Cônsul-geral americano em São Paulo esteve no Grupo
Tribuna e ressaltou preocupação com atuação do crime organizado no cais
santista
Os Estados Unidos
pretendem ajudar a combater o tráfico internacional de drogas a partir do Porto
de Santos. O cônsul-geral norte-americano em São Paulo, Kevin Murakami, esteve
nesta quinta-feira (5) no Grupo Tribuna, onde se reuniu com empresários e
autoridades do cais santista. Ele disse que o governo do presidente Donald
Trump está preocupado com a ramificação do crime organizado no maior porto do
Brasil para envio de cocaína ao exterior.
“O Porto é um ponto
principal para o comércio internacional, mas também constitui um risco para
grupos organizados que querem exportar e traficar drogas e armas. E agora
também estão importando, trazendo drogas para o Brasil. A segurança de um porto
é uma prioridade”, ressalta Murakami, que esteve pela primeira vez em Santos.
O cônsul afirma que
é fundamental que o setor privado adote medidas efetivas contra
narcotraficantes que colocam a droga nos navios. “E também é muito importante a
inteligência, a troca de informações entre autoridades portuárias de diferentes
países”.
As apreensões de
cocaína vêm aumentando no Porto de Santos. No ano passado, a Receita Federal
interceptou mais de 7 toneladas da droga, que é enviada principalmente para a
Europa, não para os Estados Unidos.
“Independentemente
para onde a droga vai a partir do Porto de Santos, os recursos são para os
grupos criminosos. Então é importante combater para asfixiar as organizações
criminosas”, pontua Murakami.
O cônsul-geral dos
EUA considera a criação de um programa de cooperação para capacitação para
policiais e autoridades que trabalham no Porto de Santos. “É importante essa
cooperação com os Estados Unidos, que têm mais capacidade de identificar
riscos, ameaças e combater para derrotar esse tipo de crime”, explica, ressaltando
que os norte-americanos têm um fluxo constante de informações sobre diferentes
maneiras de traficar drogas usando o Porto de Santos.
Ele não quis
comentar sobre possível investimento financeiro dos Estados Unidos para o
combate aos traficantes no Brasil. “Não quero especular sobre esse tipo de coisa,
mas eu posso dizer que concordo com nossa estratégia nacional de segurança. A
América Latina é uma prioridade, e o Brasil pode ser um parceiro superimportante
para aumentar a segurança pública e também a prosperidade”.
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| Renata Santini Cypriano, Marcos Clemente Santini e Roberto Clemente Santini receberam o cônsul no Grupo Tribuna - Foto: Silvio Luiz/AT |
Avanço do PCC
Kevin Murakami
explicou que os Estados Unidos monitoram o crime organizado no mundo. “O PCC já
se tornou um empreendimento criminoso sofisticado, com mais de 40 mil membros,
operando em 28 países, incluindo os Estados Unidos, gerando receita de bilhões
de dólares anualmente”.
Segundo ele, todos
sabem que o Porto de Santos “se tornou o principal ponto estratégico para as
operações de exportação do PCC” no Brasil. “No Porto de Santos, o PCC atua como
uma empresa de logística para exportar cocaína”, emenda.
O cônsul afirma que
já atuou na Colômbia e no México contra cartéis de drogas. “O PCC se infiltra
em setores da economia e é ainda mais perigoso do que os cartéis”.
Currículo
Kevin Murakami,
diplomata de carreira com a patente de ministro conselheiro, chegou a São Paulo
em setembro do ano passado, após atuar como diretor da Seção de Assuntos
Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei na Embaixada dos EUA em Bogotá,
na Colômbia. Nessa função, supervisionou a implementação de US$ 1 bilhão em
programas de segurança dos EUA.
Anteriormente, foi
conselheiro econômico na embaixada dos EUA na Cidade do México. Ele também foi
chefe de Assuntos Político-Econômicos e vice-diretor principal no Consulado
Geral dos EUA no Rio de Janeiro, onde ajudou a desenvolver e executar
iniciativas bilaterais para apoiar os Jogos Olímpicos do Rio2016, a Copa do
Mundo de 2014 e o desenvolvimento das reservas de hidrocarbonetos do pré-sal.
Autor/Fonte: Maurício Martins / A Tribuna
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