Lindomar Furtado foi preso no Rio de Janeiro em 2025,
depois de passar 3 anos foragido. Em 2022, ele fugiu da mansão onde morava no
Paraguai
A Justiça Federal no
Rio condenou a 37 anos de prisão o homem apontado como um dos chefes de uma
quadrilha que exportou mais de 6 toneladas de cocaína do Brasil para a Europa.
De acordo com a
sentença, Lindomar Reges Furtado não poderá recorrer em liberdade. Ele foi
considerado culpado pelos crimes de tráfico internacional de drogas,
pertencimento à organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Lindomar foi um dos
alvos da Operação Turfe da PF, que em fevereiro de 2022 tentou prender 20
acusados de envolvimento com o tráfico internacional de cocaína.
Na ocasião, câmeras
do condomínio de luxo onde ele fica a mansão onde ele morava, em Hernandárias,
no Paraguai, perto da fronteira com o Brasil, flagraram o traficante saindo em
um carro preto pelo portão principal do local, 50 segundos antes da chegada da
polícia.
Segundo as
investigações, a quadrilha enviou 6,68 toneladas de cocaína para a Europa e África
em 14 remessas distintas, entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2022. Outras
duas tentativas de remessa da droga não tiveram sucesso porque a droga foi
apreendida.
De acordo com o
inquérito, os criminosos usavam uma estratégia ousada. Primeiro, retiravam do
porto do Rio um contêiner já lacrado com mercadorias legalizadas, sem o
conhecimento das transportadoras. O contêiner era levado para galpões, a
maioria dentro de favelas dominadas pelo tráfico. Lá, os bandidos substituíam
parte da carga pela droga. Em seguida, o contêiner era levado novamente para o
porto, onde era embarcado em navios com destino à Europa e à África.
Lindomar foi preso
pela Polícia Federal em fevereiro do ano passado em um condomínio de luxo no
Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio. Antes disso, ficou três anos
foragido.
Durante esse tempo,
tentou mudar o rosto para permanecer foragido da Justiça nesses 3 anos: segundo
a PF, ele fez harmonização facial, colocou lentes dentárias e usava perucas.
Quando foi preso, Lindomar usava uma peruca. Além da mudança visual, Lindomar
usava outro nome: Fabiano. Assim se apresentava a vizinhos do condomínio de
luxo onde estava residindo no Recreio dos Bandeirantes.
Em seu
interrogatório, diante do juiz, Lindomar preferiu ficar em silêncio. Segundo a
sentença da Justiça Federal, "todas as provas reunidas no processo
demonstram que Lindomar R. Furtado, ao lado de Cristiano Córdova Nascimento,
era o líder de uma organização criminosa dedicada ao tráfico transnacional de
cocaína. E, como tal, era o responsável pela negociação com os fornecedores da
droga, na América do Sul, e com os seus compradores, estabelecidos
principalmente em Dubai. Essas atividades também lhe conferiam preeminência na
administração dos recursos financeiros do grupo, que eram depositados em contas
bancárias no exterior e posteriormente, ao menos em parte, eram internalizados
de maneira dissimulada no Brasil".
As investigações
mostraram que a cocaína exportada pelo Porto do Rio era comprada da Bolívia e
da Colômbia.
De acordo com a
sentença, os integrantes da organização criminosa "atuaram em toda a
cadeia relacionada ao entorpecente: negociação da droga com compradores
estrangeiros que a distribuiriam na Europa, aquisição da droga com fornecedores
na Bolívia e na Colômbia, envio da droga para o Paraguai, importação da droga
no Brasil, transporte da droga para cidades portuárias brasileiras,
armazenamento da droga para aguardar o embarque, corrupção de agentes
portuários para permitir a entrada da droga nos terminais e a violação dos
contêineres nos quais ela seria introduzida clandestinamente e, por fim,
logística de carregamento da droga nos contêineres destinados à
exportação".
A operação que
investigou o esquema de tráfico internacional de drogas foi batizada de “Turfe”
em alusão a Cristiano Córdova Nascimento, apontado como chefe do grupo
criminoso junto com Lindomar.
Cristiano era dono
de dezenas de cavalos de corrida, alguns premiados, e segundo a PF, usava o
turfe para lavar o dinheiro sujo do tráfico. No dia da operação, Cristiano foi
preso ao desembarcar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Em outubro de 2023,
Cristiano foi condenado a 26 anos e 3 meses de prisão.
O que dizem os citados
Em nota, o advogado
Silmar Júnior, que defende Lindomar Furtado, declarou que "irá recorrer da
sentença, uma vez que no decorrer do processo ficaram demonstradas várias
falhas ilegais sobre a investigação. Fatos que serão discutidos em sede
recursal, conforme entendimentos dos Tribunais Superiores".
O advogado Diogo
Ferrari, de Cristiano Córdova, disse que "questionou a legalidade e os
limites da infiltração policial que serviu de base à investigação. O ponto
central é que o agente infiltrado não apenas observou os fatos. Valendo-se de
decisão judicial, ele participou da dinâmica investigada e ofereceu uma
estrutura logística que só poderia existir com apoio estatal. Nenhuma
organização criminosa possui esse tipo de logística, que conta com o apoio da
Polícia Federal e do Poder Judiciário para sua execução, tornando a operação de
tráfico internacional de drogas verdadeiramente infalível".
Afirmou ainda que
"a condenação foi objeto de recurso de apelação, no qual sustentamos a
ilicitude da infiltração e das provas dela derivadas. Combater o crime
organizado é indispensável. Mas, quando o Estado cria as condições para que o
delito aconteça, a linha entre investigar e fabricar prova se torna
perigosamente estreita".
Autor/Fonte: Lucas Machado, Marcelo Gomes, GloboNews – g1 rio de janeiro
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