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Uma trajetória de mais de 30 anos, com atuação na Receita Federal, na Guarda Portuária, nas áreas sindical, cooperativista, beneficente e em...

quarta-feira, 11 de março de 2026

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EUA VEEM PORTO DE SANTOS COMO ESTRATÉGICO PARA O TRÁFICO E DEFENDEM COOPERAÇÃO PARA CONTER AVANÇO DO PCC


Cônsul-geral americano em São Paulo esteve no Grupo Tribuna e ressaltou preocupação com atuação do crime organizado no cais santista

Os Estados Unidos pretendem ajudar a combater o tráfico internacional de drogas a partir do Porto de Santos. O cônsul-geral norte-americano em São Paulo, Kevin Murakami, esteve nesta quinta-feira (5) no Grupo Tribuna, onde se reuniu com empresários e autoridades do cais santista. Ele disse que o governo do presidente Donald Trump está preocupado com a ramificação do crime organizado no maior porto do Brasil para envio de cocaína ao exterior.

“O Porto é um ponto principal para o comércio internacional, mas também constitui um risco para grupos organizados que querem exportar e traficar drogas e armas. E agora também estão importando, trazendo drogas para o Brasil. A segurança de um porto é uma prioridade”, ressalta Murakami, que esteve pela primeira vez em Santos.

O cônsul afirma que é fundamental que o setor privado adote medidas efetivas contra narcotraficantes que colocam a droga nos navios. “E também é muito importante a inteligência, a troca de informações entre autoridades portuárias de diferentes países”.

As apreensões de cocaína vêm aumentando no Porto de Santos. No ano passado, a Receita Federal interceptou mais de 7 toneladas da droga, que é enviada principalmente para a Europa, não para os Estados Unidos.

“Independentemente para onde a droga vai a partir do Porto de Santos, os recursos são para os grupos criminosos. Então é importante combater para asfixiar as organizações criminosas”, pontua Murakami.

O cônsul-geral dos EUA considera a criação de um programa de cooperação para capacitação para policiais e autoridades que trabalham no Porto de Santos. “É importante essa cooperação com os Estados Unidos, que têm mais capacidade de identificar riscos, ameaças e combater para derrotar esse tipo de crime”, explica, ressaltando que os norte-americanos têm um fluxo constante de informações sobre diferentes maneiras de traficar drogas usando o Porto de Santos.

Ele não quis comentar sobre possível investimento financeiro dos Estados Unidos para o combate aos traficantes no Brasil. “Não quero especular sobre esse tipo de coisa, mas eu posso dizer que concordo com nossa estratégia nacional de segurança. A América Latina é uma prioridade, e o Brasil pode ser um parceiro superimportante para aumentar a segurança pública e também a prosperidade”.

Renata Santini Cypriano, Marcos Clemente Santini e Roberto Clemente Santini receberam o cônsul no Grupo Tribuna - Foto: Silvio Luiz/AT

Avanço do PCC

Kevin Murakami explicou que os Estados Unidos monitoram o crime organizado no mundo. “O PCC já se tornou um empreendimento criminoso sofisticado, com mais de 40 mil membros, operando em 28 países, incluindo os Estados Unidos, gerando receita de bilhões de dólares anualmente”.

Segundo ele, todos sabem que o Porto de Santos “se tornou o principal ponto estratégico para as operações de exportação do PCC” no Brasil. “No Porto de Santos, o PCC atua como uma empresa de logística para exportar cocaína”, emenda.

O cônsul afirma que já atuou na Colômbia e no México contra cartéis de drogas. “O PCC se infiltra em setores da economia e é ainda mais perigoso do que os cartéis”.

Currículo

Kevin Murakami, diplomata de carreira com a patente de ministro conselheiro, chegou a São Paulo em setembro do ano passado, após atuar como diretor da Seção de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei na Embaixada dos EUA em Bogotá, na Colômbia. Nessa função, supervisionou a implementação de US$ 1 bilhão em programas de segurança dos EUA.

Anteriormente, foi conselheiro econômico na embaixada dos EUA na Cidade do México. Ele também foi chefe de Assuntos Político-Econômicos e vice-diretor principal no Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro, onde ajudou a desenvolver e executar iniciativas bilaterais para apoiar os Jogos Olímpicos do Rio2016, a Copa do Mundo de 2014 e o desenvolvimento das reservas de hidrocarbonetos do pré-sal.

Autor/Fonte: Maurício Martins / A Tribuna



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