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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

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INFLUENCIADORA E ADVOGADO SÃO PRESOS SUSPEITOS DE COMANDAR ESQUEMA DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS LIGADO À MÁFIA ITALIANA

Segundo a Polícia Federal, Paula Simões e Patrick Cardoso assumiram as operações criminosas após a prisão de integrantes da 'Ndrangheta, em 2019.

Uma investigação conjunta das polícias do Brasil e da Itália revelou um esquema milionário de tráfico internacional de drogas ligado à 'Ndrangheta, uma das principais organizações mafiosas italianas. Segundo a Polícia Federal, a influenciadora digital Paula Simões e o advogado Patrick Cardoso comandavam operações de envio de cocaína para a Europa a partir de portos brasileiros.

Os dois foram presos em uma operação que faz parte de uma série de investigações iniciadas em 2019, quando Nicola Assisi e o filho, Patrick Assisi, integrantes da máfia da Calábria, no sul da Itália, foram encontrados escondidos em Praia Grande, no litoral de São Paulo.

Paula é casada com Patrick Assisi e, segundo os investigadores, assumiu a representação dos negócios criminosos do marido após a prisão dele. O advogado Patrick Cardoso, que defendia os mafiosos, teria atuado como intermediário entre os presos e os integrantes da organização que continuavam em liberdade.

O esquema

Os criminosos contratavam a logística de Paranaguá para exportar grandes quantidades de cocaína para o exterior, e também usavam doleiros para fazer essa movimentação financeira.

O Fantástico mostrou como quadrilhas atuavam no porto para esconder drogas dentro de contêineres, muitas vezes a serviço da máfia italiana, que continuou operando mesmo após a prisão de Nicola e Patrick Assisi.

"'A esposa de um desses mafiosos trocava muitas mensagens com um advogado, que era quem os representava quando foram presos, tratando sobre fornecedores de droga, pagamento de dívidas. E conversas ali com um indicativo muito forte de atuação do narcotráfico internacional", afirmou Eduardo Verza, delegado da Polícia Federal.

Segundo a Polícia Federal, Patrick Cardoso se aproveitava das prerrogativas da advocacia e do contato privado com os clientes presos para transmitir recados dos mafiosos. Os investigadores identificaram fotografias de bilhetes e dos próprios integrantes da máfia feitas dentro da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Nos bilhetes, os mafiosos davam orientações sobre os negócios da organização criminosa, incluindo informações sobre pessoas que deviam dinheiro ao grupo.

Em uma das cartas, Patrick Assisi orientava a esposa, Paula, a enviar um comparsa conhecido como 'BXX' para recuperar todo o dinheiro e os bens que pudessem ser vendidos.

O depoimento de um integrante da própria 'Ndrangheta, na Itália, ajudou a confirmar que havia uma nova liderança da organização criminosa no Brasil.

Investigação

Em 2020, Brasil e Itália, com apoio da Interpol, passaram a investigar juntos as operações criminosas dessa máfia italiana — tanto aqui no Brasil como em vários países da Europa — e descobriram que o grupo criminoso abriu uma "exceção" para a influenciadora Paula Simões ser a representante deles por aqui.

"Pelas próprias regras da máfia, normalmente, a mulher não tem tanto protagonismo. Mas nesse caso, sim", revelou o delegado Verza, responsável pelo caso.

No celular de Patrick Cardoso, foram encontradas fotos dele com drogas e grandes quantias de dinheiro. Segundo a polícia, o advogado também se aproveitava da profissão para desenvolver atividades criminosas com integrantes do Comando Vermelho.

Fotos encontradas no celular do advogado patrick cardoso, com drogas e grandes volumes de dinheiro - Foto: reprodução TV Globo

Quando Paula e o advogado Patrick assumiram os negócios ilícitos, o grupo tinha mais de duas toneladas de cocaína em estoque. Em conversas interceptadas pela investigação, realizadas por meio de um aplicativo usado exclusivamente por criminosos, os comparsas do marido de Paula discutiam acertos relacionados ao tráfico de drogas.

Segundo a polícia, em uma conversa em italiano, Paula acerta com mafiosos o envio de 400 quilos de cocaína para a Europa.

Traficante: "Qual é o preço do seu material?"

Paula: "4.800, amigo."

Traficante: "Em Paranaguá, certo?"

Paula: "Eu vou tirar fotos esta semana, ok?"

Traficante: "É importante que seja top."

Paula: "Porém, para mandar para Paranaguá, com o frete, fica 5150, ok?"

Para a polícia, as mensagens deixam claro que Paula e Eduardo eram os representantes dos Assisi fora da cadeia.

"BXX" é Franklin Rodrigues de Oliveira, que integrava a quadrilha desde a época em que Nicola e Patrick Assisi ainda estavam soltos. Ele era o responsável pelas remessas de drogas e pelos pagamentos do grupo.

Franklin também atuava como elo entre integrantes da máfia italiana 'Ndrangheta e facções criminosas brasileiras.

Ele era sócio de Willian Barile, preso em 2025 e conhecido como um "faz-tudo" do Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante a operação policial, Franklin tentou fugir, mas acabou preso em uma garagem.

""A gente tem visto que a 'Ndrangheta teve a capacidade de desenvolver relações estreitas e fortes com organizações sul-americanas, como os cartéis colombianos, assim como o PCC e o Comando Vermelho do Brasil", disse Andrea Caputo, coronel da polícia italiana.

O que dizem as defesas

Os advogados de Franklin Rodrigues de Oliveira afirmaram que não vão comentar as acusações contra o cliente e que vão demonstrar a inocência dele à Justiça.

A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da advocacia ao longo de 25 anos de carreira e que já apresentou um pedido de revogação da prisão preventiva.

O advogado de Paula Simões afirmou que ela nega todas as acusações e que nenhuma droga foi apreendida com ela. Segundo a defesa, a suspeita de que as atividades criminosas teriam continuado após a prisão dos Assisi são inferências da autoridade policial, não fatos comprovados.

Segundo a polícia, o grupo comandado pelos mafiosos liderava um esquema de tráfico internacional de drogas que movimentou quantias incalculáveis de dinheiro.

Fonte: g1globo – Programa Fantástico– Rede Globo


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quarta-feira, 1 de julho de 2026

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MPF OBTÉM CONDENAÇÃO DE MAIS SEIS ENVOLVIDOS EM ESQUEMA DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS NO PORTO DE SALVADOR


Grupo criminoso, desarticulado pela Operação Descontaminação, inseria cocaína em contêineres de cargas lícitas com destino à Europa

O Ministério Público Federal (MPF) obteve a condenação de mais seis integrantes de organização criminosa (ORCRIM) desarticulada na Operação Descontaminação, conduzida pela Polícia Federal (PF).

A 2ª Vara da Justiça Federal acolheu a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF e condenou os envolvidos pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público. As penas variam de 12 a 20 anos, em regime fechado.

Segundo a denúncia, o grupo condenado utilizava a técnica conhecida internacionalmente como “rip-on/rip-off”, que consiste na inserção clandestina de drogas em contêineres de exportadores legítimos sem o conhecimento dos proprietários da carga. O objetivo era enviar grandes quantidades de cocaína para portos da Europa, especialmente na Holanda, Bélgica e Espanha, utilizando o Porto de Salvador, na Bahia.

Acesso restrito e lacres clonados

O esquema contava com estrutura especializada e divisão de tarefas, incluindo uso de informações privilegiadas sobre cargas e embarques, atuação de pessoas com acesso ao terminal portuário, veículos clonados, lacres falsificados e apoio logístico.

Funcionários do terminal portuário (núcleo de inteligência) acessavam os sistemas internos para selecionar contêineres localizados em “pontos cegos” das câmeras de segurança. Para entrar na área restrita do pátio, os criminosos usavam carros clonados com logomarcas de empresas prestadoras de serviço do porto, além de subornar vigilantes para burlar as vistorias.

Técnicos de refrigeração cooptados chegavam a sabotar peças dos contêineres para gerar um falso chamado de manutenção, o que justificava a presença prolongada deles no local. Após colocar as sacolas com a droga na carga, o grupo rompia os lacres originais das portas e os substituía por cópias falsificadas a laser, que mantinham a numeração verdadeira para ocultar a violação até o destino final.

Penas e crimes

As sentenças variam de acordo com a gravidade das condutas e o número de crimes cometidos por cada um dos envolvidos. Todos os réus foram condenados a iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.

As penas aplicadas vão de 12 anos e 3 meses a 20 anos, 8 meses e 7 dias de reclusão, além do pagamento de multa. O principal réu foi condenado por tráfico internacional de drogas, constituição e financiamento de organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.

Ainda cabe recurso da decisão - Ação Penal nº 1061357-89.2020.4.01.3300.

Outra Condenação

Em março o MPF obteve a condenação de sete funcionários portuários envolvidos em esquema.

Na denúncia, o MPF apresentou conjunto de provas com imagens de câmeras de segurança, interceptações telefônicas, relatórios de inteligência, vigilância de campo e perícia em celulares, que detalharam o modo de agir de cada envolvido. O material demonstrou a divisão de tarefas, o planejamento prévio das ações e a atuação estável dos grupos.


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