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APÓS TENTAR A TERCEIRIZAÇÃO, CDP DIVULGA NOVO CONCURSO PARA A GUARDA PORTUÁRIA

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quarta-feira, 29 de julho de 2026

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PF CONCLUI QUE CONCESSIONÁRIA DE CARROS DE LUXO LAVAVA DINHEIRO DE ESQUEMA DO PCC E CV QUE USAVA O PORTO DO RIO

Empresa em Osasco sofreu intervenção judicial. Dois investigados que estavam presos também passaram a responder por esse núcleo da Operação Commodity

A Polícia Federal concluiu que uma concessionária de veículos de alto luxo, em Osasco (SP), era usada para lavar dinheiro de uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas. Segundo os investigadores da Operação Commodity, o estabelecimento fazia parte da estrutura financeira responsável por dar aparência legal aos recursos obtidos com o envio de cocaína para a Europa, em um esquema que envolvia criminosos do CV e PCC. A Justiça determinou intervenção judicial na empresa.

A investigação também incluiu nesse núcleo Rodrigo de Paula Morgado, apontado pela PF como o "Contador do PCC", e Wanderson Machado de Oliveira, conhecido como "Del Piero" ou "Pen Drive". Os dois já estavam presos por outras investigações, mas agora passam a responder também pelos crimes apurados na Operação Commodity.

Segundo a denúncia apresentada pela PF, "a macroestrutura de lavagem corporativa foi desenhada e gerida pelo operador Rodrigo de Paula Morgado (...), responsável por prover estruturas societárias instrumentais ao grupo investigado".

Morgado também foi investigado na Operação Narco Fluxo, que levou às prisões dos funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan SP. A Polícia Federal aponta o empresário como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa investigada.

PF conclui que concessionária lavava dinheiro do PCC e CV - Foto: Reprodução

A concessionária alvo da investigação ocupa um amplo showroom em Osasco, na Grande São Paulo, onde são expostos dezenas de veículos de alto padrão. As imagens obtidas pelo g1 mostram modelos de marcas como Ferrari, Porsche, Corvette e Land Rover, além de SUVs e esportivos.

PF conclui que concessionária lavava dinheiro do PCC e CV - Foto: Reprodução

Organização tinha divisão de tarefas

De acordo com a investigação, a organização criminosa mantinha uma estrutura altamente especializada, dividida entre um núcleo responsável pelo envio internacional da droga e outro dedicado exclusivamente à lavagem dos recursos obtidos com o tráfico.

A PF afirma que o grupo possuía vínculos operacionais com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), utilizando empresas de fachada, movimentações em criptomoedas e negócios aparentemente regulares para ocultar a origem do dinheiro.

Enquanto Wanderson Machado de Oliveira seria o responsável por coordenar a logística internacional do tráfico e controlar a movimentação financeira da organização a partir da Europa, Rodrigo Morgado seria o operador encarregado de inserir os recursos ilícitos na economia formal.

Rodrigo Morgado foi preso pela polícia Federal em Santos (SP) - Foto: redes Sociais

Segundo a investigação, Morgado fornecia empresas de fachada, utilizava notas fiscais sem lastro e convertia milhões de reais em criptoativos para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.

Porto do Rio era rota

Embora a organização atuasse em diversos estados e mantivesse operações internacionais, parte importante da investigação foi conduzida pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, a partir de apreensões realizadas no Porto do Rio.

As investigações identificaram ao menos seis carregamentos ligados ao grupo entre 2023 e 2025.

Entre eles estão:

  • junho de 2023: apreensão de 25 kg de cocaína no Porto de Le Havre, na França;
  • março de 2024: apreensão de 1.321 kg de cocaína no Porto do Rio de Janeiro, em carga que seguiria para a Bélgica;
  • maio de 2025: apreensão de 651,2 kg de cocaína no Porto de Hamburgo, na Alemanha;
  • setembro de 2025: apreensão de 450 kg de pasta-base de cocaína no Porto do Rio de Janeiro, em remessa destinada à Eslovênia;
  • outubro de 2025: apreensão de 1,5 tonelada de cocaína em porto na Espanha;
  • novembro de 2025: apreensão de cocaína diluída em carga embarcada no Porto de Navegantes (SC), com destino à Eslovênia.

Segundo a PF, a organização escondia cocaína em cargas de café, cimento e argamassa e também utilizava técnicas de adulteração química para tentar escapar da fiscalização, como a diluição da droga em garrafas de refrigerante.

Relação com MC Poze e MC Ryan

Rodrigo Morgado já estava preso desde outubro de 2025, quando foi alvo da Operação Narco Bet. Posteriormente, ele também passou a responder na Operação Narco Fluxo, investigação que resultou nas prisões dos funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan SP.

Segundo a PF, Morgado era responsável por estruturar o braço financeiro da organização criminosa, criando empresas de fachada, emitindo notas fiscais sem lastro e utilizando criptomoedas para ocultar e movimentar recursos do tráfico internacional.

As investigações da Commodity apontam que esse mesmo conhecimento técnico também teria sido empregado para dar suporte financeiro ao esquema responsável por enviar toneladas de cocaína para a Europa por meio de contêineres embarcados em portos brasileiros.

Autora/Fonte: Márcia Brasil / g1 Rio de Janeiro



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terça-feira, 16 de junho de 2026

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NARCOTRÁFICO REDUZ USO DE CONTÊINER E AMPLIA BARCOS PESQUEIROS NO ENVIO DE COCAÍNA À EUROPA, DIZ PF


A Polícia Federal tem identificado uma mudança na estratégia do narcotráfico para escoar cocaína do Brasil para a Europa e a África

Houve redução no uso de contêineres em portos, e os criminosos passaram a investir mais em rotas marítimas alternativas, utilizando embarcações pesqueiras, veleiros e semissubmersíveis.

Dados da Polícia Federal, que agregam informações de diferentes instituições, mostram a apreensão de 15,6 toneladas de cocaína em 2025 em portos brasileiros, uma redução de 76,6% em relação ao pico da série em 2019, no total de 66,8 toneladas.

De acordo com autoridades ouvidas pela reportagem, esses dados indicam uma tendência de redução nas apreensões de cocaína em contêineres, tanto nos portos brasileiros quanto em terminais estrangeiros que recebem cargas provenientes do Brasil.

Para investigadores, essa redução não reflete necessariamente uma diminuição do fluxo de cocaína, mas sim uma mudança nas estratégias adotadas pelas organizações criminosas.

A queda é observada tanto nos casos em que a cocaína é escondida em cargas lícitas, como alimentos, madeira, minério ou produtos industrializados, quanto na modalidade conhecida como rip-on/rip-off.

Nesse método, criminosos violam o contêiner após inspeção e lacração, inserem a droga clandestinamente e, posteriormente, retiram a carga ilícita no porto de destino antes que o contêiner seja entregue. Em geral, exportador e importador não têm conhecimento da operação criminosa.

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em agosto do ano passado, quando a Marinha da França apreendeu seis toneladas de cocaína em uma embarcação de bandeira brasileira em águas internacionais, ao largo da costa da África Ocidental.

A ação foi resultado de um trabalho de inteligência que envolveu a Polícia Federal e agências internacionais da França, Reino Unido e Estados Unidos.

Somente em 2025, sete operações conduzidas em conjunto com autoridades estrangeiras resultaram em apreensões de drogas em rotas marítimas com destino a países como Portugal e França.

Segundo autoridades da Polícia Federal e da Receita Federal, não há um único fator capaz de explicar a redução das apreensões de cocaína em contêineres nos portos brasileiros. Entre as principais hipóteses está o fortalecimento das medidas de segurança portuária nos últimos anos.

Nos principais portos do país, praticamente a totalidade das cargas destinadas à exportação passa por inspeção por scanners. Houve ainda ampliação dos sistemas de videomonitoramento nos terminais, maior controle de acesso às áreas portuárias e aperfeiçoamento dos mecanismos de gerenciamento de risco e fiscalização.

A cocaína é a principal droga exportada pelo Brasil para os mercados internacionais. A maconha aparece em operações voltadas ao combate à entrada de entorpecentes no país para consumo interno.

"A cocaína representa cerca de 80% das apreensões de drogas da Receita Federal voltadas para o exterior", disse o auditor-fiscal Maurício Santos Silva, coordenador-geral substituto de Combate ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal.

A Polícia Federal também observa o aparente aumento do uso de portos de países como Colômbia, Equador e Peru para o envio de cocaína à Europa. Esses países estão mais próximos das áreas produtoras da droga, o que pode representar vantagens logísticas para as organizações criminosas.

As cargas destinadas ao mercado internacional costumam ser operadas por grandes traficantes, conhecidos como brokers, que controlam a compra, o armazenamento e o transporte da cocaína.

Em território brasileiro, frequentemente recorrem ao apoio logístico de facções criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, em regiões onde exercem influência sobre rotas de transporte, áreas portuárias e estruturas de distribuição.

Nesses locais, as facções costumam fornecer serviços de proteção, armazenamento, transporte e facilitação do escoamento da droga.

Como a Folha mostrou, as duas maiores facções criminosas do Brasil estão presentes nas 27 unidades da federação, mas com hegemonia em 13 estados brasileiros.

O PCC tem hegemonia em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Roraima, São Paulo e Piauí. Já o CV tem domínio sobre seis estados: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rio de Janeiro, estado onde surgiu.

Fonte: Raquel Lopes - Brasília – DF -FolhaPress



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sexta-feira, 9 de agosto de 2024

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PORTO COBIÇADO PELO TRÁFICO, GARIMPO, CONTRABANDO - MORTES VIOLENTAS DISPARARAM NO AMAPÁ


Após chegarem à região, facções do Sudeste entraram em conflitos, que se somam à elevada taxa de letalidade policial

Um porto menos fiscalizado do que os de outros estados atraiu facções criminosas em busca de novas rotas para traficar drogas. E a guerra entre essas organizações se misturou à alta letalidade em ações policiais para fazer o Amapá ter o maior crescimento de mortes violentas intencionais no país no ano passado (39,8%), segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O mesmo relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que divulgou esse percentual na quinta-feira apontou Santana, ao lado de Macapá, como a cidade mais violenta do Brasil. A capital do estado está em nono lugar no ranking.

Segundo o anuário, a maior taxa de mortes violentas do país se concentra no Sul do estado, entre Macapá, Santana, Itaubal, Mazagão, Laranjal do Jari e Vitória do Jari. Um dos motivos para essa concentração está no Porto de Santana, que atrai criminosos por ser uma via de acesso à Região Amazônica e pela maior proximidade com a Europa. A taxa de letalidade policial no estado é de 23,6 mortos por 100 mil habitantes.

— Nos últimos três anos, começamos a ter a chegada de braços de grupos de São Paulo e Rio de Janeiro, o que envolve conflito com os grupos locais — opina o geógrafo Aiala Couto, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Universidade do Estado do Pará (Uepa). — A polícia do Amapá é violenta. É como se tivesse carta branca para matar — acrescenta.

Embora a taxa de letalidade policial seja de 23,6 mortos por 100 mil habitantes, o governo do Amapá atribui o aumento no número de mortes ao enfrentamento entre grupos criminosos. As autoridades locais chamam a atenção para resultados positivos no primeiro semestre de 2024, com uma queda de 32% nos crimes violentos letais intencionais, quando comparado ao mesmo período do ano passado. O número de vítimas caiu de 175 para 119 (os dados do anuário são referentes a 2023).

— Não acho que seja possível fazer uma análise, já que os números seguem elevados e mantêm o estado lá em cima no ranking — ressalva Aiala Couto.

O governo do estado informou ainda ter adotado estratégias juntamente com o Ministério da Justiça, como a Operação Hórus, uma ação permanente em municípios fronteiriços. A aquisição de equipamentos como viaturas, drones e armamentos também é lembrada para demonstrar o esforço no combate à criminalidade.

Aumento da Violência no Amapá

Mapa mostra região onde episódios de violência se concentraram — Foto: Editoria Arte O Globo

Para especialistas, a movimentação de facções do Sudeste, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), rumo ao Norte envolve a busca por novas rotas para movimentar cocaína diante do desgaste das vias tradicionais. É o caso da chamada “rota caipira”, que vai do Paraguai até o Porto de Santos.

— Ela é bem conhecida e mapeada. Há sistemas recentes para mapeamento de voos clandestinos, e a droga chega em portos cada vez mais fiscalizados — explica o pesquisador Gabriel Patriarca, do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP.

As 10 cidades mais violentas em 2023

Ranking mostra as cidades mais violentas do Brasil em 2023 — Foto: Editoria Arte O Globo

Conexões globais

A migração faz métodos usados em outros estados serem repetidos no Amapá. No dia 10 de abril, uma operação da Polícia Federal (PF), em operação conjunta com as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), prendeu integrantes de uma organização que usava mergulhadores para colocar drogas em cascos de navios no Porto de Santana, prática que já foi detectada em Santos e no Sul do país. Os criminosos vinham do Rio Grande do Norte e de São Paulo.

Na chegada ao estado, o PCC se associou à facção local Família Terror do Amapá (FTA), enquanto o CV buscou apoio da Amigos para Sempre (APS). Outro fator que atrai esses grupos é a proximidade do estado com o Suriname e a Guiana Francesa.

— Hoje você tem uma conexão global do narcotráfico e outros tipos de atividades ilegais — afirma Aiala Costa — Há uma conexão que pega a Guiana e o Suriname em direção à Europa. Santana é estratégico nesse contexto.

Fonte: O Globo


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quinta-feira, 4 de abril de 2024

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COMO O PCC MONTOU UMA REDE PARA DESPACHAR DROGA PELO PORTO DO INIMIGO


Com aumento da fiscalização no Porto de Santos, o PCC ampliou conexões para enviar cocaína à Europa pelo Porto do Rio, onde impera o CV

O aumento da fiscalização contra o tráfico internacional de drogas no Porto de Santos, nos últimos anos, levou o Primeiro Comando da Capital (PCC) a montar uma ampla rede criminosa para migrar parte do bilionário esquema de envio de cocaína à Europa, por via marítima, para o Porto do Rio de Janeiro, onde impera o Comando Vermelho (CV), rival da facção paulista.

Investigações feitas ao longo de dois anos pela Polícia Federal (PF), que contou com um agente infiltrado na organização criminosa, mostram como o PCC recrutou funcionários do porto fluminense, despachantes com acesso a contêineres de navios de carga e operadores altamente influentes na logística de envio da cocaína no Brasil e recebimento da droga no continente europeu.

Entre as peças-chave no esquema descoberto pelos policiais federais, estavam Chendal Wilfrido Rosa, conhecido como “Gringo” ou “Bolt” e apontado como representante da máfia italiana ‘Ndrangheta no Brasil, e Cleide Roseane Boettsche, vulgo Isa, braço direito de Karine de Oliveira Campos, a “rainha do pó”, que era considerada a maior exportadora de cocaína via portos do país e está foragida desde 2021.

De babá a operadora do tráfico

Uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) feita a partir da Operação Brutium, deflagrada em 2022, mostra que, antes de ascender como operadora do tráfico, Isa era babá de um dos filhos da “rainha do pó” e assumiu a responsabilidade pelas negociações do grupo criminoso após a decretação da prisão de Karine, em 2019, pelo envio de 5,3 toneladas de cocaína para o exterior.

Segundo o MPF, Isa atuou como representante comercial do PCC, em território fluminense, até fevereiro de 2022, quando foi presa na operação da PF. Antes de ser detida, ela havia passado a “cuidar do cofre” da patroa, incluindo os pagamentos de advogados para a “defesa de lideranças do PCC” e também de “algumas lideranças políticas do Brasil”, não especificadas.

Isa foi condenada a 15 anos por tráfico e associação ao tráfico de drogas, em regime fechado, e segue atrás das grades. Segundo o MPF, ela estava “diretamente envolvida” na operação para enviar 300 quilos de cocaína para o porto de Le Havre, na França. A embarcação, contudo, foi apreendida durante o percurso, no porto de Tanger, no Marrocos.

Assassinos do Caribe e máfia italiana

Toda essa operação, que envolvia o transporte terrestre da droga desde a Baixada Santista até o Porto do Rio, contava com a participação do grupo de Chendal Wilfrido Rosa, natural de Curaçao, ilha holandesa no Caribe. Ele é apontado como integrante do grupo criminoso No Limit Soldiers — envolvido com tráfico internacional e especializado em assassinatos por encomenda — e representante da ‘Ndrangheta no Brasil, principal cliente do PCC na Europa.

Antes da operação de 2022, Chendal já tinha sido preso e acusado pelo crime de tráfico internacional de drogas na Holanda e em Aruba, outra ilha caribenha, envolvido no envio de cocaína para a Europa e para a África. Segundo o MPF, ele “participou efetivamente” da remessa de quase uma tonelada de cocaína para os portos da Antuérpia, na Bélgica, e de Valência, na Espanha.

De acordo com a investigação, a cocaína adquirida no Brasil, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, oriunda de países produtores como Colômbia, Peru e Bolívia, custa em torno de U$ 5 mil. Já no destino final, na Europa, o valor pago por compradores gira em torno de € 25 mil e € 30 mil. Isso rende cerca de R$ 100 mil de lucro líquido a cada quilo da droga vendido no exterior.

Agente da PF infiltrado

A descoberta do esquema envolvendo o tráfico de drogas do PCC via Porto do Rio só foi possível graças à atuação de um agente da PF infiltrado na organização criminosa. O policial foi contratado pelo grupo chefiado por Isa e Chedal, que pagou o equivalente a R$ 3,3 milhões em dólar, acreditando que o falso atravessador enviaria 1,75 tonelada de cocaína, dividida em seis cargas diferentes, para o outro lado do Atlântico.

Segundo a investigação resultante do trabalho do policial infiltrado, Isa contratou o agente, acreditando que ele seria um facilitador no Porto do Rio de Janeiro para despachar 300 kg de cocaína para o Porto de Le Havre, na França. Meses antes de sua prisão, Isa recepcionou o agente infiltrado em um apartamento no Leme, zona sul do Rio de Janeiro, em outubro de 2021.

Pelo serviço prestado na operação, o agente infiltrado recebeu US$ 640 mil da organização criminosa. A droga despachada em um contêiner no navio, contudo, foi interceptada em Marrocos, após alerta emitido pelas autoridades brasileiras àquele país.

Graças ao trabalho do agente, a PF pôde identificar parte da rede de contatos usada pela facção paulista para despachar cocaína por meio do porto fluminense. Ao longo de dois anos de investigações com a infiltração policial, foram realizadas seis ações controladas e 12 interceptações telefônicas.

Chendal e Isa foram presos durante a Operação Brutium da PF, deflagrada com base nas investigações do agente infiltrado, em 2022. Além deles, outros 17 criminosos envolvidos no tráfico internacional de drogas foram detidos. Do total, 14 residiam no litoral paulista — nove, no Guarujá.

Fonte: Metrópolis- Por Alfredo Henrique


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quinta-feira, 3 de agosto de 2023

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VIOLÊNCIA NO SUL CRESCE EM MEIO A DISPUTA DE FACÇÕES POR TERRITÓRIO E CONTROLE DE PORTOS

 

Na contramão do resto do país, a região e o Centro-Oeste viram taxas de mortes aumentarem em 2022, segundo Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Disputas entre facções criminosas pelo controle de territórios e da logística do tráfico de drogas podem estar por trás do aumento de mortes violentas no Sul do Brasil. Na contramão de grande parte do país, a região teve aumento nas mortes.

A alta foi de 3,4% de 2021 a 2022, segundo divulgado na quinta (20) no 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O Centro-Oeste, disputado por facções de alcance nacional pelas regiões de fronteira para escoamento de drogas, teve alta de 0,8% no indicador. O índice de mortes violentas intencionais reúne os crimes de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção policial, considerando agentes que estão ou não em serviço. As demais regiões tiveram queda.

Lideram, em números absolutos, o Paraná, com 2.595 vidas perdidas, e o Rio Grande do Sul, com 2.154 vítimas desses crimes. Santa Catarina, historicamente o estado com menos mortes na região, teve uma redução de 746 para 689 óbitos (7,6%) de 2021 para 2022.

Segundo Giovane Camargo, pesquisador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná, a disputa pelo mercado ilegal de drogas, que tem ouvido pelo controle de regiões portuárias, é uma das principais causas da violência no estado.

Isso porque o PCC (Primeiro Comando da Capital) tem um domínio tradicional no estado e atua na região do Porto de Paranaguá, grande ponto de escoamento de drogas para o exterior. "Por outro lado, Santa Catarina tem o Primeiro Grupo Catarinense, o PGC. O PCC tentou chegar até o estado, mas o PGC acabou não se vinculando."

Essa tentativa tinha como objetivo dominar as operações ilegais no porto catarinense de Itajaí. Com o colapso entre a facção paulista e o CV (Comando Vermelho), em 2016, a situação se agravou, já que os catarinenses se aliaram ao grupo criminoso do Rio de Janeiro. "Isso gera um embate muito violento."

Não à toa, Paranaguá é uma das 50 cidades mais violentas do país. "A questão do controle de distribuição de drogas é a causa central da violência homicida no país", diz Camargo.

Embora Santa Catarina seja um estado com menor população e registre menos mortes violentas, o estado também está envolvido em conflito, já que há circulação de drogas e armas indo e voltando para o Paraná.

"Não saímos desse problema porque as facções se alimentam do próprio encarceramento produzido pela guerra às drogas. Quanto mais pessoas presas por tráfico, mais recrutamento no sistema penitenciário para essas organizações. Quando saem, essas pessoas continuam o ciclo da violência. É um beco sem produção produzida pela repressão."

No Rio Grande do Sul, a dinâmica da violência está ligada, segundo especialistas, a disputas territoriais de facções locais. "Todos os estudos no estado mostram que os homicídios estão ligados a facções, tráfico de drogas e delitos violentos, como roubo. Não há uma estabilidade como a do PCC em São Paulo, por exemplo" diz o sociólogo Rodrigo Azevedo, coordenador do Observatório de Segurança Pública da Escola de Direito da PUCRS.

Segundo Azevedo, um dos fundadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a facção mais antiga no estado é a dos Manos. "Depois tínhamos o iniciado dos Brasas, que acabou. Os Manos ainda são a mais forte e com ramificações na Grande Porto Alegre, em Novo Hamburgo e São Leopoldo."

Há cerca de dez anos, o grupo Bala na Cara ganhou força e desafiou a hegemonia de outras facções com o uso e exibição, em vídeos na internet, de violência. Em resposta, segundo Azevedo, facções menores se organizaram sob a bandeira dos anti-Bala. "São grupos localizados nos bairros e organizados dentro do presídio central de Porto Alegre para combater o crescimento e a invasão dos territórios."

Em 2017, durante o cenário nacional também enfrentou uma ruptura entre PCC e CV (Comando Vermelho), os conflitos por território se agravaram no estado. Isso foi verificado com uma alta nas mortes registradas na série histórica do fórum.

Apesar das quedas após o período, a região, diz Azevedo, ainda sofre com uma perturbação causada pela captura de acordos de não violência entre os grupos criminosos locais. Não à toa, ele aponta que Rio Grande é uma das 50 cidades mais violentas do país, junto com Alvorada.

"Em Santa Catarina, há índices historicamente mais baixos, e a discussão no estado é sobre outras políticas públicas de segurança. Aqui, o problema é essa alta fragmentação. E muitos homicídios acabam não sendo esclarecidos, o que leva à falta de responsabilização criminal por esses mortes".

Na região Centro-Oeste, uma piora nas disputas pelo controle da distribuição de drogas pode ser um fator para o aumento da violência. "O que se sabe é de um recrudescimento nas disputas entre PCC e CV. Em Mato Grosso do Sul, com a morte do traficante Jorge Rafaat, em 2016, o PCC havia se tornado hegemônico", disse Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. "É uma reação no estado e em Mato Grosso para retomar o espaço perdido desde 2016."

Fonte: Folha de São Paulo – Por Lucas Lacerda


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