Marco Cadeddu, de 45 anos, é apontado como um dos
principais operadores do narcotráfico na região da Sardenha
O Supremo Tribunal
Federal (STF) autorizou a extradição do mafioso italiano Marco Cadeddu, que vivia
em uma rotina de luxo no litoral de Santa Catarina.
A decisão, assinada
pelo ministro Gilmar Mendes, reverte uma suspensão temporária e determina a
entrega imediata do criminoso às autoridades da Itália.
Marco Cadeddu
Marco Cadeddu, de 45
anos, é apontado como um dos principais operadores do narcotráfico na região da
Sardenha. Ele foi condenado pela Justiça italiana a 14 anos e seis meses de
prisão. A sentença é referente aos crimes de tráfico de drogas, associação
criminosa, receptação e lavagem de dinheiro.
Segundo as
autoridades italianas, ele chefiava uma organização criminosa formada por mais
de dez narcotraficantes, responsável pela distribuição de cocaína, haxixe e
maconha em Cagliari e cidades vizinhas, na Itália. As investigações apontam que
a quadrilha obtinha drogas por meio de contatos no Marrocos, operando uma rota
internacional de entorpecentes.
A justiça italiana
solicitou formalmente a sua repatriação para que ele cumpra a pena em seu país
de origem.
Vida de Luxo no Brasil
Foragido desde 2020,
Cadeddu figurava na lista de procurados da Interpol antes de ser localizado no
Brasil. Em solo brasileiro passou a viver sob identidade falsa, apresentando-se
como empresário. Ele se casou com uma brasileira, teve filhos e se estabeleceu
em Santa Catarina.
O italiano mantinha
um padrão de vida elevado, com mansão em condomínio de luxo em Balneário
Camboriú, onde residia em uma mansão equipada com compartimentos secretos para
o armazenamento de dinheiro em espécie e veículos de alto valor. Esses bens,
segundo a polícia, eram financiados com recursos do tráfico de drogas.
A prisão e o patrimônio apreendido
A sua captura ocorreu
em junho de 2024, durante a Operação Toppare da Polícia Federal, que contou com
apoio da Interpol. Na ocasião, os agentes apreenderam um patrimônio avaliado em
mais de R$ 30 milhões.
O montante inclui
imóveis de alto padrão, veículos de luxo, joias e grandes quantias em dinheiro
vivo, que seriam fruto de atividades ilícitas.
Em depoimento à PF,
Cadeddu afirmou atuar na "área de eventos corporativos" e disse que
anteriormente trabalhava com "manutenção de piscinas no Paraguai".
Advogados italianos chegaram a recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ)
para que ele cumprisse a pena no Brasil, mas o pedido foi negado.
Extradição para a Itália
Em março de 2025, o
STF decidiu por unanimidade pela extradição de Marco Cadeddu para a Itália. A
base foi a condenação definitiva no país europeu e os tratados de cooperação
internacional.
Em 29 de janeiro, o
embarque do mafioso para a Itália foi suspenso por Gilmar Mendes quando ele já
estava no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A defesa de
Cadeddu alegou que requisitos legais essenciais para a transferência não haviam
sido cumpridos.
Entretanto, após uma
nova análise detalhada da documentação apresentada pelo governo italiano, o
ministro do STF concluiu que todas as condições estabelecidas pela Suprema
Corte brasileira foram plenamente atendidas. Com isso, o magistrado deu sinal
verde para que a Polícia Federal finalize a entrega do preso.
Atualmente, as
autoridades brasileiras e italianas definem os detalhes logísticos para o
transporte do detento. A expectativa é que a extradição de Marco Cadeddu ocorra
nos próximos dias. O caso reforça a cooperação internacional no combate ao
crime organizado e à lavagem de ativos provenientes do narcotráfico europeu em
território nacional.
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