito clara. Santos é uma delegacia que tem um viés operacional muito grande, com várias investigações importantes. A minha missão está muito clara: continuar o trabalho que já era realizado [e que foi iniciado pelos antecessores], além, é claro, de viabilizar toda e qualquer necessidade dos colegas.
O senhor é bastante conhecido pelo combate ao tráfico internacional de drogas, inclusive quando esteve trabalhando no Mato Grosso. Esse será o foco da sua gestão?
Minha formação, por assim dizer, foi no combate ao tráfico de drogas. O primeiro flagrante que eu dei foi no Aeroporto [Internacional de São Paulo] no crime de tráfico. Era um africano que estava embarcando em um avião. No raio-X, se percebeu que tinha alguma coisa. Mas é difícil falar em principal foco. A gente não pode estipular que é um foco e direcionar todas as ações para um só lado. É evidente que [o combate ao narcotráfico] é um lado importante e que eu estou diretamente envolvido, o que me faz evitar a tendência de direcionar as forças para esse lado. Vamos continuar, claro, combatendo, mas não é nosso único foco de trabalho. Toda investigação que se inicia é muito importante, independentemente da área. Não temos como estipular o combate a um crime específico. A delegacia em Santos tem uma característica que não é só Polícia Federal em Santos que investiga os crimes ocorridos aqui. Você sabe que tem várias operações policiais que ocorrem no Brasil inteiro, que têm investigado ou têm situações investigadas em Santos e em toda a região. Isso é extremamente comum, e a gente dá apoio nessas situações.
Qual a diferença entre o trabalho realizado nas unidades da Polícia Federal no Mato Grosso e em Santos?
Muito difícil fazer essa comparação. Em Mato Grosso, eu trabalhei na delegacia de repressão de entorpecentes, e lá a gente cuidava da droga entrando no país. Aqui [Santos], a gente tem no maior porto do país, no maior porto da América Latina, um grande local de trânsito de droga, principalmente de cocaína para a Europa. A gente cuida e tenta evitar a droga saindo do país, depois dela ter feito todo o esse trânsito entre a fronteira terrestre [do Brasil] com os países andinos [Bolívia, Peru e Colômbia] e a saída [da droga] pelo porto [para o continente europeu], por exemplo.
Ainda sobre o tráfico internacional de drogas, o Porto de Santos registrou recordes de apreensões nos últimos anos. Os números são resultados do trabalho da Polícia Federal e de ações de outros órgãos. O senhor, inclusive, defende a formação de grupos de trabalho entre órgãos para não somente troca de informações, mas para fortalecer o combate ao crime em uma união de esforços, certo?
Não existe, hoje, formalização de grupos de trabalho para, por exemplo, o combate ao crime organizado. O que existe, e talvez seja o mais importante, é que, de fato, se atua nesse sentido. O combate ao tráfico é um dos exemplos, e é de percepção mais fácil. A Receita Federal, por exemplo, a partir de informações que ela mesmo obteve, ou a partir de informações da polícia, ou mesmo por meio da própria sistemática de impedimento de situações ilícitas nos terminais, detecta uma carga de droga em contêiner e, a partir daí, pela investigação da Polícia Federal, você consegue chegar à autoria. Assim, você percebe uma sinergia clara entre os órgãos. Eu acho que é um exemplo bem palpável. A gente consegue ver que na prática funciona, embora não tenha essa formalização de um acordo de cooperação, por enquanto.
A formalização é necessária?
Eu acho que não. Talvez, se não estivesse funcionando, seria necessária para começar a funcionar.
O senhor falou sobre autoria do crime. Por qual motivo se apreende tanta droga no porto, mas aparentemente não se chega ao dono dessa carga ilícita?
No momento da deflagração de uma operação, é quando a gente vai indicar quem era o dono da droga e quem mais estava envolvido. Quando há o flagrante, as pessoas notam mais rapidamente os envolvidos, mas há situações em que a droga é localizada e, a partir disso, a gente chega em outras pessoas. Em muitos casos, a gente não consegue ir além dessas pessoas, pois as quadrilhas que atuam no tráfico de drogas são em formato celular. Então, a pessoa que foi presa em flagrante, às vezes, nem sabe quem são os donos da droga e nunca tiveram contato com eles, mas, sim, outra pessoa que também não identificou de forma completa ou verdadeira. Muitas vezes, a investigação se exaure lá, naquela pessoa. A situação muda quando a apreensão de droga faz parte de um conjunto de uma investigação maior. A gente, também, às vezes, pode chegar no comprador da droga em outro país e fazer o caminho inverso.
Sobre questões administrativas, há o projeto da sede própria da Polícia Federal em Santos que ainda não saiu do papel. Há previsão disso acontecer e houve alteração do projeto pelas obras que a prefeitura anunciou para essa região da cidade?
Não temos nada objetivo, por enquanto. Temos muita vontade e estamos buscando para que a gente consiga executar, em contato com os colegas em Brasília [DF]. Temos essa área cedida [pela União] na Ponta da Praia, mas ainda sem prazo para executar o prédio. Permanece no mesmo local, mas essa área sofreu adaptação. A nova área que está delimitada é perfeita e atende às necessidades.
O Núcleo Especial de Polícia Marítima (Nepom), que hoje ocupa uma área entre um terminal de contêineres, seria transferido para esse terreno cedido para a União, mesmo ainda sem a construção do prédio. Isso ainda vai acontecer?
A transferência demandaria um dispêndio de dinheiro não disponível atualmente, embora fosse uma possibilidade aventada na época.
Ainda sobre o Nepom, há algum investimento previsto ou mudança prevista?
Ainda é cedo, mas, a gente vai tentar dar um caráter mais operacional possível ao Núcleo de Polícia Marítima. Hoje, grande parte do efetivo está envolvido no atendimento ao público, já que a gente faz o controle de entrada e saída dos navios e dos tripulantes. É um trabalho burocrático bastante grande. A gente vai tentar que até as pessoas envolvidas nesse trabalho tenham condições, de alguma forma, de participar mais na operação de polícia marítima. Recentemente, foram investidos aproximadamente R$ 200 mil com nova antena de comunicação e salas de trabalho.
O senhor quebra uma tradição de que os chefes da Polícia Federal em Santos, até então, acumulavam a função de presidência da Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Cesportos) de São Paulo, que reúne diversos órgãos, como Polícia Militar, Polícia Civil, Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Receita Federal, autoridade portuária e outros. Por qual motivo?
A coordenação da Cesportos está sendo executada pela delegada Luciana Fuschini [que era suplemente do ex delegado-chefe e que assumiu a presidência interina durante a transição de chefes], que está fazendo um excelente trabalho. Não tem nenhum sentido, por eu estar como chefe da delegacia, dizer que eu vou fazer um trabalho melhor que o dela e, então, fazer a coordenação da Cesportos. Eu acho que meu papel é ajudar a Luciana e ajudar a Cesportos como um todo, mas não na coordenação. Eu entendo que eu, enquanto chefe da delegacia, não tenho que estar coordenação.
Se o senhor tivesse que fazer um retrospecto, qual a avaliação da sua carreira. Esperava estar onde está hoje?
Eu trabalhei pouco mais de 10 anos como administrador nos Correios. Gostava do que fazia, e sempre gostei, mas sempre quis ser policial. Até na época que eu estava nos Correios, e tinha essa admiração pela Polícia Federal. Eu passei no concurso para agente de Polícia Federal em São Paulo, depois, fiz outro concurso para delegado, e passei. Eu sempre quis ser policial federal, não necessariamente estar nessa cadeira [de chefe]. Quando entrei pela primeira vez na polícia, no cargo de agente, já me senti muito realizado. Profissionalmente, realizado já sou.
Fonte: G1 Santos

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