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quinta-feira, 18 de junho de 2026

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PORTO DE SANTOS TEM OITO CÃES FAREJADORES PARA COMBATER O TRÁFICO INTERNACIONAL; CONHEÇA OS ANIMAIS


Cachorros da Guarda Portuária ajudam no combate ao crime nas áreas do cais santista

Uma tropa muito especial reforça o combate ao tráfego internacional de drogas no Porto de Santos, em apoio à Polícia Federal (PF) e à Alfândega da Receita Federal. São os oito cães farejadores da Guarda Portuária (GPort), que é vinculada à Autoridade Portuária de Santos (APS).

Apesar da fofura aparente, eles passam por um rigoroso treinamento para identificar entorpecentes e até encontrar cadáveres no complexo portuário. Desde o último dia 14, esses agentes caninos estão sendo treinados nas novas instalações do Canil da Guarda Portuária, em Santos.

A nova sede foi construída nas dependências da APS e é equipada com baias monitoradas por câmeras, sala veterinária, área de treinamento e espaço para banho. “O objetivo é unir bem-estar animal e preparo operacional para missões de alta complexidade”, afirmou o encarregado do canil, Eduardo Soares de Souza, lembrando que, antes, a unidade funcionava no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá.

Dois oito cães, sete são da raça pastor-belga-malinois e um é golden retriever. Os pastores são o Hunter, de 10 anos, o Hulk, de 7 anos, e os cinco filhotes de Hulk — Zeus, Cais, Thor, Venom e Argus —, todos com 1,4 anos. Já o Golden se chama Charlie e tem um ano.

Apesar do comportamento afetuoso, os cães são treinados diariamente para operações de fiscalização no maior porto da América Latina. O principal foco é o faro de drogas em caminhões, cargas portuárias, bagagens, mochilas e suprimentos destinados a navios de cruzeiro. As ações são realizadas em apoio à Polícia Federal e à Receita Federal.

“O treinamento começa cedo: os cães chegam ao canil ainda filhotes, com aproximadamente dois meses de idade. Conforme amadurecem, avançamos em etapas mais complexas do treinamento”, explicou Soares.

Soares disse que a rotina dos animais exige disciplina e controle físico. “Os cães farejadores de drogas (pastores-belga) trabalham em ciclos curtos porque fazem um esforço intenso durante a busca de drogas. “Eles praticamente interrompem a respiração normal para concentrar o olfato na procura das moléculas de odor. Cada sessão dura cerca de 20 minutos, seguida de 40 minutos de descanso”.

Já Charlie, de acordo com Soares, está sendo preparado para a busca de cadáveres. “É uma raça muito fácil de adestrar e excelente para o trabalho de faro. Além disso, ele também participa das atividades sociais do canil por ser um Golden”, afirmou.

Segundo o guarda portuário e adestrador do canil, Cleiton Santos Silva, “o cão tem cerca de 300 milhões de células olfativas, enquanto o ser humano tem por volta de 5 milhões. Com isso, a capacidade olfativa dele é 40 vezes maior que a nossa”.

Soares complementou que, além das operações em terra, a Guarda Portuária já iniciou treinamentos para utilização dos cães em patrulhamento marítimo, ampliando a fiscalização em navios fundeados e áreas molhadas do Porto.

Para Soares, o contraste entre a aparência dócil e a capacidade operacional dos cães costuma surpreender. “Eles são muito carinhosos, mas também extremamente preparados para o trabalho. O cão consegue acessar locais onde nem sempre é possível fazer inspeção visual ou utilizar equipamentos”, disse.

Segundo ele, a presença dos animais também funciona como ferramenta preventiva. “Onde há cães, a fiscalização é mais rigorosa e isso ajuda a inibir ilícitos”, concluiu.

Estrutura

A Autoridade Portuária de Santos (APS) inaugurou as novas instalações do Canil da Guarda Portuária no último dia 14. Instalado junto à sede da APS, o equipamento tem infraestrutura projetada para garantir a eficiência das operações e a saúde dos animais. A planta do edifício foi desenhada para atender às necessidades da corporação, contando com um espaço dedicado para sala veterinária e área de treinamento. Atualmente, a Guarda Portuária conta com oito cães.

Canil é parte do pacote de melhorias

Para o superintendente da Guarda Portuária, Wagner Pinheiro, as novas instalações do canil fazem jus ao grau de excelência que o grupamento tem demonstrado ao longo da atuação no Porto: “Desde sua criação, em 2008, o Canil da Guarda Portuária sempre foi referência no adestramento de cães e na atuação operacional, com destaque para diversas ocorrências que levaram à apreensão de drogas em apoio à Polícia Federal ou à Receita Federal”, explicou Pinheiro.

Contrapartida

O novo canil é a primeira de três edificações contempladas em um pacote de melhorias estruturais previstas no acordo de contrapartida da Autoridade Portuária de Santos com a Santos Brasil. Além do prédio recém-inaugurado, o projeto engloba um Centro de Operações de Segurança na Ilha Barnabé e uma base avançada na Avenida Perimetral da Margem Esquerda. Ainda não há datas previstas para as entregas dessas instalações.

Segundo o diretor de Projetos Estratégicos da Santos Brasil, Bruno Stupello, o investimento total é de aproximadamente R$ 10 milhões. “A Santos Brasil tem compromisso com o desenvolvimento da infraestrutura do Porto e com a segurança das operações portuárias, aspectos fundamentais para a cadeia logística e a sociedade brasileiras”, afirmou o executivo em entrevista para A Tribuna.

Foto: Reprodução - Publicação no Jornal A Tribuna - Santos

Fonte: A Tribuna - Santos


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